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segunda-feira, 5 de novembro de 2018

Cebolinha: HQ "O cavaleirinho da pouca elipse"

Mostro uma história clássica de uma aventura em que o Cebolinha e a turma tiveram que enfrentar os cavaleiros do Apocalipse, que eram as pragas da morte, guerra,fome e peste, que escaparam do cativeiro no Céu. Com 11 páginas no total, foi publicada em 'Cebolinha Nº 70' (Ed. Abril, 1978).

Capa de 'Cebolinha Nº 70' (Ed. Abril, 1978)

Nela, Cebolinha e Cascão estão jogando bafo e Mônica olhando o jogo deles, quando ouvem um barulho muito alto de andar de cavalo. Cebolinha chama atenção da Mônica para parar de fazer barulho porque ele quer ganhar as figurinhas do Cascão.


Logo depois, volta o barulho e Cebolinha grita para ela não atrapalhar. Em seguida, mais uma vez o  barulho alto e Cebolinha grita que não joga mais ao lado da bobona. Mônica olha para o alto assustada e gaguejando cavalo. Cebolinha pensa que ela está o chamando de cavalo e diz que cavalo é a vovozinha e depois ao ouvir de novo o barulho, ele olha para o alto e diz para o cavalo voador olhar para onde anda e aí que percebe algo errado, ficando surpreso.


Em seguida, Anjinho cai em cima do Cebolinha e da Mônica. Anjinho está desesperado e fala que eles têm que salvar a Terra e  não há um minuto a perder. Mônica, assustada, sacode o Anjinho falando para ele ter calma e acordar.

Anjinho avisa que os 4 cavaleiros do Apocalipse chegaram e explica que eles são as piores pragas do mundo, os cavaleiros da morte, da fome, da peste e da guerra, e por onde passam só há a destruição. Antes eles viviam na Terra só que se tornaram tão perigosos que o chefe dele mandou prendê-los e guardados por anjos da máxima segurança e afastados da Terra. Só que algum anjo acabou cochilando e acabaram escapando e voltando para Terra e no caminho quase atropelaram o Anjinho. Mônica pergunta porque os anjos a segurança máxima não vem buscá-los e Anjinho diz que estão vindo, mas que ele tem medo que antes dos anjos chegaram e que seja tarde demais.


Eles vão até onde os cavaleiros do Apocalipse estavam e viram que transformaram um campo todo florido em trevas. Os cavaleiros conversam entre si, querendo saber com a Morte quando vão poder agir, espalhar fome e doenças por aí. A Morte fala que pra eles observaram como o planeta mudou desde que eles foram aprisionados e acham que vai ser divertido devastar tudo de novo.

A turma fica apavorada, com Cascão falando que Magali não ia gostar desse negócio de fome, Cebolinha falando que pegou sarampo e não quer pegar de novo e Mônica já quer atacá-los pra impedir que destruam as flores do jardim dela. Anjinho impede de Mônica atacar, falando que são muito perigosos e pra turma segui-lo porque ele tem um plano.


Depois, os cavaleiros do Apocalipse estão prestes a atacar a Terra quando alguém interrompe falando para esperar. A Morte pergunta quem ousa interrompê-la e então surge a turma como "os cavaleirinhos da pouca elipse", cada um caracterizado como a versão mirim dos cavaleiros originais. Eles conversam falando mal de cada um de seus cavaleiros parodiados e mandam eles sentarem em uma cadeira de balanço, tratando como velhos mixurucas e por fora e que os novos cavaleirinhos iam tomar conta do planeta.


Eles tomam satisfação com a turma, que insistem que são velhos acabado e surdos, são antiquados e que os métodos de morte, espada, fome e sarampo não se usam mais. Eles não acreditam, falando que são muito poderosos e Anjinho, caracterizado como Morte, pergunta para a Morte o que faria com uma flor. Ela joga um raio da sua foice, mas a flor não é destruída, continua inteira sem murchar. Morte lança de novo o raio e continua a flor intacta e ainda joga água na cara dela. Anjinho diz que nem uma flor respeita mais a Morte e assim os métodos dela estão ultrapassados.


O Cavaleiro da Guerra fala para Mônica, caracterizada como ele, que a espada dele continua afrontando exércitos e Mônica pede pra ele mostrar como ele afronta um grupos meninos que estavam brincando de bafo. Guerra chegando gritando e os meninos tacam pedra n a cara dele e dá paulada no pé, falando que era pra gritar com outro e não fazer perder as suas figurinhas. Mônica faz a parte dela, querendo saber quem deu nó no coelhinho e assim os meninos saem correndo e mostra que o seu coelhinho é mais assustador que a espada do Guerra.


Em seguida, e a vez de Cascão e Cebolinha derrotarem juntos os cavaleiros da Peste e da Fome, respectivamente. Eles falam que a Morte e a Guerra podem estar ultrapassadas, mas eles continuam poderosos e o tempo não passou para eles. Cebolinha, então, manda ver o que fazem com um rapaz que estava parado bem longe para provar que são poderosos ainda. Eles lançam raios juntos jogando muita fome e muita doença para ele, que ia acabar caindo duro e nem se aguentar deitado. Eles estranham do rapaz estar em pé ainda e então Cebolinha e Cascão fazem a tentativa deles. Eles falam olha o banho e o "rapaz" sai correndo na visão deles. Na verdade, era um espantalho amarrado no Bidu e quando eles falam em banho, Bidu sai correndo levando o espantalho.


Os cavaleiros saem e voltam logo depois caracterizados com as roupas e objetos dos cavaleirinhos, como a Morte com capuz estampado com flores, a Guerra com o coelhinho da Mônica, e que agora com as novas tecnologias serão mais invencíveis e mais terríveis. Porém, foi bem na hora que chegaram os anjos de segurança máxima e conseguem prender os cavaleiros do Apocalipse e eles vão percorrendo o Céu até sumir. A turma olha um para o outro e no final voltam a jogar bafo como no inicio da história e o Anjinho dormindo na sua nuvem, tudo agindo normalmente, como se nada tivesse acontecido.


Uma história excelente mostrando uma aventura da turma enfrentando as pragas do mundo, uma paródia da Bíblia. Trataram como personificação e que não existiam mais na face da Terra até eles escaparem do prisioneiro no Céu. O plano do Anjinho até que foi interessante de mostrar que estão ultrapassados, aproveitando que os cavaleiros ficaram muitos anos fora da Terra e que o mundo evoluiu com isso, uma forma de despistá-los, até dar tempo de chegarem os anjos a segurança máxima. Uma crítica com o que acontecia e ainda acontece de ruim no mundo, pode-se dizer que hoje eles estão soltos por aí castigando a todos novamente.


Era comum na época histórias de aventura assim, com a turma enfrentando altos perigos, mas que sempre terminava bem no final. Aliás, o final tem uma dupla interpretação: ou a turma seguiu agindo como se nada tivesse acontecido, como era de costume nas histórias de aventura da época ou então no momento que os cavaleiros sumiram no Céu, os anjos da segurança máxima fizeram apagar da memória deles tudo que tinha acontecido. Aí fica a critério do leitor julgar a melhor versão, algo que também gostavam de colocarem final com várias interpretações e despertar imaginação.


Os traços bem típicos do final dos anos 70, com eles superfofinhos e umas caretas de olhos arregalados e uma boca com bico quando mostrados os personagens de perfil, bem no estilo desse tipo de traços. Completamente incorreta, principalmente por dar destaque às desgraças do mundo e não fariam mais histórias assim. A Morte mostrada não é a Dona Morte da Turma do Penadinho, que só iria estrear nos gibis a partir de 1983, sendo que uma vez ou outra aparecias nas tiras de jornais do Penadinho. Essa Morte perversa também apareceu em uma história do Chico Bento de 1980. Sansão não tinha nome ainda naquela época e era chamado apenas de coelhinho nas histórias, como nessa.

Foi republicada depois em 'Almanaque do Cebolinha Nº 4' (Ed. Globo, 1988), de onde foi tirada as imagens. Muito bom relembrar essa história clássica, lançada há exatos 40 anos.

Capa de 'Almanaque do Cebolinha Nº 4' (Ed. Globo, 1988)

sábado, 27 de outubro de 2018

Mônica: HQ "A grande descoberta"


Dia 27 de outubro, é aniversário do mestre Mauricio de Sousa. Em homenagem ao mestre, mostro uma história clássica em que o Mauricio conta por que a Mônica e outros personagens não terem dedos e unhas nos pés e o Cebolinha trocar o "R" pelo "L". Com 7 páginas, foi história de encerramento de 'Mônica Nº 190' (Ed. Abril, 1986).

Capa de 'Mônica Nº 190' (Ed. Abril, 1986)

Nela, Mônica vê a mãe no sofá e pergunta se está bem já que estava esticada como se tivesse levado uma coelhada. Dona Luísa diz que sim e foi porque pintou as unhas e está esperando esmalte secar. Mônica acha que ficaram bonitas as unhas e resolve também pintar as suas imaginando que os meninos iam achar que ia ficar bonita e que virou mocinha.


Mônica, então, pega o esmalte e lixa escondida das coisas da mãe e vai na rua pintar as unhas. Ela pinta as das mãos e quando vai pintar a dos pés, tem a grande descoberta: ela não tem dedos e unhas nos pés, lavando um grande susto por isso.

Cebolinha chega e pergunta o que aconteceu e ela diz que não tem unhas nos pés e pede para ele tirar os sapatos e eles veem que os pés dele são normais com dedos, unhas e um chulé danado. Cascão chega e Mônica vê que ele também não tem dedos e acha estranho eles não terem e o Cebolinha ter dedos e é chato por não pintar as unhas nos pés. Cascão acha que Cebolinha nasceu para pintar as unhas.


Então, Mônica tem a ideia de tirar satisfação com o Mauricio de Sousa para ele responder isso. Cebolinha, a principio não ia com eles por não ter defeitos, mas quando o Cascão debocha dizendo que é "pelfeito", fazendo referência a sua dislalia, Cebolinha também vai junto. Chegando na MSP, Mônica cobra do Mauricio por que ela e Cascão não tem dedos nos pés e Cebolinha pergunta por que ele fala "elado".


Mauricio explica que seria chato se todos os personagens em quadrinhos fossem iguais, não teriam originalidade. Que o personagem Pinduca dos anos 1930 era mudo e se ele falasse não conseguiria tanto sucesso e isso se chama característica, uma certa diferença em relação a outros personagens. Cita que Popeye tinha cachimbo de um lado e boca de outro, o Pato Donald não ter calças e Snoopy ser um cãozinho humanizado e isso tudo une a forma física com a personalidade dos personagens.


Mauricio destaca que por graças a tudo isso que eles são tão queridos por serem únicos e nunca vai haver outros personagens como eles. Mônica, Cebolinha e Cascão concordam e vão embora abraçados e no final Mauricio volta a sua mesa e faz um desenho da Mônica com dedos nos pés e acha que ficou horrível e, com isso, não vai mudar essa característica de dedos sem pés nos personagens até então.


Uma história bem interessante mostrando as características dos personagens. Legal ver o motivo do Mauricio para mostrar que são desenhados sem dedos nos pés e o Cebolinha trocar o "R" pelo "L". Os leitores sempre tem curiosidade porque eram desenhados assim e aí pelo visto resolveram criar uma história explicando sem ser didático. Engraçada a parte da Mônica descobrindo que não tem dedos e gritando antes de ser revelado o fato, como se fosse algo terrível.


Na verdade, é que o Mauricio tinha pressa de desenhar os personagens nas tirinhas dos anos 1960 para entregar para os jornais e acabava desenhando sem dedos, que na verdade a intenção seria o sapato embutido nos pés sem o traço de meia separando. Já os personagens criados no final dos anos 1960 já eram desenhados com sapatos normais. Como ficou de costume, acabou sendo adotado isso com os personagens que eram desenhados assim nas tirinhas de jornais, como Mônica, Cascão e Magali e nos gibis a partir dos anos 1970 de forma oficial como que eles não tinham dedos nos pés mesmo e ilustrada nessa história. Podiam ter colocado a Magali também na história,mas na época ela não era tão principal como os outros três.


Em 2008, já na Editora Panini, a MSP adota outro motivo oficial para justificar que eles são desenhados assim sem dedos nos pés. Emerson Abreu escreveu na história "Como montar uma Árvore de Natal" ('Cebolinha Nº 24') que eles usam meias o tempo todo e quando vão tirar tem os dedos normais. Desde então, essa é a versão oficial que a MSP adotou, já aparecendo outras vezes como em 'Mônica Nº 77' (Ed. Panini, 2013). Prefiro a versão clássica que realmente eles não tem dedos, acho isso de eles usarem meia forçado demais, acabando o encanto.

Off: Trecho da HQ "Como montar uma árvore de Natal" (CB # 24 - Ed. Panini, 2008)

Os traços dessa história "A grande descoberta" muito bons, seguindo o estilo padrão da MSP. Interessante também outros personagens sem terem nome parodiados e falarem do Pato Donald da Disney, um concorrente da MSP ela Editora Abril até então. O momento incorreto da Mônica pintar unhas com esmalte da mãe, já que hoje em dia criança não deve pintar com esmaltes de adultos, no máximo com produtos próprios de criança, além de um lado preconceituoso do Cascão ao falar que não pinta unhas e do Cebolinha ter dedos para pintar unhas por ser coisa de mulher e hoje em dia diálogos assim não são mais feitos por ser discriminação e buylling.

Foi republicada depois em 'Almanaque da Mônica Nº 50' (Ed. Globo, 1995), que foi de onde eu tirei as imagens da postagem. Abaixo, a capa desse almanaque:

Capa de 'Almanaque da Mônica Nº 50' (Ed. Globo, 1995)

FELIZ ANIVERSÁRIO, MAURICIO!!!!

segunda-feira, 22 de outubro de 2018

TOP 5 Piores Alterações em Histórias


Atualmente, as histórias da Turma da Mônica giram em torno do politicamente correto, ou seja, os personagens não podem dar mau exemplo e tem que seguir os bons costumes. Por causa disso, além de não produzirem histórias incorretas, a MSP passou a fazer várias alterações nas histórias originais republicadas nos almanaques desde que foram para a Editora Panini em 2007, para atender ao politicamente correto. 

Tudo que consideram incorreto nos gibis originais, eles fazem mudanças para poder republicar, seja alterações de texto ou até mesmo desenhos. Todo almanaque tem pelo menos uma mudança de histórias, principalmente o "Almanaque Temático" e até na "Coleção Histórica" que não devia ter alterações, eles faziam sempre. O problema que tais mudanças acabam estragando os conteúdos originais, estragando as personalidades dos personagens e, muitas vezes ao tentar consertar os erros do passado, acabam não tendo coerência piorando ainda mais a situação, chegando a ficar bizarro tais alterações.

Então, nessa postagem mostro o "TOP 5" com um ranking das alterações mais surpreendentes e absurdas de todos os tempos que já fizeram até hoje, na minha opinião, chegando a ser revoltante envolvendo as personalidades dos personagens ou até mesmo cômico de tão mal feito.

5º LUGAR: Índia com top onde não tinha na original.

Antigamente, apareciam mulheres e índias com seios de fora e ninguém implicava. Agora com o politicamente correto, toda vez que apareciam mulheres de seios de fora eles cobrem com um top para não ficar tudo de fora e não uma impressão de sensualidade em um gibi infantil. Isso agora vale para as meninas índias como a Jurema que não aparecem mais de peito de fora, mesmo não tendo nada. 

Para ilustrar isso, teve uma alteração na história "Socorro! Quero Casar" do Papa-Capim, original de 'Chico Bento Nº 11 (Ed. Globo, 1987) e republicada em 'Almanaque Turma da Mata & Papa-Capim Nº 4" (Ed. Panini, 2011).

Na história, a menina índia inventa que está perigo na selva para se casar com o Papa-Capim de qualquer jeito. No final da história, é mostrada uma passagem de tempo com a índia e o Papa-Capim crescendo e ele mudando de ideia quando ela cresceu bonita. Sendo que nessa passagem é mostrado na original de 1987, a índia de seios de fora e na republicação de 2011, eles resolveram colocar um top de penas nos seios dela. Detalhe que até quando ela estava no início da adolescência, por volta de 12 anos, eles já colocaram o top. Podiam pelo menos era deixado quando estava já adulta. Além de mal desenhado esse top na reedição, sabe que teve mudaram coisa ali, ainda estragou a história original.  A seguir como ficaram essas alterações. Imagens cedidas por Julio Cesar.

Comparação da história "Socorro! Quero casar!" (1987/ 2011)

4º LUGAR: Cascão deixando de apanhar de chinelo da mãe

Com o politicamente correto, os personagens não podem mais apanhar dos pais, nem levando tapa na cara e nem apanhando na bunda de chinelo, por mostrar agressão física com os filhos. Como na vida real os pais não podem mais bater nos filhos, a MSP aderiu a isso. Então, cada vez que acontecia isso nas histórias antigas, as histórias são mudadas por conta disso.

Uma das histórias que fizeram isso foi "Lava o prato, Lava", original de 'Cascão Nº 55' (Ed. Abril, 1984) e com alteração no livro 'Cascão 50 Anos' (Ed. Panini, 2013). Na revista original, a mãe do Cascão mostra o chinelo para dizer que o Cascão apanharia se ele ousasse não lavar a louça e em 'Cascão 50 Anos' redesenharam a cena, tirando o chinelo da mão dela e colocaram no lugar Dona Lurdinha apontando o dedo dizendo que ele ficaria uma semana sem jogar videogame. Na outra cena, a mesma coisa: quando o Cascão fala que nada vai fazer com que ele mexe na água, eles tiraram ela mostrando o chinelo, redesenhando apenas ela apontando o dedo.

Essa foi revoltante, já que era o ponto mais forte e engraçado da história,  e com essa mudança perdeu o sentido e até a personalidade do Cascão, pois ele não se sujeitaria a lavar louça para não ficar sem videogame. Ele nem é fã de jogos eletrônicos, gosta mesmo de futebol e de brinquedos velhos. Sem contar que tirou a ideia do roteirista original. Bola fora. Abaixo, mostro como foi essa alteração que ficou em 4º lugar.

Comparação da história "Lava o prato, Lava!" (1984/ 2013)

3º LUGAR: Sai água dos dedos do Dudu ao tirar arma da mão dele

Atualmente, os personagens não podem mais ficar com armas na mão, nem que seja de brinquedos ao brincar de faroeste. Na verdade, até evitam de fazer histórias de faroeste por conta disso. Então, sempre que aparecem armas nas revistas originais, eles fazem adaptação para tirar as armas das mãos dos personagens, tipo colocando uma garrafa squeeze no lugar se eles estão brincando de faroeste ou qualquer outra coisa. Só que ao tentar consertar isso, acaba ficando bem bizarro as alterações.

Assim, uma alteração de arma que ficou bem cômica e que mereceu o 3º lugar do ranking foi a da história "Terríveis torturas", original de 'Magali Nº 42' (Ed. Globo, 1991) e republicada em 'Turma da Mônica Exrtra Nº 11 - Dudu' (Ed. Panini, 2013). Nela, Dudu imagina várias situações de torturas e então na parte que o Dudu usava uma arma munida de água no gibi  de 1991, resolveram mudar na reedição, só mostrando o Dudu apontando os dedos para os índios, saindo água dos dedos dele do nada, deixando o Dudu com dedos mágicos, só apontar o dedo que sai água.

Ficou uma coisa muito mal feita, se querem que mudar que façam direito, que colocassem então uma squeeze no lugar que não ficaria tão absurdo assim. Lamentável! Olha como perdeu o sentido, comparando as edições nas imagens abaixo:

Comparação da história "Terríveis torturas" (1991/ 2013)

2º LUGAR: Mudanças nos traços do Pelezinho

A MSP desenhava nos anos 70, os personagens negros com lábios como um círculo rosa em volta da boca. Pela pressa de desenhar os personagens nas tiras de jornais, os personagens negros eram desenhados assim e o Pelezinho foi criado com esses desenhos de círculo rosa na boca e sem nariz em 1976 nas tirinhas e também nos gibis a partir de 1977.

Em 2013, teve a volta dos gibis, com o título "As Melhores Histórias do Pelezinho". Até a edição "Nº 7" os traços originais da época. Porém, a partir da edição "Nº 8", a MSP surpreendeu e alterou todos os desenhos das revistas originais, tiraram o círculo rosado em volta da boca do Pelezinho, deixando o personagem sem lábios nenhum e colocando nariz que não tinha.

Trecho da alteração da HQ "O segredo da fórmula X" ( 2013)

Segundo a MSP, "o traço foi reestudado para se tornar mais moderno, atualizado e universal" e, com isso, a intenção foi deixar o personagem mais humanizado e tirar o preconceito de que negros tinham boca de palhaço, traumatizando crianças por causa disso. Não só o Pelezinho, outros personagens negros como o Cana Braba também teve uma mudança radical sem os lábios carnudos e com nariz, e até a Bonga também apareceu com lábios mais reduzidos. Ficou constrangedor, sem contar que por dentro muitas vezes as bocas deles ficavam tortas e fora do lugar com essas alterações. Abaixo, uma comparação da história "A conselheira", de 'Pelezinho Nº 52' (Ed. Abril, 1981).

Comparação da história "A conselheira" (1981/ 2013)

Isso não agradou nem os leitores novos com quem eles estavam querendo agradar e revoltou os leitores antigos que acompanhou o Pelezinho clássico e assim deixaram de comprar. Comas vendas mais baixas ainda após essas alterações, em 2014, ainda tentaram consertar colocando lábios nos personagens como já haviam feito no 'Gibizinho do Pelezinho Nº 24' ( Ed. Globo, 1992) para amenizar a situação, mas também não adiantou nada, afinal, era mudança horrorosa do mesmo jeito e foi inevitável cancelarem o título.

Foi um total desrespeito com os leitores e todos os profissionais envolvidos, alterando todo o trabalho dos desenhistas da época e toda a dedicação que tiveram, para mudar tudo assim, sem mais nem menos. Tudo para o desenho não parecer preconceituoso para as crianças de hoje. Revoltante.


1º LUGAR: Uma lagosta no lugar de uma metralhadora

Em primeiro lugar, uma alteração que deu o que falar, inclusive na internet, e assim considero a mais sem noção que teve até hoje, a pior alteração de todos os tempos. 

Hoje em dia, além dos personagens principais, nem bandidos e policiais podem segurar armas de fogo nos gibis, estão completamente abolidas dos gibis. Então, na história "O poderoso Cascão", original de 'Cascão Nº 246' (Ed. Globo, 1996) e republicada em 'Clássicos do Cinema Nº 43' (Ed. Panini, 2014), uma paródia do filme "O poderoso Chefão", simplesmente colocaram uma lagosta no lugar de uma metralhadora pra assustar a Mônica e Cebolinha!

Não dá pra entender uma alteração tão tosca assim de bandidos assaltarem com uma lagosta ao invés de uma arma e perdendo o sentido da história, inclusive, porque onde já se viu a Mônica não ter enfrentado os bandidos por ter medo de uma lagosta. Ficou uma coisa absurda e cômica de tão ridículo que foi. Como se crianças não soubessem o que é uma arma ou que vai ficar traumatizada por bandidos terem apontado uma metralhadora para a Mônica e Cebolinha. 

Até de estranhar republicarem histórias envolvendo bandidos e quando tem fazem essa avacalhação. Sem dúvida o maior mico de alterações de todos os tempos e mereceu o primeiro lugar. Abaixo, a comparação das cenas:

Comparação da história "O poderoso Cascão" (1996/ 2013)

Como podem ver, são alterações por motivos bobos e que conseguem estragar completamente o sentido da história. Uma pior que a outra, chega a ser bizarro a forma como mudam, piorando ainda mais a situação original que estavam tentando consertar. Tem várias outras alterações que já postei aqui no Blog e até mesmo em almanaques que não comprei que foram tão ridículas quanto essas, como colocar cartazes nos muros ao xingar a Mônica, trocar palavras como "azar" por "má sorte", "Droga! por "Bolas!",entre outros, e escolhi nessa postagem asque achei as 5 piores de todos os tempos.

Todos os casos, eram simplesmente não republicar do que ficar fazendo essas alterações toscas, desrespeitando o leitor e os artistas que fizeram as histórias originais. Comentem a ordem que vocês colocariam ou outros casos absurdos que já viram. Em breve posto outros "TOP 5" no Blog.

quinta-feira, 11 de outubro de 2018

Um tabloide com a Turma da Tina

Um tabloide com a Tina achando que a roupa do Rolo não combinava com o sapato que estava usando e Pipa se atrapalhou a revelar isso para o Rolo. Foi publicada originalmente em um gibi da Editora Abril por volta de 1979 e republicada em 'Almanaque da Magali Nº 4' (Ed. Globo, 1991).

Nela, Tina estava se preparando para ir junto com o Rolo em uma festa grã-fina e comenta com a Pipa que não gostou vê-lo com terno, camisa e grava ta azuis não combinando com o sapato marrom. Rolo ainda está animado, comentando para elas que está muito elegante e não foi fácil descolar a roupa, mas que vale o sacrifício pela Tina. 

Tina não tem coragem de falar com ele e Pipa toma a iniciativa e vai falar com ele bem do jeito dela, de pedir para que ele troque o trocar o terno, a camisa e a gravata porque não estava combinando com o sapato. 

A ideia correta seria o Rolo trocar apenas o sapato para economizar tanto dinheiro quanto trabalho se trocar, mas para a Pipa ficou uma má interpretação. Enquanto Tina não gostou só do sapato, mas da roupa até que ficou boa, a Pipa interpretou que tudo estava ruim, apenas o sapato que estava bonito. Bastava a Pipa falar que era para trocar o sapato por não estar combinando com o resto da roupa.

Esse tabloide é da época da fase de transição da Tina hippie para mulher e nessa fase as características dos personagem eram bem indefinidas, cada história aparecia um tipo diferente de personalidades. Nesse tabloide, então, teve o humor envolvendo os 3 personagens principais então, sendo que normalmente o humor atrapalhado a essa altura era com a dupla Rolo e Pipa. E também dessa vez o Rolo era namorado da Tina, mas tinham histórias que o Rolo era namorado da Pipa ou cada um dos personagens tinham seus namorados.

Os traços seguindo o estilo dos anos 70, com um pouco do superfofinho que prevalecia no final dos anos 70. Também não tinha um estilo definitivo no visual dos personagens naquela época, tanto que a Tina apareceu sem óculos dessa vez, mas na maioria das vezes aparecia de óculos. Até o início dos anos 80 costumava ter histórias de 1 página com a Turma da Tina, depois disso era bem menos, mas ainda assim tinha de vez em quando nos anos 90, inclusive. A seguir, mostro a história completa:



quarta-feira, 26 de setembro de 2018

Turma do Penadinho: HQ "Faraó por um dia"


Mostro uma história em que o Muminho se passou por um grande faraó por um dia para impressionar o seu sobrinho que foi visitá-lo. Com 5 páginas no total, foi publicada em 'Cascão Nº 81' (Ed. Abril, 1985)

Capa de 'Cascão Nº 81' (Ed. Abril, 1985)

Nela, Penadinho e Frank encontram Muminho chorando no cemitério e Penadinho pergunta o que havia acontecido. Muminho diz que recebeu um telegrama do seu sobrinho Tuti dizendo que ele chega hoje para visitá-lo.



Penadinho não entende o motivo da tristeza e Muminho diz que o sobrinho pensa que ele é um faraó e fica imaginando a decepção que vai ser quando descobrir que ele é apenas uma reles múmia de esparadrapo. Então, Penadinho tem a ideia de inventar para o sobrinho que o Muminho é um faraó, Penadinho conselheiro e Frank seu servo com as fantasias que eles tinham do Carnaval passado.

Mais tarde, já com a turma caracterizada, o sobrinho Tuti chega ao cemitério e pergunta ao Penadinho onde pode encontrar o faraó Mumi I. Penadinho leva Tuti até lá e quando estava prestes a abraçar o tio, Penadinho impede, falando que ninguém pode tocar no Faraó e é para chamá-lo de majestade. Tuti cumprimenta, então, o tio com auxílio de uma corda pra não pegar na mão do Muminho e o chama de majestade.


Muminho fala que mandou preparar um banquete para o Tuti e então Penadinho adverte o Tuti que não pode  andar ao lado do Faraó, tem que ficar a três passos atrás de distância. Na hora do almoço, Tuti fica em uma extremidade da mesa gigante e Muminho na outra, tão longe que Tuti não conseguia nem enxergar o tio do outro lado da mesa.

Quando Muminho estava prestes a comer, Penadinho impede, falando que a comida pode estar envenenada e tem que o servo provar antes. Muminho diz que não precisa nem comer, quanto mais provar. Penadinho diz que não podem perder os velhos hábitos e faz o Servo Frank provar a comida e ele acaba comendo tudo, inclusive prato e colher, falando que faltou um pouco de molho na colher.


Logo depois, Zé Vampir aparece cheio de intimidade e dá um tapa nas costas do Muminho, falando que ele resolveu pegar o despacho de sexta-feira. Penadinho fala que isso não é jeito de tratar um faraó. Zé Vampir estranha e Penadinho diz que é o Mumi I. Zé Vampir acha graça e diz que é uma piada. Tuti ouve o papo e pergunta se o tio não é um faraó. Zé Vampir responde  que Muminho não é, nunca foi e nunca será um faraó, que é apenas uma múmia de ataduras e esparadrapos, estragando o plano deles assim. 

No final, Muminho fica cabisbaixo, prestes a ir embora pensando na decepção do sobrinho que ia ter e logo tem a surpresa do Tuti ter ficado muito feliz com a notícia e os dois se abraçam, com  Tuti falando que prefere um tio que possa abraçar ao invés de um faraó que não pode tocar.


Uma história muito legal mostrando um plano infalível do Penadinho para que o sobrinho do Muminho acredite que ele era de fato um grande Faraó. Na certa, Muminho sempre falava com o Tuti que era um faraó nas suas correspondências e nunca contava que o sobrinho iria visitá-lo pessoalmente, descobrindo a farsa assim. Apesar da boa intenção do Penadinho, acabou se empolgando demais com a encenação de querer distanciar o Muminho do Tuti para ficar o mais real possível da vida dos faraós. 

Deu pena de ver o Tuti doido para abraçar o tio e não poder, ficando sempre afastado dele. O final foi bem bonito, com mensagem bem positiva, mostrando que o que vale é o afeto e a simplicidade do que uma vida rica cheia de aparências. Gostava de histórias com planos infalíveis de outros personagens, sem serem bolados pelo Cebolinha. Sempre o plano dá errado, independente do quem faça, só não tem surra no final como com o Cebolinha.


Os traços muito bons, bem típicos dos anos 80. O Tuti ficou bem fofo desenhado assim e o Frank sempre era desenhado de uma forma diferente a cada história, só teve uma padronização de traços nos anos 90. Interessante mostrar os personagens desenhados como um sombra preta, acontecia isso nos anos 70 e 80. Dessa vez deu impressão que foi para mostrar que Penadinho estaria explicando melhor o plano. Interessante ver parentes dos personagens, sempre rendem boas histórias. Normalmente, só apareciam em uma só história e depois não eram mais vistos. O Tuti só apareceu nessa mesmo. Curiosamente, outro personagem criança na Turma do Penadinho é o Pixuquinha.

Essa história foi republicada depois em 'Almanaque da Mônica Nº 42' (Ed. Globo, 1994), de onde foi que eu tirei as imagens da postagem. Abaixo, a capa desse almanaque.

Capa de 'Almanaque da Mônica Nº 42' (Ed. Globo, 1994)

segunda-feira, 10 de setembro de 2018

HQ "Mônica no caixão"


Mostro uma história muda clássica em que a Mônica ficou dentro de um caixão após um susto que o Cebolinha deu nela. Com 4 páginas no total, foi publicada em 'Mônica Nº 105' (Ed. Abril, 1979).

Capa de 'Mônica Nº 105' (Ed. Abril, 1979)

Começa com a Mônica tropeçando em algo e xinga com palavrões  por ter caído. Quando ela vai ver, era um caixão e de repente sai uma mão monstruosa, que era o Cebolinha querendo dar um susto nela.


Mônica fica apavorada, pensando que era alguém morta saindo do caixão e acaba paralisada de tanto medo e Cebolinha pensa que ela havia morrido. Quando vê Cascão e Xaveco se aproximando e com medo de que eles vejam que matou a Mônica, Cebolinha esconde a Mônica dentro do caixão antes que eles vejam e sai correndo dando um sorriso para eles como se nada tivesse acontecido.

Cascão e Xaveco estranham e logo depois Cascão senta no caixão. De repente, Mônica dá um grito dentro dele e os meninos estranham, mas deixa para lá. Eles conversam um pouco até que Mônica põe a mão para fora para abrir o caixão e sair de lá. Eles se assustam e pensam que era um Diabo saindo do caixão. O Cascão tenta impedir que a Mônica saia de lá, segurando e dando sacudidas no caixão e Xaveco traz um monte de crucifixos e joga lá dentro para ver se acaba com o Diabo que pensam que está no caixão.


Os meninos se cumprimentam como uma missão cumprida de terem derrotado o Diabo. Cebolinha aparece e eles contam que conseguiram derrotar um Diabo no caixão com surra e crucifixos jogados, mas notam que o Cebolinha está triste, já que, segundo ele, a Mônica havia morrido. No final, Mônica consegue sair do caixão toda surrada e prestes a bater nos meninos. Cascão e Xaveco saem correndo com medo de apanhar e Cebolinha vai correndo em direção à Mônica feliz por ela não ter morrido.


Uma história muito boa, como um susto que o Cebolinha deu na Mônica pôde ter causando tanta confusão. Cebolinha acabou pensando que a Mônica morreu e a coloca no caixão para esconder que foi culpado de matá-la dando várias situações engraçadas e bom ver que se arrependeu da brincadeira que fez com ela. Legal também ver as situações do Cascão e Xaveco pensando que era um diabo no mo caixão.

Não sou chegado a histórias mudas, prefiro com diálogos dos personagens, mas essa até que foi bem criativa e bem ou mal até teve alguns textos como gritos e onomatopeias. Histórias mudas de até 4 páginas dá para aceitar, mas que isso considero  enrolação e  enchechão de linguiça. Nos anos 2000 inteiro era repleto de histórias mudas e longas, às vezes com mais de 10 páginas, ficando um verdadeiro desperdício de papel, às vezes até nas de abertura tinham e praticamente os últimos gibis quinzenais eram quase todos com histórias mudas. Até que atualmente isso mudou e tem saído poucas mudas longas do que era.


É completamente impublicável nos dias de hoje, por mostrar Mônica e até mesmo o Cebolinha no início dentro de um caixão e a patrulha do politicamente correto pensa que é uma brincadeira de mau gosto, fora palavrões e diabos não sendo bem vindos atualmente. Os traços muito bons, do auge da fase superfofinha do final dos anos 70, cheia de movimentos e com direito aos quadrinhos com várias formas sem o tradicional retângulo, coisas que erma bem características desses traços.

Foi republicada depois em 'Almanaque da Mônica Nº 35' (Ed. Globo, 1993), que foi d eonde eu tirei as imagens da postagem. Abaixo, a capa desse almanaque:

Capa de 'Almanaque da Mônica Nº 35' (Ed. Globo, 1993)

sábado, 18 de agosto de 2018

Chico Bento: HQ "Isto é uma piscina!"

Nessa postagem mostro uma história de quando o Chico Bento foi com o seu Primo Zeca a um clube com uma piscina na cidade  pela primeira vez. Com 8 páginas no total, foi história de abertura publicada em 'Chico Bento Nº 70' (Ed. Abril, 1985).

Capa de 'Chico Bento Nº 70' (Ed. Abril, 1985)

Começa com o primo Zeca apresentando para o Chico a piscina do clube, que estava lotada de gente lá, tanto dentro quanto fora da piscina. Chico se impressiona e pergunta ao Zeca que era aquele o lugar que o pessoal da cidade vão nadar e então Zeca pergunta se Chico está com inveja.


Chico se abana dizendo "Ô" com desdém, afinal na roça ele tinha o ribeirão que era bem melhor na visão dele. Zeca diz que vai levar o primo toda vez que for visitá-lo. Zeca entra na piscina, falando que a água tá uma delícia e Chico vai até lá. Ele caminha e comenta que já devia está na tal piscina, aí quando vai ver, eles estava pisando a cabeça do pessoal que estava nadando lá e eles xingam o Chico com palavrões de tanta raiva que ficaram.


Chico sai da piscina e depois Zeca lá dentro fala para ele ir logo lá. Chico então tira o calção e fica pelado na frente de todo mundo. Zeca sai desesperado da piscina, falando que o Chico está doido e colocar logo a calça. Chico, na sua inocência, diz que no rio ele nada pelado e Zeca diz que lá não é um rio, e, sim, uma piscina e ele tinha que nadar de roupa. Nesse momento, Chico vê uma mulher com um mini biquíni com quase tudo de fora, e pergunta se o primo tem certeza disso.

Em seguida, Zeca entra na piscina e logo em seguida o pessoal do clube entra também passando a vez do Chico. Ele, então, resolve pegar uma vara de pescar e passa a pescar cada pessoa da piscina uma a uma e aí sim quando tira todo mundo, ele vai nadar, falando que chega de pescaria por hoje. Lá, na piscina, ele até que acha gostoso nadar lá, até que uma menina gorda cai em cima dele e quase se afoga. Zeca está na beira da piscina, quando o Chico surge agitado, gritando que está chovendo gente em cima dele, acabou de cair uma gordona na cabeça dele e Zeca avisa que ele não tinha que ficar embaixo do trampolim.


Chico vai até o trampolim para saber como era essa novidade. Chegando lá no topo, acha alto demais, fica assustado e pretende voltar, mas já tinha muita gente atrás dele querendo pular no trampolim e o jeito era ele pular para não dar vexame. Ele lembra do salto que um homem fez ao ver o trampolim lá de baixo e resolve fazer o mesmo, mas o pé acaba encostando na ponta do trampolim e acaba o Chico subindo e vai parar em cima de um salva-vidas. Então, Chico deduz que um salva-vidas serve para quando despencar do trampolim para cair em cima dele. O salva-vidas fica uma fera e xinga o Chico com palavrões e Chico reclama que não entende o motivo do salva-vidas estar brabo se aquilo era o trabalho dele e se não gosta não devia estar lá.


Zeca tira o Chico de lá e chama para tomar sol e ficarem bronzeados nas cadeiras do clube. Chico diz que na próxima vai levar a rede da roça porque o povo da cidade não sabem de nada. Eles ficam 1 hora debaixo do Sol e então Zeca acha que está forte e resolve ir para sombra e pergunta para o Chico se ainda vai ficar lá no Sol. Chico diz que o pessoal da cidade não é de nada, que ele está acostumado a pegar Sol e que para ele o Solzinho era mixuruca e então continua lá se bronzeando cada vez mais. No final , Chico volta para a roça e quando o ônibus desembarca, Zé Lelé fica feliz com a volta e resolve abraçá-lo. Zé Lelé comenta que o passeio fez bem ao Chico, por ele está animadinho, sendo que na verdade, ele teve insolação e tava todo queimado com corpo ardendo e arrependido de não ter ouvido o primo e sair do Sol naquela hora.


Uma história muito engraçada com o Chico vendo uma piscina pela primeira vez, causando várias confusões lá. Gostava dessas histórias do Chico na cidade, descobrindo como era os costumes da cidade pela primeira vez e esse contraste da roça com a cidade era muito bom. Uma simples visita a um clube, como ele pôde arrumar tanta confusão. É de rachar de rir vendo o Chico tirando a roupa como se fosse o ribeirão da roça, pescar as pessoas pra nadar sozinho, pular de trampolim, entre outros. tudo na inocência e do seu jeito espontâneo de ser, agindo como se fosse uma coisa mais natural possível, mas na visão dos outros ele se passa por lerdo e retardado.

Deu para notar várias situações isoladas, de coisas que podiam fazer em um clube e que com o Chico causa confusão. Essa foi uma das primeiras histórias desse estilo do Chico na cidade com o primo, agindo como um lerdo que não conhecia nada. Na Globo ficou mais frequentes histórias assim e muitas delas antológicas e agora na Editora Panini não fazem mais histórias assim, só aparecendo o Zeca na roça.


Tem várias situações incorretas que se tornam impublicável hoje em dia, como o Chico Bento pelado no clube, os palavrões, a visão dos seios e corpo da mulher em destaque, Chico chamar a menina de "gordona" dando um ar preconceituoso, Chico e Zeca ficarem 1 hora no Sol direto sem protetor solar e ainda o Chico ter ainda mais ficado mais tempo ainda sofrendo com insolação e pele ardendo por isso no final. Apesar da lição no final de que não deve ficar exposto ao Sol forte por muito tempo, mas ainda assim hoje em dia não é bem visto finais com personagens sofrendo.


Os traços muito bons do início da fase consagrada, e dessa vez com os cabelos dos personagens com brilho azul ao invés de brilho branco. É que nos gibis de 1985 era característico colocarem os personagem com cabelo com brilho azul. As imagens eu tirei do 'Almanaque do Chico Bento Nº 33' (Ed. Globo, 1996) e eles preservaram isso, só que os tons de cores por ser uma história da Editora Abril, eles colocaram os tons de cores iguais aos dos gibis convencionais da época, por isso o tom de marrom por exemplo, bem escuros, como estavam saindo, como uma espécie de luto à morte da roteirista Rosana Munhoz, que havia falecido meses antes. 


O título dessa vez formado pela fala do Zeca, coisa muito comum de ter títulos com as falas dos personagens na época. Alguns quadrinhos apareceram 3 ou 4 quadros por linha, diferente do convencional, hoje em dia colocariam tudo no formato padrão como alternativa da história de ocupar mais páginas no gibi. Termino com a capa do 'Almanaque do Chico Bento Nº 33' onde foi republicada:

Capa de 'Almanaque do Chico Bento Nº 33' (Ed. Globo, 1996)