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segunda-feira, 24 de fevereiro de 2020

Cascão: HQ "As irmãs Cremilda e Clotilde atacam no Carnaval"

É Carnaval e mostro uma história em que as irmãs Cremilda e Clotilde tentaram dar banho no Cascão durante o Carnaval. Com 5 páginas, foi história de encerramento de 'Cascão Nº 65' (Ed. Abril, 1985).

Capa de 'Cascão Nº 65' (Ed. Abril, 1985)

Nela, Clotilde vê a Cremilda  no sofá e pergunta no que está pensando. Cremilda diz que é nos planos delas no Carnaval. Clotilde pensa que era onde vão pular o Carnaval, qual salão, mas Cremilda fala que está é planejando dar um banho no Cascão, que o Carnaval é melhor época para se molhar alguém e depois do Carnaval ele vai se chamar "Limpão".


Cremilda e Clotilde se fantasiam de caubóis e vão à rua para tentar molhar o Cascão com garrafa squeeze (bisnaga) e quando o encontram, elas jogam água nele e finalmente conseguem dar banho nele. Mas elas têm a surpresa que não era o Cascão, e, sim, o Xaveco fantasiado por causa do Carnaval e Xaveco reclama que elas estragaram a fantasia dele.

Depois encontram o suposto Cascão comendo melancia e quando molham, veem que era a Magali disfarçada. Em uma nova tentativa acabam molhando o Anjinho disfarçado de Cascão. Em seguida, percebem que todos resolveram se fantasiar de Cascão e único jeito para descobrir quem era o verdadeiro foi jogar água em cima de todo mundo, mas ninguém era o Cascão.


De repente Cremilda e Clotilde sentem um cheiro fedido, parecendo um caminhão de lixo, e aí era o verdadeiro Cascão fantasiado de imperador romano. Elas tentam molhá-lo, mas por terem molhado todos da turma, acaba toda a água delas. Cascão dá um abraço nelas e comenta que nesse ano todo mundo resolveu se fantasiar de Cascão. No final, quando ele vai embora, Cremilda e Clotilde estavam imundas com o abraço  do Cascão e uma joga água na outra para ver se limpam da sujeira impregnada enquanto o povo na rua pensam que elas estavam se divertindo no Carnaval.


Uma história legal com as irmãs Cremilda e Clotilde fazendo planos de dar banho no Cascão no Carnaval, mas não contavam que a turma toda iam se fantasiar de Cascão. Na época, o povo tinha o costume das pessoas darem banho uma nas outras com garrafas durante o Carnaval e os roteiristas sempre procuraram fazer histórias e piadas de tentativas de darem banho no Cascão no Carnaval por causa disso. 

O Cascão dessa vez apareceu só na última página, mas ficou sendo representado com seus amigos fantasiados como ele. Como Cremilda e Clotilde estavam vestidas de caubóis de faroeste, até poderiam ter colocado armas com água para dar uma impressão mais real de faroeste, mas pelo visto preferiram as bisnagas para ter mais capacidade de água dentro. Na época as armas nas histórias eram liberadas normalmente, as bisnagas foram só para seguir a tradição do Carnaval. Para republicação hoje em dia, até seria um ponto positivo para não ter alteração, porém eles não costumam mais fazer histórias com os outros fazendo planos infalíveis para dar banho no Cascão, contra a vontade dele, fora que não fazem mais histórias de Carnaval e os palavrões ditos pelo Xaveco e a palavra "Diacho" não seriam bem vindos hoje, aí não fariam atualmente história assim.


As irmãs gêmeas Cremilda e Clotilde foram criadas no lançamento do gibi do Cascão pela Editora Abril em 1982, como vilãs para dar banho no Cascão. Elas foram morar no bairro do Limoeiro e tinham mania de limpeza extrema, tudo tinha que estar um brinco sem um mínimo de poeira sequer. Ao verem que o Cascão era muito sujo tinham obsessão de dar banho nele a todo custo e faziam planos para dar banho nele, mas sempre fracassavam. 

No início, o Cascão era inocente, não sabia que Cremilda e Clotilde só tinham desejo de dar banho nele e as irmãs fingiam que eram amigas dele para tentar banho nele. Com o passar dos anos isso mudou e ele passou a saber dos planos e fugia das irmãs, provavelmente para não mostrar falsidades nos gibis. Eu preferia quando ele era inocente de não saber dos planos delas como foi nessa história, ficava mais engraçado. Essa foi uma das primeira vezes que elas contracenaram com outros personagens da turma sem ser o Cascão, no início era raro elas contracenarem com outros personagens sem ser o Cascão.


Traços ficaram bacanas, típicos de histórias de miolo da época. A capa da edição bem interessante, como Cascão deixando um aviso dando satisfação que não apareceu na capa por causa do pessoal jogar água nos outros no Carnaval. Eram interessantes capas assim sem ele aparecer por causa da água predominando. E de certa forma, até teve um pouco a ver com o tema dessa história do gibi por conta disso. 

Foi republicada depois em 'Coleção Um Tema Só Nº 13'- Mônica Carnaval' (Ed. Globo, 1996). Deixo aqui a capa dessa edição.

Capa de 'Coleção Um Tema Só Nº 13 - Mônica Carnaval' (Ed. Globo, 1996)

domingo, 9 de fevereiro de 2020

Piteco: HQ "Tenho que manter a minha fama de mau"


Mostro ma história em que a Thuga desiste de correr atrás do Piteco e ele fica mal com isso. Com 7 páginas, foi publicada originalmente pela Editora Abril por volta de 1984 e republicada em 'Almanaque do Chico Bento Nº 16' (Ed, Globo, 1991).

Capa de 'Almanaque do Chico Bento Nº 16' (Ed. Gobo, 1991)

Começa o narrador apresentando o Piteco correndo, mas não de uma manada de mamutes nem de um tiranossauro enfurecido, e, sim,  da Thuga, que quer acabar com a vida de soteiro dele. Mesmo cansativo, Piteco tem as vantagens de perder uns quilos e fazer sucesso com as outras garotas, que querem saber o que a Thuga viu de tão especial nele, mas acabam sendo afastadas pela Thuga.


A rotina do Piteco é sempre essa, até que um dia, ele acorda e vai pegar água no riachão e preparado pelo seu "cooper matinal", mas estranha a Thuga não estar lá e demorar muito enquanto pega a água e comenta que ela nunca o deixou em paz um só momento. De manhã, tarde e note Thuga não aparece e Piteco acha qe ela está doente.

No outro dia, Thuga não aparece de novo e Piteco comenta que não se acostuma com tanta paz. No caminho, encontra a Ogra e pergunta se a Thuga está doente, pois não tem visto ultimamente. Ogra diz que está bem, só se cansou de correr atrás de alguém que nunca vai conseguir alcançar. Piteco fica contente que está livre dela, fala que nunca mais vai ter corridas e nem ciladas para levá-lo para o altar. para comemorar, resolve paquerar uma garota, algo que não conseguia há muito tempo, mas acaba levando fora dela, que diz que tem compromissos pelo resto do mês.


Quando parte para outra, no caminho ouve mulheres comentando que deve ter um bom motivo para Thuga desistir do Piteco e ainda falam que ele é bem feinho enquanto os homens comentam que Piteco não é mais aquele. Piteco diz que eles que se danem e está muito feliz. Ele senta na frente da sua caverna e se convence que está triste, não aguenta mais e resolve ir falar com a Thuga, já que tem zelar pela imagem dele.


Piteco cobra da Thuga por que não está correndo atrás dele e Thuga achava que ele estava satisfeito e ele fala qe pensava que ela era seria mais persistente. Thuga conta que encarou a realidade de que Piteco não gosta dela. Piteco pergunta de como que ela tem certeza disso e diz que ela tem que perseguir seu objetivo e como conseguirá alguma coisa assim desistindo. Se quer conquistá-lo, que deve lutar por ele.



Thuga fica feliz que Piteco quer que volte a correr atrás e por ele começar a gostar dela e já se prepara para marcar a data do casório. Aí, Piteco fala que se ela parar de correr atrás dele, as garotas vão pensar que ele perdeu seu charme e ele tem que manter a fama de durão, por isso que a Thuga tem que correr atrás. No final, volta a perseguição, as garotas apaixonadas pelo Piteco, chamando de charmoso e bonitão, e Thuga corre atrás dele furiosa, dessa vez corre não para conquistá-lo, mas, sim, para bater nele por tudo que ele falou.


História muito divertida com Piteco achando ruim da Thuga desistir de correr atrás dele e preocupado com as garotas acharem qe ele não tem mais charme por causa disso. A principio a gente até pensava que era mais um dos planos infalíveis da Thuga fingindo que não gostava mais do Piteco para ele ficar cismado que a perdeu ir procurar atrás para se casar com ela. Só que dessa vez realmente ela desistiu, mas ele sentiu falta da perseguição e foi atrás para convencer a voltar correr atrás dele. A surpresa foi que não que gostasse e fosse se casar com ela, mas só pra zelar a sua imagem de charme com as outras garotas e não ficar mal falado na aldeia. 

Nas histórias do Piteco, a Thuga vivia dando em cima dele, fazendo planos para conquistá-lo e casar com ele, mas ele sempre corria. Na verdade, ele gostava e era gamado na Thuga, mas não quer saber de casamento e morrer solteiro e aí sempre dá um jeito de fugir dela para não se casar. Ele só desistiu da Thuga dessa vez porque ela falou de casamento.


Tem uma mensagem boa das pessoas não desistirem dos seus sonhos e objetivos, sempre lutar por eles. Em contrapartida, é incorreta pelo tema do Piteco ser machão, brincando com sentimento da Thuga só pelo seu interesse próprio de zelar sua imagem de homem durão, fora a cena do Piteco ter caçado e mostrar dinossauro morto e a clava dele ter prego para dizer que machuca mesmo as suas presas, coisas não bem vistas nos dias de hoje.

Os traços muito bons, com arte-fina bem bacana. Engraçado ver as cavernas sendo retratadas como apartamentos, com eles morando no segundo andar, bem comum principalmente na Editora Abril.  O título teve referência à música"Tenho que manter a minha fama de mau" do Erasmo Carlos. E bom ver a presença da Ogra, era bastante frequente na época, já atualmente é raro ela aparecer. 


Legal também o narrador -observador contando e interagindo nas histórias. Foi boa sacada ele contando que "dinossaurinha" era equivalente a expressão "gatinha" atualmente e que a cantada "Flores para uma flor" era datada da Pré-História. Detalhes que faziam diferença e deixavam mais engraçadas as histórias.

terça-feira, 4 de fevereiro de 2020

Livros "As Melhores Piadas" / "As Grandes Piadas"


Postagem "Nº 800" do Blog. Os livros de tirinhas  "As Melhores Piadas" e "As Grandes Piadas" circularam nas bancas entre 1985 a 1988, foram um grande sucesso e nessa postagem mostro como foram essas coleções.

A coleção "As Melhores Piadas" foi lançada em julho de 1985. Foram livros em formato de bolso "pocket" reunindo tirinhas da Turma da Mônica que saíram em jornais de todo o Brasil. Esse título já tinha sido usado antes em livros de tiras da Editora Abril entre 1974 a 1978, sendo que tinham um formato horizontal (bem semelhante aos mais recentes "As Tiras Clássicas da Turma da Mônica" da Panini ente 2007 a 2011), e nos anos 80 fizeram uma 2ª série com esse título com um formato diferente. Esses dos anos 70 eu não tenho.

Inicialmente "As Melhores Piadas" seriam edições especiais mensais de 6 edições, que iriam circular entre julho e dezembro de 1985. Seriam da Mônica, Cebolinha, Cascão, Chico Bento, Bidu e Penadinho. Tiveram ao mesmo tempo edições desse formato da Disney. Com o sucesso, a MSP resolveu prolongar a série se tornando um título fixo mensal a partir de 1986. Foram 18 edições até dezembro de 1986 com tiras maravilhosas, abordando as principais características dos personagens e sem sobra do politicamente correto.

Tirinha tirada de "As Melhores Piadas do Penadinho Nº 6" (1985)

Cada volume teve capa cartonada plastificada e miolo em papel jornal, formato lombada 10,5 X 17,5 cm, 84 páginas, uma tira por página, totalizando cerca de 75 tiras por edição. As tiras eram originais dos anos 70 e 80, entre 1977 a 1984, em preto e branco exatamente como de jornais, sem ordem cronológica, sendo organizadas na vertical, disponibilizadas com arte em quadrinhos deslocados para direita e esquerda para não ficar espaços em brancos em cada página.

Cada edição era estampada por um personagem diferente, até porque a intenção inicial era pra ter um livrinho para cada personagem diferente, aí depois foram repetindo os títulos entre eles. Nem todas as edições da Mônica, Cebolinha e Cascão eram somente do personagem em destaque, tipo, em pocket da Mônica podia ter tiras do Cebolinha, do Cascão, entre outros, mas a grande maioria era do personagem em destaque. Já os pockets de secundários como Bidu, Chico Bento, Penadinho, etc, aí eram só tiras deles mesmo em seus respectivos números.

Tirinha tirada de "As Melhores Piadas do Cebolinha Nº 15" (1986)

As capas eram formadas por tiras, um grande diferencial, já comprava lendo uma tirinha na banca. Algumas com texto e outras sem texto de acordo com cada edição. Único exemplar que não teve capa formada por tira foi a "Melhores Piadas Nº 7" de Roque Sambeiro, em janeiro de 1986, que preferiram colocar os personagens caracterizados como os personagens da novela "Roque Santeiro". Embora as capas eram plastificadas, as edições entre "Nº 7" a "Nº 10" não foram plastificadas, mas depois retornaram ao estilo tradicional.

As tiras tinham de 1 a 5 quadrinhos, de acordo com cada piada, sendo  a maioria eram 3 quadrinhos cada tira. Muitas das tiras dos livros dos personagens da Turma da Mônica e do Chico Bento foram aproveitadas depois republicadas nos primeiros anos dos gibis da Editora Globo, principalmente as de 3 quadrinhos e foram coloridas para saírem nos gibis. Ficaram muitos anos mostrando as tiras desses pockets nos gibis. Já os do Bidu e Penadinho não saíram em gibis convencionais e, portanto, são todas mais raras.

Capas "As Melhores Piadas Nº 1 ao Nº 9" (1985/1986)

Além os de Bidu e Penadinho, os mais diferentes foram os "Nº 7" e "Nº 10", de Roque Sambeiro e da Tina, respectivamente. Em Roque Sambeiro foi parodiando piadas sobre novela Roque Santeiro, um grande sucesso da Rede Globo de Televisão em 1985, que a MSP resolveu entrar na onda e colocar os personagens caracterizados como os da novela e ainda mostravam piadas sobre televisão. Enquanto as outras edições eram compilações de tiras de jornais, nesse foram tirinhas inéditas especialmente para aquela edição.

O da Tina mostravam piadas sobre comportamentos dos jovens, eram tiras dos anos 70, logo depois da transição da Tina hippie. Com isso, os personagens não tinham uma característica definida e procuraram colocar os costumes que os jovens daquela época tinham. Esses, então, eu considero os mais raros da coleção até hoje, até por não ter tido volumes desses nos pockets da Editora L&PM.

Capas "As Melhores Piadas Nº 10 ao Nº 18" (1986)
Quando a MSP mudou para a Editora Globo em 1987, o título mudou para "As Grandes Piadas", já que o título "As Melhores Piadas" era da Editora Abril e a MSP não podia ficar com esse nome na Globo, ainda mais que em 1987 ainda circulavam "As Melhores Piadas" com os personagens da Disney pela Editora Abril.

Com isso, "As Grandes Piadas" da Editora Globo foi lançada nas bancas a partir de março de 1987 e ficou circulando mensalmente até a edição "Nº 20", em novembro de 1988. Seguiu o mesmo estilo,  mesmos formato e números de páginas dos exemplares da Editora Abril. Até o "Nº 12" um personagem diferente tinha destaque de título próprio na capa. Foram praticamente os mesmos da Editora Abril, de novidade foram Magali (na edição "Nº 5") e Pelezinho (na edição "Nº 7") que não tiveram títulos próprios na Editora Abril. Já Tina não teve um novo número na Globo. Assim, eu considero Magali e Pelezinho os mais raros da Globo.

Capas "As Grandes Piadas Nº 1 ao Nº 9" (1987)
A partir da edição "Nº 13", de abril de 1988, colocaram o título apenas "As Grandes Piadas da Turma da Mônica" ao invés de ser um só personagem. Então, as tiras tiveram mais abrangência de vários personagens e não só de um, até Anjinho teve mais presença de tiras solo. Na verdade, as tiras sempre foram com a turma toda, mas sendo um pocket do Cebolinha, por exemplo, tinham mais tiras com ele no total, e passando a ser Turma da Mônica foi mais equilibrado as quantidades de tiras de cada personagem por edição.

Também após a edição "Nº 13", passaram a  ter primeira metade de tiras com a Turma da Mônica e a outra metade outras turmas de secundários como anunciados na capa mensagem de "participação especial de Fulano". Foi uma forma para que personagens como Penadinho, Bidu e Chico Bento não deixassem de ter suas tiras publicadas com a mudança de título para "Turma da Mônica".

Nas edições "Nº 19" e "Nº 20", de outubro e novembro de 1988, respectivamente, passaram a colocar nas capas um desenho de personagem como mágico ao lado da tira, como se tivessem apresentando as tiras. Assim na "Nº 19" foi a Mônica apresentando a tira e na "Nº 20" foi o Cebolinha. Se tivesse continuado a coleção, provavelmente colocariam outros personagens nas capas, mas acabou a coleção sendo cancelada de repente na "Nº 20".

Capas "As Melhores Piadas Nº 10 ao Nº 18" (1988)
Sem dúvida esses livros foram uma excelente coleção, para quem gosta de ver tirinhas com leitura rápida é um prato cheio. Hoje em dia até perde um pouco de valor por conta dos pockets da Editora L&PM e de terem sido republicadas nos primeiros gibis da Editora Globo, mas muitas delas não saíram nesses pockets da L&PM e as tirinhas de 1 ou 2 quadros também não saíram nos gibis da Editora Globo, assim como as tiras do Bidu e do Penadinho, aí já seriam material inédito. 

Acho que podiam ter feito também pockets com tirinhas do Anjinho, Os Sousa e Nico Demo. Se você por encontrar algum volume desses, não pense duas vezes para comprar, vale a pena. Hoje eu só não tenho "As Grandes Piadas Nº 19" e "Nº 20" da Editora Globo. As imagens da postagens são da minha coleção pessoal. Devo ainda fazer algumas postagens aqui no Blog em breve mostrando com mais detalhes como foram algumas edições, pelo menos as das mais raras.

segunda-feira, 27 de janeiro de 2020

Astronauta: HQ "Antes só do que mal-acompanhado"


Mostro uma história em que o Astronauta teve que enfrentar um extraterrestre bandido que se passou por cachorro para fugir da prisão. Com 6 páginas, foi pulicada originalmente pela Editora Abril por volta de 1985 e republicada em 'Almanaque da Mônica Nº 36' (Ed. Globo, 1993).

Capa de 'Almanaque da Mônica Nº 36' (Ed. Globo, 1993)

Mostra o Astronauta com solidão no espaço sideral, lembrando dos seus amigos, da sua namorada Ritinha e da vida na fazenda, quando de repente se depara com um cachorro espacial abandonado em um planeta. Astronauta acha bem dócil, leva o cachorro para sua nave para fazer companhia, dá comida e arruma um cantinho para ele dormir. Depois que sai para ter uma soneca também, o cachorro se transforma em sua forma real de extraterrestre e captura o Astronauta, que estranha o ET lá dentro da nave. 


Ele se apresenta como Bargow, do planeta Orbow, que durante muitos anos foi considerado o maior vilão do espaço, assaltou todos os bancos de todos os planetas, mas um dia foi capturado por uma policial, aproveitando que seu ponto fraco era mulheres bonitas. Foi condenado a viver o resto da vida em um planetoide até que avistou o Astronauta e leu os pensamentos dele de solidão e se transformou em um cachorro, já que os habitantes do planeta Erbow são camaleões.


Com isso, Bargow deixa o Astronauta no planeta prisão para cumprir a pena no lugar dele. Só que Astronauta tem pensamento de um tesouro. Bargow lê o pensamento dele e exige que fale onde tá o tesouro. Astronauta fala que não tem nenhum e, assim, Bargow o leva para a nave para mostrar onde está. Astronauta pensa que tem tesouro em um esconderijo secreto, que era só apertar um botão. Quando Bargow aperta, leva um soco de uma aparelhagem de luva de boxe que o Astronauta tinha colocado na nave.


Astronauta se desamarra com outra aparelhagem com tesoura e se orgulha que sua nave é cheia de truques. Ele prende Bargow e o leva até o planeta-prisão que ele estava. No final, Astronauta comenta que tem que ter cuidado, pois tem vários planetas-prisões naquela região e vai sobrevoando com sua solidão e lembranças, quando de repente se depara com uma mulher perdida em outro planeta, dando a entender que é golpe e vai acontecer tudo de novo. 


Uma aventura bem legal, o alienígena bandido se aproveitou da solidão do Astronauta e do dom de ler pensamentos e de ser camaleão se transformando em outras coisas para virar um cachorro e poder fugir da prisão. Ele passou sufoco por causa da sua solidão, um tema muito abordado em suas histórias antigas. Tanto o Astronauta sofreu por conta do extraterrestre ter se aproveitado da sua solidão, assim como o Astronauta se livrou do ET por causa da sua fraqueza por dinheiro. Com isso,  a história deixa a mensagem de ficar atento às pessoas, não deixarem se aproveitar de você ao saberem de suas fraquezas.


Boa ideia de mostrar que as prisões de extraterrestres bandidos eram em planetas prisões, ficando lá solitários a vida toda. Legal ver a nave equipada do Astronauta, pronta para enfrentar qualquer perigo inesperado. Final ficou aberto para os leitores imaginarem como seria a sequência após. Sabe-se que a mulher que ele encontrou era outro bandido, mas o leitor imaginaria como ele ia se sair dessa de novo. Era muito comum finais abertos assim, principalmente nos gibis da Editora Abril. Impublicável hoje em dia por conta do alienígena ser bandido, coisa inaceitável nos gibis atuais.


Os traços muito bons, bem típicos dos anos 80, o universo espacial, a noite muito bem desenhado. Era bom os pensamentos com cores diferentes, com tons azulados e brancos, eu gostava dos pensamentos com cores assim para diferenciar que era algo passado, fora da realidade atual. E dessa vez a história do Astronauta teve título, coisa bem rara na época. Atualmente até que colocam títulos nas suas histórias novas. 

segunda-feira, 20 de janeiro de 2020

Capa da Semana: Mônica Nº 189

Uma capa bem criativa e incorreta com o salto da Mônica em um trampolim, mostrando todo o trajeto que fez desde prestes a saltar do trampolim até sair da piscina ostentando que foi um salto perfeito, só que não viu que perdeu a parte de baixo do biquíni ao cair na piscina, ficando de bunda de fora. 

A capa dessa semana é de 'Mônica Nº 189' (Ed. Abril, Janeiro/ 1986).

quarta-feira, 25 de dezembro de 2019

Cebolinha: HQ "É Natal!"

Compartilho uma história em que um vilão faz tornar o Papai Noel gigante para não distribuir brinquedos no Natal e para ele ter lucro nos seus brinquedos eletrônicos que criou. Foi publicada em 'Cebolinha Nº 156' (Ed. Abril, 1985).

Capa de 'Cebolinha Nº 156' (Ed. Abril, 1985)

É noite de Natal e Cebolinha e seus pais estão comemorando o Natal. Só que é visto alguém olhando algo por um telescópio. Na verdade, era uma arma que estava sendo apontada pelo céu, em direção ao Papai Noel, que estava entregando os presentes da crianças na hora.


O atirador misterioso consegue atingir o Papai Noel, surge um clarão em frente à casa do Cebolinha, todos ouvem um barulhão e treme a casa. Ao mesmo tempo, Cebolinha vê os vizinhos olhando em direção a sua casa. Ele vai para fora de casa, dizendo que eles não tem nada a ver com o tremor e quando olha, vê que era o Papai Noel gigante sentado na sua casa.


Todos fogem pensando que era um monstro, mas a turminha fica, percebendo que era o Papai Noel e que ele estava chorando. Papai Noel conta que estava entregando os presentes, mas do nada algo fez crescer descomunalmente e estava triste pensando na desilusão das crianças não receberem presentes de Natal, já que agora nem o dedo dele entra na chaminé. Até as renas estavam com medo dele por ter risco de machucá-las com o tamanho dele e não vai sair da casa do Cebolinha com medo de pisar alguém.


A turma pergunta quem foi que fez aquilo com o Papai Noel e aí surge o vilão chinês Brinconildo Hong da Silva Kong, o maior inventor de brinquedos eletrônicos do mundo. Ele está entrando no mercado e está lançando brinquedos eletrônicos, só que dão choque e se destroem facilmente quando as crianças tocam neles, fazendo com que elas tenham que comprar outros logo e aumentar o seu lucro. Aí ele tornou o Papai Noel gigante com o seu invento aumentador celular anatômico para impedir que as crianças ganhassem presentes do Papai Noel e comprassem os brinquedos eletrônicos dele.


Papai Noel ressalta que os brinquedos dele são simples, como bola, pião, bonecas de pano, mas que duram muito, muito mais. Brinconildo ameaça fazer o Papai Noel crescer ainda mais se fizer qualquer movimento suspeito e faz condição de fazer voltar ao normal se trocar os brinquedos do saco pelos brinquedos eletrônicos dele.


Papai Noel fala que nunca será usado para colocar o plano vergonhoso dele em ação e a turma tem a ideia de entregar os presentes de Natal no lugar do Papai Noel. Brinconildo faz o saco de brinquedos do Papai Noel ficar gigante com o seu invento. Assim, os brinquedos ficam gigantes e se opõem à turma, com a bola correndo atrás do Cascão, a boneca caindo em cima da Magali e o pião atacar o Cebolinha.


Vendo as crianças sofrendo, Papai Noel está prestes aceitar a fazer as trocas de brinquedos, quando Mônica encontra o Sansão gigante que ela havia pedido de presente e joga o Sansão salvando seus amigos dos outros brinquedos gigantes e leva os brinquedos em direção à fabrica do Brinconildo, que acaba sendo destruída com a força dos brinquedos gigantes invadindo. Cebolinha pega o aumentador celular do Brinconildo e inverte o botão da arma e faz tudo voltar ao normal.


No final, a turma volta a comemorar o Natal, Papai Noel distribui os presentes deles e das outras crianças e Mônica comenta que tudo acabou bem, menos para o Brinconildo, que virou miniatura e estava sendo obrigado pela turma de consertar os brinquedos deles que foram estragados e Cebolinha o ameaça, dizendo que só vão fazer voltar ao normal depois de ter consertado tudo.


Essa é uma história excelente, uma grande aventura de Natal, bastante movimentada e bem criativa e  do vilão tornar o Papai Noel gigante para impedir de entregar os presentes da criançada e elas comprarem os brinquedos eletrônicos que destroem fácil só para ter lucro na sua nova empresa. Além de quebrarem fácil, ainda era perigoso as crianças brincarem com aqueles brinquedos.


Tem a discussão de qual tipo de brinquedo seria melhor para as crianças, se o melhor eram os brinquedos tradicionais ou os eletrônicos. Nos anos 80 estavam começando a ter comércio de eletrônicos, que já estavam disputando com os tradicionais bola, boneca, pião e sempre fica o debate de qual o melhor para formação das crianças.

O roteirista procurou colocar um vilão chinês por conta da fama de produtos da China serem de má qualidade, mas também tem uma crítica de lojas, aqui mesmo do Brasil, venderem brinquedos e produtos descartáveis só para o povo comprar de novo logo. Vale para qualquer coisa, não só brinquedos, como também eletrodomésticos, móveis, eletrônicos, etc, que fazem descartáveis de propósito para gente comprar logo, antigamente duravam muitos anos. Esperteza dos fabricantes.


Muito criativo o nome do vilão Brinconildo Hong da Silva Kong. Ele só apareceu nessa história. Era comum criarem vilões diferentes a cada história,de acordo com o roteiro e depois não apreciam mais. Hoje em dia, eles preferem colocarem vilões fixos como o Capitão Feio, Doutor Olimpo, Cúmulos, Cabeça de Balde, entre outros, ao invés de criarem vilões novos, só raramente, uma vez ou outra, criam vilões novos.


Os traços muito bons, no início da fase consagrada dos personagens. Cebolinha pensou trocando as letras, o que era comum na época, atualmente eles colocam ele pensando sem trocar o "R" pelo "L". É incorreta do invento do Brinconildo ser uma arma, ele querer atirar no Papai Noel com ela, hoje em dia fariam adaptação nisso. Aliás o tema em si com uma aventura assim de Papai Noel sofrer, o desejo do Brinconildo vender brinquedos que estragavam fáceis e serem perigosos para as crianças, poderiam implicar atualmente, se tornando impublicável.


Dessa vez tiveram propagandas inseridas dentro da história, muito comum na época, dando 1 página a mais juntando os quadrinhos que ocuparam as propagandas. No caso, a história ocupou 16 páginas no gibi, mas teria 15 páginas sem as propagandas inseridas. Foram todas envolvendo a bicicleta Caloi para criança colorir os desenhos e colocar escondido nas coisas dos pais para incentivar a darem bicicleta.


Essa história oi republicada depois em alguns almanaques especiais de Natal, a primeira vez foi em "Mônica Especial de Natal Nº 1" (Ed. Globo, 1995) . Aqui a capa desse almanaque.

Capa de 'Mônica Especial de Natal Nº 1' (Ed. Globo, 1995)

UM FELIZ NATAL PRA TODOS!!!

sexta-feira, 29 de novembro de 2019

Almanaque da Mônica Nº 15 - Editora Globo

Há 30 anos era lançado o 'Almanaque da Mônica Nº 15' da Editora Globo, que foi em homenagem aos 30 anos da MSP até então. Nessa postagem, faço uma resenha de como foi esse almanaque especial.

Almanaque da Mônica Nº 15 (Ed. Globo, 1989)

Lançado em novembro de 1989, ele reuniu histórias dos primeiros números dos gibis da Mônica de 1970 e 1971 pela Editora Abril. O livro "Mauricio 30 Anos" pelo visto estava com produção atrasada, deveria sair em 1989 e acabou só sendo lançado em 1990, e para não passar em branco a comemoração dos 30 anos da MSP, fizeram esse almanaque.

Na época eles não tinham costume de republicar histórias muito antigas assim, entre 18 a 20 anos, era no máximo 11 anos de diferença, sendo mais comum histórias entre 5 a 7 anos. Assim, em 1989 era mais comum nos almanaques histórias entre 1978 a 1984, sendo mais frequente a partir de 1982. Isso para ter uma ideia de como voltaram no tempo com as histórias.

Foi a primeira que vi como foi a origem da Turma da Mônica, como era os traços dos anos 70. Até já tinha visto umas ilustrações do Cascão no frontispício do 'Almanaque do Cascão Nº 6' de 1989, mas nesse 'Almanaque da Mônica' já foi mais revelador, deu para ver como era e achei muito diferente em relação aos traços dos gibis atuais até então.


Esse 'Almanaque da Mônica Nº 15' seguiu o mesmo estilo de formato dos anteriores, saindo em bancas do jeito tradicional, com preço comum que era, acrescido da inflação que aumentava o preço de uma edição para outra em todos os gibis.Teve as tradicionais 84 páginas, formato lombada, capa em papel couché e miolo com papel jornal oleoso. Mantiveram até a faixa lateral com coelhinhos, tão comuns nos almanaques na época e histórias interligadas com propagandas normais dos gibis de 1989.

A capa teve uma ilustração muito bonita ambientada na virada dos anos 60 para os anos 70 com Mônica como fotógrafa lambe-lambe querendo tirar fotos do Cebolinha, Cascão, Magali e Bidu em um calhambeque caracterizados como na época proposta, mas com os traços de 1989. Pode dizer que Cebolinha, Cascão e Magali estão caracterizados como Roberto Carlos, Erasmo Carlos e Wanderléia. A intenção foi para os leitores entrarem no clima nostálgico da época das histórias dos gibis originais que tinham nesse almanaque.

Abre com frontispício, mostrando capas das 12 primeiras edições de 1970 e 1971 e um texto com Mauricio falando do sucesso da Turma da Mônica desde os anos 70 e ressalta que as crianças daquela época já estavam crescidas, casados e com filhos e com a reedição daquelas histórias, os pais que leram quando crianças podiam reler agora junto com os seus filhos. Imagino a emoção de quem leu os gibis originais e terem a oportunidade de reler e mostrar par aos filhos o que leu quando era criança, já que não tinha internet e nenhum meio de ler a não ser procurando em sebos e que já era difícil encontrar aquelas edições de 1970 e 1971. Nas capas ilustradas, só não mostraram as de nº 6, 9, 10 e 11.

Frontispício da edição

A seguir vem as histórias clássicas, que foram tiradas de edições do "Nº 2" até o "Nº 17" e todas escritas e desenhadas pelo Mauricio de Sousa, já que era só ele que fazia as histórias na época. Procuraram colocar histórias mais curtas para ter noção de como eram vários personagens da MSP. Teve histórias de vários personagens secundários, mas não tiveram Chico Bento e Penadinho, que só foram estrear nos gibis a partir de 1972 e não teve Astronauta, pois as histórias costumavam ser longas nos primeiros números. De histórias de abertura originais foram só a de abertura e de encerramento, as outras de miolo curtas entre 1 a  5 páginas.

A gente nota um estilo bem diferentes, não só nos traços com personagens bochechudos, bochechas pontiagudas, assim com histórias bem incorretas, cheias de absurdos e personagens se dando mal ao extremo, inclusive no final, muitas vezes sendo ridicularizados. essa fase marcou também com personagens falando de boca fechada, uma linguagem bem culta, próclises e ênclises bem colocadas, palavras não muito faladas hoje, outras bem datadas e se falavam alguma gíria ou algo informal, aparecia palavra entre aspas. Cebolinha falava trocando o R pelo L entre aspas também. Única alteração foi ortografia da época, editada para não ensinarem errado a escrita atual (coisa que até fazem hoje desde que teve a nova reforma ortográfica). De resto, tudo igual, sem alteração nenhuma, nem no estilo de cores, já que na Globo não alterava nada sem ser ortografia.

A primeira foi a clássica "Os Azuis" (MN #15, de 1971), que inclusive recebeu vários prêmios depois de lançada, e discute o problema de racismo. Mônica acorda normalmente e vai a rua e encontra todos os seus amigos com peles azuis e pensa que eles se pintaram, e eles pensam que a Mônica se pintou de laranja. Quando descobrem que a Mônica tinha aquela cor de pele sentem nojo dela por estar com cor diferente que a deles e passam a fugir dela.

Trecho da HQ "Os Azuis"

Mônica até tenta ir atrás deles, mas é em vão. Cascão ordena que a Mônica o solte e Magali fala para não bater nela e faz expressão de nojo e joga na cara que a cor laranja da Mônica é horrível. Mônica ainda é insultada pelo povo da rua, que a chamam de "coisa", que uma "alaranjada" não deve andar por aí e é perseguida por um vigilante. Ela encontra um velhinho encostado no túnel que fugiu, explica seu problema dos outros implicarem com a cor, mas ele também foge.

Aparece o Bidu e é o único que a aceita do jeito que a Mônica era. Ela comenta que todos se pintaram de azuis e estão implicando com ela só por causa da cor, mas ela continua igualzinha a eles e tem todos os sentimentos iguais a eles, como ternura, saudade, contentamento, medo, entre outros. Depois, ela vai para casa almoçar e tem a surpresa que até a mãe dela está azul e Mônica ainda ouve a voz dela vindo do quarto, achando que está "lelé".

Trecho da HQ "Os Azuis"
Em seguida, vê um espelho que não tinha na casa dela e descobre que era um espelho teledimensional, que foi parar no mundo dela por engano e o espelho a transporta de novo para o mundo dela. De volta ao mundo real, Mônica fica emocionada ao ver a mãe com sua cor normal, vai para a rua e abraça Cebolinha e Magali, falando que gostaria deles mesmo se eles fossem azuis e fica triste em saber que existe um lugar que pensam que o que é mais importante é a cor da pele.

Essa história é sensacional, Mauricio quis mostrar em que há um mundo paralelo que tem preconceito de cor de pele, mas na verdade era uma crítica ao Brasil mesmo que tem preconceito com os negros. Incrível que nos anos 70  tinha esse preconceito de racismo e que ainda é um tema atual, até hoje o povo tem preconceitos. Fica na imaginação se a Mônica sonhou aquilo tudo ou se realmente ela foi parar no mundo dos azuis, Mauricio gostava dessas histórias de situações de imaginar se aconteceu ou não.

Trecho da HQ "Os Azuis"

Em seguida vem "A história do Horácio" (MN #2, de 1970) com 3 páginas, a estreia dele nos gibis. Mostra que Horácio não tinha mãe e foi expulso da aldeia dos homens porque comia demais e teve que passar a viver na floresta por conta própria. Os dinossauros da floresta não queria amizade com ele porque era domesticado e não selvagens como eles. Horácio tenta ser selvagem e feroz e tenta desafiar um dinossauro gigante, mas ele acaba sendo chutado por ele, sendo confundido por uma pulga atrevida. No final, Horácio volta para a aldeia dos homens, com Piteco falando que vai deixar passar a noite lá, mas que era pra tratar de arranjar lugar na floresta no dia seguinte,

Essa história foi republicada de tabloides do Horácio de 1963, ano que foi criado, só que redesenhada e colorida ao estilo dos gibis dos anos 70. Seria uma história seriada com Horácio procurando um lugar na floresta após ser expulso. Interessante o crossover com Piteco, por ele ter vindo da aldeia de Lem, mas depois essa ideia não seguiu adiante e eles não se cruzaram mais nos gibis.

Trecho de "A história do Horácio"

Em "A língua do Cebolinha" (MN #7, de 1970), de 4 páginas, ele comenta a sua tristeza de trocar o "R" pelo "L" e Mônica acha que ele tem um defeito na língua e passa a puxar a língua dele, só que ela corre segurando a língua do Cebolinha pelo bairro esticando toda quando a Magali a chama. Depois que se dá conta que está segurando a língua dele, Mônica solta e acaba o deixando com boca presa. Logo depois, descobre a língua ficou na nuca e a solução foi fazer espetáculo com Cebolinha como o garoto que tem língua na nuca para arrecadar dinheiro para bem próprio se aproveitando da situação dele.

Na época tinha vários absurdos e ao invés de ter solução, acabava piorando em situações mais incorretas ao extremo, fora ridicularizar o personagem E é tipo de história em que cada página tem uma piada no final, formando tabloides independentes e juntando tudo formando uma história principal.

Trecho da HQ "A língua do Cebolinha"

Depois vem a história de estreia da Tina nos gibis (MN #8, de 1970). Na fase hippie, sempre abordando os temas hippies e os conflitos com o pai. Nessa, com 2 páginas, o pai questiona Tina sobre seu jeito de vestir e ela diz que é o estilo da filosofia hippie e que vai trabalhar fabricando medalhões e cintos com couro que encontrar. O pai até acha uma boa ideia, mas fica furioso quando descobre que ela foi vender na rua os seus cintos que estavam no armário.

HQ da Tina completa

Bidu e Franjinha estrelam uma história muda de 3 páginas (MN #3, de 1970), em que o Franjinha deixa o Bidu em um manequim sem cabeça para poder ir ao supermercado, que proibia a entrada de animais. O povo da rua começou a achar engraçado manequim com cabeça de cachorro e pensavam que o manequim estava vivo ao Bidu reagir com raiva . Aparece a polícia e várias autoridades para prender a "pessoa com cabeça de cachorro", até que Franjinha aparece e tira o Bidu do manequim e, assim,  todos saem correndo atrás deles para bater e não pregar peças neles. Nota-se que mantiveram as cores originais da revista original, deixando Franjinha com camisa azul claro e bermuda azul escuro. E é uma reedição de gibi do Bidu da Editora Continental de 1960, só que redesenhada e colorida par aos padrões dos anos 70.

Trecho da HQ do Bidu

Em "Quase um monólogo" (MN #9, de 1971), de 3 páginas, Mônica conversa com os leitores, perguntando se acham feiosa, se não preferia outro personagem no lugar, se ela não tirou outro personagem do lugar e se ainda acham que ela é chata ou metida. Até que Cebolinha aparece  e confirma tudo isso e ela bate nele, falando que certas criaturas não sabem a diferença da realidade da vida e representação. Ou seja, ela estava representando o tempo inteiro e sobrou para o Cebolinha.

Trecho da HQ "Quase um monólogo"

Na história do Raposão, de 2 páginas (MN #10, de 1971), ele trabalha de recenseador e vai na toca do Coelho Caolho. A princípio ele tinha 118 filhos, mas enquanto Raposão estava lá, á ia nascendo mais filhos, deixando Raposão com raiva de ele fazer tantos filhos em tão pouco tempo e vai atrás dele para a mata  querendo bater com a pasta

HQ do Raposão completa

Em "O medo da Mônica" (MN # 4, de 1970), de 4 paginas, um ser misterioso fica impressionado com a força e coragem da Mônica e bater nos meninos sem dó nem piedade e quer que ela participe de seu plano, mas quando descobre que ela tem medo de maribondo, ele desiste que a Mônica participe do plano. Na verdade, ele era um extraterrestre que queria uma criatura poderosa no planeta Terra para reinar no seu planeta e desiste da Mônica e acaba chamando o maribondo no lugar, achando que ele é a criatura mais poderosa do planeta.

Trecho da HQ "O medo da Mônica"

Papa-Capim tem um tabloide (MN #5, de 1970) em que ele e Cafuné estão preocupados com uma plantinha que estava murcha por falta de chuva. Eles fazem dança da chuva, mas exageram, fazendo alagar a selva toda. Era raro de ter histórias do Papa-Capim nos anos 70, quando tinha eram histórias de 1 página assim.

HQ do Papa-Capim completa

Em "Ai, que dor de dente" (MN #5, de 1970), com 5 páginas, mostra o sofrimento do Cebolinha com uma dor de dente e Cascão e Mônica tentam ajudá-lo, mas fazendo coisas absurdas como puxar o dente com barbante, mudar o laço que estava na cabeça dele para ficar mais bonito. No final, Mônica o leva amarrado para o dentista, que acaba tirando o dente errado. Mauricio gostava de ridicularizar o Cebolinha nas suas historias, essa foi mais uma. E novamente uma piada independente em cada página que juntas forma uma história.

Trecho da HQ "Ai, que dor de dente"

Em "O coelho da Mônica" (MN #12, de 1970), com 2 páginas, Cebolinha e Cascão reclamam que o coelho da Mônica, (ainda sem nome) tinha criado vida e estava batendo neles sozinho. Mônica não acredita, mas no final acaba levando uma surra do coelho e fica de olho roxo, confirmando o que os menins disseram e pede desculpas a eles.

HQ "O coelho da Mônica"

Tina  tem mais uma história, de  xx páginas (MN #17, de 1971) em que ela idolatra o John Lennon e seu irmão Toneco passa a falar mal, que ele usa peruca, e aí Tina e Toneco brigam, Toneco a chama de macaco de auditório e Tina fala que quem é a avó deles, a Vovoca. No final, eles encontram Vovoca comprando um poster do John Lennon, confirmando que ela também é fã e macaca de auditório do John Lennon.

Trecho da HQ da Tina

Em "Moni X Cão" (MN #12, de 1971), de 6 páginas, Mônica tenta salva rum cachorrinho da carrocinha. As vezes defende o homem da carrocinha d elevá-lo por não ser vacinado, outras vezes defende o cachorrinho por não querer que ele se transforme em sabão. No final, o cachorrinho é vacinado e recebe sua licença, mas Mônica é perseguida pelo homem da carrocinha por ter dado fim a sua rede de laçar os cachorros.

Trecho da HQ "Moni X Cão"

Zum e Bum estrelam a história "A fuga" (MN #2, de 1970), de 3 páginas. Nela, eles tentam fugir do presídio com Zum colocando o Bum dentro da comida para despistar os sentinelas. Só que eles não contavam que a comida ia para os ciclopes que vigiavam bandidos fugitivos da prisão, e, com isso, o plano não deu certo mais uma vez. Foi a estreis deles nos gibis e interessante mostrar no título que Piteco apresenta Zum e Bum, confirmando que eles são do núcleo do Piteco.

Trecho da HQ "A fuga"

Bidu e Franjinha têm mais uma história muda, de 3 páginas (MN #5, de 1970), em que Franjinha coloca um espelho na casinha do Bidu para dar medo nele, mas tem um mistério do espelho mordê-los, deixando s 2 com medo, pensando que era uma assombração. No final ,descobre que era uma toupeira que tinha se escondido na casinha depois do Franjinha ter colocado o espelho lá.

Trecho da HQ do Bidu

O almanaque termina com a história "C.B. A nuvenzinha mau-caráter" (MN #12, de 1971), de 10 páginas, em que a turma está vendo nuvens no céu, até que uma nuvem rebelde chamada Cúmulus Nimbus (C.B.) cria vida e ameaça a Mônica de participar de seu plano de dominar o mundo.

Trecho da HQ "C.B. A nuvenzinha mau-caráter"

A nuvem C.B. a obriga ir a rádios e jornais anunciar que a população toda tenha que ferver água para formar novas nuvens que farão destruir o planeta. Na véspera do plano, durante a noite, a nuvem C.B. se transforma em líquido em um copo que estava no quarto da Mônica para descansar, só que a Mônica acaba tomando a água, e, com isso, engolindo e destruindo a nuvem, terminando os planos dela assim. Após tomar a nuvem, Mônica esquece de tudo e pensa que foi tudo um sonho e volta a dormir tranquilamente. Muito boa essa, ponto alto foi a Mônica beber a própria nuvem do mal. Os absurdos eram altos na época.

Trecho da HQ "C.B. A nuvenzinha mau-caráter"

A tirinha final foi inédita, desenhada com o estilo dos anos 70. Ficou muito igual e quem não tinha os gibis originais pensava que era uma republicação como as outras, mas foi inédita, já que nos primeiros números não tinham tirinhas nesse formato de 3 quadros ocupando uma coluna. Isso só aconteceu a partir de 1973, com o lançamento dos gibis do Cebolinha. A seguir essa tirinha inédita.

Tirinha da edição

Então é um almanaque histórico, reunindo várias histórias clássicas dos primórdios da MSP depois de muito tempo sem o público ver até então. Hoje em dia os leitores pôde ver essas histórias na "Coleção Histórica", mas em 1989 o acesso era difícil. Foi uma excelente comemoração aos 30 anos da MSP e prova que não precisa fazer edição de luxo, mostra que uma edição saindo em bancas normalmente com preço acessível pode ser especial da mesma forma. Só ppodiam ter colocado pelo menos alguma da "Nº 1" também, mas nada que estrague a edição por causa disso. Muito bom relembrar esse 'Almanaque da Mônica Nº 15' há exatos 30 anos.