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terça-feira, 4 de fevereiro de 2020

Livros "As Melhores Piadas" / "As Grandes Piadas"


Postagem "Nº 800" do Blog. Os livros de tirinhas  "As Melhores Piadas" e "As Grandes Piadas" circularam nas bancas entre 1985 a 1988, foram um grande sucesso e nessa postagem mostro como foram essas coleções.

A coleção "As Melhores Piadas" foi lançada em julho de 1985. Foram livros em formato de bolso "pocket" reunindo tirinhas da Turma da Mônica que saíram em jornais de todo o Brasil. Esse título já tinha sido usado antes em livros de tiras da Editora Abril entre 1974 a 1978, sendo que tinham um formato horizontal (bem semelhante aos mais recentes "As Tiras Clássicas da Turma da Mônica" da Panini ente 2007 a 2011), e nos anos 80 fizeram uma 2ª série com esse título com um formato diferente. Esses dos anos 70 eu não tenho.

Inicialmente "As Melhores Piadas" seriam edições especiais mensais de 6 edições, que iriam circular entre julho e dezembro de 1985. Seriam da Mônica, Cebolinha, Cascão, Chico Bento, Bidu e Penadinho. Tiveram ao mesmo tempo edições desse formato da Disney. Com o sucesso, a MSP resolveu prolongar a série se tornando um título fixo mensal a partir de 1986. Foram 18 edições até dezembro de 1986 com tiras maravilhosas, abordando as principais características dos personagens e sem sobra do politicamente correto.

Tirinha tirada de "As Melhores Piadas do Penadinho Nº 6" (1985)

Cada volume teve capa cartonada plastificada e miolo em papel jornal, formato lombada 10,5 X 17,5 cm, 84 páginas, uma tira por página, totalizando cerca de 75 tiras por edição. As tiras eram originais dos anos 70 e 80, entre 1977 a 1984, em preto e branco exatamente como de jornais, sem ordem cronológica, sendo organizadas na vertical, disponibilizadas com arte em quadrinhos deslocados para direita e esquerda para não ficar espaços em brancos em cada página.

Cada edição era estampada por um personagem diferente, até porque a intenção inicial era pra ter um livrinho para cada personagem diferente, aí depois foram repetindo os títulos entre eles. Nem todas as edições da Mônica, Cebolinha e Cascão eram somente do personagem em destaque, tipo, em pocket da Mônica podia ter tiras do Cebolinha, do Cascão, entre outros, mas a grande maioria era do personagem em destaque. Já os pockets de secundários como Bidu, Chico Bento, Penadinho, etc, aí eram só tiras deles mesmo em seus respectivos números.

Tirinha tirada de "As Melhores Piadas do Cebolinha Nº 15" (1986)

As capas eram formadas por tiras, um grande diferencial, já comprava lendo uma tirinha na banca. Algumas com texto e outras sem texto de acordo com cada edição. Único exemplar que não teve capa formada por tira foi a "Melhores Piadas Nº 7" de Roque Sambeiro, em janeiro de 1986, que preferiram colocar os personagens caracterizados como os personagens da novela "Roque Santeiro". Embora as capas eram plastificadas, as edições entre "Nº 7" a "Nº 10" não foram plastificadas, mas depois retornaram ao estilo tradicional.

As tiras tinham de 1 a 5 quadrinhos, de acordo com cada piada, sendo  a maioria eram 3 quadrinhos cada tira. Muitas das tiras dos livros dos personagens da Turma da Mônica e do Chico Bento foram aproveitadas depois republicadas nos primeiros anos dos gibis da Editora Globo, principalmente as de 3 quadrinhos e foram coloridas para saírem nos gibis. Ficaram muitos anos mostrando as tiras desses pockets nos gibis. Já os do Bidu e Penadinho não saíram em gibis convencionais e, portanto, são todas mais raras.

Capas "As Melhores Piadas Nº 1 ao Nº 9" (1985/1986)

Além os de Bidu e Penadinho, os mais diferentes foram os "Nº 7" e "Nº 10", de Roque Sambeiro e da Tina, respectivamente. Em Roque Sambeiro foi parodiando piadas sobre novela Roque Santeiro, um grande sucesso da Rede Globo de Televisão em 1985, que a MSP resolveu entrar na onda e colocar os personagens caracterizados como os da novela e ainda mostravam piadas sobre televisão. Enquanto as outras edições eram compilações de tiras de jornais, nesse foram tirinhas inéditas especialmente para aquela edição.

O da Tina mostravam piadas sobre comportamentos dos jovens, eram tiras dos anos 70, logo depois da transição da Tina hippie. Com isso, os personagens não tinham uma característica definida e procuraram colocar os costumes que os jovens daquela época tinham. Esses, então, eu considero os mais raros da coleção até hoje, até por não ter tido volumes desses nos pockets da Editora L&PM.

Capas "As Melhores Piadas Nº 10 ao Nº 18" (1986)
Quando a MSP mudou para a Editora Globo em 1987, o título mudou para "As Grandes Piadas", já que o título "As Melhores Piadas" era da Editora Abril e a MSP não podia ficar com esse nome na Globo, ainda mais que em 1987 ainda circulavam "As Melhores Piadas" com os personagens da Disney pela Editora Abril.

Com isso, "As Grandes Piadas" da Editora Globo foi lançada nas bancas a partir de março de 1987 e ficou circulando mensalmente até a edição "Nº 20", em novembro de 1988. Seguiu o mesmo estilo,  mesmos formato e números de páginas dos exemplares da Editora Abril. Até o "Nº 12" um personagem diferente tinha destaque de título próprio na capa. Foram praticamente os mesmos da Editora Abril, de novidade foram Magali (na edição "Nº 5") e Pelezinho (na edição "Nº 7") que não tiveram títulos próprios na Editora Abril. Já Tina não teve um novo número na Globo. Assim, eu considero Magali e Pelezinho os mais raros da Globo.

Capas "As Grandes Piadas Nº 1 ao Nº 9" (1987)
A partir da edição "Nº 13", de abril de 1988, colocaram o título apenas "As Grandes Piadas da Turma da Mônica" ao invés de ser um só personagem. Então, as tiras tiveram mais abrangência de vários personagens e não só de um, até Anjinho teve mais presença de tiras solo. Na verdade, as tiras sempre foram com a turma toda, mas sendo um pocket do Cebolinha, por exemplo, tinham mais tiras com ele no total, e passando a ser Turma da Mônica foi mais equilibrado as quantidades de tiras de cada personagem por edição.

Também após a edição "Nº 13", passaram a  ter primeira metade de tiras com a Turma da Mônica e a outra metade outras turmas de secundários como anunciados na capa mensagem de "participação especial de Fulano". Foi uma forma para que personagens como Penadinho, Bidu e Chico Bento não deixassem de ter suas tiras publicadas com a mudança de título para "Turma da Mônica".

Nas edições "Nº 19" e "Nº 20", de outubro e novembro de 1988, respectivamente, passaram a colocar nas capas um desenho de personagem como mágico ao lado da tira, como se tivessem apresentando as tiras. Assim na "Nº 19" foi a Mônica apresentando a tira e na "Nº 20" foi o Cebolinha. Se tivesse continuado a coleção, provavelmente colocariam outros personagens nas capas, mas acabou a coleção sendo cancelada de repente na "Nº 20".

Capas "As Melhores Piadas Nº 10 ao Nº 18" (1988)
Sem dúvida esses livros foram uma excelente coleção, para quem gosta de ver tirinhas com leitura rápida é um prato cheio. Hoje em dia até perde um pouco de valor por conta dos pockets da Editora L&PM e de terem sido republicadas nos primeiros gibis da Editora Globo, mas muitas delas não saíram nesses pockets da L&PM e as tirinhas de 1 ou 2 quadros também não saíram nos gibis da Editora Globo, assim como as tiras do Bidu e do Penadinho, aí já seriam material inédito. 

Acho que podiam ter feito também pockets com tirinhas do Anjinho, Os Sousa e Nico Demo. Se você por encontrar algum volume desses, não pense duas vezes para comprar, vale a pena. Hoje eu só não tenho "As Grandes Piadas Nº 19" e "Nº 20" da Editora Globo. As imagens da postagens são da minha coleção pessoal. Devo ainda fazer algumas postagens aqui no Blog em breve mostrando com mais detalhes como foram algumas edições, pelo menos as das mais raras.

quarta-feira, 11 de dezembro de 2019

Pocket L&PM: Os Sousa - Uma família do barulho


Em 2018 foi lançado o pocket "Os Sousa - Uma família do barulho" pela Editora L&PM, o mais recente da coleção. Nessa postagem mostro como foi essa edição de tirinhas.

Os Sousa foi um núcleo adulto da MSP criado em 1968 de uma família composta pelo marido, pela esposa e o irmão Mano, mostrando cotidiano e os problemas de uma família tradicional brasileira, como se os leitores se vissem com as tiras e histórias mostradas. O marido trabalhava em escritório, a esposa era dona de casa e o irmão Mano era um cara folgado que vivia às custas do irmão Sousa, além de não querer nada com trabalho e mulherengo. Inicialmente saíam em tiras de jornais e depois passaram a  ter histórias mais desenvolvidas nos gibis da Mônica e Cebolinha da Editora Abril.

Esse é o segundo pocket de Os Sousa da Editora L&PM. Já havia sido lançado o pocket "Os Sousa - Desventuras em família" em 2010, marcando a volta do público a ter acesso a material dos personagens depois de muito tempo e agora um novo título com tirinhas que não saíram na edição anterior.

Capa do pocket "Os Sousa - Desventuras em família" (2010)

Esse pocket "Os Sousa - Uma família do barulho" foi lançado junto com o "Nico Demo - O rei da travessura". Ele tem 128 páginas, formato de bolso 10,5 x 17,5 cm, papel de miolo off-set e reúnem 240 tiras que saíram nos jornais, com 2 tiras por página em preto e branco, na horizontal. Já capa e contracapa foram em papel couché um pouco reforçada em vez de ser cartonada como foram todos os pockets anteriores. Desde o pocket "Procurando diversão" mudaram o tipo do papel da capa. 

Reuniram tiras entre 1977 a 1978, sendo que curiosamente foram colocadas de forma decrescente, ou seja, colocaram das tiras mais novas até a mais antiga, começando da nº 3556 até chegar a de nº 3101, com poucas puladas nesse período e prevaleceram mais as de 1978. As imagens da capa e da tirinha da contracapa foram as mesmas dessa vez, tiradas da tirinha da página 37.

Contracapa do pocket "Os Sousa - uma família do barulho"

Preço custando R$ 16,90, já foi mais barato, aos poucos vão aumentando o preço a cada lançamento. Quando iniciaram a coleção custava R$ 13,00.  Esse não consegui achar em nenhuma livraria, nem no centro da cidade, aí comprei na internet, o que foi bom que economizei pagando R$ 11,90 sem frete. Distribuição desses pockets é muito ruim, não vendem em bancas por aqui e poucas livrarias vendem.

Nas tiras desse pocket novo em geral vemos, então, essas características dessa família de personagens.  Tiras com humor bem inteligentes do nosso cotidiano, muitas delas se tornam bem atuais, mesmo sendo produzidas há mais de 50 anos.

Uma página do pocket "Os Sousa - uma família do barulho"

Por parte do casal, vemos tiras envolvendo machismo e feminismo, quem deles manda na casa, mulher demorando no banho ou para se arrumar antes do casal sair para se divertir, ela dirigindo mal dando fama que mulheres não sabem dirigir, problemas domésticos, o Sousa com problemas no escritório e com seu chefe, mão gostar da sogra, etc. Já por parte do Mano, vemos bastante tiras com ele mulherengo, indo atrás de mulheres, em campo de nudismo, além de querer se dar bem à custa do irmão e da cunhada, dando desculpas para não trabalhar, entre outras. Também tiveram tiras fazendo piadas com inflação, alta da gasolina, aluguel, violência, problemas no trânsito, eles sendo assaltados por bandidos e por aí vai. Muito bom.

Uma página do pocket "Os Sousa - uma família do barulho"

De curiosidade, eles tiveram o nome rebatizado. Inicialmente, eles eram chamados de Os Souza" com "Z" até pra diferenciar da família do Mauricio de Sousa, mas desde que criaram o pocket de 2010, passaram a colocar Sousa" com "S" e, com isso, todas as tiras que falam "Souza" nas originais foram alteradas nesse pocket, assim como aconteceu no pocket de 2010. 

Como podem ver, é um livro que vale a pena ter, não só pela raridade assim como pelo excelente conteúdo do nosso cotidiano. Um ótimo conteúdo adulto, com piadas que se tornam atuais até hoje, mesmo depois de mais de 40 anos da produção original, nada mudou e melhor que não tem sombra do politicamente correto. Todos esses pockets da Editora L&PM são muito bons. Até agora foi o último pocket lançado da Editora L&PM, infelizmente não fizeram outros depois desse até agora em 2019. Tomara que façam outros pockets, que a coleção não tenha terminado nesse de "Os Sousa".

Uma página do pocket "Os Sousa - uma família do barulho"

Para finalizar, deixo um guia atualizado de todos que foram lançados até agora, para quem se interessar em colecionar os pockets da L&PM e tem dúvidas quais foram reedições da Editora Panini de 2008. Eu expliquei melhor sobre isso AQUI. Foram lançados 21 pockets até agora e estão dispostos assim:

  • Pockets que seriam lançados pela Panini:
  1. "Mônica tem uma novidade"
  2. "Cebolinha em apuros"
  3. "Os Sousa - Desventuras em família"
  4. "Bidu arrasando"
  5. "Nico Demo - Aí vem encrenca"
  • Pockets que são reedições da Panini:
  1. "Mônica está de férias"
  2. "De quem é esse coelho"
  3. "Bidu - Diversão em dobro"
  4. "Chico Bento - Plantando confusão"
  5. "Penadinho - Quem é morto sempre aparece"
  •  Pockets novos da L&PM:
  1. "Pintou sujeira"
  2. "Chico Bento - Histórias de pescador"
  3. "Coleção 64 páginas - 120 tirinhas da Turma da Mônica" (reedição das tiras já lançadas em números anteriores até então)
  4. "Cadê o Bolo?"
  5. "Bidu - Hora do Banho"
  6. "Penadinho - Alguém viu uma assombração?"
  7. "O amor está no ar"
  8. "Chico Bento - Ê soneca boa!"
  9. "Procurando diversão"
  10. "Nico Demo - O rei da travessura"
  11. "Os Sousa - Uma família do barulho"

Na dúvida de quais tem o mesmo conteúdo, esqueça os da Panini e compre só os da L&PM.

sexta-feira, 18 de outubro de 2019

Mônica Nº 600

Esse mês de outubro de 2019 a revista 'Mônica' comemora a marca de 600 edições. Nessa postagem mostro como foi esse gibi especial.


A revista 'Mônica' foi lançada em maio de 1970 pela Editora Abril e juntando todas as séries de numerações de todas as editoras que passou (Abril, Globo e Panini), essa edição "Nº 54" da 2ª série da Panini é a verdadeira "Nº 600", e, com isso, levou 49 anos para atingir essa marca. A tendência agora é sempre a cada 100 edições ter uma revista especial comemorando a marca com edições redondas. Na Panini já tiveram Mônica, Cebolinha e Magali "Nº 500", além de Cascão e Chico Bento "Nº 700".

'Mônica Nº 600', então, tem a história de abertura especial com a data e o resto do gibi é com histórias normais da turma toda. Segue o estilo tradicional de gibi formatinho com lombada, 84 páginas e preço de R$ 7,00, como vem sendo, bem caro por sinal um gibi de lombada da Mônica custar esse preço. A capa é uma releitura da edição "Nº 1" de 1970, fazendo alusão à história de abertura com a Mônica sendo levada por um portal no momento que segurava o carrinho do Cebolinha para dar passagem à tartaruga. Não tem frontispício comemorando a data, como foi na edição "Nº 500" de 2011, começa logo com a história de abertura.

Na trama, com o título "600 edições Grandes Emoções", com 31 páginas e escrita por Flavio Teixeira de Jesus, o vilão Cabeça de Balde captura e teletransporta a a Mônica de 1970 para os tempos atuais para impedir que a revista da Mônica chegue a 600 edições, só que a máquina que ele fez transportar a Mônica antiga é desregulada em uma tentativa da Turma da Mata tentar salvar a Mônica e, com isso, mistura "Mônicas" de diferentes épocas, percorrendo as 600 edições.

Assim, vemos a Mônica evoluindo, passando por várias histórias anteriores. Em cada passagem a Mônica é caracterizada de acordo com a história que foi retratada. Tipo, ao relembrar a Mônica da história "Um amor de ratinho" (MN #99 - Ed. Abril, 1978) ela é caracterizada como um ratinho rosa como foi na história original; ao relembrar "A jovem Frankestônica" (MN # 102 - Ed. Abril, 1978), ela se transforma em Frankestônica, e assim por diante.

Trecho da HQ "600 edições Grandes Emoções"

Temos várias lembranças de várias histórias clássicas durante a trajetória das revistas da Mônica. Entre as lembranças temos a Mini-Mônica (MN # 3, de 1970), Mônica-ermitã (MN # 6, de 1970), Mônica neném de "Tempo pra trás" (MN # 73, de 1976), Frankestônica (MN # 102, de 1978), Mônica come-come" de "Uma aventura eletrônica" (MN # 172, de 1984), Mônica vampira de "Amor dentuço" (Mônica # 54, de 1991), entre outros. Até o 3D Virtual foi lembrado, através da história "O espelho tridimensional" (MN # 95, de 1994). 

Durante a história também tem a presença de vários personagens secundários tentando salvar a Mônica presa na máquina, além de outros vilões históricos que marcaram as revistas da Mônica. Assim, temos Turma da Mata, Bidu, Piteco, Chico Bento, entre outros tentando salvar a Mônica e vemos vilões clássicos que apareceram em mais de 1 história nos gibis como  a volta do Lorde Coelhão, Doutor Olimpo, Bruxa Viviane, Boneca Tenebrosa, etc. Bom ver o crossover entre os personagens, nunca ia imaginar Piteco junto com Cabeça de Balde ou Chico Bento com Boneca Tenebrosa, por exemplo. Tiveram vilões que não chegaram a ter alguma história em gibis da Mônica como os ETs do Planeta Tomba que apareceram em gibis do Cascão e Bruxa Viviane, nos gibis da Magali, mas que por serem vilões clássicos da turma, aí resolveu colocar.

Teve também os personagens da turminha caracterizados como nas histórias antigas, como "Os Azuis" (MN # 15, de 1971) e "Os bruxinhos" (MN # 95, de 1978) e destaque para a volta do Super-Horácio e presença de alguns personagens esquecidos.

Trecho da HQ "600 edições Grandes Emoções"

Ele procurou colocar histórias em que remete a Mônica fantasiada, vestida diferente ou transformada em alguma coisa e não histórias de planos infalíveis ou com vilões que apareceram em 1 só história ou ainda as que tenham lembranças a algo muito politicamente incorreto, assim lembranças com assaltantes, diabos, por exemplo, ficaram de fora. Em cada referência da história tem a citação de qual história a Mônica antiga está representada com título e qual edição saiu, ou com o Cabeça de Balde falando de qual história foi ou o rodapé mostrar a fonte da história original quando aparecia um asterístico no texto dos balões.

Interessante que não teve nenhuma lembrança dos gibis da Editora Panini. Depois das passagens de 2002 foi tudo mais corrido, apresentando mais rápido os elementos das histórias e pra não dizer que não teve nada na Panini, teve uma alusão à história de 'Mônica Nº 9' de 2016, bem apagado mesmo. Só senti falta de lembranças de histórias dos primeiros números da Globo, pois de 1986 já pulou para 1991, mas mesmo assim tiveram bastante referências aos anos 80 através dos gibis da Editora Abril.

Os traços, com desenhos de Altino Lobo e arte-final de Reginaldo Almeida, até que não ficaram ruins no geral, dá pra aceitar. Curioso que primeira vez teve uma história com Cabeça de Balde sem ser uma história do roteirista  Paulo Back, quem criou o personagem vilão. Seguiu o mesmo estilo,  e inclusive, do leitor descobrir quem é o vilão que está por trás de cabeça de balde, cada história é revelado que ele é um personagem diferente disfarçado. Outro detalhe ao Zé Vampir falar que "histórias de transformação é tão anos 1990", então sinal que atualmente eles evitam de fazer histórias com os personagens se transformando em alguma coisa. Eu gostava tanto de histórias assim e pelo visto tiraram isso dos gibis.

Trecho da HQ "600 edições Grandes Emoções"

O resto do gibi seguiu o estilo normal do que vem sendo atualmente. O gibi teve 10 histórias no total, incluindo a história de abertura e a tirinha final. Chamou a atenção de ter tido mais histórias com personagens secundários sem ser da Mônica.

Tem Do Contra com "Um cavaleiro diferente", escrita por Edde Wagner e 7 páginas em que o Do Contra convida seus amigos pra encenar um teatro com aventuras de um cavaleiro medieval que faz coisas diferentes. Em "Pequenos Grandes" escrita por Roberto Munhoz e 8 páginas, em que o Papa-Capim e Cafuné tem que passar uma noite na floresta par aprovar que são grandes guerreiros. Já em "Zap-Zap", escrita por Lederly Mendonça e com 6 páginas, Tina está preocupada que o pessoal do shopping estão todas ocupadas olhando Whatsapp e esquecem de viver bons momentos com seus amigos na vida real, ou seja, uma lição de moral para que as pessoas vivam mais o mundo real e se desligar do mundo virtual.

Trecho da HQ "Zap-Zap"
A revista tem também história da Turma da Mônica na pré-história e histórias curtas de 1 ou 2 páginas com Milena com Marina, Turma da Mata e Turma do Penadinho. História de encerramento foi "O melhor balanço do mundo", escrita por Edson Itaborahy com 6 páginas, em que a Mônica pede para o Cebolinha ajudá-la a criar um balanço de pneu na árvore e Cebolinha pensa em algo mais ganacioso, com lição de moral no final. Até que histórias com lição de moral não foram tantas dessa vez, nessa revista, mas como de costume agora tem que algo mostrando boas maneiras..

Trecho da HQ "O melhor balanço do mundo"

Então, essa revista "Mônica Nº 600" não foi ruim, vale pelas boas lembranças com as histórias clássicas da Editora Abril e Globo. Essa de abertura podia ter tido mais páginas para não ficar um final tão corrido e ter mais outras lembranças de  histórias que ficaram faltando. Pelo menos a data não passou em branco. Eu compraria essa mesmo se não tivesse nada especial por ser de "Nº 600", tanto que busquei as outras de números redondos da Globo, mas tendo algo especial melhor ainda. Como previsão é a cada 100 edições ter especial desse estilo, então podem ser lembradas em outras edições. Podiam até fazer edições relembrando capas históricas para que não ficasse tão repetido isso. Não tem informação se vai ter exemplar especial de colecionador com capa metalizada como foi na edição "Nº 500" ou um com capa variante. Acredito que não. Os outros gibis desse mês de outubro não comprei nenhum, então não tem resenha deles. Fica a dica.

domingo, 8 de setembro de 2019

Trilogia dos Livros "MSP 50"

Em 2009 era lançado o livro "MSP 50" comemorando os 50 anos dos estúdios Mauricio de Sousa Produções até então e que daria início a trilogia de livros dessa série e posteriormente ao título "Graphic MSP". Então, nessa postagem mostro como foram esses livros da Trilogia MSP 50, que deu início há 10 anos.



O projeto foi idealizado pelo editor Sidney Gusman para homenagear o Maurício pelos 50 anos da MSP. O nome do livro "Mauricio de Sousa Por 50 Artistas", nome criado pelo roteirista Flavio Teixeira de Jesus, teve essa intenção de trocadilho com a Mauricio de Sousa Produções, com a siglas das suas letras iniciais, no caso "MSP 50".

Trata-se de um projeto em que 50 quadrinhistas brasileiros foram convidados pelo Sidney Gusman a elaborar histórias com uma releitura dos personagens do Mauricio. A Turma da Mônica, então, foi vista através de outros olhos, cada artista fez roteiros e traços da turma de acordo com o seu estilo de trabalho. A gente vê muitas vezes os personagens com traços bem adultos, às vezes bem infantis, seguindo o estilo deles. As vezes os personagens são até representados como adultos e tem histórias que até seguem o estilo de roteiro da MSP mesmo, só que desenhadas de outra forma, além de algumas até desenhadas bem próximos no estilo da MSP . 

 Teve inspiração no livro "Mônica 30 Anos" de 1993 em que teve uma seção que artistas nacionais e estrangeiros redesenharam a Mônica em ilustrações diferentes, cada um com seu estilo, e também dos livros "Asterix e seus amigos" e "25 Anos do Menino Maluquinho", que também tiveram essa pegada quando os personagens completaram 80 anos e 25 anos, respectivamente. 

O sucesso desse livro de 2009 foi tão grande, tanto de crítica e público, que resolveram depois criar mais 2 novos livros dessa série, MSP + 50" em 2010 e "MSP Novos 50" em 2011, com mais 50 artistas diferentes em cada um e com isso, foram 150 artistas que tiveram seus trabalhos reconhecidos nessa coleção.

Contracapas dos livros da Trilogia "MSP50"

Cada livro tiveram 2 versões, uma de capa dura e capa cartonada, formato 19 x 27 cm e com preços variando a cada ano. As capas de cada um seguiram o mesmo estilo com o Mauricio em destaque e os personagens em miniatura concentrados mais no rodapé das capas, sendo que todas as ilustrações foram montagens com cenas dos personagens redesenhados com as releituras presentes em cada livro. Nas primeiras páginas de cada história ou ilustração, aparece o nome do artista na vertical na lateral esquerda. A seguir  mostro como foi cada livro dessa trilogia.


Maurício de Sousa Por 50 Artistas (MSP 50)

Lançado em setembro de 2009 durante a Bienal do Livro do Rio de Janeiro, esse livro foi o pioneiro da trilogia, teve 192 páginas e custou R$ 55,00 a capa cartonada e R$ 98,00 a capa dura. O preço desses livros de luxo sempre desanimaram, cobram preços muito caros, o que faz limitar as compras e até  chamam essas edições de "caça-niquel". Tem os que compram capa cartonada por não ter condição de comprar capa dura, mas mesmo assim tem relatos de que compraram capa dura por uma obra desse porte tem que ser capa dura.

Abre com um prefácio escrito pelo Sidney Gusman contando sobre o livro, como ele teve a ideia e inspiração pra criar o livro em homenagem aos 50 anos da MSP, o interesse de reunir artistas consagrados junto com poucos conhecidos ou que fazem sucesso apenas em âmbito regional, a ideia do nome do livro e agradecimento aos autores envolvidos na obra. Nesse teve uma ilustração na esquerda do texto com a primeira tirinha do Bidu de 1959 para homenagear o primeiro trabalho do Mauricio de Sousa, o início de tudo.


Capa com Mauricio em destaque e personagens no rodapé e fundo azul. As histórias  são entre 1 a 5 páginas, algumas delas são apenas uma ilustração dos personagens. Quase todos os núcleos de personagens foram lembrados nesse volume, só não teve Papa-Capim. Para não dizer que não teve nada dele, teve apenas uma tirinha de 3 quadrinhos do Gilmar, mas que divide tirinhas de outros personagens na mesma página. Os personagens que mais teve versões no livro, além da Turma da Mônica, foram Astronauta e Piteco, são mais lembrado até pelo seus ritmos de aventura se encaixarem mais no estilo dos artistas. Chico Bento também foi bem retratado.

Tem umas que gostei bastante como o do crossover do Astronauta com Piteco, Horácio e Mauricio de Sousa na história de Flávio Luiz, a do Cebolinha e o Louco , de Jean Galvão; Horácio,de Raphael Salimena; Cascão com a Turma do Xaxado de Antonio Cedraz; Mônica com o Menino Maluquinho, de Ziraldo, Chico Bento de Vitor Cafaggi, entre outros. Horácio, de Spacca ficou até bem parecido os traços da MSP.

Depois das histórias tem uma seção com 4 páginas mostrando com detalhes sobre cada autor do livro, falando sobre trajetória e carreira e sites de cada um deles. Depois tem um desenho do Bidu feito pelo Mauricio de Sousa e uma página com um agradecimento do Mauricio para todos que fizeram aquele livro e ilustrações do Bidu no rodapé da página e no final uma biografia da carreira do Mauricio.



Maurício de Sousa Por Mais 50 Artistas (MSP +50)

O segundo livro da coleção foi lançado em agosto de 2010 durante a Bienal do Livro de São Paulo. Com o sucesso do primeiro livro, o preço teve aumento na capa cartonada, mas o de capa dura manteve mesmo preço. Assim, capa cartonada custou R$ 59,00 e capa dura custou R$ 98,00.

Continuou sendo 50 artistas diferentes que não fizeram o primeiro livro, sendo que agora com 216 páginas, o que permitiu um maior número de páginas por cada história, assim tiveram histórias entre 1 a 5 páginas, mas com mais quantidade de histórias de 4, 5 páginas em relação ao primeiro livro.

Capa vermelha pra diferenciar visualmente do primeiro livro. Editorial com Sidney Gusman contando sobre o sucesso do primeiro livro, o interesse dos artistas em participar no novo livro, o acompanhamento do público de conhecer trechos do livro aos poucos  antes do lançamento através de divulgações da internet, principalmente no Twitter à medida que concluíam alguma atualização.


Segue o estilo de traços adultos ou bem infantis, conforme o estilo de trabalho de cada artista e as vezes os personagens representados como adultos. As histórias, a grande maioria, tiveram um título, já que no primeiro livro muitas não tinham títulos, nem as mais longas de mais de 3 páginas. Turma da Mônica, Astronauta e  Piteco continuaram a ser os núcleos de personagens com mais presença no livro. Teve Papa-Capim dessa vez, mas foi uma história muda, ele desenhado apenas como uma sombra, bem apagado, só para não dizer que não foi esquecido.

De destaque, a história de abertura "Sessão da tarde" foi criada em conjunto por 3 artistas, Mateus Santiolouco, Rafael Albuquerque e Eduardo Medeiros sendo que cada parte ilustrada por cada um dos artistas. Assim, a história teve 15 páginas, divididas em 3 partes e cada parte com 5 páginas e desenhada por um artista. Destaque também o resgate do Nico Demo feito por Denilson Albano, Turma da Mônica feita pelo agora saudoso Luís Augusto do "Fala, menino!", Turma da Mônica junto com Mauricio, de Diogo Saito, entre outros.

Como extras continuaram a biografia individual de cada autor desse livro, reservando 4 páginas para a biografia deles, assim como uma página do Mauricio agradecendo todos os autores envolvidos (sem ilustração dessa vez) e outra ilustração dele, com vários personagens reunidos, além da sua biografia, com atualizações do que ocorreu em 2009 e 2010.



Maurício de Sousa Por Novos 50 Artistas (MSP Novos 50)

Em setembro de 2011 foi lançado o terceiro e último livro da coleção durante a Bienal do livro do Rio de Janeiro.  Com capa amarela seguindo o layout dos 2 livros anteriores, teve 216 páginas e uma redução de preço na capa dura, provavelmente por conta da reclamação do público dos preços dos 2 primeiros livros, mas a capa cartonada teve um leve aumento. Com isso, capa cartonada custou R$ 59,90 e capa dura, R$ 84,00.

Continuou cada história até 5 páginas, sendo que quase todas desse exemplar foram de 5 páginas. Abre com o editorial do Sidney contando que o livro prova que a fórmula não havia se esgotado, que deu pra fazer terceiro livro com o mesmo nível dos 2 anteriores, contrariando quem torcia contra e mesmo com tantos artistas que aquele livro era o fim do Projeto MSP 50, deixando aberto um até breve para que possa ter outras alternativas de publicações seguindo esse estilo (o que aconteceu depois ao criarem as "Graphic MSP").


Todos os núcleos de personagens representados pelos artistas, sendo em maior quantidade dessa vez Turma da Mônica, Astronauta e Turma da Tina. Teve uma história completa de 5 páginas do Papa-Capim, feita por Marcio Coelho, já que ficou apagado nos livros anteriores, mas também ele só teve essa história. O crossover de  Tina com Horácio, de Watson Pereira foi bem inusitado, além do crossover de Tina com  o Louco em uma história espírita de Daniel HDR

Destaques também para história de Ronaldo Barata que aparece a Mônica transformada em coelho; uma paródia de Cebolinha e Mônica como Adão e Eva, de Carlos Ruas; Turma da Mônica bem sensual na praia na história de Ed Benes, sendo que essa não gostei do final do cascão se molhando ao cair no mar, entre outros.

Nos extras, 4 páginas da a biografia individual de cada autor desse livro, assim com Mauricio agradecendo todos os autores envolvidos (sem ilustração dele) e teve uma ilustração do Mauricio com os personagens de vários núcleos reunidos sentindo saudades da Trilogia MSP 50 e biografia do Mauricio, com atualizações do que aconteceu em 2010 e 2011.


Depois desses livros, foi lançado o "Ouros da Casa" em 2012, com ideia semelhante, só que com os funcionários da MSP criando as suas versões dos personagens e ainda em 2012 surgiram as "Graphic MSP", derivados da "MSP 50", com intenção de colocar um artista criando uma história longa com releitura de personagens, de acordo com o seu estilo. Teve ainda 2 livros semelhantes com essa ideia: "Mônica (s)" de 2013 (só com ilustrações da Mônica feitas por vários artistas em homenagem aos 50 anos da personagem) e "Memórias do Mauricio" de 2016 (uma trajetória da vida do Mauricio contada através de histórias por 25 artistas).

Já as comemorações dos 60 anos atualmente foi fraca, não teve livros especiais em homenagem a isso, apenas histórias especiais nos gibis convencionais de julho de 2019 e praticamente nem tiveram lançamentos de livros da MSP na Bienal do Livro do Rio de Janeiro, só alguns infantis e uns destaques para relançamentos de edições de capas duras que vem saindo regularmente nas bancas como Almanaque Temático, Clássicos do Cinema, Turma da Mônica Jovem, Almanaque Sem Palavras.

Então esses livros do Projeto "MSP 50" cumpriram a função de homenagear o Mauricio pelos 50 anos da MSP e ajudou a dar visibilidade aos quadrinhistas nacionais, tanto os praticamente desconhecidos quanto os consagrados, conseguindo apresentar ao grande público os trabalhos deles ou admirar ainda mais os consagrados. Conseguiram dar uma visão mais adulta para os personagens do Mauricio e a grande maioria teve desenhos sensacionais. Esses livros, juntos com os de "50 anos dos personagens", também marcaram o início das edições de luxo de capa dura da era Panini, o problema foi o preço absurdo que cobraram, principalmente os de capa dura, virando caça níquel. Dos 3 livros, gostei mais do terceiro, achei os desenhos mais caprichados ainda e teve mais diversidade de personagens. Foi bom relembrar essa Trilogia MSP 50 que deu início há exatos 10 anos.

segunda-feira, 17 de junho de 2019

A saga de histórias do Astronauta sem Ritinha


Em junho de 1989 começava a saga do Astronauta de ter a surpresa que sua namorada Ritinha se casou com outro enquanto esteve fora em suas intermináveis viagens espaciais, caindo em profunda depressão. Em homenagem aos 30 anos, nessa postagem mostro essa série de histórias desde que ele teve a notícia do casamento da sua namorada e as formas que ele fez para superar essa perda.

Astronauta é integrante da BRASA (Brasileiros Astronautas) e recebe várias missões espaciais a procura de novas civilizações fora da Terra, além de ajudar habitantes extraterrestres a se livrarem de algum perigo espacial ou vilão que está querendo tomar posse do planeta dos ETs. Volta e meia ele retorna à Terra para matar saudades, mas a maior parte parte do tempo fica no espaço, muitas vezes meses sem voltar para Terra. Com isso, ele fica muito tempo longe da sua família e amigos que vivem em uma fazenda no interior do Brasil.

Ele tinha uma namorada, chamada Ritinha, que sempre a via quando estava a Terra. Ela aparecia pouco nos gibis, só de vez em quando, e chegou a aparecer última vez antes da saga, participando da história "Solidão" de 'Cebolinha 28', de 1989. Um dia, Astronauta volta para visitar sua família e tem a notícia que a Ritinha se cansou de esperar o Astronauta voltar de suas longas viagens espaciais e se casou com o Bonifácio. Isso foi um baque para ele, e, assim, fica deprimido e passa a ter uma série de histórias com ele com dor-de-cotovelo e à procura de outras namoradas para poder tentar esquecer a Ritinha.


A saga teve 7 histórias no total, que saíram entre junho de 1989 e julho de 1990, a maioria em gibis da Mônica, sendo as 2 últimas saindo em gibis do Cebolinha. Não foram todos os meses seguidos, eram intercaladas com histórias normais das suas missões no espaço no período, por isso a saga durou mais de 1 ano no total. A seguir mostro como foi cada uma dessas histórias.

1-  HQ "Quem espera sempre alcança (ou se cansa)"

Publicada em 'Mônica Nº 30' (junho/ 89), foi a primeira história da saga. Com 5 páginas, começa o Astronauta voltando à Terra pra visitar a sua família e Ditão começa a engasgar e tossir e dá desculpa que é um início de resfriado quando Astronauta pergunta quais as novidades para o amigo. Quando Astronauta se encontra com os pais e pergunta pela Ritinha, eles também se engasgam e tentam contar a novidade, quando ela chega.


Ritinha conta que casou com o Bonifácio há 6 meses. Astronauta fala que não contou nada para ele e ela diz que não tinha como, ele estava no meio de suas intermináveis viagens espaciais, que não podia continuar apaixonada por uma lenda, um mito, que um dia vai encontrar outra garota, mas não era para deixá-la esperando e dá um beijo nele.

O casal vai embora e Astronauta vai arás, não vai entregar a Ritinha sem luta. Chegando lá, ele vê o casal feliz cozinhando, lavando louça, lendo livro juntos, jogando, e, assim, Astronauta toca a campainha falando que foi desejar felicidades a eles e fala ao Bonifácio cuidar do amor da sua vida. Depois, Astronauta decide voltar para o espaço, preferindo enfrentar mil monstros a outra história como essa e termina mostrando a sua nave no universo com Astronauta com coração partido.



2 - HQ "Mudando de profissão"

Publicada em 'Mônica Nº 31' (julho/ 89) e com 6 páginas no total, mostra o desejo do Astronauta mudar de profissão, pois, para ele, perdeu a Ritinha por ser astronauta. Nela, ele está em um médico, se queixando de dor-de-cotovelo e sendo infachado o braço por causa disso. Astronauta comenta que quer outra profissão para esquecer a Ritinha. O General propõe uma nova missão e Astronauta recusa, mesmo o espaço estando no sangue dele.



Astronauta se despede da nave e do Centro Espacial e vai à rua como uma pessoa comum. Na rua, encontra um casal fantasiados de extraterrestres e ele ataca o casal , pensando que era invasão de guerreiros plutônicos. Depois, um menino está fantasiado e Astronauta pensa que é um guerreiro do planeta Nanico. O menino atira água no Astronauta e ele vê que era apenas um menino normal. E paga mico ao pensar que um cachorro é um espião do planeta Peludus,

Astronauta volta par ao Centro Espacial, admitindo que nasceu para ser Astronauta e pergunta ao General qual era missão. General diz que é para o Astronauta acompanhar da sua nave a sobrinha Aline em sua primeira pilotagem de um caça. No final, Astronauta observa Aline pilotando o caça, prometendo um clima de romance entre eles. Interessante o Astronauta com faixa no cotovelo, o que ficou marcado nessa série de histórias, como se dor-de-cotovelo fosse muscular, mas na verdade era para simbolizar depressão.



3- HQ "Aline"

Publicada em 'Mônica Nº 32' (agosto/ 89) e com 6 páginas no total, mostra o  Astronauta com esperança de ter um relacionamento com a Aline, sobrinha do General. Começa com eles em um missão na nave dela, quando são atacados por 3 caças do planeta Guerreiro. Eles lutam com os caças dentro da nave mesmo e depois eles vão para o centro espacial.


Astronauta elogia a performance da Aline e ele a convida para almoçar. Lá, ele fala do fim do seu relacionamento com Ritinha, que podia ter largado de ser astronauta para ficar com ela. Aline comenta que ela podia ter acompanhado, mas ele diz Ritinha tinha medo de altura, tinha vertigens. Depois, Astronauta e Aline vão ao parque, se divertem em carrossel, montanha russa e túnel do amor.

No final, eles voltam para casa dela e Astronauta tem a surpresa do noivo da Aline estar lá. Eles se cumprimentam, o noivo fala que Aline fala muito do Astronauta e quem sabe seja o padrinho do casamento deles. Astronauta vai embora e vai curtir uma nova dor-de-cotovelo, agora tanto pela desilusão da Ritinha, quanto da Aline.



4 - HQ "Eleonor, a mulher perfeita"

Publicada em 'Mônica Nº 35' (novembro/ 89) e com 8 páginas no total, Astronauta está se recuperando da dor de cotovelo, quando é chamado ao gabinete do General para mais uma missão espacial. Teria que acompanhar o Doutor Fritz e sua filha Eleonor ao planeta Orion, que é ideal para colonização e eles vão para lá estudá-lo.


No trajeto, Eleonor pilota a nave, faz comida para eles, dispensando Astronauta a tomar pílulas de alimentação, joga xadrez muito bem e ainda cuida do braço do Astronauta com dor-de-cotovelo, com massagem e carinho.Eles chegam ao planeta Orion, veem que a atmosfera é idêntica a da Terra, água potável, frutas saborosas e solo é fértil e acampam no laboratório instantâneo com uma pílula jogada no solo.


Astronauta e Eleonor exploram o planeta Orion entrando na cachoeira e brincando de balanço na árvore, passeiam pelo planeta de mãos dadas. Astronauta se declara, falando que a Eleonor é a garota mais linda, sensível e simpática que ele conheceu, quando habitantes nativos sequestram o Doutor Fritz. Astronauta e Eleonor tentam impedir e ela recebe uma paulada na cabeça.

Quando se livram dos invasores, Doutor Fritz  vê que a pancada avariou alguns circuitos e ele precisa trocar umas peças da Eleonor. Depois de consertada, ela fica sem memória e Doutor Fritz precisa reprogramá-la, e, com isso, Astronauta descobre que ela era um robô, causando mais uma decepção para ele e sem condições de trabalhar, volta para a Terra. Na nave, Astronauta comenta que a mulher perfeita que ele se apaixonou era apenas um robô e não sabe o que dói mais se é a cabeça ou o cotovelo.



5- HQ "Coração Solitário"

Publicada em 'Mônica Nº 38' (fevereiro/ 90) e com 6 páginas no total, Astronauta está muito deprimido, ouvindo música de fossa e olhando foto da Ritinha, quando não aguenta mais a situação e quebra o disco e comenta com a foto que precisa esquecer a Ritinha, mas não sabe como. Ele liga a televisão e vê um anúncio para o viajante solitário ir para o Planeta dos Solteirões, onde vai encontrar muita diversão e alegria e o lema era "Venha só e saia acompanhado".


Astronauta vai até lá e é recepcionado pelo dono do planeta, prometendo que vai encontrar a garota dos sonhos lá. Astronauta vê garotas de vários planetas, de diferentes espécies. Primeiro uma gigante gorda que se encantou pelo Astronauta e queria que a levasse para nave, mas ele diz que a nave é pequena, e se ela entrar, ele que tem que sair. Depois encontra garota de 2 cabeças que uma discorda da outra sobre o Astronauta e ele acaba fugindo. Em seguida, tenta se aproximar de uma garota que estava de costas e quando vê que ela tem dois olhos e dois narizes, ele desmaia, enquanto ela sai achando que ele era feio com um só nariz.

Na sequência, Astronauta vê um concurso de beleza com as garotas mais bonitas do universo e por serem todas exóticas, ele não se interessa por nenhuma. O dono do planeta fala que ninguém sai sozinho do planeta deles, e, com isso, o Astronauta ganha um cachorro espacial bem dócil para fazer companhia, terminando assim. Essa até que teve um final feliz, mesmo o Astronauta não ter arranjado outra namorada e esse cachorrinho não apareceu de novo em outras histórias depois.



6 - HQ "Astronauta"

Publicada em 'Cebolinha Nº 39' (Março/ 90) e 6 páginas no total, começa o Astronauta emparelhando cartas como uma importante pesquisa quando ouve um barulho de algo que chocou na nave. Ele vai conferir, pensando que era um meteoro e era um extraterrestre surfista. Ele tira a prancha da nave e se apresenta como Surfista Esverdeado, mas que podeira ser Surfista Azarado.


Ele conta que no planeta Ava-i ele criou o surfe aéreo e todos se divertiam no planeta, até que apareceu o governante tirano Malactus e proibiu o surf no planeta e ele foi expulso por ter se revoltado com a medida. O pior foi ter perdido a sua amada Karamélia quando foi expulso, ela não gostava de surf e o trocou por um "goiabão" e desde então ele tem vagado pelo espaço sem destino pegando altas caudas de cometas, furando névoas cósmicas para tentar esquecer a sua amada Karamélia.

Astronauta fica chateado, conta a sua história com a Ritinha que se casou com outro homem, mas estava quase esquecendo até ouvir a história parecida dele e agora ficou mal. Surfista Esverdeado oferece um trago da sua bebida de suco de frutas com guaraná em pó que dá mais disposição e energia. Assim, eles bebem lembrando das suas amadas afundando suas mágoas, quando surge uma nave com uma dupla de alienígenas e eles se interessam e vão fazer tentativas para uma segunda chance de um novo amor, terminando assim. No caso, foi só uma tentativa amorosa por parte deles, que não foi pra frente, já que não foi abordado Astronauta ter ficado com a alienígena em outras histórias. Mostra que em depressão amorosa pode chorar mágoas e tentar esquecer relacionamento através de bebida. Não foi alcoólica por ser gibi infantil, foi só pra demonstrar o que acontece na vida real.



7 - HQ "Conclusão"

Publicada em 'Cebolinha Nº 43' (Julho/ 90) e com 4 páginas no total, mostra no início uma retrospectiva que aconteceu na saga, começando com momento que a Ritinha estava casada com Bonifácio depois de voltar de suas intermináveis viagens espaciais e passou a ter terrível doença de dor-de-cotovelo. Aí passou a conhecer outras garotas, algumas bem exóticas, enfrentou monstros e vilões espaciais e viajou por vários planetas, até que retornou a Terra para visitar sua família.


Quando chega, vê um menino pequeno andando no sítio e logo descobre que era o filho que a Ritinha teve com Bonifácio que teve no período que ele estava fora desde que que descobriu o casamento da Ritinha. Astronauta cumprimenta o casal e diz que vai explorar um pouco o planeta dele e, assim vai curtir mais uma dor-de-cotovelo, agora com um filho da Ritinha, que poderia ser dele. Sempre que ele retornava para a Terra era uma surpresa ruim e decepção e agora com filho da Ritinha confirmou que perdeu a sua amada pra sempre.


Como podem ver foi uma saga marcante do Astronauta, tipo uma novela, de como ele perdeu sua namorada Ritinha por ter ficado muito tempo fora da Terra e a sua luta para tentar esquecê-la e arrumar um novo amor. Essa série deixou o personagem mais popular, muitos pulam suas histórias, e mostrou alternativas de como superar o fim do relacionamento, seja conhecendo novas garotas, refúgio no trabalho ou até na bebida e transmitiu a mensagem para refletir se vale investir no trabalho ou no amor, se o leitor deixaria seu grande amor por causa do trabalho ou não. Acabaram tendo final bem triste e deprimido com casamento e filho da Ritinha, deixando ele mais para baixo ainda quando começou a saga. Muito boa a sacada de dor-de-cotovelo simbolizado como se fosse dor muscular com braço quebrado, mas na verdade era depressão amorosa.

Após essa série, Astronauta continuou com suas viagens e missões espaciais e não esqueceu completamente a Ritinha, ficou sempre no seu coração. Com o sucesso, acabaram tendo outras histórias com Ritinha, seguindo esse estilo do Astronauta à procura de um novo amor, ou então imaginando como seria a sua vida se tivesse casado com a Ritinha, foi uma forma de ela aparecer de vez em quando nos gibis. Uma delas eu postei AQUI. Enfim, uma saga bem marcante, uma história melhor que a outra, e que foi muito relembrar há exatos 30 anos.

Termino mostrando as capas das revistas que saíram as histórias dessa saga.

Capas: Mônica Nº 30, 31, 32, 35, 38; Cebolinha Nº 39, 43

terça-feira, 5 de fevereiro de 2019

Pocket L&PM: Nico Demo - O rei da travessura


Postagem Nº 700 do Blog. Em 2018 foi lançado o pocket "Nico Demo - O rei da travessura" pela editora L&PM. Nessa postagem faço uma resenha de como foi essa edição.

Esse é o segundo pocket do Nico Demo da Editora L&PM. Já havia sido lançado o pocket "Nico Demo - Aí vem encrenca" em 2011. Além do pocket de 2011, Nico Demo também teve um livro especial de tirinhas, "As melhores tiras do Nico Demo", pela Editora Globo, em 2003.

Outros livros do Nico Demo

Assim como os outros pockets da coleção, "Nico Demo - O rei da travessura" tem 128 páginas, formato de bolso 10,5 x 17,5 cm, papel de miolo off-set e reúnem 240 tiras que saíram nos jornais, com 2 tiras por página em preto e branco, na horizontal. Já capa e contracapa foram em papel couché em vez de ser cartonada como foram todos os pockets anteriores. Desde o pocket "Procurando diversão" mudaram o tipo do papel da capa. Reuniram tiras entre 1966 a 1971 e a imagem da capa foi tirada da tirinha da página 26 e também colocaram essa tirinha na contracapa.

Preço custando R$ 16,90, já foi mais barato, aos poucos vão aumentando o preço a cada lançamento. Quando iniciaram a coleção custava R$ 13,00. Junto com esse pocket do Nico Demo, foi lançado também "Os Sousa - Desventuras em família", sendo que esse ainda não comprei. Esse do Nico Demo achei por acaso em livraria e aí comprei, mas Os Sousa, que não encontrei em nenhuma livraria, pretendo comprar pela internet, até para ficar mais barato. Distribuição é muito ruim, não vendem em bancas aqui e poucas livrarias vendem.

Uma página do pocket "Nico Demo - O rei da travessura"

Para quem não sabe, o personagem Nico Demo foi criado em 1966 em tiras de jornais, sempre eram mudas, com exceção de cartazes e onomatopeias para poder entender a situação, quando necessário, fazendo com que os leitores entendam a piada só através dos desenhos. Os traços também eram com um efeito serrilhado, meio tremido, uma coisa característica nas tiras dele. 

Nico Demo seguia o estilo de que fazia o tipo de bom coração, com a intenção de sempre querer ajudar os outros, mas acabava atrapalhando em vez de ajudar, piorando a situação da pessoa que já estava ruim e causando muitas confusões. Em outros casos, ele era egocêntrico, egoísta, tirando proveito com o sofrimento dos outros e as vezes se passava de bonzinho, ficando dúvida se queria ajudar mesmo ou não, mas em algumas tiras ficava claro que ele queria mesmo é perturbar os outros. Suas tiras acabaram sendo censuradas, mas a MSP guardou as tiras e agora compilam em livros especiais de vez em quando.

Uma página do pocket "Nico Demo - O rei da travessura"

Nas tiras desse pocket novo em geral vemos, então, essas características do Nico Demo. Comum então ver o Nico Demo amarrar tênis de um homem gordo, mas acaba amarrando os dois cadarços na perna fazendo o homem cair, vê um garoto pobre querendo tomar sorvete e Nico Demo põe uma venda nos olhos do garoto para não vê-lo comer sorvete ao invés de dar o sorvete para ele, vê um cara se afogando em uma enchente e, ao invés de salvá-lo, acena uma bandeira para dar largada fazendo de conta que está em uma competição de natação, entre outras coisas. Tem também tiras contracenando com bandidos, diabos, coisas também impublicáveis hoje em dia. Ele raramente se dá mal nas suas tiras, nesse pocket, ele só se deu mal em poucas tirinhas.

Vale destacar que em muitas constam outros anos sem ser o ano original que saiu. Isso é porque eles colocaram as tiras dos jornais que elas foram republicadas e não dos jornais de quando saíram pela primeira vez. Até porque impossível uma tira nº 282 ser de 1966 e uma de nº 283 ser de 1970, por exemplo. Porém, a maioria das tiras foram omitidas o ano.

Contracapa do pocket "Nico Demo - O rei da travessura"

Como podem ver, é um livro que vale a pena ter pela raridade, não é qualquer lugar que se encontra as tirinhas do Nico Demo. Para quem gosta de um humor assim mais sarcástico, vai gostar desse livro. Bom que não tem sombra do politicamente correto e mais uma vantagem de ter, assim como os outros pockets da Editora L&PM.