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quarta-feira, 2 de novembro de 2016

"Coleção Histórica Mauricio - Bidu e Zaz Traz!"


"Coleção Histórica Mauricio: As Clássicas Aventuras de Bidu e Zaz Traz!", lançado em 2015 pela Editora Panini, fez parte das comemorações de 80 anos do Mauricio de Sousa. Nessa postagem faço uma resenha sobre esse livro.

Bidu e Franjinha foram criados em 1959 com tiras de jornais na "Folha de São Paulo". Esse livro foi elaborado por Sidney Gusman e reúne as edições clássicas dos gibis "Zaz Traz" e "Bidu", os primeiros criados pelo Mauricio em 1960 e 1961 pela Editora Continental. Como se fosse a extinta "Coleção Histórica Turma da Mônica" dos dos 5 principais, só que em vez de venderem gibis separados, reuniram todos em formato livro encadernado de luxo.

Contracapa do livro

Tem capa dura, papel de miolo offset, 276 páginas no total e formato 19 x 27,5 cm. Os gibis originais do final dos anos 50 e início dos 60 não eram coloridos, por isso as histórias serem em preto e branco nesse livro. Diferente da "Coleção Histórica Turma da Mônica", o texto seguiu a ortografia atual, em vez da ortografia da época, então não deixa de ser alguma alteração em relação aos gibis originais. Outra desvantagem é não mostrar as datas originais dos gibis, com seus respectivos meses. Só sabemos que são de 1960 e 1961.

O preço que é um absurdo, custando R$ 102,00. Não dá pra entender um preço tão salgado, mesmo sendo republicações raras, não mereceria esse valor. Ainda acho que deviam vender 2 versões, um em capa dura e outro em capa cartonada mais barato, e aí o pessoal escolhe a sua melhor versão. Eu só comprei porque consegui desconto, pesquisando na internet. Paguei R$ 67,90 pelo preço de capa mais um frete de R$ 1,90. Se não fosse com desconto não dava para comprar com esses preços tão altos que a MSP coloca nesses livros encadernados.

Capa de 'Zaz Traz Nº 1'

A capa do livro foi tirada do gibi 'Bidu Nº 2' e abre com um editorial escrito pelo Sidney Gusman explicando sobre a ideia de criar e como era o livro. Em seguida vem as reproduções dos gibis, todos com suas respectivas capas e histórias originais escritas pelo Mauricio. Não foram reproduções integrais dos gibis porque histórias de outros personagens de outros artistas ficaram de fora. Apenas as histórias "O rapto de Bidu" ('Zaz Traz Nº 2') n e em 'Viagem à Lua ('Zaz Traz Nº 3') que mostraram, mas foi porque eles contracenaram com o Bidu, ou seja, uma história com cross-over de personagens. Mostraram no livro também propagandas que eram relacionados aos personagens do Mauricio.

Capa de 'Bidu Nº 3'

Foram reproduzidos a coleção toda dos gibis lançados, com 7 edições de "Zaz Traz" e 8 do "Bidu". Cada gibi original tinha cerca de 40 páginas mensais em preto e branco. Não colocaram o exemplar "Almanaque de Zaz Traz" de 1960 porque não teve histórias do Mauricio nele. As edições "Zaz Traz" e "Bidu" apareceram alternados, de acordo com a data de publicação que saíram, já que foram vendidos nas bancas ao mesmo tempo, sendo "Zaz Traz" lançado primeiro.

As reproduções de "Zaz Traz" e algumas do "Bidu" tiveram menos páginas que nas originais. As de "Zaz Traz" tinham também histórias de outros artistas nacionais e estas não foram republicadas. Já gibis do 'Bidu Nº 4' também teve histórias de outros artistas e as de "Nº 7" e "Nº 8" tiveram histórias que haviam sido publicadas em edições anteriores, já que na época o Mauricio já não estava mais dando conta da produção até cancelar de vez, e, assim, histórias repetidas não foram mostraram de novo. Com isso, na edição "Zaz Traz Nº 5', por exemplo, só mostrou 1 história de 1 página porque as demais foram todas de outros artistas. Já a edição 'Bidu Nº 7' teve 3 histórias republicadas de edições anteriores e na "Nº 8", como todas foram republicações, foi mostrada só a capa desta última.

Propaganda tirada de 'Zaz Traz Nº 1'

Em relação ao conteúdo das histórias vemos os personagens completamente diferentes do que hoje, não só pelos traços primários de início de carreira do Mauricio, como também nas suas características. Histórias no geral mostravam o cotidiano do menino Franjinha com seu cachorro e seu grupo de amigos, aventuras enfrentando fantasmas, monstros, extraterrestres, além do cotidiano do Bidu como um cachorro normal. Da turma do Franjinha da mesma idade eram o Titi, Jeremias, Humberto e Manezinho.

Trecho da HQ "Concurso de robustez canina" ('Zaz Traz Nº 2')

Nos traços, vemos um Franjinha gordo, inspirado no Bolinha, o Cebolinha com mais fios de cabelos, Humberto mais alto, na idade do Franjinha (já era mudo, só falando "Hum! Hum!"), porque fazia parte da turma dele, enquanto só o Cebolinha que era mais novo que os outros meninos. O Cebolinha falava como criança bem pequena trocando letras de várias palavras como Franjinha era "Fanzinha"; plantada, era "pantada"; ajudar era "ajudal", entre outras, nas suas primeiras histórias. Depois foi mudando e trocou só o "R" pelo "L". Mantiveram isso nas republicações.

Apareciam os pais do Franjinha, seu Carlos e Dona Elza. Cebolinha contracenava com eles como um menino mais novo, e ás vezes tinha participação dos pais do Cebolinha e da sua irmã, a Maria Cebolinha, que foi inspirada na filha do Mauricio, Mariângela. Uma coisa interessante que só tinha uma menina na faixa etária deles, a Leninha. Outros personagens femininos, além dela, só Dona Elza, Dona Cebola e Maria Cebolinha. Dona Cebola, aliás, completamente diferente do que conhecemos.

A estreia do Cebolinha foi na edição 'Zaz Traz Nº 2' de 1960. A mãe e o pai do Cebolinha estrearam em 'Bidu Nº 3'; e Maria Cebolinha, em 'Bidu Nº 5'. Já estreia de Titi, Manezinho, Jeremias e Humberto foi na edição 'Zaz Traz N º 1' de 1960; e os pais do Franjinha em 'Zaz Traz Nº 1'.

Trecho da HQ "O Domador" ('Bidu Nº 3')

Como não podia deixar de ser muitas cenas incorretas, de deixar o público do politicamente correto de cabelos em pé. Vemos Maria Cebolinha em uma coleira igual a um cachorro, eles contracenando com bandidos, mexendo com fogo, revólver, entre outras coisas. Tudo completamente inadmissível atualmente. Fora os costumes que era no final dos anos 50 e início dos anos 60, como os meninos irem ao circo com paletó e roupa mais formal, linguagem coloquial. Outra curiosidade é que muitas histórias criadas foram depois redesenhadas e adaptadas para os gibis da Mônica entre 1970 a 1972, como "O Domador" ('Bidu Nº 3'), que saiu depois em Mônica Nº 24', de 1972; "Bidu, o valentão"('Bidu Nº 4'), que saiu depois em Mônica Nº 25', de 1972; "A fonte da juventude" ('Bidu Nº 7'), que saiu depois em Mônica Nº 3', de 1970 entre outras.

No final do livro, teve "Extras" com 5 páginas, escrito por Sidney Gusman, mostrando como conseguiram encontrar os exemplares originais, processo de restauração e curiosidades gerais das revistas de 1960 e 1961. E informou também quais foram as histórias repetidas das edições "Nº 7" e "Nº 8", basicamente as que saíram nas 2 primeiras edições.

Trecho da HQ  de estreia da Maria Cebolinha ('Bidu Nº 5')

Para quem gosta de raridade e saber como foram os primeiros trabalhos do Mauricio, vale a pena comprar esse livro. Preferia que fosse vendidos como edições avulsas, como era na "Coleção Histórica Turma da Mônica". Tem que pesquisar muito bem antes para conseguir um bom desconto na internet porque pagar R$ 102,90 em livrarias físicas é um absurdo.

quinta-feira, 17 de dezembro de 2015

Coleção Histórica Nº 50 - Última Edição


Nessa postagem eu comento sobre a 'Coleção Histórica Nº 50', o último volume da coleção, formada pelas 5 revistas números 50: Mônica (1974), Cebolinha (1977), Chico Bento e Cascão (1984), e Magali (1991).

Na capa do Box está o Mauricio de Sousa como personagem, como forma de comemoração de seu aniversário de 80 anos completados nesse ano, além de representar a última edição com o pai de todos os personagens que tiveram suas imagens estampadas nos boxes dessa coleção. Só não gostei da imagem escolhida, muito recente e que não apareceu em nenhuma revista de boxes anteriores. Normalmente, as imagens dos personagens que aparecem nos boxes são da primeira aparição na Coleção Histórica ou de uma história qualquer que havia saído antes, e, com isso, tirou a tradição das capas dos boxes.

Podiam ter colocado uma imagem do Mauricio com barba como era até no início dos anos 80 ou a primeira vez que apareceu sem barba na Coleção Histórica. Seria mais conveniente colocar, por exemplo, imagens de histórias com ele barbudo de 'Chico Bento Nº 1' (1982), 'Chico Bento Nº 45' (1984), 'Cascão Nº 48' (1984) ou se quisessem o Mauricio sem barba, que colocassem uma imagem de 'Magali Nº 6' (1989). Enfim, qualquer uma que tivesse saído na Coleção Histórica e não essa recente.

Em relação a distribuição, mesmo no último número continuou atrasando, chegando aqui dia 8 de dezembro, e, assim, mais uma vez chegando de um mês para o outro, visto que esse box é de novembro, e sem contar que em muitos lugares não chegou ainda. Nunca tiveram preocupação em chegar em todos os cantos do Brasil e no mês certo e não é dessa vez que seria diferente. Ao menos aqui dessa vez chegaram 3 exemplares por banca que vende, já que normalmente vem só 1 exemplar.

No geral, nesse box tiveram poucas informações de créditos das histórias, imagens das propagandas cada vez menores não conseguindo ler absolutamente nada, os passatempos das revistas da Mônica e Cebolinha mantiveram sem respostas como nas originais e nas tirinhas só a da Magali que não teve o nome do alto, mas não mudaram as da Mônica e Cebolinha porque os nomes deles vem inserido nas tirinhas, senão seriam alteradas. Porém, proporções continuaram sendo ampliadas de forma desproporcional.



Histórias de abertura e comentários gerais:

Mônica - "A pedra do encontro" - Mônica não consegue levantar depois que senta em uma pedra com cola e, então, Cebolinha e Cascão querem saber por que ela não desgruda da pedra.

De 12 histórias comentadas (13 no total), 7 sem créditos nenhum. Só a de abertura fala que desenhos foram feitos pelo Mauricio. Dentre as que informaram roteiro, todas foram do Mauricio, menos a última, que foi escrita pelo seu irmão, Marcio Araujo.

O Garotão, um antigo personagem gigante que aparecia muito nas tiras de jornais dos anos 60, apareceu na história "Mônica", em que ela acha uma lupa e resolve brincar de Sherloque Holmes para saber de quem eram as pegadas no chão. O Garotão fez uma participação de 2 quadrinhos. Outra curiosidade que o Sherloque Holmes não teve nome parodiado. Naquela época ás vezes nomes famosos não eram parodiados.

Trecho da HQ "Mônica"

Outro destaque que a Ogra, amiga da Thuga, teve uma história solo, algo muito raro de acontecer. Normalmente ela fazia participação nas histórias. Nessa, ela vê um reflexo de uma mulher quando se olha no lago e pensa que o rosto bonito era dela.

Trecho da HQ "Ogra"

O gibi termina com "Outra história muito louca", com o Louco interagindo com Mônica. Nela, o Louco sai do hospício ao avistar a Mônica na rua e faz várias loucuras e trocadilhos que estamos acostumados. Nos primeiros anos, nos gibis do Cebolinha, o Louco contracenava com ele, e nos da Mônica, com ela. É uma história tipicamente semelhante como seria com o Cebolinha, só mudando a protagonista. Se fosse com o Cebolinha ou qualquer outro personagem, o roteiro seria o mesmo.

Cebolinha - "Borboleteando" - Cebolinha, fantasiado de borboleta, não quer participar do teatro da Mônica, leva uma surra e fica desacordado. Com isso, 2 borboletas transformam o Cebolinha em uma borboleta porque elas pensam que ele era uma delas, só que gigante.

Essa história teve uma alteração na colorização, em que na original, a Mônica e Magali aparecem com cores dos vestidos trocadas (Magali de vermelho e Mônica de amarelo) e agora corrigiram isso, sem falar nada da mudança nos comentários. Abaixo, a comparação das imagens. sendo a original,enviada por André Felipe.

Comparação da HQ "Borboleteando"

Também foi a única alteração da edição, dessa vez, já que até mantiveram os fundos de cor roxo em vez de mudarem para um cinza azulado como estavam fazendo nas últimas edições e a tirinha teve o nome no alto e não ficou só um pouco desproporcional.

Nos comentários da história "Cebolinha e a segurança" (em que o Cascão arruma meios par ao cebolinha andar seguro em um carrinho de rolimã), fala que "lolemã" (rolimã) falado pelo Cebolinha foi corrigido na edição, mas não foi alterado. Ainda bem que não mudaram. Ainda sobre comentários do Paulo Back dessa edição, de 13 histórias comentadas, em 4 informaram só roteiro. Nenhuma informou quem foram o desenhista e o arte-finalista, nem na de abertura.

Como o gibi do Cebolinha já está em 1977 vai ser normal encontrar algumas histórias que foram republicadas em Almanaques da Editora Globo, coisa que sempre acontece direto nas histórias dos gibis do Chico Bento e Cascão da CHTM. Até porque os traços já estavam mudando e davam para lembrar as dos anos 80.

Dessa vez tiveram 2 histórias desse gibi do Cebolinha republicadas em almanaques da Globo: a de abertura (republicada em 'Coleção Um Tema Só Nº 4 - Mônica Superestrela', de 1993) e "Fantasiados" (republicada em 'Coleção Um Tema Só Nº 13 - Mônica Carnaval', de 1996), em que Cebolinha e Cascão se fantasiam de  homem, com Cebolinha na parte de cima e Cascão, na de baixo e um apronta com o outro até chegar ao baile a fantasia de carnaval.

Trecho da HQ "Fantasiados"

Destaques para as histórias "Papa vento", em que o cata-vento do Cebolinha funciona só quando ele fala palavrão, com detalhe da mãe, Dona Cebola, dando surra na bunda do Cebolinha porque ele falou palavrão, coisa inadmissíveis hoje em dia; "Tarugo" em que o Tarugo cai em um golpe do Mico Lino de arrumar um tônico capilar para nascer cabelo (o Mico Lino é um antigo personagem que está sumido dos gibis); e "Mais um plano infalível (pra variar)" com um plano infalível do Cascão se disfarçar de chinês e oferecer um pastel da sorte para Mônica. Muito hilária essa e os traços bem parecidos com os dos anos 80, só que com contornos um pouco mais finos e  bochechas levemente pontiagudas.

Chico Bento - "O cão lambão" - Chico salva um cachorro de um riacho e o cachorro passa a não desgrudar dele, além de ser carinhoso demais com todos.

Esse gibi, infelizmente, foi marcado por muitas alterações do caipirês do Chico. Não mudaram histórias completas, mas alguns quadrinhos aleatórios, chegando a ter, inclusive quadrinho com palavra alterada e outra não. Destacando algumas alterações, na história de abertura mudaram "verdade" mudaram para "vredade" para ficarem igual ao caipirês atual, já que na época essa palavra não era acaipirada, como mostro na comparação abaixo:

Comparação da HQ "O cão lambão"

Em um quadrinho dessa mesma história mudaram a palavra "abanano" para "abanando" para seguir o caipirês atual, mas a palavra "lambeno" não mudaram. Não dá para entender porque mudar uma palavra e outra não. Aliás, dá para perceber que chegaram a alterar a palavra "lambeno" e mudaram depois, já que a fonte está meio diferente comparando com a original.

Comparação da HQ "O cão lambão"

Na história "Guilhermina, a temperamental" (em que o Chico tira leite da vaca no meio da estrada, impedindo um homem de passar com o carro) mudaram "ovino" para "ovindo" em um quadrinho, mas em outro quadrinho depois mantiveram a palavra. Como se o público não soubesse o que o Chico tava falando. Ora, tudo que termina com gerúndio "-ando" era "-ano", não tem complicação. Além disso, o homem não foi colorido de vermelho em um quadrinho como foi na original de 1984, tirando assim, a intensidade de raiva, que o homem estava sentindo na hora. Como uma simples mudança de cor pode mudar o sentido de uma cena. Abaixo, a comparação, com todas as imagens originais enviadas por André Felipe:

Comparação da HQ "Guilhermina a temperamental"

De 7 histórias, 2 sem créditos nenhum e apenas 2 com créditos completos. Na história "Prenderam Tupã" do Papa-Capim (em que o Papa-Capim pensa que um caçador prendeu Tupã dentro de uma espingarda porque confunde o barulho do tiro com trovão) teve roteiro e desenho da Rosana Munhoz. Era raro histórias escritas por ela no inicio dos anos 80 na Editora Abril. Ela era mais desenhista, de preferência as histórias do Papa-Capim. A última história "Muito castigo por um ladrão de goiabas" (em que o Chico passa mal com goiabas roubadas do Nhô Lau, que aproveita para castigar o Chico ainda mais), foi com desenhos dela também.

Cascão - "O limpo" - Cascão fica de olho em uma menina que passou na rua, abandonando a Cascuda, mas a menina o despreza por ser sujinho demais.

A Cascuda já estava começando a se tornar namorada oficial do Cascão, mas mesmo assim ainda tinha história do Cascão com outras namoradas ou dando em cima de outras garotas, inclusive nos anos 90. A Rosana desenhou essa história de abertura, com destaque para a menina com um estilo diferente e também a Cascuda foi desenhada com nariz diferente, em forma de "c" em vez da forma "acento circunflexo".

Trecho da HQ "O limpo"

Nos comentários, de 6 histórias, em 3 mostraram algum crédito, sendo roteiro só mostrou nas 2 primeiras e em nenhuma falou de quem fez a arte-final. Destaque para a história "Aquele que ronca alto", em que o Cascão vai dormir na casa do Cebolinha, que não consegue dormir com os roncos altos do Cascão. Traços maravilhosos, pena que não mostrou quem desenhou (aliás, nessa não foi falado nem quem fez o roteiro).

Esse gibi teve alteração na história "Penadinho apaixonado", em que ele se apaixona por uma menina viva que vai visita ro cemitério. No início eles não tinham consenso se a Dona Morte era homem ou mulher, principalmente porque tinha sombras rachuradas no rosto. Tinha roteirista que tratava como homem, outros como mulher. Então, como mostro na comparação a seguir, no gibi original a Dona Morte foi chamada de "ele" pelo Zé Vampir e agora nessa CHTM mudaram para "ela". Foi falado isso nos comentários do Paulo Back, mas mesmo assim acho que não tinha que mudar o texto. Imagem original enviada por André Felipe:

Comparação da HQ "Penadinho apaixonado"

Assim como o gibi do Chico Bento, esse do Cascão não teve tirinha no final, então não tiveram alterações em relação a isso.

Magali - "De mal com todo mundo" - Todos os amigos ficam de mal com a Magali por causa dos constrangimentos que ela causa em relação a sua gula exagerada e como a Magali fica deprimida, ela resolve fugir de casa.

Essa história foi escrita pela Rosana, muito bom os traços, com direito a curvas nos olhos quando os personagens estão com muita raiva. bem interessante a vista do bairro do Limoeiro em um só quadrinho, ocupando toda a página 9 do gibi.

Trecho da HQ "De mal com todo mundo"

A Denise mais uma vez desenhada diferente. Como só aparecia de vez em quando e não tinha traços definidos, cada história ela era desenhada diferente. Uma pena que nos comentários não mostrou quem desenhou e arte-finalizou. 

Trecho da HQ "De mal com todo mundo"

De 7 histórias comentadas, nenhuma com créditos completos, faltando sempre alguma informação. Procuraram colocar mais roteirista de cada uma. Destaque para a história "Pro nosso bem", com a Magali interessada e pensando como seria namorar outro menino, sem ser o Quinzinho, já que de vez em quando ela namorava outros meninos sem ser o Quinzinho, que ainda não era namorado oficial dela. O menino dessa história, o Marinho, foi uma caricatura mirim do roteirista da história, Mario Mattoso.

Teve também a estreia da propaganda "Quem é? Quem é? Quem é?" em um gibi da Magali. Estreou nos gibis de fevereiro de 1991, mas nos quinzenais foi em maio porque tinham 3 páginas internas reservadas a propagandas e essas ocupavam 2 páginas e, com isso,  tirava o espaço de outro anunciante. Nas revistas quinzenais para anunciar gibis dos personagens, procuravam mais colocar as outras de 1 página também lançadas em 1991.

Nessa edição da Magali a propaganda foi anunciando a revista do Chico Bento, só que infelizmente tão pequena que só com uma lupa para enxergar as charadas da primeira página da propaganda. Em todos os gibis, aliás, os anúncios ficaram microscópicos, colocam mesmo só para constar. E ainda esqueceram de colocar a propaganda do Disque Mônica da "Telesp" que saiu na revista original.

A tirinha foi mudada, tirando o nome da Magali no alto e com ampliação de desenhos que estão fazendo desde a CHTM # 47, mas pelo menos não mudaram a arte no 2º quadrinho , não tirando o contorno envolvendo os personagens, mudando para um quadrado padrão como o absurdo que fizeram na CHTM # 49. Porém, corrigiram a parte branca da melancia que não colocaram na original e mudaram de lugar a posição da assinatura do Mauricio e . Talvez para ficar num lugar mais visível. Vai entender. Abaixo a comparação:

Comparação das tirinhas de 1991 e da CHTM # 50

A capa do gibi com pouca alteração, teve um tom de colorização diferente. Era fundo azul na original e agora mudaram para um tom mais cinza. Teve mudanças também na proporção dos desenhos, diminuindo um pouco para poder caber o selo da CHTM e o informativo que não pode ser vendida separadamente e o canto do jogo de amarelinha ficou cortado por causa do selo da CHTM. Como se fosse um código de barras, se tivesse na original. Abaixo a comparação das capas:

Comparação das capas de 1991 e da CHTM # 50

Então, esta foi a resenha da última Coleção Histórica Turma da Mônica lançada. Em todas as contracapas das revistas desse volume há um bilhete do Mauricio contando sobre o cancelamento da coleção e a possibilidade de criarem outro formato para republicação de histórias antigas e clássicas. Não fala o motivo, apenas que o projeto já cumpriu a sua missão, ou seja, fechou um ciclo e já deu o que falar.

Bilhete do Mauricio presente nas contracapas dos gibis da CHTM # 50

Há algumas possibilidades de motivos do cancelamento da CHTM que listei. Pode ser uma delas ou até mesmo todas essas ao mesmo tempo:

  • Crise do país que afeta o mercado de quadrinhos. Vários outros títulos da MSP foram cancelados e até outros gibis fora da MSP, como Luluzinha e Bolinha e então a CHTM foi mais uma de tantos cancelamentos;
  • Poucas vendas, já que quem compra mesmo é o público adulto;
  • O pessoal compara a alta qualidade das histórias antigas e desiste de comprar os gibis novos, desiludido com a fase atual;
  • Muitas cenas incorretas que mesmo avisando nos comentários que hoje em dia não fazem mais histórias daquele jeito e sendo uma publicação mais voltada aos adultos, há crianças que compram e leem e mães reclamam de tanta coisa incorreta;
  • Querem criar outro formato de republicações mais lucrativo, como versão digital ou aplicativo de celular ou encadernados de luxo, visto que a CHTM até que é não é cara, custando R$ 19,90 por 5 gibis, fora o custo da caixa dos boxes e não sofreu reajuste desde que foi lançada em 2007.

Convenhamos também que estavam mudando muito o conteúdo para ficar conforme as edições atuais que estragam as histórias, que ficavam completamente diferente do conteúdo original. Nesse volume mesmo tiveram várias alterações, como puderam ver na postagem, além das edições anteriores. Já chegaram ao ponto de alterar, inclusive, desenhos da história inteira como foi em uma história do Cebolinha da CHTM # 48. Muitos absurdos nessas alterações e completamente desnecessárias. Por isso acho sempre melhor comprar as originais em sebos ou na internet.

Vamos aguardar os novos projetos da MSP e se terá outro formato de republicações dessas histórias clássicas.

quinta-feira, 29 de outubro de 2015

Coleção Histórica Nº 49


Nessa postagem eu comento sobre a 'Coleção Histórica Nº 49', formada pelas 5 revistas números 49: Mônica (1974), Cebolinha (1977), Chico Bento e Cascão (1984), e Magali (1991).

Com o Raposão na capa do box, que marca com o primeiro gibi do Cebolinha de 1977. Tiveram poucas informações de créditos das histórias e as tirinhas mais uma vez alteradas, como estão fazendo desde a CHTM # 47, sendo dessa vez foram principalmente em proporções dos desenhos, ficando muito feias. Além disso, resolveram colocar respostas nos passatempos das revistas da Mônica e do Cebolinha que não tinham nas originais, pois nos primeiros anos os passatempos não tinham respostas, e com isso, mais uma alteração boba em relação às originais.

Sobre distribuição, continua atrasando muito. Esse volume é de setembro e aqui chegou dia 10 de outubro (e como sempre vendendo 1 ou 2 exemplares por banca que vende), sendo que há reclamações que até hoje não chegou em lugares que costumavam ter.



Histórias de abertura e comentários gerais:

Mônica - "Napoleão, o cão" - Mônica ganha do seu tio um cachorro chamado Napoleão, que faz tudo de forma exagerada. Ele ainda ajuda a encontrar 2 bandidos que roubaram a fórmula contra a calvície de um professor.

Napoleão apareceu só nessa história e depois sumiu com a Mônica ficando sem bicho de estimação até ser criado o Monicão em 1994. Curiosamente, o tio da Mônica não apareceu, só foi citado pela mãe dela que o tio tinha deixado o cachorro e que estava no quintal.

Trecho da HQ "Napoleão, o cão"

Nos comentários foi falado que nessa edição estreou a seção de cartas "Vamos bater um papo?", mas não mostrou pelo menos uma miniatura da página para saber como era. Podiam ter colocado bem pequeno para gente ver a estrutura. Pelo menos foi citado, já que em 'Cebolinha Nº 17' não foi informado sobre isso na CHTM # 17 daquela revista. Nesse gibi foram reservadas só 4 páginas de comentários, correspondendo a 3 páginas de propagandas e 1 da seção de cartas da revista original, e, com isso, o gibi teve mais páginas com histórias. O normal são 6 páginas de propagandas (que agora com a seção de cartas, poderia ter sido 7). Então, histórias de 1 pagina não foram comentadas, diferente dos outros gibis desse Box que tiveram comentários.

Em relação a créditos, de 13 histórias comentadas, só a história "Pescar é uma arte" (em que a Mônica atrapalha o Cebolinha em uma pescaria), que teve créditos completos. Quase todas escritas e desenhada pelo Mauricio na época, mas não pode confirmar isso em todas, já que nessa história tiveram desenhista e arte-finalista diferentes. Na história "O desafio" (em que Cebolinha e Cascão fazem exercícios para ter mais condicionamento físico para correr da Mônica) fala que os desenhos estão diferentes e que já estavam começando a diversificar os traços, mas infelizmente não diz quem desenhou, não mostrando crédito nenhum dessa.

Esse gibi tem muitas histórias do Cebolinha e Cascão, apesar de ter participação da Mônica. Cascão dessa vez teve uma história solo, "Muito precavido", muda de 3 páginas, mostrando o Cascão se prevenindo da chuva com guarda-chuvas quando ele nota presença de nuvens. Essa até já conhecia republicada no livro L&PM "As Melhores Histórias do Cascão", de 1991. Normalmente saia história dele nos gibis do Cebolinha.

Na tirinha no final do expediente, colocaram o nome da Mônica no alto já que está inserido no quadrinho da tirinha e não no lado de fora, sendo que com a ampliação dos desenhos, ficou tudo desproporcional e diferente como foi na edição original de 1974.

Cebolinha - "Luta final" - Um vilão com cabelo em forma de fogo volta à Terra depois de 300 anos para ajustar as contas com o tetravô do Cebolinha, mas acaba confundindo o Cebolinha com o tetravô ancestral dele. Curiosamente, esse vilão não teve nome e só apareceu nessa história, assim como vários vilões da MSP. Este foi lembrado depois, participando em 'Cebolinha Nº 500' (Ed. Panini, 2014).

Esse é o primeiro gibi do Cebolinha de 1977 e a partir de agora  aos poucos vamos ver novos tipos de traços, que já estavam começando a ficar parecidos com os anos 80. A do Horácio nesse gibi (em que ele traz presentes para a sua turma depois de uma viagem), por exemplo, estão praticamente iguais aos anos 80. Terão novos tipos de traços e no final do ano começar a ter os marcantes traços superfofinhos.

Também vamos começar a encontrar algumas histórias republicadas nos almanaques da Editora Globo. Hoje histórias dos gibis do Chico Bento e Cascão da CHTM são quase todas encontradas em vários almanaques da Globo. Normalmente, eles republicavam histórias dos anos 80 mesmo, mas às vezes colocavam histórias do final dos anos 70 a partir de 1977, sendo mais frequente a partir de 1978, principalmente as de miolo que tinham traços bem parecidos com os atuais até então. Porém, nessa edição ainda não não teve nenhuma que saiu em almanaques da Globo.

Muito legal a história "Repousando", em que o Cebolinha descobre que a Mônica está doente e não pode sair da cama e resolve perturbá-la por causa disso. Nela, mais uma vez acontece aqueles tipos de cenas engraçadas com o personagem desesperado com a cara de raiva do outro, perguntando "Fulano? Que cara é essa!? Fulano!??" depois de ter aprontado muito com ele e ficando o mistério de como era a tal cara de raiva e o que ele ia fazer com o outro. Na cena que destaquei abaixo, mostra o Cebolinha desesperado com a Mônica irritada, depois de ter aprontado muito com ela, fazendo a gente imaginar que cara a Mônica fez e o que faria com ele, que foi só revelado no próximo quadrinho. Muito engraçado.

Trecho da HQ "Repousando"

Infelizmente a edição tiveram poucas informações de créditos e, com isso, não dá para saber quem desenhou cada história. De 11 histórias comentadas, em 6 não tiveram créditos nenhum. O Mauricio escreveu 3 histórias desse gibi. Histórias de 1 página foram comentadas, só a tirinha que não foi.

Em relação a alterações em relação à original, além dos Passatempos com respostas que não tinha na original, mais uma vez mudaram a cor do nariz do Zé Lelé na história "O galinho" (em que ele tem que se lembrar que tem que pegar um galinho no sítio do Nhô Lau durante o caminho). Nos anos 70, o nariz dele era alaranjado ou vermelho. Sempre que tem história dele dessa época eles mudam na CHTM, colocando da cor da pele para não ficar dando impressão que era nariz de palhaço e dessa vez não foi diferente. Não gosto dessa mudança, já que não preserva como saiu nos gibis originais e acho que tinha que manter assim na CHTM. A seguir comparação, com imagem da original enviada por André Felipe.

Comparação da HQ "O galinho": cor do nariz do Zé Lelé diferente

Na tirinha dessa vez apareceu o nome do Cebolinha no alto porque na original foi inserida no quadrinho, mas a proporção alterada de forma lamentável. Como ampliam os desenhos, eles ficaram muito diferentes, com quadrinhos retangulares em vez de ficarem quadrados como na original e, então, os desenhos ficaram desproporcionais com personagens mais gorduchos. Ficou horroroso assim. Abaixo a comparação, com imagem da original enviada por André Felipe. Lembrando que o espaço vermelho que deixo é porque o gibi original era 2 centímetros maior na altura:

Comparação das tirinhas de 1977 e da CHTM # 49

Chico Bento - "Um peixe fora d'água" - Chico salva um peixe de ser pescado, acaba caindo no lago, batendo de cabeça e, então, como gratidão, o peixe que o Chico salvou o transforma em peixe com intenção de salvar a sua vida.

Apesar de no gibi como um todo preservar o caipirês dos personagens como saiu no gibi original, teve alteração em relação a isso na história "Vai atender ou não?", em que o Chico é confundido com o cara que trabalha no posto de gasolina, causando muita confusão. Nesse quadrinho abaixo, mostra o Chico falando "chamando", sendo que na original era "chamano".

Trecho da HQ "Vai atender ou não?"

Além disso, teve uma suposta alteração na fala do Zé da Roça nessa mesma história. Quando começaram a colocar os personagens falando caipira em 1980, O Zé da Roça e o Hiro falavam caipira também, chegando até alterar isso nos almanaques da Editora Abril daquela época. Mas quando o Chico ganhou o gibi próprio em 1982, eles passaram a falar certo para dizer que são mais inteligentes na escola. No quadrinho dessa história, tem umas fontes diferentes, principalmente nas letras "R" em tom mais negrito, que podia ter sido "confiá" e "chegá", por exemplo, em vez de "confiar" e "chegar", respectivamente.

Em 1984, o Zé da Roça já não falava caipira. Então, ou na original saiu com ele falando caipira sem querer e alteraram isso na Coleção Histórica, ou na época eles colocaram o Zé da Roça falando caipira antes de finalizar o gibi e em cima da hora consertaram ficando as letras diferentes do que no resto. Só com o gibi original para confirmar isso. Abaixo, a cena:

Trecho da HQ "Vai atender ou não?"

Nos créditos nos comentários, de 6 histórias, só 3 que mostram roteirista e só na abertura fala quem foi o desenhista. Ainda nos comentários, fala de erro de cores na 2ª história do Papa-Capim desse gibi, mas não mostra o scan da original. Como história de destaque "Dentista?! Deus me livre!", em que a Dona Cotinha, mãe do Chico dá dinheiro para ele ir ao dentista para tratar da dor de dente e ele gasta tudo com pirulitos. História divertida e muito incorreta, mostrando um Chico desobediente com a mãe.

Como não teve tirinha no final, não teve alteração em relação a isso. Quando tinha uma propaganda na original, então na CHTM colocam no lugar só uma imagem do Chico pescando falando que não pode perder a CHTM.

Cascão - "A sobrinha que veio limpar o Cascão" - Cleide, a sobrinha das irmãs Cremilda e Clotilde, chega para armar um plano de namorar o Cascão para poder dar banho nele.

De 6 histórias comentadas, só 2 com créditos completos e em 3 sem crédito nenhum. As propagandas cada vez em tamanho menor que não dá para ler nada. Detalhe que não só as desse gibi do Cascão, assim como em todas desse Box. Já que não colocam em tamanho original, podiam colocar as propagandas de uma forma que dê para ler o texto.

Destaque da história do Bidu, "O dia em que roubaram o roteiro da historinha". Nela, alguém bate no Manfredo e roubam o roteiro da história do Bidu e eles arrumam um detetive para solucionar o mistério de quem roubou. Afinal, sem roteiro não tem como ter história. Muito engraçada, principalmente a parte que encontram um suposto cachorro que havia roubado e ele diz que nunca roubaria história do Bidu porque são chatas demais e que só dar risada com as do Chico Bento. Isso para mostrar que ninguém gosta das histórias do Bidu. Eu, particularmente, gosto.

Trecho da HQ "O dia em que roubaram a historinha"

Outra história bem bacana é "O fantasma do Cascão", que encerra o gibi, em que a Mônica tenta dar um susto no Cascão, e então ele finge que morreu e que virou fantasma para assustar a Mônica como alma penada e tirar proveito da Mônica pagar sorvete para ele. Interessante o aviso no início da história falando que se tem coração fraco e não aguenta emoções fortes que para não ler a história. Muito criativo.

Esse gibi também não teve tirinha pelo mesmo motivo de ter propaganda no lugar na original de 1984, e, então não teve alteração só por causa disso.

Magali - "Pão pão, beijo, beijo!" - Quinzinho pensa que a Magali namora ele só por interesse por ele ser filho do padeiro e arma um plano para tirar a prova, inventando que a padaria faliu.

Os traços dessa história são lindos, com desenhos fofos e com ângulos diferentes. O roteiro foi da Rosana, mas infelizmente nos comentários não falou quem foi o desenhista nem arte-final. Sempre nas melhores não mostram quem desenhou.

Comparação da HQ "Pão, pão, beijo, beijo!":  cabelo do Quinzinho com cores diferentes

Mais uma vez o tom do cabelo do Quinzinho saiu diferente.  O cabelo dele era claro e agora mudaram colocando marrom escuro, como sempre fazem na CHTM, mas deixando assim fica muito diferente da original. E só lembrando que o menino negro apareceu sem lábios, mas dessa vez não foi alteração. Realmente na original ele não tinha lábios. Abaixo a comparação do tom do cabelo do Quinzinho:

Comparação da HQ "Pão, pão, beijo, beijo!": cabelo do Quinzinho com cores diferentes

Esse gibi com muitas histórias de 1 ou 2 páginas, algumas dos anos 70 e de tabloides que foram aproveitadas. A história "Que tal" (com Magali e Cebolinha em uma lanchonete) é do final dos anos 70 e a da Branca de Neve havia saído em 'Cebolinha Nº 1' (Ed. Globo, 1987), sendo que na ocasião foi em 1 página e agora colocaram a mesma história com desenhos ampliados de forma que ocupem 2 páginas. Costumavam republicar as vezes histórias e tabloides de 1 ou 2 páginas antigas, quando faltavam número de páginas para concluir o gibi a tempo de chegar nas bancas. Afinal, em maio de 1991 saíram 3 gibis da Magali: Nº 49, 50 e 51.

De 7 histórias, 2 sem créditos nenhum. E com créditos completos, só "A hora da mama", que mostra a mãe da Magali comendo para caramba para ter leite suficiente par amamentar a Magali, ainda bebê. Outra história legal foi "Voando alto", em que a Magali voa ao segurar uma pipa para o Cascão de tão magrinha que ela é. Nessa nem mostra comida, e, sim, só a característica da Magali ser magra demais, que come e não engorda e passar sufoco por isso. Sempre rendiam ótimas histórias.

A tirinha no final foi alterada de forma lamentável, dessa vez não só em relação ao nome da Magali no alto que ficou omitido e ampliação de desenhos, mas também modificaram os quadrinhos dela. O texto ficou diferente no 1º quadrinho, mudando de "Puxa! é mesmo, Cebolinha!" para "Poxa! Obrigado, Cebolinha!" só porque a Magali não agradeceu no gibi original de 1991 e mudaram isso por causa do politicamente correto. É cada bobeira que fazem questão de mudar.

Além disso, a grama foi pintada de verde e fizeram um contorno no 1º quadrinho que não tinha na original e mudaram a arte do 2º quadrinho, tirando o contorno envolvendo os personagens, mudando para um quadrado padrão, e, com isso, tirando a arte da época. Afinal, era muito comum quadrinhos terem contornos diferentes para mostrar outras formas além do tradicional quadrado e retângulo e com essas alterações ridículas assim tiram a magia da época. Abaixo a comparação.

Comparação das tirinhas de 1991 e da CHTM # 49

A capa com pouca alteração, com leve redução do desenho, pouco degradê e tiraram o logotipo da Globo nas capas dentro da bandeja e nem colocaram os da CHTM no lugar, como já era de se esperar. Deixaram mesmo só a ilustração da Magali nas capas dentro das bandejas. Ao menos mantiveram o logotipo original das capas dentro das bandejas, ocupando todas a largura do gibi diferente do logotipo principal que não ocupou a largura do gibi na CHTM. Abaixo a comparação:

Comparação das capas de 1991 e da CHTM # 49

Ainda em relação à capa, a original de 1991 teve uma etiqueta de preço bem grande nos gibis que foram vendidos de segundo lote. As revistas sem etiqueta custavam Cr$ 100,00 enquanto que as com etiqueta custaram Cr$ 110,00. Como nos comentários o Paulo Back colocou que a revista custou Cr$ 100,00, a MSP têm a versão da revista com etiqueta. Bem interessante. A versão que eu tenho é sem etiqueta e então mostro como foi a versão com etiqueta, com imagem que pesquisei tirada da internet.

Capa de 1991 na versão com etiqueta

quarta-feira, 19 de agosto de 2015

Coleção Histórica Nº 48



Já nas bancas a 'Coleção Histórica Nº 48', formada pelas 5 revistas números 48: Mônica (1974), Cebolinha (1976), Chico Bento e Cascão (1984), e Magali (1991).

Dessa vez, é o Manezinho quem está na capa do box, que marca sendo o último gibi do Cebolinha de 1976, além de ter mais uma vez alterações nas tirinhas no final do expediente, tirando o logotipo dos personagens no alto como eram nas originais, e com desenhos ampliados, ocupando mais da metade da pagina, igual como estão fazendo nos gibis atuais. Nos gibis da Editora Abril e os da Magali da Editora Globo, o nome do personagem no alto vinha com outra fonte, e não com o logotipo oficial, e então, com essa mudança ridícula não dá para saber como foi a fonte nas originais. Durante a postagem sobre cada gibi individual, comento mais sobre isso.

Sobre a distribuição, continua atrasando, dessa vez chegou por aqui no dia 7 de agosto e o certo deveria chegar em julho. E sempre vendendo 1 ou 2 exemplares por banca que vende. Também há reclamações de lugares que antes chegavam e que não está mais e como a CHTM não tem mais assinatura no pacote da Turma da Mônica Jovem, dificulta ainda mais o pessoal acompanhar essa coleção.




 Histórias de abertura e comentários gerais:

Mônica - "Entre as bruxas e as fadas... e lá no fundo azul" - Dois ladrões roubam a varinha de condão de uma fada que estava de férias e, com isso, Mônica e uma bruxa tentam ajudar a fada a recuperar a sua varinha.

Essa foi uma das primeiras histórias com referência a contos de fadas. Legal a Mônica falar que a TV da bruxa era em cores, já que poucos tinham TV em cores na época. Só fiquei surpreso ao mostrar um controle remoto. Eu pensava que não existia na época. Deviam ser raras televisões que tinham e também só os ricos.

Na história "Cascão no varal" (em que o Cascão se pendura no varal para secar sua roupa do suor, mas acaba dando câimbra e não consegue sair de lá), mostra o Cebolinha pensando errado. Pelo visto isso não era fixo no início dos anos 70 e às vezes ele pensava certo, outras vezes não. Teve uma história de 1 página com participação do Manezinho. No comentário é que teve um erro falando que a Turma do Bermudão estreiou no final dos anos 90, mas na verdade foi em 2004. 

Já na história do Astronauta (em que ETs ficam no dilema se continuam caminhando em 4 patas ou não), ele apareceu com cabelo branco, e, com isso, não mudaram a cor do seu cabelo em relação à revista original. 

Trecho da HQ do Astronauta

De 11 histórias comentadas, em 5 não tiveram créditos de roteirista, desenhista e arte-final. O Mauricio de Sousa escrevia e desenhava quase todas as histórias da época, mas o seu falecido irmão Marcio Araujo também escrevia algumas, e, com isso, não dá para confirmar quem escreveu e desenhou. Histórias de 1 páginas foram comentadas, só a tirinha no final de expediente que não.

Falando na tirinha, colocaram o nome da Mônica no alto, só porque está inserido no quadrinho da tirinha e não no lado de fora, como nos outros gibis, senão iam tirar. Porém, ficou ampliada demais, mais ainda do que como foi na CHTM # 47 e desenhos desproporcionais, principalmente na  largura. Um horror.


Cebolinha - "Como domar um cavalinho" - Cascão está brincando de caubói e faz com que o o Cebolinha se torne o seu cavalo Bobão.

Nos comentários dessa história foi falado que o chapéu do Cascão mudou de cor na original e agora na CHTM foi tudo corrigido. Ao menos avisou que tiveram alterações de cor, mas o ideal era para deixar do jeito que era na original, com todos os seus erros. A capa ficou legal, mais uma vez fazendo referência à história de abertura, só que não colocaram a chamada do título da história. Acho que devia ser sempre assim, colocando só a ilustração em capas assim com alusão à história.

Esse foi o último gibi do Cebolinha de 1976. Não teve nenhuma história de Natal e muito menos de Ano Novo, foram todas normais para a sua época. Nos anos 70 era normal histórias de Natal sairem nos gibis da Mônica e em algumas vezes tinham de Ano Novo com o Cebolinha. Acho que é porque nos anos 70, o gibi da Mônica devia chegar primeiro nas bancas e o do Cebolinha, perto do final de cada mês.

Tina e Rolo tiveram 3 histórias nesse gibi, de 1 ou de 2 páginas cada uma. A primeira com 1 página, protagonizada só pelo Rolo; a 2ª protagonizada pelos dois. E na 3ª história, só com a Tina com participação do papagaio Palestrino no final.

Trecho da 2ª HQ da Tina na edição

Na história "A turma e a fanfarra" (em que a turma cria uma banda para impressionar os garotos valentões da rua de cima), teve participação da mãe da Magali no final, coisa rara de acontecer nos anos 70. Legal que aparecendo com chinelo na mão para bater nas crianças, que hoje é completamente impublicável. Outra curiosidade é que a rua do Limoeiro foi chamada de Rua de Baixo. Pelo jeito ainda não tinham nomeado a rua deles ainda.

De 12 histórias comentadas, créditos completos só na de abertura, sendo 3 sem créditos nenhum e em 7 só informou o roteirista. Nos comentários o Paulo Back deu dicas de como saber quando as histórias eram escritas pelo Marcio Araujo, irmão do Mauricio de Sousa. Essa edição não teve passatempo e com 6 páginas de comentários. Como normalmente são 7 páginas de comentários (que são colocados no lugar das propagandas e da seção de cartas "Coleio do Cebolinha"), dá para concluir que o gibi teve 1 página a mais de história.

Em relação a alterações, teve na história "Olha o carreto", em que um menino tenta tirar proveito do carreto do Cascão e do Cebolinha para carregar suas coisas. Na revista original de 1976, o menino negro aparecia com cor bem escura, quase preto, e agora na CHTM o deixaram mais claro para não dizer que é preconceito com os negros.  Mas nota-se que mantiveram o tom do marrom do sapato do Cebolinha. Eles faziam isso também em "Pelezinho Coleção Histórica", já que o Pelezinho era pintado assim quase preto. Abaixo, a comparação de um trecho dessa história com o menino colorido diferente. Imagem da revista original enviada por André Felipe.

Trecho da HQ "Olha o carreto": menino colorido diferente

Agora pior mesmo foi na história "O sapinho" (em que Cebolinha e Cascão tentam assustar a Mônica com sapos de brinquedo). Simplesmente redesenharam a história toda, sem mais nem menos. Dá para notar de cara que os desenhos são diferentes, com mudanças nos olhares, deixando olhos tortos, contornos mais finos e meio tremidos, o cabelo do Cascão ficou com mais impressão digital do que na revista original, etc. Muito estranho. Abaixo a comparação de um trecho dessa história:

Trecho da HQ "O sapinho": desenhos mudados na história toda

Só nesse trecho dá para ver que foi tudo redesenhado e muito mal, por sinal. A curva de movimento do Cascão foi tirada, os olhares dos personagens diferentes, olhando em posições diferentes e olhos tortos, contornos finos e tremidos, o cabelo do Cascão com impressão digital maior, a moita no canto esquerdo, que era uns rabiscos na original de 1976, e agora foi redesenhada, não tem curvas da moita abaixo dos pés do Cascão. Terrível. História toda foi assim.

Sinceramente não entendi o motivo dessa mudança nos desenhos. E ainda mais na história toda. Se a revista original deles estivesse danificada, com manchas, por exemplo, que pegassem a história no 'Almanaque da Mônica Nº 15 - Mônica contra Cebolinha', de 1982, que foi republicada. Agora querer modernizar os desenhos dos anos 70 não dá para aceitar. Lamentável.

E a tirinha mais uma vez foi alterada sem o nome no alto e com desenhos ampliados. Na comparação que mostro abaixo, mesmo com a revista original com 2 cm maior na altura, como eram nos anos 70, dá para notar que a tirinha ocupou mais da metade da página na CHTM, os desenhos ficaram muito ampliados, os quadrinhos na original eram retangulares maiores na vertical e agora na CHTM ficaram nas horizontais. Tenso. Outro detalhe também é que a cor do sofá era roxa e agora colocaram um azul cinzento, Aliás em todo o gibi onde o fundo era roxo mudaram agora para azul cinzento. A imagem do gibi original foi enviada por André Felipe.

Comparação das tirinhas de 1976 e da CHTM # 48

Chico Bento - "Chico cantor" - Um empresário vê o Chico cantando música sertaneja e o chama para se tornar um cantor famoso, só que em vez de ser cantor sertanejo, foi para ele ser o ídolo do rock.

Nesse gibi, mais uma vez todas as histórias do Chico são incorretas, e não seriam publicadas hoje com o Chico com trabuco na mão para caçar passarinho, a Dona Cotinha, mãe do Chico, mostrando chinelo para bater nele, entre outras. Dessa vez aparentemente não teve alteração no caipirês dos personagens em relação ao gibi original. Deixaram todos os seus gerúndios como "correno", "ficano" e "tratano" e palavras que mudaram o caipirês ao longo dos anos como "mió". Tomara que continuem assim, sem alterar nada no caipirês.

Trecho da HQ "Lição de casa"

De 6 histórias, nenhuma com créditos completos, sendo 2 sem créditos nenhum, e em 2 só mostrou roteirista. Fiquei com pena de que não informou quem desenhou a história "Caçada humana" do Papa-Capim (em que um homem náufrago pensa que está sendo perseguido por selvagens enquanto o Papa-Capim pensa que tem animal perigoso na selva). Desenhos ficaram muito lindos. Como história de destaque "O peixinho de estimação", em que o Zé Lelé confunde uma piranha como um peixe comum. Muito legal.

Esse gibi não teve tirinha, porque no gibi original o espaço foi ocupado por uma propaganda (normalmente não relacionada à Turma da Mônica) e então quando isso acontecia, na CHTM colocam no lugar só uma imagem do Chico pescando falando que que não pode perder a CHTM. Com isso, sem alteração de tirinha.

Cascão - "Uma supermissão para uma nuvenzinha" - Seu Pedro e anjo Gabriel criam uma nuvem para molhar o Cascão.

De 5 histórias, só essa de abertura com créditos completos. Nas outras ou só mostrou roteirista ou faltava alguma informação. História de destaque, "Um encontro com a cegonha", do Penadinho que fica inconformado porque foi convocado para reencarnar. Para os fantasmas reencarnar era como se fosse a morte para os humanos. Interessante a lista dos fantasmas que iriam reencarnar são nomes dos funcionários da MSP na época. Eles gostavam de colocar os nomes do pessoal da MSP nas histórias.

Trecho da HQ "Um encontro com a cegonha"

Outra história muito legal é "O melhor no lápis" em que o Cascão discute com a faxineira da MSP por ela estar desenhando nadando no lago, tomando banho no chuveiro, etc. Na parte em que o Cascão chama o pessoal do estúdio para salvá-lo da empregada, mais uma vez teve referência a nomes do pessoal do estúdio, como foi na história do Penadinho. Nessa não informa quem foi o roteirista, mas como o Reinaldo Waisman aparece nela no final, junto com o Mauricio, acho que deve ser do Reinaldo.

Esse gibi também não teve tirinha pelo mesmo motivo de ter propaganda no lugar, e, então não teve alteração só por causa disso.


Magali - "Um ratinho assustador" - Magali quer que o Mingau mate um rato que apareceu na cozinha da sua casa.

O gibi marca por muitas histórias curtas de 1 ou 2 páginas, e como a história de abertura teve só 6 páginas, foram 8 histórias no total. A história de 1 página não foi comentada nem a tirinha e então das 6 comentadas, só 2 tiveram créditos completos e em 3 não tiveram créditos nenhum (nas histórias de 2 páginas). Uma pena que a história da Chapeuzinho Vermelho não mostrou quem desenhou, pelo menos. Os desenhos ficaram lindos.

Também nesse gibi teve a estreia do Seu Quinzão, pai do Quinzinho e dono da padaria do bairro, na história de encerramento "Tudo que você quiser", em que o Seu Quinzão manda o Quinzinho terminar o namoro com a Magali, achando que ela era um mostro e que estava dando prejuízo na sua padaria. Na colorização, mais uma vez o Quinzinho apareceu com cor de cabelo diferente na CHTM em relação ao gibi original. O cabelo do Quinzinho era claro e agora mudaram colocando no mesmo tom do Seu Quinzão, tudo para ficar igual com os gibis atuais. Abaixo a comparação:

Comparação da HQ "Tudo que você quiser": Quinzinho com cor de cabelo diferente

Nos comentários mostrou a propaganda "Quadrinhos só da Globo" com a imagem das capas do 'Cascão Nº 112' e do 'Sergio Mallandro Nº 6'. Pensava que não ia mostrar por ter uma capa de revista não relacionada à Turma da Mônica. Mas, o tamanho ficou bem pequeno, como as demais propagandas que mostram na CHTM (não só desse da Magali como em todos os outros). Nessa propaganda até que deu para ver as capas, apesar disso, mas propagandas com muito texto não dá pra ler absolutamente nada.

A tirinha no final foi alterada, tirando o nome da Magali no alto da tirinha e com o desenho muito ampliado. Na comparação das imagens, dá para perceber que a fonte do nome era diferente do logotipo oficial e a tirinha na CHTM já começou no canto e ocupando mais da metade da página. Como as dimensões dos gibis são iguais, dá para perceber melhor a diferença.

Comparação das tirinhas de 1991 e da CHTM # 48

Dessa vez uma rara capa da Magali sem referência à comida, já que foi uma piada com o Mingau. Comparando as capas, eles mudaram a proporção dos desenhos nessa CHTM para que possa caber o selo da CHTM e o informativo que não pode ser vendida separadamente. O gibi original o desenho era muito grande que ocupava todo o espaço e agora mudaram isso a ponto de inserir detalhes da orelha do cachorro do lado esquerdo e contorno do cachorro direito que ficaram cortados no gibi de 1991. Ou seja, uma capa toda restaurada. Abaixo a comparação das capas:

Comparação das capas de 1991 e da CHTM # 48

Ainda em relação à capa. a original teve uma etiqueta de preço bem grande nos gibis que foram vendidos de segundo lote. Então, curiosamente, nos comentários o Paulo Back colocou que a revista custou Cr$ 110,00, que foi o preço impresso nas revistas que tinham a etiqueta. Já na versão que eu tenho sem etiqueta o preço real do gibi foi Cr$ 100,00. Sinal que o Paulo Back e a MSP têm a versão da revista com etiqueta. Bem interessante. Mostro como foi a etiqueta na original, com imagem tirada da internet.

Capa da revista original na versão com etiqueta

Então, como sempre o Box da CHTM sempre com histórias muito divertidas, só está estragando essas alterações, sobretudo nos desenhos da história "O sapinho" do Cebolinha, assim como nas tirinhas, que estão fazendo questão de mudar só para ficar igual aos gibis atuais. Acho que seria mais coerente na CHTM ficar tudo igual como saiu na época. Espero que revejam isso e voltem a colocar as tirinhas exatamente iguais às originais o mais rápido possível.