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terça-feira, 8 de janeiro de 2019

Rei Leonino: HQ "O roubo dos capacetes reais"


Mostro uma história de quando Rei Leonino precisou desvendar um mistério dos capacetes dos guardas reais desaparecerem de repente. Com 9 páginas, foi publicada em 'Mônica Nº 184' (Ed. Abril, 1985).

Capa de 'Mônica Nº 184' (Ed. Abril, 1985)

Começa com narrador observador apresentando a Floresta do Matão, que estava toda adormecida e que o barulho é quebrado apenas pelas aves noturnas, como corujas, mas que o leitor desconfiar que algo misterioso está prestes a acontecer. Aparece o Palácio Real, onde o guarda estava dormindo imprudentemente e criaturas estranhas invadem o Palácio do Rei Leonino Primeiro e Único. As criaturas saem de lá e o guarda ainda estava dormindo e sonhando, inclusive.


No dia seguinte, Ministro Luís Caxeiro Praxedes descobre algo terrível aconteceu e precisa contar o ocorrido ao Rei Leonino, mas tem medo de como ele vai ficar furioso e ainda contando logo no momento que acorda. Rei Leonino pergunta o que ele está fazendo tão cedo em seus aposentos reais e Luís Praxedes pergunta como ele vai naquela manhã.

Rei Leonino conta que mais ou menos e para contar logo o que quer. Luís Praxedes conta que ladrões estiveram no Palácio durante a noite. Rei Leonino fica furioso e pergunta o que roubaram lá, se foi o tesouro real, as joias da coroa ou o ursinho de pelúcia. Luís Praxedes conta que foram os capacetes reais. Rei Leonino acha uma vergonha os guardas serem roubados e como vão protegê-lo se não cuidam nem de si próprios. Os guardas falam que não foi culpa deles, os ladrões arrombaram os armários e o alojamento fica do outro lado do Palácio.


Um guarda fala que a culpa foi do sentinela da entrada, que estava dormindo na hora. Ele diz que lutou bravamente, mas como eram muitos o levou a nocaute. Os ladrões eram monstros gigantes, mas logo é descoberto que estava mentindo, pois as pegadas que estavam na entrada do Palácio eram pequenas e, assim Rei Leonino ordena que eles organizem uma busca e prendam os ladrões, que é a honra do Palácio que está em jogo.


Luís Caxeiro e os guardas vão atrás dos ladrões e como não tem sucesso, eles vão interrogar todos os súditos do reino, mas acabam todos zombando deles por causa desse roubo, achando que os guardas eram incompetentes. Logo depois, enquanto caminho, eles reparam que aumentou a população de tartaruga no reino e quando Luís Caxeiro vê o casco de uma delas, nota que eram os capacetes dos guardas que elas estavam usando como cascos e, assim, todas as tartarugas são levadas para o Palácio, inclusive o Tarugo que não tem nada a ver com isso.


Rei Leonino fala que as tartarugas vão aguardar julgamento do crime na cadeia. Então, uma tartaruga interrompe e diz que foram elas que foram roubadas, que um misterioso forasteiro invadiu o vale delas enquanto dormiam e roubaram os cascos de todas elas. Quando amanheceu, viram que estavam peladas, tentavam outros vestimentos, mas não adiantavam, até que avisaram que naquele reino os guardas estavam usando os cascos delas como capacetes e as foram lá buscar o que eram delas.

Luis Caxeiro Praxedes interrompe, falando que era uma infâmia e que o Rei Leonino não devia acreditar nelas. Rei Leonino pergunta onde ele mandou fazer os capacetes dos guardas, já que era o encarregado dos uniformes deles. Com a pressão, o ministro confessa que se apropriou dos cascos porque serviam como uma luva como capacetes e ainda eram de graça. Rei Leonino manda soltar as tartarugas e as convidam para ficarem como súditas do reino, mas elas preferem voltar para o vale.


Rei Leonino dá bronca no Luís Caxeiro, que foi ridicularizado, desmoralizado e os guardas desuniformizados por causa da incompetência dele. O ministro sugere que vai providenciar capacetes parecidos com os outros, mas que vai demorar um pouco para chegar. Rei Leonino ordena que ele arrume capacetes provisórios já e, assim, os guardas ficam com capacetes de panelas, e continuam sendo ridicularizados de qualquer forma.


Uma história muito legal e bem bolada, deixa os leitores envolvidos com um mistério do sumiço dos capacetes dos guardas reais, interesse em saber quem foi, por que fizeram isso. É até grande para os padrões da época da Editora Abril, mas como é tão bem roteirizada, que chega a ser envolvente e nem percebe que tem 9 páginas.


Legal ver as tartarugas sem casco e colocando folhas e flores pra se cobrirem, assim como as desculpas dos guardas pra justificar o roubo dos capacete se as broncas do Rei Leonino para o Luís Caxeiro Praxedes, sempre rendiam boas histórias. Teve absurdo das tartarugas não verem seus casacos sendo tirados pelo Luís Caixeiro, iam acordar com o movimento, mas por ser histórias em quadrinhos, é válido e fica mais interessante. O narrador observador contando a história no início sempre fica legal esse recurso. Curioso a Coruja falar "Bidu" no início da história, mas foi como para interagir com o narrador, no sentido de que ele adivinhou.


Gostei também do termo "Floresta do Matão" onde a Turma da Mata vive, mas esse nome não seguiu adiante, ficou só nessa história. Bem que podiam ter mantido esse nome para o lugar que eles vivem, ou terem inventado outro depois. Impublicável hoje em dia, justamente por ter esse tema de roubo e ladrões fora o maltrato aos animais, com tartarugas tendo seus cascos tirados à força, e também um personagem fixo ser o vilão e ladrão da história, no caso o Luís Caxeiro Praxedes. E mais uma vez "Droga!" sendo falado livremente sem paranoia nenhuma como é hoje em dia.


Os traços muito bons, já na versão clássica dos personagens consagrada dos anos 80. Interessante que o Coelho Caolho ficou com roupa vermelha ao invés da amarela tradicional. Gostava também do recurso das cores em tons azuis quando os personagens pensavam ou mostrava algo que aconteceu no passado. 

Foi republicada em 'Almanaque do Chico Bento Nº 12' (Ed, Globo, 1990), que foi de onde eu tirei as imagens da postagem. Abaixo, a capa desse almanaque:

Capa de 'Almanaque do Chico Bento N 12' (Ed. Globo, 1990)


segunda-feira, 31 de dezembro de 2018

Cascão: HQ "É hoje!"

Compartilho uma história de quando o Cascão apostou que ia tomar banho no último dia do ano. Com 8 páginas no total foi história de abertura publicada em 'Cascão Nº 36' (Ed. Abril, 1983)

Capa de 'Cascão Nº 36' (Ed. Abril, 1983)
Começa a turma toda acordando empolgada por ser o último dia do ano. E ao mesmo tempo, Cascão fica desesperado por ser o último dia do ano. A mãe do Cascão, Dona Lurdinha, ouve uns gritos no quarto dele e quando entra lá vê o filho debaixo da coberta, tremendo na cama e temperatura quente e resolve chamar um médico.


Cascão sai da coberta comentando pra si mesmo que ele não pode ficar na cama, se os amigos encontrarem lá está perdido e precisa cair fora. Ele tenta fugir pela janela, mas todos eles já estavam do lado de fora esperando sair. Cascão resolve então fugir pela porta e Cebolinha já estava lá com um papel assinado pelo Cascão.


Cascão pergunta se Cebolinha vai levar a sério o que uma criança escreveu no papel e que escreveu em uma hora de desespero há 3 meses. Cebolinha lembra que o Cascão perdeu todas as figurinhas naquele dia e, como uma última chance, Cascão assina um papel que ia tomar banho no último dia do ano se perdesse as figurinhas em mais uma jogada. Acaba Cascão perdendo de novo quando o Cebolinha bate todas as figurinhas de uma só vez e passados os 3 meses a turma vai cobrar a aposta do banho no último dia do ano.


Todos carregam o Cascão e desejam jogá-lo no rio. Cascão interrompe e avisa que pode tomar banho no rio sozinho sem precisar da ajuda deles. Então, Cascão mergulha em direção ao rio. nessa hora, tem o suspense se o Cascão ira tomar banho, se aguentará o impacto da água e qual o futuro dele e a resposta seria no próximo quadrinho.


Há um barulho de que caiu na água e Cascão vai falando que a água está uma delícia, não sabia que era tão bom e faz umas onomatopeias de que estava nadando. A turma estranha, Mônica arranca o arbusto que estava na frente do rio e encontra o Cascão na beira  do rio com uma megafone falando aquilo tudo.  

A turma fala que agora o Cascão vai cair no rio mesmo na marra. Todos seguram à força quando ele tenta fugir e a turma acaba jogando o Cascão para o alto para ele cair depois na água. Quando cai, todos fotografam, cada um com suas câmeras, e ficam muito felizes, que vão guardar as fotos para sempre e que nunca teve um final de ano tão maravilhoso enquanto Cascão fica se afogando no rio.


No final, depois de todos irem embora, é revelado que não era o Cascão que caiu no rio, e, sim, o seu anjo da guarda, que trocou de lugar na hora que subiu ao ser levantado pela turma. Cascão em cima de uma nuvem agradece e fala pra ele que foi um verdadeiro anjo enquanto que o anjo fala pra não prometer mais uma coisa dessas.


História muito legal e engraçada, com Cascão tentando driblar a turma para não tomar banho no último dia do ano depois de uma infeliz aposta de figurinhas. Gostava de histórias assim, de ver as artimanhas que o Cascão fazia para escapar, muitas vezes precisando apelar para os absurdos para não tomar banho. Dessa vez foi o seu próprio anjo da guarda que o ajudou. Muito bom.


O início da história muito engraçado, primeiro com o mistério no ar por que a turma estava empolgada e por que o Cascão desesperado por ser último dia do ano e as tentativas do Cascão para fugir e depois tudo é desvendado, bem explicado. Sensacional a parte do narrador dando um suspense antes do Cascão mergulhar. Normalmente aconteceria em uma segunda parte da história, mas como era curta e não tinha, aí colocaram sequência já no quadrinho seguinte.

Os traços muito bons, eles já estavam com o estilo que ficou consagrado nos anos 80. Engraçadas as caras deles, tanto da turma aprontando com o Cascão, quanto ele desesperado com a situação que ele mesmo criou. Eles faziam bastante histórias de Ano Novo com o Cascão, até por conta dessa brincadeira de resolução para tomar banho que se encaixava bem com ele. Hoje em dia, não tem mais histórias de Ano Novo com nenhum personagem. 


Infelizmente histórias assim não tem mais hoje em dia. Na época era só uma coisa engraçada com a característica do Cascão, hoje interpretam como bullying por parte da turma de forçar o Cascão a tomar banho sem querer e aí evitam isso hoje. Outra parte incorreta seria a palavra "Droga!", que hoje mudariam para "Bolas!" ou outra coisa qualquer. Interessante como eles falavam bastante "Droga!" nos gibis antigos quando estavam com raiva.

Muito bom relembrar essa história, que completa exatos 35 anos. Foi republicada depois em 'Almanaque do Cascão Nº 16' (Ed. Globo, 1991) e também em vários almanaques de Natal. Deixo aqui a capa desse almanaque de 1991, que foi onde eu tirei as imagens da postagem.

FELIZ ANO NOVO!!!

Capa de 'Almanaque do Cascão Nº 16' (Ed. Globo, 1991)

terça-feira, 25 de dezembro de 2018

Mônica: HQ "O gorro rasgado"

Mostro uma história em que a Mônica ajudou um Duende do Papai Noel a tentar consertar o gorro do Papai Noel que rasgou a tempo das entregas dos presentes de Natal. Com 9 páginas, foi história de encerramento publicada em 'Almanaque da Mônica Nº 20' (Ed. Abril, 1983).

Capa de 'Almanaque da Mônica Nº 20' (Ed. Abril, 1983)

Nela, um Duende do Papai Noel está apressado para chegar ao Polo Norte, pois havia mandado lavar a roupa do Papai Noel em uma lavanderia e acabou demorando demais. Ele tem medo de não chegar a tempo e Papai Noel precisar entregar os presentes pelado.


Nessa hora, Cascão está em cima de uma árvore fugindo da Mônica depois de ter aprontado com ela. Cascão mostra a língua e Mônica arremessa o Sansão, só que ela erra a mira e acaba atingindo o gorro do Papai Noel que estava com o Duende. Sansão com o gorro acaba voando longe e vai parar em um tanque onde uma mulher estava lavando roupa.

O Duende pede para a mulher devolver o gorro com o coelhinho e ela joga em cima dele com raiva. Ele tenta tirar o gorro da cabeça do Sansão, mas fica grudado porque encolheu ao ser molhado e lembra que só podia ser molhado com gotas de orvalho da manhã e chama o Sansão de porcaria de coelho.


Mônica vai passando, ouve tudo e dá um soco no Duende, falando que ninguém fala mal do Sansão na frente dela e pensa que o Duende é um moleque disfarçado fora da época de Carnaval. Mônica faz força para tirar o gorro do Sansão e acaba o gorro rasgando. O Duende se desespera, falando que o Papai Noel não vai perdoá-lo, não imagina o Papai Noel entregando os presentes sem gorro, que tem risco de pegar uma friagem na carequinha e a sua imagem vai ficar abalada. 


Mônica aperta as orelhas do Duende e vê que é de verdade. Ele a chama de maluca e graças a ela o Papai Noel não vai poder entregar os presentes. Então, Mônica leva o Duende para casa e sua mãe, Dona Luísa, pensa que era um novo bicho que a filha estava levando e põe o Duende para fora e fecha a porta. Dona Luísa abre a porta de novo se dando conta que era um Duende e acaba desmaiando. Com isso, como ela não podia costurar o gorro, aí Mônica resolve costurar.


O Duende diz que o gorro só pode ser costurado com um material especial: fios de cabelo de um menino que só tem 5 fios de cabelo na cabeça e que troque o "R" pelo "L". Mônica corre segurando o Duende e encontra o Cebolinha escondido em um banheiro de rua, desesperado que não vai aceitar porque cortou cabelo semana passada e nem ouse entrar lá porque é banheiro masculino e ele está pelado. 


Mônica segura a casinha do banheiro e joga longe e Cebolinha fica com  medo e corre, mas Mônica joga a porta em cima dele e consegue cortar todo o seu cabelo, contra a sua vontade, falando que é pelo Natal. O Duende diz que seria só 1 fio e Mônica diz que foi por causa se caso faltar e Cebolinha a xinga com palavrões.


Mônica costura o gorro, mas o Duende a apressa porque tem pouco tempo para entregar a roupa do Papai Noel. Quando ela acaba de costurar, o vestido da Mônica fica agarrado costurado no gorro por causa da pressa. O Duende fala que se tirar o gorro pode rasgar de novo e eles não tem outro fio de cabelo e não vai dar tempo de costurar. Assim, no final, Duende entrega a roupa do papai Noel com o vestido agarrado no gorro mesmo e os pedidos de presente da Mônica e Cebolinha. Era um vestido e uma peruca de 5 fios de cabelo, com eles escondidos atrás de uma moita esperando Papai Noel entregar os presentes deles.


Uma história bem bolada e criativa com tudo acontecendo com o gorro do Papai Noel e Mônica ajudando o Duende a recuperar o gorro, que acabou sendo rasgado na confusão. Mexe com a fantasia e imaginação dos leitores, se tornando melhor ainda. Engraçado ver as trapalhadas e os absurdos durante a história, pelo menos no final o Papai Noel conseguiu entregar os presentes da criançada, mas Mônica e Cebolinha se deram mal.


É cheia de movimentos, parecendo desenho animado, típicas de histórias da Editora Abril da época. Os absurdos eram grandes, principalmente a Mônica segurar e jogar longe uma casinha de banheiro sozinha só com a sua força exagerada. Muito bom. Palavrões e falar a palavra "Droga!" são as coisas incorretas que não são publicados atualmente nos gibis. Os absurdos também não são bem vindos hoje.


Os traços muitos bons dos anos 80, dava gosto de ver desenhos assim. Na postagem a coloquei completa. Nunca foi republicada até hoje, assim como as demais histórias desse 'Almanaque da Mônica Nº 20' , que eram inéditas até então, e só quem tem esse almanaque que conhece. Muito bom relembrar essa história, que completa exatos 35 anos.

UM FELIZ NATAL A TODOS!!!

segunda-feira, 5 de novembro de 2018

Cebolinha: HQ "O cavaleirinho da pouca elipse"

Mostro uma história clássica de uma aventura em que o Cebolinha e a turma tiveram que enfrentar os cavaleiros do Apocalipse, que eram as pragas da morte, guerra,fome e peste, que escaparam do cativeiro no Céu. Com 11 páginas no total, foi publicada em 'Cebolinha Nº 70' (Ed. Abril, 1978).

Capa de 'Cebolinha Nº 70' (Ed. Abril, 1978)

Nela, Cebolinha e Cascão estão jogando bafo e Mônica olhando o jogo deles, quando ouvem um barulho muito alto de andar de cavalo. Cebolinha chama atenção da Mônica para parar de fazer barulho porque ele quer ganhar as figurinhas do Cascão.


Logo depois, volta o barulho e Cebolinha grita para ela não atrapalhar. Em seguida, mais uma vez o  barulho alto e Cebolinha grita que não joga mais ao lado da bobona. Mônica olha para o alto assustada e gaguejando cavalo. Cebolinha pensa que ela está o chamando de cavalo e diz que cavalo é a vovozinha e depois ao ouvir de novo o barulho, ele olha para o alto e diz para o cavalo voador olhar para onde anda e aí que percebe algo errado, ficando surpreso.


Em seguida, Anjinho cai em cima do Cebolinha e da Mônica. Anjinho está desesperado e fala que eles têm que salvar a Terra e  não há um minuto a perder. Mônica, assustada, sacode o Anjinho falando para ele ter calma e acordar.

Anjinho avisa que os 4 cavaleiros do Apocalipse chegaram e explica que eles são as piores pragas do mundo, os cavaleiros da morte, da fome, da peste e da guerra, e por onde passam só há a destruição. Antes eles viviam na Terra só que se tornaram tão perigosos que o chefe dele mandou prendê-los e guardados por anjos da máxima segurança e afastados da Terra. Só que algum anjo acabou cochilando e acabaram escapando e voltando para Terra e no caminho quase atropelaram o Anjinho. Mônica pergunta porque os anjos a segurança máxima não vem buscá-los e Anjinho diz que estão vindo, mas que ele tem medo que antes dos anjos chegaram e que seja tarde demais.


Eles vão até onde os cavaleiros do Apocalipse estavam e viram que transformaram um campo todo florido em trevas. Os cavaleiros conversam entre si, querendo saber com a Morte quando vão poder agir, espalhar fome e doenças por aí. A Morte fala que pra eles observaram como o planeta mudou desde que eles foram aprisionados e acham que vai ser divertido devastar tudo de novo.

A turma fica apavorada, com Cascão falando que Magali não ia gostar desse negócio de fome, Cebolinha falando que pegou sarampo e não quer pegar de novo e Mônica já quer atacá-los pra impedir que destruam as flores do jardim dela. Anjinho impede de Mônica atacar, falando que são muito perigosos e pra turma segui-lo porque ele tem um plano.


Depois, os cavaleiros do Apocalipse estão prestes a atacar a Terra quando alguém interrompe falando para esperar. A Morte pergunta quem ousa interrompê-la e então surge a turma como "os cavaleirinhos da pouca elipse", cada um caracterizado como a versão mirim dos cavaleiros originais. Eles conversam falando mal de cada um de seus cavaleiros parodiados e mandam eles sentarem em uma cadeira de balanço, tratando como velhos mixurucas e por fora e que os novos cavaleirinhos iam tomar conta do planeta.


Eles tomam satisfação com a turma, que insistem que são velhos acabado e surdos, são antiquados e que os métodos de morte, espada, fome e sarampo não se usam mais. Eles não acreditam, falando que são muito poderosos e Anjinho, caracterizado como Morte, pergunta para a Morte o que faria com uma flor. Ela joga um raio da sua foice, mas a flor não é destruída, continua inteira sem murchar. Morte lança de novo o raio e continua a flor intacta e ainda joga água na cara dela. Anjinho diz que nem uma flor respeita mais a Morte e assim os métodos dela estão ultrapassados.


O Cavaleiro da Guerra fala para Mônica, caracterizada como ele, que a espada dele continua afrontando exércitos e Mônica pede pra ele mostrar como ele afronta um grupos meninos que estavam brincando de bafo. Guerra chegando gritando e os meninos tacam pedra n a cara dele e dá paulada no pé, falando que era pra gritar com outro e não fazer perder as suas figurinhas. Mônica faz a parte dela, querendo saber quem deu nó no coelhinho e assim os meninos saem correndo e mostra que o seu coelhinho é mais assustador que a espada do Guerra.


Em seguida, e a vez de Cascão e Cebolinha derrotarem juntos os cavaleiros da Peste e da Fome, respectivamente. Eles falam que a Morte e a Guerra podem estar ultrapassadas, mas eles continuam poderosos e o tempo não passou para eles. Cebolinha, então, manda ver o que fazem com um rapaz que estava parado bem longe para provar que são poderosos ainda. Eles lançam raios juntos jogando muita fome e muita doença para ele, que ia acabar caindo duro e nem se aguentar deitado. Eles estranham do rapaz estar em pé ainda e então Cebolinha e Cascão fazem a tentativa deles. Eles falam olha o banho e o "rapaz" sai correndo na visão deles. Na verdade, era um espantalho amarrado no Bidu e quando eles falam em banho, Bidu sai correndo levando o espantalho.


Os cavaleiros saem e voltam logo depois caracterizados com as roupas e objetos dos cavaleirinhos, como a Morte com capuz estampado com flores, a Guerra com o coelhinho da Mônica, e que agora com as novas tecnologias serão mais invencíveis e mais terríveis. Porém, foi bem na hora que chegaram os anjos de segurança máxima e conseguem prender os cavaleiros do Apocalipse e eles vão percorrendo o Céu até sumir. A turma olha um para o outro e no final voltam a jogar bafo como no inicio da história e o Anjinho dormindo na sua nuvem, tudo agindo normalmente, como se nada tivesse acontecido.


Uma história excelente mostrando uma aventura da turma enfrentando as pragas do mundo, uma paródia da Bíblia. Trataram como personificação e que não existiam mais na face da Terra até eles escaparem do prisioneiro no Céu. O plano do Anjinho até que foi interessante de mostrar que estão ultrapassados, aproveitando que os cavaleiros ficaram muitos anos fora da Terra e que o mundo evoluiu com isso, uma forma de despistá-los, até dar tempo de chegarem os anjos a segurança máxima. Uma crítica com o que acontecia e ainda acontece de ruim no mundo, pode-se dizer que hoje eles estão soltos por aí castigando a todos novamente.


Era comum na época histórias de aventura assim, com a turma enfrentando altos perigos, mas que sempre terminava bem no final. Aliás, o final tem uma dupla interpretação: ou a turma seguiu agindo como se nada tivesse acontecido, como era de costume nas histórias de aventura da época ou então no momento que os cavaleiros sumiram no Céu, os anjos da segurança máxima fizeram apagar da memória deles tudo que tinha acontecido. Aí fica a critério do leitor julgar a melhor versão, algo que também gostavam de colocarem final com várias interpretações e despertar imaginação.


Os traços bem típicos do final dos anos 70, com eles superfofinhos e umas caretas de olhos arregalados e uma boca com bico quando mostrados os personagens de perfil, bem no estilo desse tipo de traços. Completamente incorreta, principalmente por dar destaque às desgraças do mundo e não fariam mais histórias assim. A Morte mostrada não é a Dona Morte da Turma do Penadinho, que só iria estrear nos gibis a partir de 1983, sendo que uma vez ou outra aparecias nas tiras de jornais do Penadinho. Essa Morte perversa também apareceu em uma história do Chico Bento de 1980. Sansão não tinha nome ainda naquela época e era chamado apenas de coelhinho nas histórias, como nessa.

Foi republicada depois em 'Almanaque do Cebolinha Nº 4' (Ed. Globo, 1988), de onde foi tirada as imagens. Muito bom relembrar essa história clássica, lançada há exatos 40 anos.

Capa de 'Almanaque do Cebolinha Nº 4' (Ed. Globo, 1988)

sábado, 27 de outubro de 2018

Mônica: HQ "A grande descoberta"


Dia 27 de outubro, é aniversário do mestre Mauricio de Sousa. Em homenagem ao mestre, mostro uma história clássica em que o Mauricio conta por que a Mônica e outros personagens não terem dedos e unhas nos pés e o Cebolinha trocar o "R" pelo "L". Com 7 páginas, foi história de encerramento de 'Mônica Nº 190' (Ed. Abril, 1986).

Capa de 'Mônica Nº 190' (Ed. Abril, 1986)

Nela, Mônica vê a mãe no sofá e pergunta se está bem já que estava esticada como se tivesse levado uma coelhada. Dona Luísa diz que sim e foi porque pintou as unhas e está esperando esmalte secar. Mônica acha que ficaram bonitas as unhas e resolve também pintar as suas imaginando que os meninos iam achar que ia ficar bonita e que virou mocinha.


Mônica, então, pega o esmalte e lixa escondida das coisas da mãe e vai na rua pintar as unhas. Ela pinta as das mãos e quando vai pintar a dos pés, tem a grande descoberta: ela não tem dedos e unhas nos pés, lavando um grande susto por isso.

Cebolinha chega e pergunta o que aconteceu e ela diz que não tem unhas nos pés e pede para ele tirar os sapatos e eles veem que os pés dele são normais com dedos, unhas e um chulé danado. Cascão chega e Mônica vê que ele também não tem dedos e acha estranho eles não terem e o Cebolinha ter dedos e é chato por não pintar as unhas nos pés. Cascão acha que Cebolinha nasceu para pintar as unhas.


Então, Mônica tem a ideia de tirar satisfação com o Mauricio de Sousa para ele responder isso. Cebolinha, a principio não ia com eles por não ter defeitos, mas quando o Cascão debocha dizendo que é "pelfeito", fazendo referência a sua dislalia, Cebolinha também vai junto. Chegando na MSP, Mônica cobra do Mauricio por que ela e Cascão não tem dedos nos pés e Cebolinha pergunta por que ele fala "elado".


Mauricio explica que seria chato se todos os personagens em quadrinhos fossem iguais, não teriam originalidade. Que o personagem Pinduca dos anos 1930 era mudo e se ele falasse não conseguiria tanto sucesso e isso se chama característica, uma certa diferença em relação a outros personagens. Cita que Popeye tinha cachimbo de um lado e boca de outro, o Pato Donald não ter calças e Snoopy ser um cãozinho humanizado e isso tudo une a forma física com a personalidade dos personagens.


Mauricio destaca que por graças a tudo isso que eles são tão queridos por serem únicos e nunca vai haver outros personagens como eles. Mônica, Cebolinha e Cascão concordam e vão embora abraçados e no final Mauricio volta a sua mesa e faz um desenho da Mônica com dedos nos pés e acha que ficou horrível e, com isso, não vai mudar essa característica de dedos sem pés nos personagens até então.


Uma história bem interessante mostrando as características dos personagens. Legal ver o motivo do Mauricio para mostrar que são desenhados sem dedos nos pés e o Cebolinha trocar o "R" pelo "L". Os leitores sempre tem curiosidade porque eram desenhados assim e aí pelo visto resolveram criar uma história explicando sem ser didático. Engraçada a parte da Mônica descobrindo que não tem dedos e gritando antes de ser revelado o fato, como se fosse algo terrível.


Na verdade, é que o Mauricio tinha pressa de desenhar os personagens nas tirinhas dos anos 1960 para entregar para os jornais e acabava desenhando sem dedos, que na verdade a intenção seria o sapato embutido nos pés sem o traço de meia separando. Já os personagens criados no final dos anos 1960 já eram desenhados com sapatos normais. Como ficou de costume, acabou sendo adotado isso com os personagens que eram desenhados assim nas tirinhas de jornais, como Mônica, Cascão e Magali e nos gibis a partir dos anos 1970 de forma oficial como que eles não tinham dedos nos pés mesmo e ilustrada nessa história. Podiam ter colocado a Magali também na história,mas na época ela não era tão principal como os outros três.


Em 2008, já na Editora Panini, a MSP adota outro motivo oficial para justificar que eles são desenhados assim sem dedos nos pés. Emerson Abreu escreveu na história "Como montar uma Árvore de Natal" ('Cebolinha Nº 24') que eles usam meias o tempo todo e quando vão tirar tem os dedos normais. Desde então, essa é a versão oficial que a MSP adotou, já aparecendo outras vezes como em 'Mônica Nº 77' (Ed. Panini, 2013). Prefiro a versão clássica que realmente eles não tem dedos, acho isso de eles usarem meia forçado demais, acabando o encanto.

Off: Trecho da HQ "Como montar uma árvore de Natal" (CB # 24 - Ed. Panini, 2008)

Os traços dessa história "A grande descoberta" muito bons, seguindo o estilo padrão da MSP. Interessante também outros personagens sem terem nome parodiados e falarem do Pato Donald da Disney, um concorrente da MSP ela Editora Abril até então. O momento incorreto da Mônica pintar unhas com esmalte da mãe, já que hoje em dia criança não deve pintar com esmaltes de adultos, no máximo com produtos próprios de criança, além de um lado preconceituoso do Cascão ao falar que não pinta unhas e do Cebolinha ter dedos para pintar unhas por ser coisa de mulher e hoje em dia diálogos assim não são mais feitos por ser discriminação e buylling.

Foi republicada depois em 'Almanaque da Mônica Nº 50' (Ed. Globo, 1995), que foi de onde eu tirei as imagens da postagem. Abaixo, a capa desse almanaque:

Capa de 'Almanaque da Mônica Nº 50' (Ed. Globo, 1995)

FELIZ ANIVERSÁRIO, MAURICIO!!!!