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segunda-feira, 24 de fevereiro de 2020

Cascão: HQ "As irmãs Cremilda e Clotilde atacam no Carnaval"

É Carnaval e mostro uma história em que as irmãs Cremilda e Clotilde tentaram dar banho no Cascão durante o Carnaval. Com 5 páginas, foi história de encerramento de 'Cascão Nº 65' (Ed. Abril, 1985).

Capa de 'Cascão Nº 65' (Ed. Abril, 1985)

Nela, Clotilde vê a Cremilda  no sofá e pergunta no que está pensando. Cremilda diz que é nos planos delas no Carnaval. Clotilde pensa que era onde vão pular o Carnaval, qual salão, mas Cremilda fala que está é planejando dar um banho no Cascão, que o Carnaval é melhor época para se molhar alguém e depois do Carnaval ele vai se chamar "Limpão".


Cremilda e Clotilde se fantasiam de caubóis e vão à rua para tentar molhar o Cascão com garrafa squeeze (bisnaga) e quando o encontram, elas jogam água nele e finalmente conseguem dar banho nele. Mas elas têm a surpresa que não era o Cascão, e, sim, o Xaveco fantasiado por causa do Carnaval e Xaveco reclama que elas estragaram a fantasia dele.

Depois encontram o suposto Cascão comendo melancia e quando molham, veem que era a Magali disfarçada. Em uma nova tentativa acabam molhando o Anjinho disfarçado de Cascão. Em seguida, percebem que todos resolveram se fantasiar de Cascão e único jeito para descobrir quem era o verdadeiro foi jogar água em cima de todo mundo, mas ninguém era o Cascão.


De repente Cremilda e Clotilde sentem um cheiro fedido, parecendo um caminhão de lixo, e aí era o verdadeiro Cascão fantasiado de imperador romano. Elas tentam molhá-lo, mas por terem molhado todos da turma, acaba toda a água delas. Cascão dá um abraço nelas e comenta que nesse ano todo mundo resolveu se fantasiar de Cascão. No final, quando ele vai embora, Cremilda e Clotilde estavam imundas com o abraço  do Cascão e uma joga água na outra para ver se limpam da sujeira impregnada enquanto o povo na rua pensam que elas estavam se divertindo no Carnaval.


Uma história legal com as irmãs Cremilda e Clotilde fazendo planos de dar banho no Cascão no Carnaval, mas não contavam que a turma toda iam se fantasiar de Cascão. Na época, o povo tinha o costume das pessoas darem banho uma nas outras com garrafas durante o Carnaval e os roteiristas sempre procuraram fazer histórias e piadas de tentativas de darem banho no Cascão no Carnaval por causa disso. 

O Cascão dessa vez apareceu só na última página, mas ficou sendo representado com seus amigos fantasiados como ele. Como Cremilda e Clotilde estavam vestidas de caubóis de faroeste, até poderiam ter colocado armas com água para dar uma impressão mais real de faroeste, mas pelo visto preferiram as bisnagas para ter mais capacidade de água dentro. Na época as armas nas histórias eram liberadas normalmente, as bisnagas foram só para seguir a tradição do Carnaval. Para republicação hoje em dia, até seria um ponto positivo para não ter alteração, porém eles não costumam mais fazer histórias com os outros fazendo planos infalíveis para dar banho no Cascão, contra a vontade dele, fora que não fazem mais histórias de Carnaval e os palavrões ditos pelo Xaveco e a palavra "Diacho" não seriam bem vindos hoje, aí não fariam atualmente história assim.


As irmãs gêmeas Cremilda e Clotilde foram criadas no lançamento do gibi do Cascão pela Editora Abril em 1982, como vilãs para dar banho no Cascão. Elas foram morar no bairro do Limoeiro e tinham mania de limpeza extrema, tudo tinha que estar um brinco sem um mínimo de poeira sequer. Ao verem que o Cascão era muito sujo tinham obsessão de dar banho nele a todo custo e faziam planos para dar banho nele, mas sempre fracassavam. 

No início, o Cascão era inocente, não sabia que Cremilda e Clotilde só tinham desejo de dar banho nele e as irmãs fingiam que eram amigas dele para tentar banho nele. Com o passar dos anos isso mudou e ele passou a saber dos planos e fugia das irmãs, provavelmente para não mostrar falsidades nos gibis. Eu preferia quando ele era inocente de não saber dos planos delas como foi nessa história, ficava mais engraçado. Essa foi uma das primeira vezes que elas contracenaram com outros personagens da turma sem ser o Cascão, no início era raro elas contracenarem com outros personagens sem ser o Cascão.


Traços ficaram bacanas, típicos de histórias de miolo da época. A capa da edição bem interessante, como Cascão deixando um aviso dando satisfação que não apareceu na capa por causa do pessoal jogar água nos outros no Carnaval. Eram interessantes capas assim sem ele aparecer por causa da água predominando. E de certa forma, até teve um pouco a ver com o tema dessa história do gibi por conta disso. 

Foi republicada depois em 'Coleção Um Tema Só Nº 13'- Mônica Carnaval' (Ed. Globo, 1996). Deixo aqui a capa dessa edição.

Capa de 'Coleção Um Tema Só Nº 13 - Mônica Carnaval' (Ed. Globo, 1996)

domingo, 9 de fevereiro de 2020

Piteco: HQ "Tenho que manter a minha fama de mau"


Mostro ma história em que a Thuga desiste de correr atrás do Piteco e ele fica mal com isso. Com 7 páginas, foi publicada originalmente pela Editora Abril por volta de 1984 e republicada em 'Almanaque do Chico Bento Nº 16' (Ed, Globo, 1991).

Capa de 'Almanaque do Chico Bento Nº 16' (Ed. Gobo, 1991)

Começa o narrador apresentando o Piteco correndo, mas não de uma manada de mamutes nem de um tiranossauro enfurecido, e, sim,  da Thuga, que quer acabar com a vida de soteiro dele. Mesmo cansativo, Piteco tem as vantagens de perder uns quilos e fazer sucesso com as outras garotas, que querem saber o que a Thuga viu de tão especial nele, mas acabam sendo afastadas pela Thuga.


A rotina do Piteco é sempre essa, até que um dia, ele acorda e vai pegar água no riachão e preparado pelo seu "cooper matinal", mas estranha a Thuga não estar lá e demorar muito enquanto pega a água e comenta que ela nunca o deixou em paz um só momento. De manhã, tarde e note Thuga não aparece e Piteco acha qe ela está doente.

No outro dia, Thuga não aparece de novo e Piteco comenta que não se acostuma com tanta paz. No caminho, encontra a Ogra e pergunta se a Thuga está doente, pois não tem visto ultimamente. Ogra diz que está bem, só se cansou de correr atrás de alguém que nunca vai conseguir alcançar. Piteco fica contente que está livre dela, fala que nunca mais vai ter corridas e nem ciladas para levá-lo para o altar. para comemorar, resolve paquerar uma garota, algo que não conseguia há muito tempo, mas acaba levando fora dela, que diz que tem compromissos pelo resto do mês.


Quando parte para outra, no caminho ouve mulheres comentando que deve ter um bom motivo para Thuga desistir do Piteco e ainda falam que ele é bem feinho enquanto os homens comentam que Piteco não é mais aquele. Piteco diz que eles que se danem e está muito feliz. Ele senta na frente da sua caverna e se convence que está triste, não aguenta mais e resolve ir falar com a Thuga, já que tem zelar pela imagem dele.


Piteco cobra da Thuga por que não está correndo atrás dele e Thuga achava que ele estava satisfeito e ele fala qe pensava que ela era seria mais persistente. Thuga conta que encarou a realidade de que Piteco não gosta dela. Piteco pergunta de como que ela tem certeza disso e diz que ela tem que perseguir seu objetivo e como conseguirá alguma coisa assim desistindo. Se quer conquistá-lo, que deve lutar por ele.



Thuga fica feliz que Piteco quer que volte a correr atrás e por ele começar a gostar dela e já se prepara para marcar a data do casório. Aí, Piteco fala que se ela parar de correr atrás dele, as garotas vão pensar que ele perdeu seu charme e ele tem que manter a fama de durão, por isso que a Thuga tem que correr atrás. No final, volta a perseguição, as garotas apaixonadas pelo Piteco, chamando de charmoso e bonitão, e Thuga corre atrás dele furiosa, dessa vez corre não para conquistá-lo, mas, sim, para bater nele por tudo que ele falou.


História muito divertida com Piteco achando ruim da Thuga desistir de correr atrás dele e preocupado com as garotas acharem qe ele não tem mais charme por causa disso. A principio a gente até pensava que era mais um dos planos infalíveis da Thuga fingindo que não gostava mais do Piteco para ele ficar cismado que a perdeu ir procurar atrás para se casar com ela. Só que dessa vez realmente ela desistiu, mas ele sentiu falta da perseguição e foi atrás para convencer a voltar correr atrás dele. A surpresa foi que não que gostasse e fosse se casar com ela, mas só pra zelar a sua imagem de charme com as outras garotas e não ficar mal falado na aldeia. 

Nas histórias do Piteco, a Thuga vivia dando em cima dele, fazendo planos para conquistá-lo e casar com ele, mas ele sempre corria. Na verdade, ele gostava e era gamado na Thuga, mas não quer saber de casamento e morrer solteiro e aí sempre dá um jeito de fugir dela para não se casar. Ele só desistiu da Thuga dessa vez porque ela falou de casamento.


Tem uma mensagem boa das pessoas não desistirem dos seus sonhos e objetivos, sempre lutar por eles. Em contrapartida, é incorreta pelo tema do Piteco ser machão, brincando com sentimento da Thuga só pelo seu interesse próprio de zelar sua imagem de homem durão, fora a cena do Piteco ter caçado e mostrar dinossauro morto e a clava dele ter prego para dizer que machuca mesmo as suas presas, coisas não bem vistas nos dias de hoje.

Os traços muito bons, com arte-fina bem bacana. Engraçado ver as cavernas sendo retratadas como apartamentos, com eles morando no segundo andar, bem comum principalmente na Editora Abril.  O título teve referência à música"Tenho que manter a minha fama de mau" do Erasmo Carlos. E bom ver a presença da Ogra, era bastante frequente na época, já atualmente é raro ela aparecer. 


Legal também o narrador -observador contando e interagindo nas histórias. Foi boa sacada ele contando que "dinossaurinha" era equivalente a expressão "gatinha" atualmente e que a cantada "Flores para uma flor" era datada da Pré-História. Detalhes que faziam diferença e deixavam mais engraçadas as histórias.

segunda-feira, 27 de janeiro de 2020

Astronauta: HQ "Antes só do que mal-acompanhado"


Mostro uma história em que o Astronauta teve que enfrentar um extraterrestre bandido que se passou por cachorro para fugir da prisão. Com 6 páginas, foi pulicada originalmente pela Editora Abril por volta de 1985 e republicada em 'Almanaque da Mônica Nº 36' (Ed. Globo, 1993).

Capa de 'Almanaque da Mônica Nº 36' (Ed. Globo, 1993)

Mostra o Astronauta com solidão no espaço sideral, lembrando dos seus amigos, da sua namorada Ritinha e da vida na fazenda, quando de repente se depara com um cachorro espacial abandonado em um planeta. Astronauta acha bem dócil, leva o cachorro para sua nave para fazer companhia, dá comida e arruma um cantinho para ele dormir. Depois que sai para ter uma soneca também, o cachorro se transforma em sua forma real de extraterrestre e captura o Astronauta, que estranha o ET lá dentro da nave. 


Ele se apresenta como Bargow, do planeta Orbow, que durante muitos anos foi considerado o maior vilão do espaço, assaltou todos os bancos de todos os planetas, mas um dia foi capturado por uma policial, aproveitando que seu ponto fraco era mulheres bonitas. Foi condenado a viver o resto da vida em um planetoide até que avistou o Astronauta e leu os pensamentos dele de solidão e se transformou em um cachorro, já que os habitantes do planeta Erbow são camaleões.


Com isso, Bargow deixa o Astronauta no planeta prisão para cumprir a pena no lugar dele. Só que Astronauta tem pensamento de um tesouro. Bargow lê o pensamento dele e exige que fale onde tá o tesouro. Astronauta fala que não tem nenhum e, assim, Bargow o leva para a nave para mostrar onde está. Astronauta pensa que tem tesouro em um esconderijo secreto, que era só apertar um botão. Quando Bargow aperta, leva um soco de uma aparelhagem de luva de boxe que o Astronauta tinha colocado na nave.


Astronauta se desamarra com outra aparelhagem com tesoura e se orgulha que sua nave é cheia de truques. Ele prende Bargow e o leva até o planeta-prisão que ele estava. No final, Astronauta comenta que tem que ter cuidado, pois tem vários planetas-prisões naquela região e vai sobrevoando com sua solidão e lembranças, quando de repente se depara com uma mulher perdida em outro planeta, dando a entender que é golpe e vai acontecer tudo de novo. 


Uma aventura bem legal, o alienígena bandido se aproveitou da solidão do Astronauta e do dom de ler pensamentos e de ser camaleão se transformando em outras coisas para virar um cachorro e poder fugir da prisão. Ele passou sufoco por causa da sua solidão, um tema muito abordado em suas histórias antigas. Tanto o Astronauta sofreu por conta do extraterrestre ter se aproveitado da sua solidão, assim como o Astronauta se livrou do ET por causa da sua fraqueza por dinheiro. Com isso,  a história deixa a mensagem de ficar atento às pessoas, não deixarem se aproveitar de você ao saberem de suas fraquezas.


Boa ideia de mostrar que as prisões de extraterrestres bandidos eram em planetas prisões, ficando lá solitários a vida toda. Legal ver a nave equipada do Astronauta, pronta para enfrentar qualquer perigo inesperado. Final ficou aberto para os leitores imaginarem como seria a sequência após. Sabe-se que a mulher que ele encontrou era outro bandido, mas o leitor imaginaria como ele ia se sair dessa de novo. Era muito comum finais abertos assim, principalmente nos gibis da Editora Abril. Impublicável hoje em dia por conta do alienígena ser bandido, coisa inaceitável nos gibis atuais.


Os traços muito bons, bem típicos dos anos 80, o universo espacial, a noite muito bem desenhado. Era bom os pensamentos com cores diferentes, com tons azulados e brancos, eu gostava dos pensamentos com cores assim para diferenciar que era algo passado, fora da realidade atual. E dessa vez a história do Astronauta teve título, coisa bem rara na época. Atualmente até que colocam títulos nas suas histórias novas. 

domingo, 5 de janeiro de 2020

Capa da Semana: Almanaque do Cebolinha Nº 6

Uma capa em clima de férias com todos curtindo o alto-mar em uma boia gigante e o Cebolinha, moleque esperto que é, preferiu curtir sozinho bem a vontade na sua própria boia, longe do aperto dos seus amigos.

A capa dessa emana e de 'Almanaque do Cebolinha Nº 6' (Ed. Globo, Outubro/ 1989).


sexta-feira, 29 de novembro de 2019

Almanaque da Mônica Nº 15 - Editora Globo

Há 30 anos era lançado o 'Almanaque da Mônica Nº 15' da Editora Globo, que foi em homenagem aos 30 anos da MSP até então. Nessa postagem, faço uma resenha de como foi esse almanaque especial.

Almanaque da Mônica Nº 15 (Ed. Globo, 1989)

Lançado em novembro de 1989, ele reuniu histórias dos primeiros números dos gibis da Mônica de 1970 e 1971 pela Editora Abril. O livro "Mauricio 30 Anos" pelo visto estava com produção atrasada, deveria sair em 1989 e acabou só sendo lançado em 1990, e para não passar em branco a comemoração dos 30 anos da MSP, fizeram esse almanaque.

Na época eles não tinham costume de republicar histórias muito antigas assim, entre 18 a 20 anos, era no máximo 11 anos de diferença, sendo mais comum histórias entre 5 a 7 anos. Assim, em 1989 era mais comum nos almanaques histórias entre 1978 a 1984, sendo mais frequente a partir de 1982. Isso para ter uma ideia de como voltaram no tempo com as histórias.

Foi a primeira que vi como foi a origem da Turma da Mônica, como era os traços dos anos 70. Até já tinha visto umas ilustrações do Cascão no frontispício do 'Almanaque do Cascão Nº 6' de 1989, mas nesse 'Almanaque da Mônica' já foi mais revelador, deu para ver como era e achei muito diferente em relação aos traços dos gibis atuais até então.


Esse 'Almanaque da Mônica Nº 15' seguiu o mesmo estilo de formato dos anteriores, saindo em bancas do jeito tradicional, com preço comum que era, acrescido da inflação que aumentava o preço de uma edição para outra em todos os gibis.Teve as tradicionais 84 páginas, formato lombada, capa em papel couché e miolo com papel jornal oleoso. Mantiveram até a faixa lateral com coelhinhos, tão comuns nos almanaques na época e histórias interligadas com propagandas normais dos gibis de 1989.

A capa teve uma ilustração muito bonita ambientada na virada dos anos 60 para os anos 70 com Mônica como fotógrafa lambe-lambe querendo tirar fotos do Cebolinha, Cascão, Magali e Bidu em um calhambeque caracterizados como na época proposta, mas com os traços de 1989. Pode dizer que Cebolinha, Cascão e Magali estão caracterizados como Roberto Carlos, Erasmo Carlos e Wanderléia. A intenção foi para os leitores entrarem no clima nostálgico da época das histórias dos gibis originais que tinham nesse almanaque.

Abre com frontispício, mostrando capas das 12 primeiras edições de 1970 e 1971 e um texto com Mauricio falando do sucesso da Turma da Mônica desde os anos 70 e ressalta que as crianças daquela época já estavam crescidas, casados e com filhos e com a reedição daquelas histórias, os pais que leram quando crianças podiam reler agora junto com os seus filhos. Imagino a emoção de quem leu os gibis originais e terem a oportunidade de reler e mostrar par aos filhos o que leu quando era criança, já que não tinha internet e nenhum meio de ler a não ser procurando em sebos e que já era difícil encontrar aquelas edições de 1970 e 1971. Nas capas ilustradas, só não mostraram as de nº 6, 9, 10 e 11.

Frontispício da edição

A seguir vem as histórias clássicas, que foram tiradas de edições do "Nº 2" até o "Nº 17" e todas escritas e desenhadas pelo Mauricio de Sousa, já que era só ele que fazia as histórias na época. Procuraram colocar histórias mais curtas para ter noção de como eram vários personagens da MSP. Teve histórias de vários personagens secundários, mas não tiveram Chico Bento e Penadinho, que só foram estrear nos gibis a partir de 1972 e não teve Astronauta, pois as histórias costumavam ser longas nos primeiros números. De histórias de abertura originais foram só a de abertura e de encerramento, as outras de miolo curtas entre 1 a  5 páginas.

A gente nota um estilo bem diferentes, não só nos traços com personagens bochechudos, bochechas pontiagudas, assim com histórias bem incorretas, cheias de absurdos e personagens se dando mal ao extremo, inclusive no final, muitas vezes sendo ridicularizados. essa fase marcou também com personagens falando de boca fechada, uma linguagem bem culta, próclises e ênclises bem colocadas, palavras não muito faladas hoje, outras bem datadas e se falavam alguma gíria ou algo informal, aparecia palavra entre aspas. Cebolinha falava trocando o R pelo L entre aspas também. Única alteração foi ortografia da época, editada para não ensinarem errado a escrita atual (coisa que até fazem hoje desde que teve a nova reforma ortográfica). De resto, tudo igual, sem alteração nenhuma, nem no estilo de cores, já que na Globo não alterava nada sem ser ortografia.

A primeira foi a clássica "Os Azuis" (MN #15, de 1971), que inclusive recebeu vários prêmios depois de lançada, e discute o problema de racismo. Mônica acorda normalmente e vai a rua e encontra todos os seus amigos com peles azuis e pensa que eles se pintaram, e eles pensam que a Mônica se pintou de laranja. Quando descobrem que a Mônica tinha aquela cor de pele sentem nojo dela por estar com cor diferente que a deles e passam a fugir dela.

Trecho da HQ "Os Azuis"

Mônica até tenta ir atrás deles, mas é em vão. Cascão ordena que a Mônica o solte e Magali fala para não bater nela e faz expressão de nojo e joga na cara que a cor laranja da Mônica é horrível. Mônica ainda é insultada pelo povo da rua, que a chamam de "coisa", que uma "alaranjada" não deve andar por aí e é perseguida por um vigilante. Ela encontra um velhinho encostado no túnel que fugiu, explica seu problema dos outros implicarem com a cor, mas ele também foge.

Aparece o Bidu e é o único que a aceita do jeito que a Mônica era. Ela comenta que todos se pintaram de azuis e estão implicando com ela só por causa da cor, mas ela continua igualzinha a eles e tem todos os sentimentos iguais a eles, como ternura, saudade, contentamento, medo, entre outros. Depois, ela vai para casa almoçar e tem a surpresa que até a mãe dela está azul e Mônica ainda ouve a voz dela vindo do quarto, achando que está "lelé".

Trecho da HQ "Os Azuis"
Em seguida, vê um espelho que não tinha na casa dela e descobre que era um espelho teledimensional, que foi parar no mundo dela por engano e o espelho a transporta de novo para o mundo dela. De volta ao mundo real, Mônica fica emocionada ao ver a mãe com sua cor normal, vai para a rua e abraça Cebolinha e Magali, falando que gostaria deles mesmo se eles fossem azuis e fica triste em saber que existe um lugar que pensam que o que é mais importante é a cor da pele.

Essa história é sensacional, Mauricio quis mostrar em que há um mundo paralelo que tem preconceito de cor de pele, mas na verdade era uma crítica ao Brasil mesmo que tem preconceito com os negros. Incrível que nos anos 70  tinha esse preconceito de racismo e que ainda é um tema atual, até hoje o povo tem preconceitos. Fica na imaginação se a Mônica sonhou aquilo tudo ou se realmente ela foi parar no mundo dos azuis, Mauricio gostava dessas histórias de situações de imaginar se aconteceu ou não.

Trecho da HQ "Os Azuis"

Em seguida vem "A história do Horácio" (MN #2, de 1970) com 3 páginas, a estreia dele nos gibis. Mostra que Horácio não tinha mãe e foi expulso da aldeia dos homens porque comia demais e teve que passar a viver na floresta por conta própria. Os dinossauros da floresta não queria amizade com ele porque era domesticado e não selvagens como eles. Horácio tenta ser selvagem e feroz e tenta desafiar um dinossauro gigante, mas ele acaba sendo chutado por ele, sendo confundido por uma pulga atrevida. No final, Horácio volta para a aldeia dos homens, com Piteco falando que vai deixar passar a noite lá, mas que era pra tratar de arranjar lugar na floresta no dia seguinte,

Essa história foi republicada de tabloides do Horácio de 1963, ano que foi criado, só que redesenhada e colorida ao estilo dos gibis dos anos 70. Seria uma história seriada com Horácio procurando um lugar na floresta após ser expulso. Interessante o crossover com Piteco, por ele ter vindo da aldeia de Lem, mas depois essa ideia não seguiu adiante e eles não se cruzaram mais nos gibis.

Trecho de "A história do Horácio"

Em "A língua do Cebolinha" (MN #7, de 1970), de 4 páginas, ele comenta a sua tristeza de trocar o "R" pelo "L" e Mônica acha que ele tem um defeito na língua e passa a puxar a língua dele, só que ela corre segurando a língua do Cebolinha pelo bairro esticando toda quando a Magali a chama. Depois que se dá conta que está segurando a língua dele, Mônica solta e acaba o deixando com boca presa. Logo depois, descobre a língua ficou na nuca e a solução foi fazer espetáculo com Cebolinha como o garoto que tem língua na nuca para arrecadar dinheiro para bem próprio se aproveitando da situação dele.

Na época tinha vários absurdos e ao invés de ter solução, acabava piorando em situações mais incorretas ao extremo, fora ridicularizar o personagem E é tipo de história em que cada página tem uma piada no final, formando tabloides independentes e juntando tudo formando uma história principal.

Trecho da HQ "A língua do Cebolinha"

Depois vem a história de estreia da Tina nos gibis (MN #8, de 1970). Na fase hippie, sempre abordando os temas hippies e os conflitos com o pai. Nessa, com 2 páginas, o pai questiona Tina sobre seu jeito de vestir e ela diz que é o estilo da filosofia hippie e que vai trabalhar fabricando medalhões e cintos com couro que encontrar. O pai até acha uma boa ideia, mas fica furioso quando descobre que ela foi vender na rua os seus cintos que estavam no armário.

HQ da Tina completa

Bidu e Franjinha estrelam uma história muda de 3 páginas (MN #3, de 1970), em que o Franjinha deixa o Bidu em um manequim sem cabeça para poder ir ao supermercado, que proibia a entrada de animais. O povo da rua começou a achar engraçado manequim com cabeça de cachorro e pensavam que o manequim estava vivo ao Bidu reagir com raiva . Aparece a polícia e várias autoridades para prender a "pessoa com cabeça de cachorro", até que Franjinha aparece e tira o Bidu do manequim e, assim,  todos saem correndo atrás deles para bater e não pregar peças neles. Nota-se que mantiveram as cores originais da revista original, deixando Franjinha com camisa azul claro e bermuda azul escuro. E é uma reedição de gibi do Bidu da Editora Continental de 1960, só que redesenhada e colorida par aos padrões dos anos 70.

Trecho da HQ do Bidu

Em "Quase um monólogo" (MN #9, de 1971), de 3 páginas, Mônica conversa com os leitores, perguntando se acham feiosa, se não preferia outro personagem no lugar, se ela não tirou outro personagem do lugar e se ainda acham que ela é chata ou metida. Até que Cebolinha aparece  e confirma tudo isso e ela bate nele, falando que certas criaturas não sabem a diferença da realidade da vida e representação. Ou seja, ela estava representando o tempo inteiro e sobrou para o Cebolinha.

Trecho da HQ "Quase um monólogo"

Na história do Raposão, de 2 páginas (MN #10, de 1971), ele trabalha de recenseador e vai na toca do Coelho Caolho. A princípio ele tinha 118 filhos, mas enquanto Raposão estava lá, á ia nascendo mais filhos, deixando Raposão com raiva de ele fazer tantos filhos em tão pouco tempo e vai atrás dele para a mata  querendo bater com a pasta

HQ do Raposão completa

Em "O medo da Mônica" (MN # 4, de 1970), de 4 paginas, um ser misterioso fica impressionado com a força e coragem da Mônica e bater nos meninos sem dó nem piedade e quer que ela participe de seu plano, mas quando descobre que ela tem medo de maribondo, ele desiste que a Mônica participe do plano. Na verdade, ele era um extraterrestre que queria uma criatura poderosa no planeta Terra para reinar no seu planeta e desiste da Mônica e acaba chamando o maribondo no lugar, achando que ele é a criatura mais poderosa do planeta.

Trecho da HQ "O medo da Mônica"

Papa-Capim tem um tabloide (MN #5, de 1970) em que ele e Cafuné estão preocupados com uma plantinha que estava murcha por falta de chuva. Eles fazem dança da chuva, mas exageram, fazendo alagar a selva toda. Era raro de ter histórias do Papa-Capim nos anos 70, quando tinha eram histórias de 1 página assim.

HQ do Papa-Capim completa

Em "Ai, que dor de dente" (MN #5, de 1970), com 5 páginas, mostra o sofrimento do Cebolinha com uma dor de dente e Cascão e Mônica tentam ajudá-lo, mas fazendo coisas absurdas como puxar o dente com barbante, mudar o laço que estava na cabeça dele para ficar mais bonito. No final, Mônica o leva amarrado para o dentista, que acaba tirando o dente errado. Mauricio gostava de ridicularizar o Cebolinha nas suas historias, essa foi mais uma. E novamente uma piada independente em cada página que juntas forma uma história.

Trecho da HQ "Ai, que dor de dente"

Em "O coelho da Mônica" (MN #12, de 1970), com 2 páginas, Cebolinha e Cascão reclamam que o coelho da Mônica, (ainda sem nome) tinha criado vida e estava batendo neles sozinho. Mônica não acredita, mas no final acaba levando uma surra do coelho e fica de olho roxo, confirmando o que os menins disseram e pede desculpas a eles.

HQ "O coelho da Mônica"

Tina  tem mais uma história, de  xx páginas (MN #17, de 1971) em que ela idolatra o John Lennon e seu irmão Toneco passa a falar mal, que ele usa peruca, e aí Tina e Toneco brigam, Toneco a chama de macaco de auditório e Tina fala que quem é a avó deles, a Vovoca. No final, eles encontram Vovoca comprando um poster do John Lennon, confirmando que ela também é fã e macaca de auditório do John Lennon.

Trecho da HQ da Tina

Em "Moni X Cão" (MN #12, de 1971), de 6 páginas, Mônica tenta salva rum cachorrinho da carrocinha. As vezes defende o homem da carrocinha d elevá-lo por não ser vacinado, outras vezes defende o cachorrinho por não querer que ele se transforme em sabão. No final, o cachorrinho é vacinado e recebe sua licença, mas Mônica é perseguida pelo homem da carrocinha por ter dado fim a sua rede de laçar os cachorros.

Trecho da HQ "Moni X Cão"

Zum e Bum estrelam a história "A fuga" (MN #2, de 1970), de 3 páginas. Nela, eles tentam fugir do presídio com Zum colocando o Bum dentro da comida para despistar os sentinelas. Só que eles não contavam que a comida ia para os ciclopes que vigiavam bandidos fugitivos da prisão, e, com isso, o plano não deu certo mais uma vez. Foi a estreis deles nos gibis e interessante mostrar no título que Piteco apresenta Zum e Bum, confirmando que eles são do núcleo do Piteco.

Trecho da HQ "A fuga"

Bidu e Franjinha têm mais uma história muda, de 3 páginas (MN #5, de 1970), em que Franjinha coloca um espelho na casinha do Bidu para dar medo nele, mas tem um mistério do espelho mordê-los, deixando s 2 com medo, pensando que era uma assombração. No final ,descobre que era uma toupeira que tinha se escondido na casinha depois do Franjinha ter colocado o espelho lá.

Trecho da HQ do Bidu

O almanaque termina com a história "C.B. A nuvenzinha mau-caráter" (MN #12, de 1971), de 10 páginas, em que a turma está vendo nuvens no céu, até que uma nuvem rebelde chamada Cúmulus Nimbus (C.B.) cria vida e ameaça a Mônica de participar de seu plano de dominar o mundo.

Trecho da HQ "C.B. A nuvenzinha mau-caráter"

A nuvem C.B. a obriga ir a rádios e jornais anunciar que a população toda tenha que ferver água para formar novas nuvens que farão destruir o planeta. Na véspera do plano, durante a noite, a nuvem C.B. se transforma em líquido em um copo que estava no quarto da Mônica para descansar, só que a Mônica acaba tomando a água, e, com isso, engolindo e destruindo a nuvem, terminando os planos dela assim. Após tomar a nuvem, Mônica esquece de tudo e pensa que foi tudo um sonho e volta a dormir tranquilamente. Muito boa essa, ponto alto foi a Mônica beber a própria nuvem do mal. Os absurdos eram altos na época.

Trecho da HQ "C.B. A nuvenzinha mau-caráter"

A tirinha final foi inédita, desenhada com o estilo dos anos 70. Ficou muito igual e quem não tinha os gibis originais pensava que era uma republicação como as outras, mas foi inédita, já que nos primeiros números não tinham tirinhas nesse formato de 3 quadros ocupando uma coluna. Isso só aconteceu a partir de 1973, com o lançamento dos gibis do Cebolinha. A seguir essa tirinha inédita.

Tirinha da edição

Então é um almanaque histórico, reunindo várias histórias clássicas dos primórdios da MSP depois de muito tempo sem o público ver até então. Hoje em dia os leitores pôde ver essas histórias na "Coleção Histórica", mas em 1989 o acesso era difícil. Foi uma excelente comemoração aos 30 anos da MSP e prova que não precisa fazer edição de luxo, mostra que uma edição saindo em bancas normalmente com preço acessível pode ser especial da mesma forma. Só ppodiam ter colocado pelo menos alguma da "Nº 1" também, mas nada que estrague a edição por causa disso. Muito bom relembrar esse 'Almanaque da Mônica Nº 15' há exatos 30 anos.

domingo, 17 de novembro de 2019

Tirinha Nº 66: Mônica

Uma tirinha bem legal  em que o Cebolinha pede para a Mônica contar até dez em um momento de muita raiva da Mônica e prestes a bater nele por ter aprontado mais uma, não com esperança de ela se acalmar, mas, sim, pra dar tempo de ele correr e  fugir da surra.

Tirinha foi publicada originalmente por volta de 1981 e republicada no 'Almanaque da Mônica Nº 21' (Ed. Globo, 1990).


domingo, 3 de novembro de 2019

Um tabloide com Papa-Capim e Cafuné

Nessa postagem compartilho uma história de 1 pagina com o Papa-Capim e Cafuné. Foi publicada originalmente em 'Cebolinha Nº 112' (Ed. Abril, 1982) e republicada em 'Almanaque do Cebolinha Nº 7' (Ed. Globo, 1989).

Voltada ao absurdo, Papa-Capim e Cafuné estão tentando derrubar uma árvore com machadinhos, que acabam quebrando, pois eram muito pequenos com uma árvore forte como era. Ameaça chover e eles resolvem serrar a árvore com o raio que havia caído na hora.

Era bom ver esses absurdos envolvendo fenômenos da natureza, sempre mito engraçado. Impublicável hoje em dia por conta de eles derrubarem árvore, sendo contra preservação da natureza, fora que não gostam de envolver absurdos assim. Na época não tinham muitas histórias do Papa-Capim nos gibis, era bem raro e quando tinha, era assim em formato tabloide. Só quando o Chico Bento ganhou gibi próprio em 1982 que começaram a desenvolver histórias com a Turma do Papa-Capim. A seguir, mostro essa história completa.