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quarta-feira, 8 de outubro de 2014

Magali 50 Anos


Já à venda "Magali 50 Anos", o mais recente livro em comemoração aos 50 anos dos personagens. Nessa postagem, faço uma resenha sobre essa edição especial.

Na capa, teve uma fusão dos gibis da Magali "Nº 1" das 2 editoras. Ou seja, colocaram a Magali dentro da melancia como foi na "Nº 1" da Ed. Globo de 1989, e falando ao telefone com uma melancia na mão e um laço no cabelo, como foi na "Nº 1" da Ed. Panini de 2007. Ficou boa. O preço é que foi muito caro, custando R$ 62,00, só perdendo para o da Mônica, que custou também absurdos R$ 65,00.

Nesse ano não tiveram muitos lançamentos de grandes livros da MSP na Bienal de São Paulo, se resumindo mais a esse da Magali e ao "Graphic MSP - Bidu Caminhos". Mesmo assim não justifica um preço tão alto assim. O ideal, então, para ter desconto é comprar na internet. Eu comprei meu exemplar na internet por R$ 46,90 e ainda, de quebra, comprei junto o pocket L&PM "Penadinho - Alguém viu uma assombração?" por R$ 12,90 (mais barato também, já que o preço é R$ 14,90), custando as 2 edições por menos que o preço de banca da "Magali 50 Anos". Sem ser assim, fica inviável comprar. É caro demais.

Assim como os outros livros "50 Anos", esse tem capa dura, formato 19 X 27,5 cm, 160 páginas e papel de miolo off-set. Teve uma página a menos de capas "Nº 1" em relação aos outros livros da série, já que a Magali não teve gibi na Editora Abril. E na página de capas diversas, por esse motivo, só mostraram 2 almanaques dela em vez de 3, com 8 revistas no total. Aliás, teve um erro ao falar que a data do 'Almanaque da Magali Nº 1' é de janeiro de 1989, sendo que na verdade, foi de dezembro de 1989.

Uma página de curiosidades mostrando as capas clássicas

Só teve uma página de curiosidades e foram muito fracas, mostrando apenas a tirinha de estreia da Magali de 1964 que muitos já conhecem, e outras informações tudo em poucas palavras. Aliás, na campanha do gibi dela, colocaram data errada. Falaram que foi em janeiro de 1989, mas na verdade foi em novembro e dezembro de 1988. E na evolução dos traços, o vestido da Magali de 1964 devia ser verde, em vez de amarelo (apesar das tirinhas serem em preto em branco, o vestido da Magali era verde quando foi criada, como foi mostrado no álbum de figurinhas "A História da Turma da Mônica" de 1986, e no livro "Mauricio 30 Anos", de 1990).

Acho que podiam falar coisas mais relevantes da Magali, colocando mais informações que sairam no "Saiba Mais # 82: Magali 50 Anos". Já que teve uma página a menos de Capas "Nº 1", podiam ter colocado 2 páginas de curiosidades para compensar. Aliás, acho que o que foi falado naquele "Saiba Mais" era para estar nesse livro, e não criar uma revista para falar disso.

A relação das histórias publicadas de "Magali 50 Anos", com o número da edição e ano de cada uma que eu sei, foram essas:
  1. A melancia (MN # 47 - Ed. Abril, 1974)
  2. A mais fofa (MN # 82 - Ed. Abril, 1977)
  3. Tubarão XI (MN # 109 - Ed. Abril, 1979)
  4. Mônica e a minha ex-amiga (MN # 173 - Ed. Abril, 1984)
  5. Minha dona (MG # 1 - Ed. Globo, 1989)
  6. Enfim, um nome (MG # 6 - Ed. Globo, 1989)
  7. Põe-te mesa (MG # 9 - Ed. Globo, 1989)
  8. Troca-Troca (MG # 20 - Ed. Globo, 1990)
  9. A avó (comilona) da Magali (MG # 100 - Ed. Globo, 1993)
  10. O diário da Magali (MG # 178 - Ed. Globo, 1996)
  11. O que não engorda mata (MG # 341 - Ed. Globo, 2002)
  12. Imperatrix Magali (MG # 353 - Ed. Globo, 2002)
  13. Cara ou Coroa
  14. É pelo de quem? (MG # 363 - Ed. Globo, 2003)
  15. Essa Magali... (inédita, estrelada pela Turma da Mônica Jovem)

Uma coisa boa é que não tiveram histórias mudas, mas o conteúdo não achei tão bom assim e nem todas as características da Magali foram exploradas. Nos livros especiais assim, a gente sempre procura histórias que mostrem todas as características dos personagens e presença de todos que contracenam com eles, além de histórias que mostrem a evolução dos traços, e não foi bem isso que aconteceu.

Tiveram histórias da Editora Abril, ocupando 30 páginas do livro. Inclusive, histórias dos anos 70, coisa que não teve nos livros do Cascão e do Chico Bento, que tiveram apenas histórias que saíram nos gibis deles a partir dos anos 80. Se fizessem o mesmo com a Magali, teria só histórias de 1989 em diante e não ia dar certo. Foi bom assim para gente acompanhar a evolução dos traços desde essa época.

Dentre as da Editora Abril, as três dos anos 70 eu não conhecia porque não foram republicadas nos almanaques da Editora Globo e só a história de abertura "A melancia" foi relacionada à comida dessa fase. Nela, uma nave extraterrestre em formato de melancia invade a Terra e a Mônica e a Magali têm que evitar a invasão. Já em "Tubarão XI", Magali bate de cabeça na piscina do Cebolinha e depois disso pensa que é um tubarão.

Contracapa

"A mais fofa", em que Mônica e Magali mandam o Cebolinha e o Cascão decidirem qual das duas é a mais bonita, é engraçada, mas não colocaria porque acho mais que é uma história da Mônica, só que com a presença da Magali. Até no título, só tem crédito da Mônica. Seria melhor terem colocado essa no livro "Mônica 50 Anos". E no lugar dessa, colocaria outra dos anos 70 com foco real na Magali, como, por exemplo, "Como manda o figurino" (MN # 56, de 1975), "Ela vem aí" (com a prima Betinhac, de MN # 82, de 1977) ou "Magali pesadona" (MN # 84, de 1977).

Nos Anos 80 da fase Abril ficou representada pela história "Mônica e a minha ex-amiga", em que a Mônica briga com a Magali por ciúme quando o Reinaldinho joga charme para Magali. Essa é muito boa e bem engraçada. Valeu a pena terem colocado.

Da Globo Anos 80 foram 4 ocupando 40 páginas do livro, a partir de 1989, quando a Magali ganhou gibi próprio. Não teve nenhuma que saiu nos gibis da Mônica entre 1987 a 1989, como "Como come" (MN # 3, de 1987), "Mosca na sopa" (MN # 23, de 1988), "O doce de mamão" (MN # 24, de 1988) ou "Sem boca" (MN # 27, de 1989).

"Minha Dona" e "Enfim, um Nome" são histórias do Mingau em que a conta como era a vida do Mingau antes de ser adotado pela Magali e de quando ele ele conseguiu ganhar seu nome, respectivamente. São boas, mas acho que não deviam ter colocado nesse livro porque as histórias são do Mingau e a Magali quase não aparece nelas. O livro é da Magali e o certo seria colocar história da Magali contracenando com ele e não ficar apagada em 2º plano. Até aceito "Minha dona", mas "Enfim, um nome", não. Juntando com a última história, são ao todo 3 do Mingau e acho que foi um exagero.

Trecho da HQ "A melancia" (1974)

"Põe-te mesa" valeu a pena e pra mim a melhor do livro. Nela, Magali encontra uma mesa mágica, que sempre que alguém ordena "Põe-te mesa", a mesa traz um banquete. Ela representa as histórias de fábulas tão presentes nos gibis da Magali. Podia ter outra parodiando contos de fadas tradicionais. O problema é que republicaram recentemente as melhores histórias sobre o tema no 'Almanaque Temático # 27', aí acredito que foi por isso que deixaram de fora. 

"Troca-Troca" é legal, em que a Magali e o Cascão trocam de corpos ao serem atingidos acidentalmente por uma invenção de um cientista maluco, porém não acho digna para um especial como esse da Magali, até porque a Magali divide atenção com o Cascão, é típica de uma história sendo dos dois. Creio até que na época, ela era para sair em um gibi do Cascão e resolveram colocar em 'Magali # 20' de última hora, porque os créditos na história é "Cascão e Magali".

Dos anos 90 só tiveram 2 histórias, ocupando 19 páginas. Podia ter mais dessa época. "A avó (comilona) da Magali" é engraçada, foi a estreia da Dona Cota, avó da Magali por parte do pai, que mora no Ceará e foi passar uns tempos na casa da neta, dando prejuízo aos pais da Magali. Já "O diário da Magali", em que o Quinzinho, Cebolinha e Cascão pegam o diário da Magali para ler por interesses próprios, não é ruim. Porém, é outra que a Magali ficou apagada, só aparecendo no final.

O ideal era alguma história da Magali contracenando com o Quinzinho trabalhando na padaria, ou o pai dele, seu Quinzão, implicando com a Magali namorar o filho porque dá prejuizo na padaria. Então, no lugar dessa história do diário, seria melhor que tivessem colocado "Tudo que você quiser" (MG # 48, de 1991), "Pão, Pão, Beijo, Beijo" (MG # 49, de 1991), "A sócia da padaria" (MG # 83, de 1992) ou "Padaria do Quinzão, a última que fecha" (MG # 115, de 1993).

Trecho da HQ "Tubarão XI" (1979)

As demais histórias foram mais recentes dos anos 2000, que ocuparam 43 páginas do livro, e, como de esperar as mais fracas. Não gostei da "O que não engorda mata", em que a Dona Morte explica para Magali os perigos de comer uma pipoca que caiu no chão. Vale o crossover da Magali com a Dona Morte, mas achei muito educativa e ainda descaracteriza a Dona Morte. É que nas histórias antigas, ela fazia de tudo para matar os outros, e nessa história ela ficou ensinando boas maneiras para não matar. Muito fraca. Conheço poucas histórias dessa época, mas com certeza tem melhores que essa. Podiam ter colocado a "Boneca Tenebrosa" (MG # 307, de 2001), por exemplo, no lugar.

Em seguida vem "Imperatrix Magali", em que a Magali é nomeada dona da rua pela Mônica enquanto está viajando. Não gostei dessa, achei muita longa, com 22 páginas, dividida em 3 capítulos, e roteiro fraco. Até tem umas tiradas meio engraçadas no 1º capítulo, mas depois se perde de tão longa, se tornando enrolação.

Sem contar que foge das características reais da Magali. Se era para colocar alguma história que a Magali se torna dona da rua, então que colocassem a "Vice-dona da rua" (MG # 103, de 1993), que é bem melhor que essa.  É de admirar um gibi quinzenal com uma história tão grande como essa. Sinceramente, acho que não deviam ter histórias tão longas como essa em um especial desse e tira a vez de outras histórias. Pelo menos essa foi a única longa desse livro, mas por causa dela o livro teve mais páginas dedicadas com histórias dos anos 2000 do que décadas anteriores.

Ainda tem uma história "Cara ou coroa" de 1 página, provavelmente pra suprir a falta de uma página de capa da Editora Abril que não existe, e depois vem "É pelo de quem?", outra história do Mingau, mas dessa vez é com ele contracenando com a Magali, em que ela fica inconformado do Mingau soltar tanto pelo. Essa achei legal e coerente, já que a Magali contracena com ele, e não como foi nas outras 2 histórias do Mingau anteriores e a do Quinzinho em que ela ficou apagada em todas.

Trecho da HQ "Põe-te mesa" (1989)

O livro termina com a tradicional história da Turma da Mônica Jovem em estilo mangá. Dessa vez, com a Magali contracenando com a sua fome, que a incentiva a comer como nos velhos tempos. Muito boba e fraca, como sempre essas histórias em estilo mangá. Devem colocar para incentivar as crianças a comprarem o livro. Não dá pra aceitar a Magali fazendo dieta na Turma da Mônica Jovem para não engordar, descaracterizando completamente a personagem.

Agora o que não gostei mesmo na edição é que não tiveram histórias da Tia Nena, do Tio Pepo e nem do Dudu. Simplesmente não colocaram nenhuma história específica da Magali contracenando só com eles. A Tia Nena e o Tio Pepo participaram em alguns quadrinhos na "Põe-te mesa", mas, sem dúvida, merecia uma história exclusiva, mostrando as suas características, como "Ingrediente secreto" (MG # 63, de 1991), "A garçonete" (MG # 107, de 1993), "Pizza para todos" (MG # 131, de 1994), "Brinquedo perigoso" (MG # 187, de 1996) ou "O livro de receitas" (MG # 217, de 1997).

Pior ainda e inadmissível foi não ter história do Dudu, logo ele que marcou a trajetória dos gibis da Magali. Para não dizer que ele não apareceu no livro, apareceu só em 2 quadrinhos na história "Imperatrix Magali". Muito pouco. Veja bem, nenhuma história com ele contracenando com a Magali, seja como o menino que não gosta de comer, ou como pestinha, ou a Magali contando história para ele. Achei sacanagem.

Podiam ter colocado uma história com o Dudu com qualquer dessas características dele, desde que contracenando com a Magali. Podiam colocar: "Come, Duduzinho, come" (MG # 37, de 1990), "Aluguel de barriga" (MG # 56, de 1991), "O segredo do Dudu" (MG # 71, de 1992), "Adivinha quem veio para ficar" (MG # 79, de 1992), "Solto no shopping" (MG # 98, de 1993) ou "Mamãe Magali" (MG # 153, de 1995). Era para ter algo dele, mas não. Revoltante.

Trecho da HQ "Troca-Troca" (1990)

Sobre as características da Magali, acho que podiam ter mais com ela comendo tudo que encontra pela frente, guloseimas e todos seus absurdos com a fome exagerada, como comer frutas de cera e comida de lama, etc. Outras vezes até fala o que ela come de exagero, mas não mostra ela comendo, traçando tudo com a boca cheia, etc. No geral, foram poucas histórias com foco total em comida. Infelizmente a fome dela ficou amenizada para atender o politicamente correto.

Em relação a alterações, tiveram três. A primeira foi na história "A mais fofa".  Na cena em que o Cebolinha fala "A Velinha que mora lá na outla esquina é bem fofinha", na original de 1976 ele fala "Velinha" e agora mudaram para "velhinha". É impressionante como gostam de mudar o texto, sem mais nem menos.

O contexto do texto era uma garota chamada Verinha, de Vera. Tem duas hipóteses para isso: mudaram porque não leram direito a história antes e pensaram que digitaram "velhinha" errado e quiseram consertar, ou porque pensaram que iam confundir as crianças e os leitores a palavra "velinha", como vela pequena. Como se os leitores fossem burros a ponto de não perceber isso, ainda mais que a palavra apareceu em negrito, demonstrando que o Cebolinha trocou o "R" pelo "L".

Não dá para entender essas alterações toscas. Eles tem paranoia de mudar tudo que encontram pela frente e aí ficam essas bobagens sem sentido. Lamentável. Abaixo, a comparação desse trecho, sendo que a imagem original (à esquerda) eu tirei do livro "As Melhores Histórias da Mônica", de 1991 (Editora L&PM), que não tinha absolutamente nenhuma alteração.

Comparação da HQ "A mais fofa": alteração na palavra "Velinha"

Já em "Põe-te mesa" teve mudança linguística, onde na original o narrador fala "havia ganho", e agora mudaram para "havia ganhado" para ficar coerente com a norma culta gramatical, e, com isso, tirando a linguagem informal característico dos gibis. Bobagem terem mudado isso. Além disso, inexplicavelmente o título apareceu branco em vez de colorido como era na original. Abaixo a comparação:

Trecho Original da HQ "Põe-te mesa" (1989)

Trecho alterado da HQ "Põe-te mesa", tirado de "Magali 50 Anos"

E em "Imperatrix Magali", alterou o Cascão mencionando sobre a página que encontrava a informação. Na original era página 16 e agora colocaram página 120 para ficar coerente com a página do livro. Esse é um tipo de alteração que aceito, afinal, a página não coincide com a revista original e se mantivesse não ia corresponder.

Enfim, "Magali 50 Anos" ficou a desejar, esperava algo melhor. Foram poucas curiosidades, poucos clássicos, deu muito destaque ao Mingau, em algumas histórias a Magali quase não aparece e podia mostrar mais absurdos em relação a fome exagerada da Magali. Pelo menos tiveram histórias da Editora Abril dos anos 70 que não tiveram nos do Chico Bento e Cascão, mas mesmo assim a maioria não mostrando as verdadeiras características da Magali. A coisa mais inadmissível com certeza foi não ter história específica com a Tia Nena, o Tio Pepo e, principalmente com o Dudu. Um absurdo um especial da Magali sem o Dudu.

Com esse da Magali, tudo indica que fechou a coleção "50 Anos", com 6 livros no total. Para mim, a minha ordem de preferência foi: Bidu, Magali, Mônica, Cebolinha, Cascão e Chico Bento. Quem sabe, ainda façam com algum secundário, mas a maioria já completou 50 anos, aí creio que não. A Tina, por exemplo, mereceria um especial como esse. Há controvérsias da data de criação da Tina se foi em 1964 ou 1970, sendo que eu acho que foi em 1970. Vamos aguardar.

sábado, 5 de outubro de 2013

Mônica 50 Anos


Já à venda "Mônica 50 Anos", o quinto e mais recente livro da MSP em comemoração aos 50 anos dos personagens. Nessa postagem, falo bem detalhado como é e minha opinião sobre esse livro que comemora os 50 anos de criação da Mônica.

A capa é uma releitura da Mônica # 1 (Ed. Abril, 1970), mostrando que a tartaruga constituiu família e teve filhotes. Assim como os outros livros "50 Anos", esse tem capa dura, miolo em papel off-set, 160 páginas e formato 19 x 27,5 cm. 

Já o preço de capa não foi igual aos dos volumes dos outros personagens, custando absurdos R$ 65,00. os livros do Bidu e do Cebolinha custaram R$39,90 cada, e os do Chico Bento e do Cascão, R$ 58,00. Não se sabe se foi por causa do nome da personagem, ou porque não foi lançado livro "MSP 50 Anos" também caro (embora foi lançado o "Graphic MSP"), só sei que não justifica um preço tão alto dessa edição em comparação aos outros da série. 

Fica, então, inviável comprar sem ser na internet, com cupom de desconto. Eu consegui comprar o meu exemplar na internet por R$ 46,00 e sem frete. Consegui economizar bem, mas se não fosse assim não compraria. Mesmo com a economia que eu tive, ainda penso que tinha que ter preço de capa menor, que aí ficaria mais barato ainda na internet. Afinal, com o desconto, "Mônica 50 Anos" ainda saiu mais caro do que a edição do "Bidu 50 Anos". Se ainda o conteúdo fosse melhor, até aceitaria o preço de capa, mas infelizmente o livro ficou a desejar e não compensaria pagar R$ 65,00.

Contracapa

Como de praxe, o livro abre com página de apresentação, além de mostrar algumas capas "Nº 1", evolução dos traços e curiosidades. Sobre essas curiosidades foram muito fracas, mostrando apenas 3 tirinhas dos anos 60 que todos já conhecem, inclusive aquela de estreia da Mônica de 1963, e é comentado que o Sansão era amarelo, depois virou azul e que o seu nome foi escolhido em 1983 através de um concurso que saiu nas revistas. Podiam falar coisas mais relevantes da Mônica, ou mostrar o primeiro tabloide.

A relação das histórias publicadas de "Mônica 50 Anos", com o número da edição e ano, foram essas:

  1. Mônica é daltônica? (MN # 1 - Ed. Abril, 1970)
  2. A dona da rua (MN # 2 - Ed. Abril, 1970)
  3. Os Azuis (MN # 15 - Ed. Abril, 1971)
  4. Um amor de ratinho (MN # 99 - Ed. Abril, 1978)
  5. Sansão! Esse é o nome do meu coelhinho (MN # 161 - Ed. Abril, 1983)
  6. O mistério das Models (MN # 107 - Ed. Globo, 1995)
  7. O plano da falsa amiga (MN # 117 - Ed. Globo, 1996)
  8. Insignificantes Insetos (MN # 167 - Ed. Globo, 2000)
  9. Brincadeiras de amigas (MN # 204 - Ed. Globo, 2003)
  10. O corpo fala (MN # 7 - Ed. Panini, 2007)
  11. Álbum de fotografias  (inédita, estrelada pela Turma da Mônica Jovem)

Foram apenas 10 republicações e uma inédita. Todas foram histórias de abertura originais, com exceção de "A dona da rua". Por causa disso, não tiveram histórias mudas (o que é um ponto positivo), mas em compensação, muitas delas foram longas demais que não justificam para um especial como esse e nem todas as características da Mônica foram exploradas.

Ficaram devendo histórias da Mônica bem braba, com os absurdos da superforça (como levantando um carro com uma mão só, por exemplo), nem com metalinguagem. Não tiveram histórias com o pai dela nem com o Monicão. Simplesmente não apareceram. Um absurdo. A mãe dela só em rápidas aparições, não tendo uma história exclusiva da Mônica perturbando os pais. 

Não tiveram histórias com ela se lamentando ser baixinha, dentuça e gorducha, e muito menos sendo xingada disso pelos meninos. História com seu Juca, que a Mônica perturbou tanto, então, nem pensar. Nem com Capitão Feio.

Trecho da HQ "Os Azuis" (1971)

Dessas histórias, curiosamente, 3 histórias viraram desenho animado: "Os Azuis", "Um amor de ratinho" e "O corpo fala". Outro ponto curioso (e que não gostei), é que das 5 histórias da Editora Abril, 3 delas já haviam saído em "Mônica 30 anos", de 1993, o último livro especial da Mônica com republicações: "Mônica é daltônica?", "A dona da rua" (com a Tonica, prima do Cascão) e "Sansão! Esse é o nome do meu coelhinho"

Colocando as mesmas histórias de "Mônica 30 anos" fica parecendo que só essas são clássicas. Se, por acaso, tiver um "Mônica 60 Anos" com republicações, colocariam essas mesmas histórias. E com tantas republicações das mesmas, não as tornam mais raras. Tipo, saiu nesse livro mais uma vez "Mônica é daltônica?" e, com essa, já é a 9ª vez que ela sai nos gibis, sendo que foi republicada nesse ano de 2013 mesmo na mensal Mônica # 75 da Panini. 

Continuando com as histórias da Ed. Abril, as outras 2 são clássicas mesmo e realmente valeram a pena republicarem. "Os Azuis", em que a Mônica misteriosamente se transporta para outra dimensão onde todos os seus amigos são de cor azul e envolvem vários preconceitos com isso, porque ela tem cor de pele diferente deles. Não é à toa que o Maurício com essa história, escrita pelo próprio, ganhou vários prêmios. 

"O Amor de ratinho", Mônica, fantasiada de ratinha por causa de um baile à fantasia na casa do Franjinha, entra por engano em uma máquina redutora dele, acaba encolhendo e um ratinho de verdade se apaixona por ela, ao defendê-lo de um gato. É da época de quando os personagens eram desenhados com traços superfofinhos e, com isso, a arte é fantástica.

Trecho da HQ "Um amor de ratinho" (1978)

Mesmo com as 3 histórias repetidas de "Mônica 30 anos", até que ainda dá para passar. Porém, depois de "Sansão! Esse é o nome do meu coelhinho", o especial desandou significativamente. Após essa do nome do Sansão de 1983, deu um salto e já foi direto pra 1995! Não tiveram histórias do restante dos anos 80 (nem as últimas da Abril e primeiras da Globo) e nem do início dos anos 90.

Talvez uma justificativa para isso é que as histórias de 1987 a 1991 estão sendo republicadas nos almanaques da Mônica convencionais e eles não queriam que tivessem as mesmas histórias dos almanaques atuais. Porém, muitas histórias desse período não foram republicadas recentemente, como "A fórmula secreta" (MN # 4, de 1987), "Além da imaginação" (MN # 23, de 1988), "O dragão que queria casar" (MN # 27, de 1989), "A estrelinha apagada" (MN # 36, de 1989), "Diga o que eu digo, faça o que eu faço" (MN # 41, de 1990), "O Jogo de vôlei" (MN # 49, de 1991), "Algo verde, mole e pegajoso" (MN # 55, de 1991) e que podiam estar nesse especial.

Além do mais, as histórias "Insignificantes Insetos" e "O Corpo fala" foram republicadas nesses últimos anos pela Panini, em "Maurício Apresenta # 7" e "Cine Gibi # 5", respectivamente. Por isso não justifica ausência de histórias de 1987 a 1991, e nem da Editora Abril de 1984 a 1986, que não foram republicadas nos almanaques recentes e não mereciam ficar de fora. Até mesmo histórias de 1972 a 1977 também não eram pra ficar de fora. Ou seja, não foram explorados vários traços e estilos de histórias de várias épocas.

Algumas histórias que podiam ter colocado dos últimos anos da Ed. Abril: "Os terríveis dedos minhocais" (MN # 170, de 1984), "Mônica dançando o break" (MN # 175, de 1984), "Os terríveis cremilins" (MN # 180, de 1985), "Como atravessar a sala" (MN # 186, de 1985), "A grande conquista" (MN # 191, de 1986 - nunca republicada), "Mudanças e Costumes" (MN # 194, de 1986), entre outras. Qualquer uma dessas seria ótimo. 

Trecho da HQ "O mistério das models" (1995)

Essa história de 1995, "O mistério das models", até que não é ruim, em que a Mônica e Magali ajudando as modelos a se livrarem do chefe que as controlavam por um brinco. Tem até umas tiradas legais, só que é muito longa, tem nada menos que 22 páginas e não justifica estar em um especial como esse. No lugar, dava para colocar umas 3 histórias curtas do período ausente e que explorassem mais as características da Mônica. Outra história longa é "Insignificantes Insetos", me que a turma viram insetos, com 18 páginas no total, bem chata e que não tem nada a ver para um livro desse. Podia muito bem colocar histórias normais da Mônica com medo de insetos que seria muito melhor.

E um detalhe: com essa recolorização toda, o degradê característico dessa história "O mistério das models" praticamente sumiu, só em alguns quadrinhos que se percebe. Uma pena. Nas revistas do segundo semestre de 1995, as histórias tinham degradê nas cores de fundo em todos os quadrinhos.

A história "O plano da falsa amiga" foi a melhor do livro. Uma trama de plano infalível com o Cascão se fantasiando de Magali para saber porque a Mônica estava chorando. E ainda envolve a sua paquera pelo Fabinho. Bem engraçada, apesar que mereceria ter outra história da Mônica apaixonada.

Ainda segue com a história "Brincadeiras de amigas", com a mônica bem tolerante e que nem bate nos meninos, já bem semelhante com as atuais (afinal é de 2003) e termina com a história da Panini "O corpo fala", meio longa também. Pelo menos foi só uma da Panini e de 2007 sendo a mais nova, e não 2010, como aconteceu com as edições do Chico Bento e Cascão.

Trecho da HQ "O plano da falsa amiga" (1996)

O livro termina com a tradicional história da Turma da Mônica Jovem em estilo mangá. Dessa vez, prevaleceu mesmo foi o estilo mangá, já que a história é praticamente a Mônica e o Cebolinha bem idosos, relembrando fotos de fatos que passaram quando eram crianças e jovens. Bem fraca. Como sempre desnecessário histórias em mangá nesses livros. E uma história como essa nem precisava ser em mangá.

Sobre alterações em relação às histórias originais, só não seguiram a ortografia original das épocas, colocando a vigente, assim como os demais livros da série. As ortografias de histórias de 1970, não colocaram palavras com grafia como "côr", "êsse", "nôvo", "êle", etc. Já as dos demais anos também seguiram a ortografia atual, como "ideia". 

Lembrando que em "Mônica 30 Anos", eles seguiram fielmente a ortografia de 1970, como eram nas originais. Outro detalhe de alteração são as cores,  que dá pra perceber que trocaram muitas coisas em relação à Mônica 30 anos". Abaixo, uma comparação da história "Mônica é daltônica?", que ilustra essas alterações de ortografia e cores bem diferentes, como do muro, por exemplo.

Trecho da HQ "Mônica é daltônica?", tirada de "Mônica 30 Anos" (1993)

Trecho da HQ "Mônica é daltônica?", tirada de "Mônica 50 Anos"

Então, achei esse livro bem fraco e ficou sendo mesmo um almanaque de luxo, com nada muito diferente das mensais atuais, prevalecendo o politicamente correto. E bem caro, por sinal. Até os almanaques convencionais possuem seleção de histórias melhores, já que eles vêm atualmente com histórias de 1987 a 1991 e nesse livro, não. Eu já não esperava muita coisa, e confirmou. Vale só pelo valor histórico. 

Só salvaram as histórias "Os Azuis", "Um amor de ratinho" e "O plano da falsa amiga". Histórias mais curtas e explorando todas as fases e características da Mônica, além de mostrar, pelo menos, uma história com os pais e uma com o Monicão seria muito bem vindo. Desses especiais "50 Anos", por enquanto só valeu o do Bidu.

sexta-feira, 23 de agosto de 2013

Chico Bento 50 Anos


Lançado em 2012, "Chico Bento 50 Anos" foi o terceiro livro da MSP em comemoração aos 50 anos dos personagens. Foi lançado com 1 ano de atraso, já que, na verdade, o Chico Bento foi criado em 1961.

A capa é uma releitura de Chico Bento # 1 (Ed. Abril, 1982), com a Rosinha no lugar do Zé da Roça e Zé Lelé. Assim como os outros livros "50 Anos", esse tem capa dura, 160 páginas, mostra página de apresentação, algumas capas "Nº 1", evolução dos traços, curiosidades, republicações de histórias e uma inédita no final em estilo mangá.

As capas clássicas só colocaram das mensais e dos almanaques "nº 1" de cada editora, dos livrinhos de tiras e dos "Classicos do Cinema". Não colocaram nem capa do "Gibizinho do Chico Bento" # 4 e nem Coleção Um Tema só" # 2 (que foram o primeiro do Chico desses títulos). 

Em relação às curiosidades, foi a edição que teve mais coisas relevantes até agora. Mostrou algumas tirinhas clássicas dos anos 60, a primeira página semanal do Chico de 1964 no jornal Folha de São Paulo e a primeira aparição do Zé Lelé que foi em Mônica # 52 (Ed. Abril, 1974). Porém, colocaram isso tudo em uma página só, tudo em tamanho pequeno que não dá pra ler nada.

Curiosidades: apenas 1 página

Isso tudo ocuparam 7 páginas do livro. Pelo certo, tinham que colocar, no mínimo, uma página inteira só com tirinhas e as imagens mostradas nas curiosidades deviam ser em tamanho natural e também cada curiosidade em uma página inteira. As tirinhas, inclusive, deviam fazer um livro "As Tiras clássicas do Chico Bento", no mesmo molde dos livros "As Tiras Clássicas" da Panini com a Turma da Mônica e com o Pelezinho, mostrando todas as tiras do Chico em ordem cronológica desde 1961.

A relação das histórias republicadas nele, com o número da edição e ano de cada foram essas:

  1. Os defensores da mata (CHB # 5, Ed. Abril, 1982)
  2. Era uma vez... (CHB # 11, Ed. Abril, 1983) 
  3. Chuva na roça (CHB # 10, Ed. Abril, 1982) 
  4. Eu faço melhor! (CHB # 44, Ed. Abril, 1984) 
  5. Amor verde (CHB # 81, Ed. Globo, 1990)
  6. Nas últimas (CHB # 82, Ed. Globo, 1990) 
  7. Será que valeu a pena? (CHB # 89, Ed. Globo, 1990) 
  8. Na roça é diferente (CHB # 184, Ed. Globo, 1994) 
  9. Canta, passarinho!  
  10. E o sol não apareceu (CHB # 361, Ed. Globo, 2000) 
  11. Sarve a roça (CHB # 362, Ed. Globo, 2000) 
  12. O bicho homem (CHB # 437, Ed. Globo, 2004)
  13. Os meus, os seus, os nossos amigos! (CHB # 38, Ed. Panini, 2010) 
  14. O gênio da lamparina (CHB # 40, Ed. Panini, 2010)
  15. A chuva de todos nós (CHB # 41, Ed. Panini, 2010)
  16. Cuidado com os filhotes (CHB # 46, Ed. Panini, 2010)
  17. Chico 50 anos (inédita, com o Chico Bento "Moço")

Ficou muito a desejar essa seleção de histórias. Como deu para perceber, só tiveram histórias a partir de 1982, quando o Chico ganhou revista própria. Prevaleceram histórias de finais de década, dos anos de 1990, 2000 e 2010. Nenhuma história dos anos 70 que saiam nas revistas da Mônica e do Cebolinha para gente comparar a evolução dos traços a partir daquela época. Essa história de estreia do Zé Lelé que foi citada nas curiosidades tinha que estar completa no livro e não só esse trecho da primeira página em miniatura que nem dá pra ler. 

Em livros desse porte, a gente sempre procura histórias que mostrem todas as características dos personagens e presença de todos que contracenam com eles, além de histórias que mostrem a evolução dos traços. Não precisa necessariamente histórias clássicas, já que sempre vai faltar alguma que marcou a gente, mas que elas tenham as características e mudanças dos traços ao longo dos anos são fundamentais. E infelizmente não foi o que aconteceu nesse livro. 

Contracapa

A gente sabe que o Chico tem várias características marcantes. Temos o Chico preocupado com a natureza, o preguiçoso, atrapalhado, lerdo, avoado, inocente, e tantas outras, além de contracenar com vários outros personagens. Porém, boa parte desses universos ficou de fora, ficando restrito mesmo a temas de Ecologia. Ficou tudo muito repetitivo e didático.

Faltaram histórias do Chico contracenando exclusivamente com os pais, com o Hiro, com o Nhô Lau (só aparece no quadrinho final da história "Sarve a Roça"), com a Vó Dita e vários outros núcleos. Não tivemos histórias do Chico com ciúme da Rosinha com o Genezinho, alguma dele aprontando na escola, etc. Achei absurdo o Hiro não aparecer nesse especial. E todas com traços bem parecidos uma das outras.

Foram apenas 4 histórias da Editora Abril e todas ecológicas. "Era uma vez" e "Chuva na Roça" são clássicas e mereciam estar sim, mas "Os defensores da mata" não acho. Tem melhores seguindo esse nível ecológico ou mesmo filosófico e bem mais clássicas do que essa que ficaram de fora, como "Chico, 7 Anos" (CHB # 2, de 1982), "Uma casa para o Chico" (CHB # 17, de 1983), "Parece outro" (CHB # 65, de 1985), "O Rezador" (CHB # 67, de 1985) e "Canto de Liberdade - O Azulão" (CHB # 80, de 1985), entre outras.

Trecho da HQ "Era Uma vez" (1983)

Nas histórias da Globo, colocam 3 histórias de 1990 e não colocam a história da irmãzinha do Chico que morreu, "Uma estrelinha chamada Mariana" (CHB # 87, de 1990), e nem "Pôu In  Roça" (CHB # 95, de 1990) que mereceriam estar. Um absurdo não colocarem a história de 1990 da Mariana, já que é um clássico que não tinha que ficar de fora de jeito nenhum. Dessas 3 de 1990, foram 2 ecológicas, sendo que em "Amor verde", o Chico quase não aparece. 

Só 2 histórias do livro todo que fogem do tema ecológico e tem humor. "Nas últimas", em que o Chico fica doente e o Zé Lelé tem que buscar o exame médico e se confunde com o exame da escola e pensa que o Chico vai morrer (sem dúvidas essa de 1990 é a melhor do livro), e "Na roça é diferente". Mesmo o enredo desta sendo o Chico mostrando para o primo como se vive na roça que à princípio seria chato, mas diferente das outras histórias desse livro, é engraçada e boas tiradas; engraçado, por exemplo, ver o Zeca tirando leite da vaca e dando tapa na galinha para colher os ovos. Essas são as únicas que dão pra rir um pouco nesse livro.   

Trecho da HQ "Nas últimas" (1990)

Falando no primo da cidade, ele aparece em 4 histórias e 3 são voltadas para o lado ecológico. Não tiveram histórias do Chico na cidade do nível de humor que a gente gosta, de um caipira que conhece a cidade pela primeira vez. Podiam colocar: "Disque Chico pra pirar" (CHB # 5, de 1987), "No elevador" (CHB # 45, de 1988) , "No restaurante" (CHB # 51, de 1988), no zoológico - "Chicológico" (CHB # 129, de 1991), "Semana na praia" (CHB # 181 - Ed. Globo, 1993), "No shopping" (CHB # 215, de 1995), etc. Todas muito engraçadas. Qualquer uma dessas iria ser ótimo.

Colocaram também umas 3 histórias do ano 2000, uma mais chata que a outra. Não gostei, principalmente de "Sarve a Roça", também ecológica com o primo. As piores histórias desse especial foram a da escola ("O bicho homem"), porque sempre é triste ver o Chico como bom aluno lendo redação ecológica; "Canta, passarinho", que na verdade é uma história do Zé Lelé, e não do Chico; e, principalmente, a do "Gênio da lamparina".

Inclusive, "Gênio da lamparina" é uma história de 2010! E tem mais outras 3 também de 2010, e a última para piorar é muda! Como o livro é de 2012, foram só 2 anos para serem republicadas. No lugar, tinham que colocar histórias mais antigas, no máximo até 2007, o limite que era permitido republicações em 2012. Aproveitaria para explorar outras características do Chico que faltaram, outros personagens que não apareceram. No lugar de tantas histórias de 2010, podiam ter colocado: "Doutor Chico" (CHB # 54, de 1989), "Ai! Robaro minha oveia" (CHB # 115, de 1991), "Leitinho incrementado" (CHB # 122, de 1991), "Reunião de pais e mestres" (CHB # 175, de 1993), "Aluno-problema" (CHB # 188, de 1994), "Pé-de-valsa" (CHB # 228, de 1995) e "Disque Roça" (CHB # 297, de 1998), entre tantas outras.

Trecho da HQ "Será que valeu a pena?" (1990)

O livro termina com a terrível história em mangá que insistem em colocar nesses livros. Na época fizeram tanta divulgação que seria estreia do Chico Bento Moço, além de ser longa, ela  protagonizada pelo pai, Seu Bento, com 50 anos de idade, que relembra os momentos que o Chico passou quando criança, e o Chico Moço só aparece em 3 quadrinhos no final. Se já acho desnecessário histórias em mangá desses livros, imagine sem o Chico aparecer. Outro ponto ruim é que nem o pai fala em caipirês na história. Colocaram no início que foi traduzido para o português porque o caipirês é uma língua que ninguém entende. Um absurdo.

Pelo menos foi interessante ver referências a histórias antigas como: "Chico, 7 anos" (CHB # 2, de 1982), "O Salvamento" (CHB # 32, de 1983), "O Monstro da lagoa" (CHB # 74, de 1985), "O Ovocausto" (CHB # 64, de 1989), "Estrelinha Mariana" (CHB # 87, de 1990), "Fundo do Poço" (CHB # 133, de 1992) e várias outras. Mas, sinceramente, preferia ver a maioria dessas histórias completas do que uma simples referência e ainda redesenhados em estilo mangá. Essa história em mangá foi republicada agora emm 2013 em "Chico Bento Moço zero".

Trecho da HQ "Na Roça é diferente" (1994)

Sobre alteração de histórias em relação às originais, tiveram em todas as histórias da Editora Abril onde os gerúndios eram terminados em "-ano" e nessa reedição colocaram da forma correta ("-ando"). Principalmente na história "Chuva na Roça" porque o Chico falou muito no gerúndio nela. "Oiano", "assuntano", "lavano" e tantas outras, tudo foi alterado. Interessante até a palavra "quando" dessa história foi alterada. Na original o caipirês era "quano" e mudaram para "quando", e várias outras palavras que foram adaptadas para ficar igual ao caipirês dos gibis atuais, como, por exemplo, na história "Amor Verde", que mudaram arve" para "arvre".

Abaixo, mostro algumas dessas comparações. Reparem na história "Os defensores da mata" que "árvore" mudaram para "arvre" e "fazeno" mudaram para "fazendo".

Trecho original da HQ "Os defensores da mata" (1982) 

Trecho alterado da HQ "Os defensores da mata", tirado de "Chico Bento 50 Anos"

Já na comparação de "Chuva na Roça", só nessa página dá para notar que "bonita" virou "bunita" e "oiano" virou "oiando". Tiveram várias outras alterações nessa história.

Trecho original da HQ "Chuva na Roça" (1982) 

Trecho alterado da HQ "Chuva na Roça", tirado de "Chico Bento 50 Anos"

Enfim, foi uma péssima edição, que praticamente só tem histórias ecológicas ou que transmitem alguma mensagem bonita e bons costumes. Tudo para prevalecer o atual politicamente correto dos gibis. Ficou parecendo um Almanaque Temático sobre Ecologia de luxo. Não foi uma edição do nível que o Chico merece. Só 5 que se  salvam desse livro: "Era Uma vez""Chuva na Roça", "Eu faço melhor", "Nas Últimas" e "Na Roça é diferente"

Na minha opinião, podiam deixar as ecológicas e filosóficas para as histórias da Ed.Abril, as de comédias com as histórias da Globo e colocar só uma da Panini de 2007, se fizessem tanta questão de ter alguma da Panini. Desses especiais "50 Anos", por enquanto só valeu o do Bidu

quinta-feira, 4 de julho de 2013

Bidu 50 Anos


"Bidu 50 Anos" foi o primeiro livro da série lançado pela MSP em 2009. Nessa postagem vou falar como foi e a minha opinião sobre esse livro que comemorou os 50 anos de criação do Bidu.

Com capa dura e miolo com papel off-set, foi o mais barato da coleção, junto com o do Cebolinha. Enquanto os volumes de Chico Bento e Cascão custaram R$ 58,00 cada um, esse do Bidu e o do Cebolinha foram R$ 39,90. Acredito que o do Bidu foi mais barato porque havia sido lançado o livro "MSP 50" ao mesmo tempo, custando R$ 98,00 a versão capa dura, sem contar os outros lançamentos, tudo ao mesmo tempo na Bienal e, com isso, deixaram essa edição mais barata. E também porque muita gente não gosta das histórias do Bidu e, pra chamar mais atenção, ficou mais barato. 

Eu, particularmente gosto do Bidu. Afinal, o mesmo personagem tem vários universos diferentes bem explorados: ora ele é um cachorro que conversa com objetos, ora é um cachorro personagem de história em quadrinhos com todas as suas metalinguagens, ora é um cachorro-ator ou, ainda, é simplesmente um cãozinho normal do Franjinha. Acho que por causa dessas faces tão diferentes dele, confunde um pouco o público e muitos não gostam.

Uma página mostrando a evolução do Bidu e uma página com a HQ "A Coinsciência do Bidu" (1960)

A capa de "Bidu 50 Anos" é uma releitura de Bidu nº 1 da Editora Continental. A edição começa com um editorial, falando da edição e do Bidu e só tem 2 páginas de curiosidades. Uma antes das histórias, mostrando a evolução dos traços, e uma outra depois da história em mangá, mostrando a seção "Cães famosos do cinema e da tevê", onde são  mostradas 11 cenas de cães para o leitor descobrir quem está parodiando. Algumas delas foram o Bidu encarnando o Snoopy, o Scooby Doo, o Rin Tin Tin, dentre outros. 

Seção Cães famosos do cinema e da tevê"

Isso achei fraco, podiam muito bem explorar mais curiosidades, mostrar algumas tiras de jornais de todos os tempos, mais informações, assim como as capas de gibis do Bidu, como o Almanaque dele da Editora Abril (1981), Gibizinho do Bidu (Ed. Globo, 1991), o livro "As Melhores Histórias do Bidu" (Ed. L&PM, 1991), etc. Foi um grande vacilo. 

A relação das histórias publicadas de "Bidu 50 Anos", com o número da edição e ano de cada uma que eu sei, foram essas:

  1. A consciência do Bidu (1960)
  2. Bidu (1960)
  3. O Cachorro falante (MN # 1 - Ed. Abril, 1970)
  4. No mato sem cachorro (MN # 23 - Ed. Abril, 1972)
  5. O valentão (MN # 25 - Ed. Abril, 1972)
  6. Olha eu" aqui, gente! (MN # 32 - Ed. Abril, 1972)
  7. Bidu
  8. Bidu Mecânico (CB # 55 - Ed. Abril, 1977)
  9. A volta do velho Rin Ti (MN # 164 - Ed. Abril, 1983)
  10. O filho do Bidu (CB # 150 - Ed. Abril, 1985)
  11. Chore com o Bidu (CB # 158 - Ed. Abril, 1986)
  12. O cão pião (CB # 28 - Ed. Globo, 1989)
  13. Vida de cachorro (MN # 55 - Ed. Globo, 1991)
  14. Tem que ter raça! (MN # 74 - Ed. Globo, 1993)
  15. Astros especialmente convidados (MN # 76 - Ed. Globo, 1993)
  16. Feijão com arroz (MN # 78 - Ed. Globo, 1993)
  17. O Fã
  18. Casa Nova (CB # 180 - Ed. Globo, 2001)
  19. Adivinha o que aconteceu?
  20. Esqueceu? Tente lembrar!
  21. Bidu-mangá (inédita, estrelada pela Turma da Mônica Jovem)

Foram republicadas 20 histórias em ordem cronológica de todas as fases do Bidu, desde os primórdios da Editora Continental até às histórias atuais, finalizando com uma história inédita em mangá, que sempre acho desnecessário nesses livros. E nenhum universo do Bidu ficou de fora nessas republicações.

As duas primeiras histórias são da Editora Continental, e nem são coloridas, já que naquela época os gibis não eram coloridos. Depois começam as histórias da Editora Abril, sendo 9 no total (6 dos anos 70, e 3 dos anos 80), todas explorando bem os traços e características do Bidu, como tem que ser esses especiais. Como destaque tem "O Cachorro falante", em que um mágico faz o Bidu falar, com a versão redesenhada e colorida para o gibi da Mônica, sendo que no fac-smile tem essa história. Então, permite ao leitor comparar as duas versões dessa mesma história.

Trecho da HQ "O Cachorro falante" (1970)

Outras de destaque da Editora Abril são "O valentão", que mostra como o Bidu se tornou o cachorro do Franjinha; "'Olha eu' aqui, gente!", que é a estreia do Bugu nos gibis; "Bidu" que mostra ele contracenando com o cachorro do Louco (tinha um período dos anos 70 que o Louco deixou de perturbar o Cebolinha e atazanava mais a Mônica e o Bidu). Não gostei da história "Bidu Mecânico" (em que o Franjinha inventa um cachorro-robô para um concurso de invenções) por ser muda de 6 páginas. Até de estranhar, já que naquela época não eram comuns histórias mudas longas assim.

Dos anos 80 da Editora Abril, destaco a boa "A volta do velho Rinti",o cachorro Rinti já velho (paródia do Rin Tin Tin), pede ao Bidu um papel na história do Bidu e então os dois vivem uma aventura de faroeste, mas Rinti não consegue acompanhar o ritmo de aventura por estar velho demais.

Trecho da HQ "A volta do velho Rin Ti" (1983)

Já as histórias da Editora Globo também tiveram 9 histórias no total. Todas também explorando todos os traços e os universos do Bidu. Todas foram muito boas, e, como destaque as histórias "O Cão Pião", em que o Bidu encarna um lutador de boxe decadente, com participação do Sylvester Stallone no final; "Vida de cachorro", em que o Franjinha vira cachorro por um dia, além de "Feijão com arroz" em que Bidu fica inconformado em sempre contracenar com Dona Pedra e exige ao Manfredo uma história de muita ação e efeitos especiais. Seria bom que colocassem um pouco mais de histórias ao longo dos anos 90.

Trecho da HQ "O Cão Pião" (1989)

A partir de "O Fã" eu não conhecia antes as histórias, já que são mais novas e da fase que não colecionava mais os gibis. Dessa fase dos anos 2000, destaco a história "Esqueceu? Tente lembrar!", que pode ser a que marca a volta do Zé Esquecido aos gibis. Muitos podem pensar que o Zé Esquecido é um personagem recente, mas ele é antigo, mas já aparecia nas tiras antigas de jornais dos anos 70 e 80 com os mesmos traços, como a gente pode ver em "As Grandes piadas do Bidu" nº 6 (Ed. Globo, 1987). Não gostei das histórias "Casa Nova" em que as pulgas do Bidu procuram outro cachorro pra morar e "Adivinha o que aconteceu?", em que o Bidu fareja pegadas da Turma da Mônica. Essa última além do roteiro ser fraco, não gostei também por ser praticamente muda de 5 páginas. Definitivamente, não sou fã de histórias mudas e muito menos longas assim em um especial desse porte.

Em relação às terríveis alterações teve na história "A volta do Velho Rinti". Não podia faltar alguma mudança. Na original, o cachorro malvado aparecia com um charuto na boca e agora tiraram por causa do politicamente correto. Interessante que tiraram o charuto, mas não tiraram a fumaça, confirmando que essas alterações são sempre mal feitas.

Além disso, tiveram mudanças de cores, como o Rinti que era marrom escuro na original e agora colocaram em tom mais claro, o cachorro que estava piano era azul e agora em "Bidu 50 Anos" colocaram cinza, para deixar somente o Bidu com cor azul. Menos significativo em cor, o detetive tinha camisa verde e agora colocaram camisa vermelha e também os pelos eram mais rosados na original. Abaixo, a comparação desse trecho, sendo que a imagem original eu tirei do livro "As Melhores Histórias do Bidu", de 1991 (Editora L&PM), coleção de livros que não tinha absolutamente nenhuma alteração.

Trecho da história "A volta do velho Rinti", tirada do livro As Melhores Histórias do Bidu" (1991)

Trecho de "A volta do velho Rinti" alterado em "Bidu 50 Anos": cachorro sem charuto na boca

O livro termina com a história "Bidu-mangá" inédita, como o nome mesmo diz, em versão mangá, bem chata por sinal. Talvez colocam histórias em mangá nesses livros para incentivar as crianças a comprar.
Contracapa

Sobre o fac-smile de "Bidu # 1" da Editora Continental que veio de brinde foi sensacional. Trata-se de uma reprodução  da revista original de 1960, com formato canoa de 18 X 26 cm, capa off-set e miolo de gibi convencional. São 36 páginas, com 8 histórias em preto e branco. Na página 2 veio um editorial falando do Bidu e da nova revista, na página 35 mostra a primeira tira do Bidu de 1959 (que aí provavelmente colocaram pra suprir o espaço de alguma propaganda da época) e na página 36 mostra uma propaganda da revista Zaz Traz, publicação que também saia histórias dos personagens do Maurício no final dos anos 50 e inicio dos 60.

Capa de "Bidu # 1 (1960)

As histórias são da época em que o Maurício estava começando a carreira, com traços desproporcionais e com direito até do Franjinha gordo. Tem gente que não gosta dos desenhos desse jeito, mas eu gosto, acho bem bacana ver como eram e curto bastante. O formato das histórias apresentam muitas vezes 3 quadrinhos nas horizontais, em vez dos habituais 2. E várias são repletas de maus exemplos, inadmissíveis nos dias de hoje, como Franjinha dar pedrada no mágico, Franjinha espetar o Bidu com uma faca, dentre outras.

Trecho da HQ "O Cachorro falante" (1960)

Esse gibi começa com a história "O cachorro falante" que, como falei anteriormente, foi redesenhada dez anos depois para o gibi da Mônica nº 1. Outra história de destaque é "O filhote de fantasma" em que o Franjinha encontra com um fantasma deprimido no porão. Provavelmente, foi inspiração para a criação do Penadinho, que teve sua estreia mesmo em uma tira de jornal do Cebolinha em 1963. 

Contracapa de Bidu #1 anunciando a revista "Zaz Traz"

"Bidu 50 Anos", então, é uma ótima edição, o melhor livro da série "50 Anos" até agora. Só ficou devendo nas curiosidades que merecia algo bem melhor e à altura de um livro como esse. Porém, a maioria das histórias e, principalmente, a reprodução da rara edição "Bidu # 1" da Ed. Continental compensam esse especial e no geral consegue ser bom assim mesmo.

quarta-feira, 1 de maio de 2013

Cebolinha 50 Anos




Lançado em 2010, "Cebolinha 50 Anos" foi o segundo livro da MSP em comemoração aos 50 anos dos personagens. "Bidu 50 Anos" foi o primeiro da coleção. Foi até uma certa surpresa na época de terem lançado, já que eu pensava que apenas o Bidu teria um livro especial como esse. Nessa postagem vou falar como foi e a minha opinião sobre "Cebolinha 50 anos". E de quebra, relembro algumas histórias que marcaram várias gerações ao longo dos anos. 

A capa é uma releitura de cebolinha #1 (Ed. Abril, 1973) e a edição (e nem os outros dessa coleção) não teve um fac-smile dessa edição "Nº 1", como foi em "Bidu 50 Anos". O livro abre com páginas de apresentação, evolução dos traços, curiosidades do Cebolinha e algumas capas. Já é um avanço em relação ao livro do Bidu que não teve páginas de curiosidades. Porém, acho poucas páginas destinadas a curiosidades nesses livros, e sobre as capas, como são 50 anos, bem que podiam ter mostrado as 50 capas mais legais nesses livros, e não só as edições nº 1. Seria mais justo. Uma correção na capa de "Melhores Piadas do Cebolinha" formato bolso da Editora Abril a data certa é 1985 e não 1975.

Uma página de curiosidades mostrando as capas clássicas

Agora sobre as histórias (sempre republicações e a última inédita com a Turma da Mônica Jovem) ficou a desejar. Mereceria algo melhor. A relação das histórias publicadas nele, com o número da edição e ano de cada foram essas:

  1. O Entrão (CB # 30 - Ed. Abril, 1975)
  2. O Rei dos Cascudos (CB # 54 - Ed. Abril, 1977)
  3. O corvo
  4. "Senhor do Tempo" (CB # 124 - Ed. Abril, 1983) 
  5. "Emoções Bárbaras" (CB # 121 - Ed. Abril, 1983)
  6. Brinquedos e Segredos (CB # 41 - Ed. Globo, 1990)
  7. Máquina de desejos (CB # 91 - Ed. Globo, 1994)
  8. Raaaasg (CB # 172 - Ed. Globo, 2000)
  9. Brincadeira de bater (CB # 182 - Ed. Globo, 2001)
  10. Piadas de pontinhos (CB # 228 - Ed. Globo, 2005)
  11. Plano Nº 1 (inédita, estrelada pela Turma da Mônica Jovem)

Foram só 10 republicações e uma inédita. Como foram muitas histórias mais desenvolvidas, na maioria, então ficou com menos histórias no total em relação aos outros livros "50 Anos". O bom que não teve nenhuma história muda, mas em compensação só tiveram 2 histórias clássicas nessa edição.

Não colocaram nenhuma história entre 1970 e 1972, ou seja, da época de antes dele ter revista própria. Ficaram de fora, então, clássicos como "O Soro da invisibilidade" (MN # 1, de 1970), "Quem bate?" (MN # 5, de 1970) ou "O Domador" (MN # 24, de 1972), e, com isso, não ficaram mostrados no livro os traços daquela época. 

Ficou faltando a história "Cebolinha muito à vontade"(CB # 1, de 1973). Sempre acho que a primeira história do primeiro gibi dos personagens tinha que ser republicada nesses especiais. A história mais velha é "O Entrão" já de Cebolinha # 30 de 1975.

Não gostei muito dessa história "O rei dos cascudos", mas pelo menos mostra os traços da época. Tem histórias melhores dos anos 70 do que essa. Não colocaram clássicos como "O Planão" (CB #34, de 1975), "A galinha de Troia" (CB # 65, de 1978) ou "Embalos de Sábado à tarde" (CB # 71, de 1978). A fase fofinha de 1977 a 1979 foi representada pela história "O Corvo", uma de miolo e bem curta, que também acho que têm melhores que essa. Deixaram de colocar "Fofocas mil" (CB #73, de 1979) ou a hilária "De rosto colado" (CB #78, de 1979) que são melhores que "O corvo".

Dos anos 80 da Editora Abril eu gostei de "Emoções Bárbaras" (escrita pelo Maurício de Sousa) e "O Senhor do Tempo" (a melhor republicação do livro). "Emoções bárbaras" fala da humanidade no futuro que evoluiu e não tem mais sensações e sentimentos humanos, como frio, calor, inveja, raiva, entre outros e um deles vem a Terra para voltar a sentir essas emoções.

Trecho da HQ "Emoções Bárbaras" (1983)

E  em "O Senhor do tempo" um relógio do Senhor do Tempo que controla o tempo do mundo inteiro é levado por um passarinho e cai na Terra; o Cebolinha encontra o relógio e toda vez que avançam ou retrocedem os ponteiros, eles ficam mais velhos ou viram bebês.

Essas 2 histórias que eu considero as clássicas dessa edição e que valem a pena. Porém, outros clássicos da Editora Abril dos anos 80, como "Meu primeiro penico" (CB #136, de 1984), "O Deus Cebola" (CB #155, de 1985) ou "O Queimadão" (CB # 160, de 1986) também ficaram de fora. Podiam ter colocado "O Deus Cebola" no lugar da história "Uma linda garota chamada Mônica", por exemplo.

Trecho da HQ "O Senhor do Tempo" (1983)

Já as histórias da Editora Globo ficaram muito a desejar. Globo anos 80 só republicaram "Brinquedos e Segredos" já em 1990. Nela, os brinquedos velhos fazem um pedido a uma estrela cadente e criam vida e começam a falar para que o Cebolinha volte a brincar com eles, já que foram deixados de lado ao ganhar um robô novo. Não que ela seja ruim, pelo contrário, até gosto, mas não a vejo como clássico. Tinham que ter republicado no lugar dela "No país dos relógios" (CB #22, de 1988), "O grande concurso das balas Bilula" (CB # 29, de 1989) ou "O Lei da Voz" (CB #35, de 1989).

Nas dos Anos 90, om tantas histórias boas e só republicam "Máquina de desejos" e "Raaaasg". Em "Máquina de desejos", o Cebolinha encontra uma máquina que realiza desejos e ele deseja que fale certo e a máquina interpreta que todo mundo tem que falar errado igual a ele. E "Raaaasg" é uma de miolo do seu Cebola pensando que sua calça rasgou.

"Máquina de desejos" é uma boa história e representa bem um tipo de traço que eu gosto muito, fora que explora a característica do Cebolinha querer falar certo que sempre é bom. Já "Raaaasg" não tem nada a ver essa história em uma edição dessa, fora que o Cebolinha só aparece em um quadrinho. E histórias com seu Cebola e a família têm histórias infinitamente melhores, como "Filho de peixe" (CB # 24, de 1988) ou "O Bigodão do papai" (CB # 50, de 1991), por exemplo, que ficaram de fora. Praticamente só 1 história boa da década toda fiquei decepcionado. Podiam ter republicado também "De volta pra historinha" (CB # 60, de 1991) ou "Os Sabões" (CB # 61, de 1992) ou "O supercérebro" (CB # 88, de 1994). 

Dos anos 2000, achei até que ficou bem representado os traços e caretas excessivas da época. Achei normal essas 2 histórias, não acompanhei muito essa fase, embora acredito que deva ter histórias melhores. Pelo menos não colocaram nenhuma da Panini (a mais nova é de 2005, respeitando o limite de até 5 anos nas republicações). O livro fecha com uma história inédita da Turma da Mônica Jovem sobre como finalmente o Cebolinha se tornou dono da rua. Totalmente desnecessário histórias de TMJ nesses livros e essa não foi diferente. Fica ocupando 20 páginas e no lugar dava para republicar várias clássicas.

Trecho da HQ  "Brinquedos e segredos" (1990)

O que não gostei mesmo na edição é que não tiveram histórias do Louco nem do seu Juca. Eles compareceram em várias histórias ao longo das edições do Cebolinha (seu Juca mais na Editora Abril e Louco em toda a trajetória) e simplesmente não colocaram nenhuma história deles. Achei sacanagem.

Para não dizer que não tem nada deles, na história da TMJ tem uma pequena participação deles, que não representa nada diante das republicações antigas.  História do seu Juca podiam ter colocado "O seu Juca tá num buraco" (republicada no Almanaque do Cebolinha # 11 - Ed. Globo, 1990), em que o seu Juca é limpador de esgoto e o Cebolinha o suga pelo ralo do banheiro. Nessa só o Cebolinha o perturba. Ou qualquer outra dele. Já história Do Louco são tão boas que também qualquer uma seria diversão na certa. Como tiveram poucas histórias da Globo dos Anos 90 na edição, destacaria a "De Artista e de Louco..." (CB #80, de 1993), que é muita engraçada que se passava num museu .

Não teve também nenhuma história do Cebolinha contracenando com Floquinho e nem dele cuidando e com ciúmes da Maria Cebolinha. Não gostei também. Floquinho não aparece nem na história da TMJ e Maria Cebolinha só apareceu em uma participação de um quadrinho na história "Raaaasg" e na TMJ).

História do Floquinho colocaria uma que uma bomba atômica cai nele e o Cebolinha junto com os homens tem que tirá-la dele (CB # 42, de 1990), ou qualquer outra que tenha objetos dentro do Floquinho. E história com a Maria do Cebolinha podia ser a história "Bába?! Bolas" (CB #42, de 1990) ou "Uma questão de tempo" (CB # 110, de 1996).

Contracapa

Sobre características do Cebolinha, só teve uma história de plano infalível ("O Entrão"), que mesmo assim o plano foi criado por acaso. Não teve uma história essencial de plano infalível, do básico do Cebolinha começar bolando o plano, chamando o Cascão para participar e os 2 apanhando no final. Podiam terem colocado, por exemplo, as histórias "O terrível plano olharis tremendus minhocais" (CB # 157 - Ed. Abril, 1986) ou "O plano da calcinha de rendinha" (CB #11 - Ed.Globo, 1987) ou "O Plano Roxo" (CB # 107 - Ed. Globo, 1995). Aliás, qualquer história de plano infalível básica das antigas seria ótima. Não exploraram também histórias dele contrariado por causa do cabelo de 5 fios. A história "O mais cabeludo da rua" (CB #28, Ed. Abril, 1975) seria uma que encaixaria perfeitamente nesse tema. 

Sobre as mudanças de histórias em relação às originais, não podia faltar, pra variar. Teve uma alteração na história "Máquina de desejos" na hora em que o Cebolinha escreve a letra "R" no muro. na original, ele escrevia direto no muro, agora na republicação colocaram uma moldura com durex, para dizer que ele estava escrevendo em um cartaz.

Como os personagens não podem mais rabiscar os muros nas histórias atuais, nas republicações fazem essas alterações ridículas para prevalecer o politicamente correto. Só que fica estranho no contexto dessa história o cartaz. Como ele conseguiu arrumar papel e durex tão rápido para colar um cartaz no muro? Ou será que agora todos os muros do bairro do Limoeiro já tem cartazes colados para eles poderem rabiscar à vontade? Absurdo.

Imagem original, tirada de "Cebolinha nº 91 (1994) 
Imagem tirada de "Cebolinha 50 Anos"

No geral, acho que o livro podia ter sido melhor. Não gostei muito, já que podiam colocar mais curiosidades e tirinhas dos anos 60. Podiam ter caprichado mais nas seleções de histórias. Só se preocuparam em mostrar evolução de traços (pelo menos isso, porém nem todos foram explorados, como os de 1970 a 1972) e principalmente com o politicamente correto, deixando, muitos clássicos de fora. E nenhuma história com seu Juca e o Louco, principalmente, achei um vacilo muito grande. Claro que não daria para colocar todas as histórias que eu mencionei (mesmo muitas sendo substituições a essas do livro) por causa do número de páginas do livro, embora eu acho que só 160 páginas nesses especiais é muito pouco. Para um livro desse porte tinha que ter no minimo 200 páginas.

O livro teria que ter, pelo menos, uma história de cada característica do Cebolinha, e presença do Louco, seu Juca, Floquinho, Maria Cebolinha e com ele pentelhando os pais (uma de cada) era obrigação. Com certeza, muitas histórias que eu citei também não colocariam por causa do politicamente correto. Sem dúvida, o melhor desses especiais até agora foi o do Bidu.