terça-feira, 29 de janeiro de 2019

Chico Bento Nº 53 - Editora Globo


Em janeiro de 1989 chegava nas bancas o gibi "Chico Bento Nº 53' pela Editora Globo. Então, nessa postagem falo uma resenha desse gibi lançado há exatos 30 anos.

Com uma capa bem legal com o Chico Bento ouvindo um canto de uma ave no lugar de um rádio de pilha, interessante o logotipo com contorno vermelho, parecendo iluminado. Esse gibi da fase quinzenal teve 36 páginas e 5 histórias, incluindo a tirinha final, e com história de secundários com Papa-Capim.

Abre com a história "O bom português", com 7 páginas. Nela, Chico é chamado pela professora Marocas para ler a redação que ele fez em voz alta na frente da classe toda. Chico lê 2 linhas e é interrompido pela professora, alegando que com os erros de português no trecho que leu já daria para serem discutidos a aula toda e diz que ele precisa ler mais para escrever direito e conhecer o bom português.

Chico diz que só conhece o Nhô Mané da venda, que ele é um bom português, só erra nas contas as vezes. Marocas fala que é para o Chico consultar o dicionário e ele responde que sim, se ela disser onde ele mora. Marocas perde a paciência, termina a aula e diz para o Chico descobrir sozinho. Na rua, Chico pergunta para um senhor onde pode achar o dicionário e o senhor aponta para a biblioteca da vila. Chico vai até à porta e vai embora, reclamando que só tinha uma mulher lá.

Trecho da HQ "O bom português"

Em casa, Chico conta tudo para o seu pai e ele diz que dicionário é um livro e não gente e vai procurar um que tem em casa. É encontrado em lugar misterioso e Chico espanta no tamanho do livro e vai para o quarto ler. Ele estranha palavras quando folheia e se pergunta se é língua portuguesa ou estrangeira. Ele não desanima e resolve ler tudo, pois prova que ele não sabe nada e quer mostrar para a professora que aprendeu o bom português e lê tudo durante a madrugada sem dormir.

Amanhece,  a mãe Dona Cotinha estranha o estado cansado do filho e enquanto ele toma café já vai dando descrição de algumas palavras faladas na conversa com a mãe, como "insônia", "estudando" e "escola". Já chegando lá na escola, em cada palavra que é falada, ele dá a sua descrição. Assim, ao falarem "professora", "dicionário", "esforço", "bem", ele dá seus significados. Marocas fica com medo com a atitude do Chico, manda parar de falar e lhe dá um "Dez" e ele acaba desmaiando.

Trecho da HQ "O bom português"

Marocas leva o Chico para casa para ser atendido por um médico, que fala que está bem e só teve uma estafa mental. Marocas fala para o Seu Bento que prefere o Chico aprender aos poucos, mas que gostou do pai ter apresentado o dicionário ao Chico e sabe da importância dos livros e passam esse conhecimento aos filhos. Depois que ela vai embora, Seu Bento fica sem graça e fala para Dona Cotinha que, assim que o Chico melhorar, vai arrumar outro pé para a cama no lugar do dicionário que estava servindo como pé. Ou seja, a família não dá bom exemplo de leitura, não tem como o filho ter interesse. 

Muito legal essa história. Engraçado ver a fase do Chico burro, escrevendo tudo errado, respondendo mal para professora e não saber nem o que é dicionário, pensando que era uma pessoa. Quando descobriu o que era, decorou tudo nos mínimos detalhes, exatamente como estava escrito lá e a acabou passando mal com tanta informação na cabeça que não estava acostumado. Adorava essa fase burra do Chico. E interessante o Seu Bento com cachimbo na boca e ultimamente  não é permitido personagens fumarem e então em republicações de almanaques atuais eles alteram os desenhos, tirando cachimbo das cenas.

Trecho da HQ "O bom português"

Em seguida, vem "Lenhador", com 4 páginas, em que o Chico ver um lenhador querendo derrubar uma árvore e diz que está sentindo um grande aperto no coração, mas por ver sua amiga  sendo derrubada e sem poder fazer nada. O lenhador pergunta se pode ajudar e Chico diz que ele quer matar a sua árvore, quem tem cortado árvores demais na região, que elas são amigas, pode brincar com elas, ficar debaixo da sua sombra quando tem Sol forte, fazer tatuagens de amor, pegar suas frutas, apesar de levar tiro de sal quando rouba as goiabas do Nhô Lau.

Trecho da HQ "O lenhador"

Com tudo que Chico falou, ele desiste de ser lenhador e vira plantador. Em casa, Chico se desespera ao ver seu pai com lenhas no fogão e fala que seria bom comprar um fogão a gás.

História mostrando a característica ecológica do Chico, preocupado com o desmatamento de árvores e fazer de tudo para evitar isso. Bom ver Chico levando tiro de sal do Nhô Lau e fazendo questão de dizer que rouba goiaba, coisas que não aconteceriam e iam modificar tal cena se fosse pra republicar hoje.

Trecho da HQ "O lenhador"

Depois vem Papa-Capim com a história "O Dia do caçador", com 10 páginas. Nela, o narrador apresenta o Papa-Capim como um grande caçador, prestes a caçar uma ave na selva. Quando ele lança a flecha do seu arco para atingir a ave, acaba acertando um Curupira, que fica com muita raiva do Papa-Capim ter o acertado e por estar caçando na região. Abre um parênteses do narrador explicando quem é o Curupira, que é o defensor da natureza e dos animais e prega peças nos caçadores, e, logo conclui que Papa-Capim está em maus lençóis.

Trecho da HQ "O dia do caçador"

O Curupira dá um castigo de transformar o Papa-Capim em vários animais para ele aprender como os animais lutam pela sobrevivência. Assim, é transformado primeiro em uma ave que ele queria caçar e passa a ser caçado por 2 indiozinhos. Ao desejar ser outro bicho, Papa-Capim é transformado em tatu e consegue cavar um túnel pra desviar dos índios, mas acaba o túnel indo parar em uma correnteza do rio e estava quase afogando até que se transformou em tartaruga e, assim ele consegue nadar. Porém, passa a ser perseguido por jacaré, até conseguir se transformar em um pássaro e voar e, assim, ele consegue dormir e descansar em uma ´árvore a noite toda.

Trecho da HQ "O dia do caçador"

No dia seguinte, ele acorda como macaco e como não pode voltar para a sua aldeia daquele jeito, ele volta para a selva e comenta com os animais como eles se sentem. Nisso, Papa-Capim ouve 2 caçadores com planos de capturar vários animais da selva. Papa-Capim tenta avisar o pessoal da aldeia, mas ele se transforma em onça na hora e assusta seus amigos. Então, como onça, ele resolve atacar os caçadores que se assustam e fogem da selva. O Curupira vê tudo e perdoa o Papa-Capim transformando em gente de novo. Papa-Capim volta para a sua aldeia. a mãe dele fala que tem perdiz assada, cozido de tatu e sopa de tartaruga no almoço,  animais que ele foi transformados pelo Curupira, e, com isso, Papa-Capim diz que prefere um purê de mandioca, enquanto o Cafuné comenta sobre uma onça que ele pôs para correr ontem.

Uma aventura bem bolada, legal ver a cultura do Curupira do folclore brasileiro nos gibis. Gostavam de histórias com personagens se transformando em alguma coisa e aí dessa vez foi por causa de um Curupira. Interessante uma história bem grande do Papa-Capim em um gibi do Chico, normalmente eram de 3 a 4 páginas, no máximo 5. Foi maior até que a história de abertura do Chico e, sem dúvida foi a principal história da edição.

Trecho da HQ "O dia do caçador"

O gibi encerra com "Quero a lua", com 7 páginas. Nela, chico e Rosinha estão namorando e Rosinha pede a Lua para o Chico após ele falar que se pudesse dava a Lua para ela. Chico diz que não pode, mas ela quer assim mesmo. Ele pergunta para o pai como pode pegar a Lua e Seu Bento diz que a Lua é de todos e quem sabe daqui 10 anos quando as pessoas poderão viajar para lá e aí eles compram um pedacinho de terra para morar lá.

Trecho da HQ "Quero a Lua!"

Quando está jantando, Dona Cotinha oferece um queijo para o chico. O Queijo era amarelo e  redondo e então ele pega o queijo escondido par afazer de conta que seria a Lua para dar para Rosinha e embrulha de presente. No dia, seguinte ele entrega o presente para Rosinha e quando ela abre pensa que o queijo era a Lua mesmo. enquanto namoram, um rato rouba o queijo, Chico tenta pegar de volta, mas o rato se esconde em uma brecha da parede e Chico fica sem o queijo.

Chico diz que o rato comeu a Lua e Rosinha fica chocada porque além de ela ficar sem a Lua, o céu também não vai ter Lua de noite e que as pessoas vão namorar á luz de velas de noite. Chico se arrepende e conta que aquilo era um queijo e não a Lua de verdade, que errou porque enganou, mas não queria vê-la decepcionada. Rosinha conta que já sabia desde o início e estava esperando Chico contar a verdade, que a professora falou que a Lua é muito grande e só de foguete para ir lá e só louco ia querer a Lua só para ele. No final, é mostrada a Lua no universo, com 2 astronautas brigando entre si, disputando quem ficaria com a Lua.

Trecho da HQ "Quero a Lua!"

História bem legal, mexendo com a fantasia da Lua ser feita de queijo e a inocência do Chico pensar que a Rosinha queria mesmo a Lua e uma lição de contar sempre a verdade para os outros, seja qual for a situação. Referência ao Chapolim, quando falou "Quem será que pode me ajudar?" e mais uma vez o Seu Bento apareceu fumando cachimbo, coisa que ia alterar nos almanaques atuais. Teve várias outras histórias semelhantes com esse tema da Rosinha pedir a Lua para o Chico e algumas delas até com o mesmo título. Mas a maioria era só o início igual e o desenrolar das histórias iam mudando entre uma e outra com o decorrer dos roteiros.

Trecho da HQ "Quero a Lua!"

Na tirinha final, Rosinha lembra que tinha um encontro com o Chico Bento quando olha um peixe com um olhar muito parecido com o Chico. Hoje em dia, evitam isso de comparar personagens a bichos ou alguma situação que ridicularize o personagem para não gerar bullying e traumatizar. Tipo, colocavam muito comparando Chico como um espantalho feio e isso não fazem mais. Abaixo, a tirinha completa:

Tirinha da edição

Como podem ver, esse gibi é muito bom, histórias bem caprichadas, além de desenhos com traços bem feitos também, cada uma desenhada a seu estilo. As cores também bem caprichadas no gibi gostava, gostava dessas cores do início de 1989. Chama a atenção de ter histórias mais longas do que um gibi quinzenal convencional, sem histórias de 1 ou 2 páginas no miolo, e consequentemente tendo menos histórias no total. Papa-Capim que foi o grande destaque da edição. Vale a pena ter esse gibi na coleção e muito bom relembrar lançado há exatos 30 anos. 

16 comentários:

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    1. Bem interessante essa, gostei bastante também.

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    2. Nessa que a rosinha queria a lua, e no final ela diz que só um louco iria querer a lua para ele, podiam ter cruzado, botando o cebolinha querendo ser o "dono da lua"

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  2. Tem uma historinha do Chico chamada ''O menino que era todos animais'' que é igual a essa história do Papa Capim. É a edição 26, de maio de 2017, escrita pelo Emerson Abreu.

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    1. Não conheço essa do Chico, teria que ver se ele foi transformado por causa de um Curupira

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  3. Tenho quase certeza que na última tirinha a Rosinha lembrou do Chico porque o peixe é da espécie Namorado. Aí ela associou ao Chico! O olhar dele é mais consequência da piada.

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    1. Pode ser, mas que o olhar do peixe ficou igual do Chico da cena, ficou.

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  4. Verdade, essas diferenças de uma história para outra que eram boas. O Chico, principalmente, tinha muitas personalidades e nunca ficava na mesmice suas histórias. Agora é tudo padrão e voltado ao politicamente correto.

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  5. Olá Marcos, queria fazer uma reclamação, eu comprei um livro do Cebolinha que tinha uma coletânea dos dois almanaques temáticas que falam sobre Planos infalíveis, aí eu vi que em muitas histórias eles tinham redesenhado a história toda! Ficou muito tosco e mal feito, até entendo eles fazerem alterações em histórias, mas a ponto de redesenhar? Lamentável.

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    1. Infelizmente eles mudam desenhos de almanaques quando a história original não atendem ao politicamente correto. Aí pelo visto a história toda era incorreta e redesenharam tudo. Não vi isso, mas acho lamentável quando mudam os desenhos em republicações, era melhor não republicar.

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  6. Que edição sensacional, as histórias de encerramento e abertura conheci através da internet, a do Papa-Capim parece ótima, até as edições antigas menos atrativas da TM são muito superiores às edições da TM clássica publicadas pela Panini, refiro-me apenas às edições com HQs inéditas, CHTM e almanaques com republicações não estou comparando.

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    1. Sensacional. Naquela época eram excelentes, dá vontade de mostrar todos. Decaíram demais nos últimos anos em tudo.

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    2. Este negócio de querer a Lua já vi com Papa-Capim também, o que um rabo de saia não faz, poder feminino, no caso da indiazinha troca-se saia por penachos (saia de penas na verdade). Não só Jurema e Rosinha queriam a Lua, em 1989 estávamos no final do que se entende por Guerra Fria, dois astronautas, um soviético e outro estadunidense disputando o território lunar no braço fechou a história com chave de ouro.

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    3. E tiveram várias outras assim com Chico e Rosinha, foi um tema muito comum.

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  7. Olá como faço para conseguir um exemplar desse número 53 do Chico Bento?
    Estou fazendo uma pesquisa sobre o curupira e esse almanaque me ajudaria muito. Abraços

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