segunda-feira, 5 de novembro de 2018

Cebolinha: HQ "O cavaleirinho da pouca elipse"

Mostro uma história clássica de uma aventura em que o Cebolinha e a turma tiveram que enfrentar os cavaleiros do Apocalipse, que eram as pragas da morte, guerra,fome e peste, que escaparam do cativeiro no Céu. Com 11 páginas no total, foi publicada em 'Cebolinha Nº 70' (Ed. Abril, 1978).

Capa de 'Cebolinha Nº 70' (Ed. Abril, 1978)

Nela, Cebolinha e Cascão estão jogando bafo e Mônica olhando o jogo deles, quando ouvem um barulho muito alto de andar de cavalo. Cebolinha chama atenção da Mônica para parar de fazer barulho porque ele quer ganhar as figurinhas do Cascão.


Logo depois, volta o barulho e Cebolinha grita para ela não atrapalhar. Em seguida, mais uma vez o  barulho alto e Cebolinha grita que não joga mais ao lado da bobona. Mônica olha para o alto assustada e gaguejando cavalo. Cebolinha pensa que ela está o chamando de cavalo e diz que cavalo é a vovozinha e depois ao ouvir de novo o barulho, ele olha para o alto e diz para o cavalo voador olhar para onde anda e aí que percebe algo errado, ficando surpreso.


Em seguida, Anjinho cai em cima do Cebolinha e da Mônica. Anjinho está desesperado e fala que eles têm que salvar a Terra e  não há um minuto a perder. Mônica, assustada, sacode o Anjinho falando para ele ter calma e acordar.

Anjinho avisa que os 4 cavaleiros do Apocalipse chegaram e explica que eles são as piores pragas do mundo, os cavaleiros da morte, da fome, da peste e da guerra, e por onde passam só há a destruição. Antes eles viviam na Terra só que se tornaram tão perigosos que o chefe dele mandou prendê-los e guardados por anjos da máxima segurança e afastados da Terra. Só que algum anjo acabou cochilando e acabaram escapando e voltando para Terra e no caminho quase atropelaram o Anjinho. Mônica pergunta porque os anjos a segurança máxima não vem buscá-los e Anjinho diz que estão vindo, mas que ele tem medo que antes dos anjos chegaram e que seja tarde demais.


Eles vão até onde os cavaleiros do Apocalipse estavam e viram que transformaram um campo todo florido em trevas. Os cavaleiros conversam entre si, querendo saber com a Morte quando vão poder agir, espalhar fome e doenças por aí. A Morte fala que pra eles observaram como o planeta mudou desde que eles foram aprisionados e acham que vai ser divertido devastar tudo de novo.

A turma fica apavorada, com Cascão falando que Magali não ia gostar desse negócio de fome, Cebolinha falando que pegou sarampo e não quer pegar de novo e Mônica já quer atacá-los pra impedir que destruam as flores do jardim dela. Anjinho impede de Mônica atacar, falando que são muito perigosos e pra turma segui-lo porque ele tem um plano.


Depois, os cavaleiros do Apocalipse estão prestes a atacar a Terra quando alguém interrompe falando para esperar. A Morte pergunta quem ousa interrompê-la e então surge a turma como "os cavaleirinhos da pouca elipse", cada um caracterizado como a versão mirim dos cavaleiros originais. Eles conversam falando mal de cada um de seus cavaleiros parodiados e mandam eles sentarem em uma cadeira de balanço, tratando como velhos mixurucas e por fora e que os novos cavaleirinhos iam tomar conta do planeta.


Eles tomam satisfação com a turma, que insistem que são velhos acabado e surdos, são antiquados e que os métodos de morte, espada, fome e sarampo não se usam mais. Eles não acreditam, falando que são muito poderosos e Anjinho, caracterizado como Morte, pergunta para a Morte o que faria com uma flor. Ela joga um raio da sua foice, mas a flor não é destruída, continua inteira sem murchar. Morte lança de novo o raio e continua a flor intacta e ainda joga água na cara dela. Anjinho diz que nem uma flor respeita mais a Morte e assim os métodos dela estão ultrapassados.


O Cavaleiro da Guerra fala para Mônica, caracterizada como ele, que a espada dele continua afrontando exércitos e Mônica pede pra ele mostrar como ele afronta um grupos meninos que estavam brincando de bafo. Guerra chegando gritando e os meninos tacam pedra n a cara dele e dá paulada no pé, falando que era pra gritar com outro e não fazer perder as suas figurinhas. Mônica faz a parte dela, querendo saber quem deu nó no coelhinho e assim os meninos saem correndo e mostra que o seu coelhinho é mais assustador que a espada do Guerra.


Em seguida, e a vez de Cascão e Cebolinha derrotarem juntos os cavaleiros da Peste e da Fome, respectivamente. Eles falam que a Morte e a Guerra podem estar ultrapassadas, mas eles continuam poderosos e o tempo não passou para eles. Cebolinha, então, manda ver o que fazem com um rapaz que estava parado bem longe para provar que são poderosos ainda. Eles lançam raios juntos jogando muita fome e muita doença para ele, que ia acabar caindo duro e nem se aguentar deitado. Eles estranham do rapaz estar em pé ainda e então Cebolinha e Cascão fazem a tentativa deles. Eles falam olha o banho e o "rapaz" sai correndo na visão deles. Na verdade, era um espantalho amarrado no Bidu e quando eles falam em banho, Bidu sai correndo levando o espantalho.


Os cavaleiros saem e voltam logo depois caracterizados com as roupas e objetos dos cavaleirinhos, como a Morte com capuz estampado com flores, a Guerra com o coelhinho da Mônica, e que agora com as novas tecnologias serão mais invencíveis e mais terríveis. Porém, foi bem na hora que chegaram os anjos de segurança máxima e conseguem prender os cavaleiros do Apocalipse e eles vão percorrendo o Céu até sumir. A turma olha um para o outro e no final voltam a jogar bafo como no inicio da história e o Anjinho dormindo na sua nuvem, tudo agindo normalmente, como se nada tivesse acontecido.


Uma história excelente mostrando uma aventura da turma enfrentando as pragas do mundo, uma paródia da Bíblia. Trataram como personificação e que não existiam mais na face da Terra até eles escaparem do prisioneiro no Céu. O plano do Anjinho até que foi interessante de mostrar que estão ultrapassados, aproveitando que os cavaleiros ficaram muitos anos fora da Terra e que o mundo evoluiu com isso, uma forma de despistá-los, até dar tempo de chegarem os anjos a segurança máxima. Uma crítica com o que acontecia e ainda acontece de ruim no mundo, pode-se dizer que hoje eles estão soltos por aí castigando a todos novamente.


Era comum na época histórias de aventura assim, com a turma enfrentando altos perigos, mas que sempre terminava bem no final. Aliás, o final tem uma dupla interpretação: ou a turma seguiu agindo como se nada tivesse acontecido, como era de costume nas histórias de aventura da época ou então no momento que os cavaleiros sumiram no Céu, os anjos da segurança máxima fizeram apagar da memória deles tudo que tinha acontecido. Aí fica a critério do leitor julgar a melhor versão, algo que também gostavam de colocarem final com várias interpretações e despertar imaginação.


Os traços bem típicos do final dos anos 70, com eles superfofinhos e umas caretas de olhos arregalados e uma boca com bico quando mostrados os personagens de perfil, bem no estilo desse tipo de traços. Completamente incorreta, principalmente por dar destaque às desgraças do mundo e não fariam mais histórias assim. A Morte mostrada não é a Dona Morte da Turma do Penadinho, que só iria estrear nos gibis a partir de 1983, sendo que uma vez ou outra aparecias nas tiras de jornais do Penadinho. Essa Morte perversa também apareceu em uma história do Chico Bento de 1980. Sansão não tinha nome ainda naquela época e era chamado apenas de coelhinho nas histórias, como nessa.

Foi republicada depois em 'Almanaque do Cebolinha Nº 4' (Ed. Globo, 1988), de onde foi tirada as imagens. Muito bom relembrar essa história clássica, lançada há exatos 40 anos.

Capa de 'Almanaque do Cebolinha Nº 4' (Ed. Globo, 1988)

16 comentários:

  1. Nossa, que história clássica! Adoro esses traços, bem nostálgicos.
    Nos dias de hoje, nunca fariam uma história como essa. Lamentável.

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    1. Sem condições ter uma história assim hoje em dia. Traços muito bons mesmo, gostava assim.

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  2. Muito boa...tenho essa HQ/almanaque na coleção! ;)

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    1. Boa mesmo. Legal que vc tem esse almanaque, vários clássicos nele.

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  3. Muito interessante a história, pena não fazerem mais histórias assim. Parece que hoje gostam de subestimar a inteligência das crianças, afe.
    Eu não sou fã dos traços mega redondinhos, prefiro os dos anos 80 e 90, mas tá bem bonitinho aqui, não tá exageradamente fofinho, como já vi em outras histórias. Mas essa colorização da época da Abril era muito feia rsrs cores estouradas, dá um certo cansaço visual.

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    1. Foi um meio termo entre as bochechas pontiagudas do início dos anos 70 com o superfofinho. Não ficou ruim traços assim. Infelizmente tratam as crianças de hoje como não tivessem maturidade inteligente pra entender certas coisas.

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  4. A morte da HQ não era a da Turma do Penadinho,mas certamente foi sua inspiração.

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    1. Com certeza foi inspiração, principalmente o capuz preto e a foice.

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    2. Aliás,foice em dia é o que mais dá o que falar!Dizem que sua combinação com um martelo a torna ainda mais mortal...

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    3. Parece que evitam ao máximo a Dona Morte com foice hoje em dia

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  5. Que história sensacional, com um belo enredo, belos traços e n é uma história arrastada, já vai direto ao ponto, saudades da época em que as histórias da MSP eram assim.Nunca tinha lido essa história, já vi referências na cebolinha 500 ( umas das poucas revistas boas q a MSP fez ultimamente), por isso ela deve ser um classclo.

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    1. *Clássico ( erro de digitação).

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    2. Boa demais! O bom nas antigas que não enrolavam, iam direto ao ponto. Hoje iam enrolar colocando uma história assim com quase 40 páginas dando o mesmo recado. As histórias da Abril eram mais curtas e objetivas. Assim que eu gostava. Ela foi republicada nesse Almanaque do Cebolinha 4 de 1988 e teve essa referência no Cebolinha 500.

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  6. Super clássico! Tenho a edição da Abril! Ótima!

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    1. Também tenho a original. Muito bom esse gibi como um todo.

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  7. História sensacional. Tive o prazer de adquirir essa revista original da abril há uns 3 anos e não me arrependi da compra! Realmente pelas carinhas deles no penúltimo quadrinho dá a impressão que esqueceram de tudo mesmo! Um tema que certamente hoje daria o que falar, infelizmente.

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