quarta-feira, 7 de setembro de 2016

Uma história do Astronauta casado com a Ritinha


Nessa postagem mostro uma história filosófica do Astronauta em que ele se pergunta como seria sua vida se tivesse casado com a Ritinha em vez de estar no espaço sideral. Com 9 páginas no total, foi publicada em 'Parque da Mônica Nº 29' (Ed. Globo, 1995).

Capa de 'Parque da Mônica Nº 29' (Ed. Globo, 1995)

Nela, Astronauta está em um asteroide e fica vendo as estrelas e comentando para si mesmo que a vida no espaço é solitária.Quando ele deixou a roça pensava que ia viver muitas aventuras. De fato, ele lembra que teve aventuras marcantes, só que em outros momentos foram tão vazios. Astronauta ainda lembra que ele é conhecido pelas pessoas que tem contato, como o intrépido Astronauta, o desbravador de mundos desconhecidos.


Ele comenta, então, que queria saber como seria sua vida na roça se não tivesse virado astronauta, se seria mais feliz na roça. Nessa hora, o Ermitão do Asteroide, que estava dormindo, acorda e o Astronauta se assusta, pensando que era uma rocha falante. O Ermitão explica quem ele é, diz que sobrevive no asteroide porque seu estagio de evolução não precisa mais tomar água e comer e que pode tornar o sonho do Astronauta possível.


O Ermitão manda, então, o Astronauta olhar fixamente para a superfície da rocha e se concentrar. Logo aparece a visão do Astronauta mais novo na sua roça com inchada na mão, e a mãe o chama de Astronauta. Ele diz que não sabe porque ainda o chama assim, se  ele recusou a proposta da "Brasa" (Brasileiros Astronautas)  de viajar pelo espaço. A mãe diz que sabe que ele ainda fica pensando nas nuvens e ele desconversa falando que só quer cultivar a Terra, casar com a Ritinha e ser muito feliz


Chega o dia do casamento do Astronauta om a Ritinha. Vão de Lua-de-Mel, nascem os filhos, passa o tempo e Astronauta está mais velho e gordo continuando a sua vida pacata de trabalhar na roça.Só que ele está infeliz, sem querer nem brincar com seus 4 filhos. Ritinha diz que o jantar está quase pronto e o chama de Astronauta e ele diz que não quer ser chamado assim. Ela pergunta o que houve e Astronauta se desculpa, falando que esquece o quanto sua família é maravilhosa e diz ainda que vai na varanda um pouco enquanto a janta não fica pronta.

Na varanda, ele fica olhando pelas estrelas e fica se perguntando pelos mundos desconhecidos como serão e como seria sua vida se tivesse aceitado a proposta da Brasa e fosse astronauta. Ele recusou em nome de uma vida mais tranquila e ao lado de quem ama e pensava que seria feliz, mas o que sente é um vazio. Se pergunta se seria mais realizado e mais feliz no espaço, mas que nunca vai saber disso.


Nessa hora o Astronauta acorda da visão e se convence que também não seria completamente feliz na roça. O Ermitão explica, então, que a gente nunca é feliz, que nós se iludimos encontrando a felicidade plena e como não encontramos a gente culpa por uma decisão do passado e algum caminho que deixamos de trilhar, esquecendo o mais principal de que toda decisão de tomamos tem um bem e um mal. Astronauta diz que não havia pensando nisso e o Ermitão responde que é para ele seguir seu caminho.


No final, Astronauta se despede do Ermitão, deixa o asteroide e segue pelo espaço, fazendo caminhos à direita, á esquerda e em zigue-zague, reforçando as palavras do Ermitão que em cada ponto do caminho há uma decisão a tomar, uma escolha a fazer, mas que agora vai sem medo, aprendendo a perder de um lado, para ganhar do outro, deixando claro que aprendeu a lição.


Essa história é excelente mostrando filosofia e deixando os leitores a pensar como seria seu destino se não tivesse tomado uma decisão no passado e se seria mais feliz se aquilo não tivesse acontecido. Foi tratada de uma forma especial, mostrando a vida do Astronauta da roça casado com a Ritinha, mas não era feliz da mesma maneira. Sábias palavras do Ermitão e também do Astronauta no final, já que tudo que decidimos tem seus prós e contras e você que tem que saber decidir qual o melhor caminho a seguir.


Dessa vez colocaram um Ermitão fazendo a visão do passado do Astronauta, fugindo de máquina do tempo, que normalmente são colocadas nas histórias para retratar tema assim de voltar ao passado, o que se tornou bem mais criativo e especial. Acabaram preferindo não colocar o nome verdadeiro do Astronauta nessa história, se bem que na Editora Abril, na série de histórias da "Origem do Astronauta" (CB # 148, MN # 180 e CB # 149, todas de 1985), o nome verdadeiro dele era Astronauta mesmo. A MSP nunca teve coerências entre as histórias, até porque são escritas por roteiristas diferentes.


Os traços muito bons, com o Astronauta dessa vez com franjas amarelas, o que estava sendo bem comum em suas histórias de 1995. Coloquei completa na postagem. Interessante que quando ele lembra de histórias marcantes na primeira página, uma, que saiu em CB # 90, de 1994, em que um ET entra no uniforme do Astronauta, coloquei AQUI. As outras não identifiquei de quais gibis eram. Infelizmente por um tema bem maduro, hoje em dia seria impublicável. Se republicarem, com certeza tiraria o cachimbo do Astronauta porque não é permitido nos gibis atuais. Hoje tiram até do Saci-Pererê.


Muito bom que teve a volta da Ritinha, uma namorada do Astronauta cansada de esperar o Astronauta em suas viagens no espaço, acabou se casando com Bonifácio, deixando o Astronauta com dor de cotovelos. Em 1989 até meados de 1990, teve essa famosa série de histórias do Astronauta sendo corneado pela Ritinha e ele com dor de cotovelo vai à procura e outras namoradas pelo espaço. Série iniciada em 'Mônica Nº 30' de 1989 até 'Cebolinha Nº 43' de 1990, sendo que em quase todos saíram nos gibis da Mônica. Depois disso, volta e meia o tema do Astronauta com Ritinha voltava à tona, já fugindo um pouco da série de histórias de 1989, mas sempre bem marcantes, como essa.

28 comentários:

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    1. Legal que vc tem esse gibi. Muito boa mesmo.

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  2. Me lembrou da Alice, quando encontra aquele gato esquisito. Ele pergunta aonde ela gostaria de ir, após ela perguntar a ele qual era o caminho certo. E ela, sem pensar muito, responde que tanto faz, desde que ela chegue em algum lugar. Então ele diz que também tanto faz qualquer um dos caminhos que ela venha a escolher, pois qualquer um deles certamente levariam-na a algum lugar.

    Não me lembro muito bem, mas era algo assim...

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    1. Sim, foram mais ou menos essas palavras sim.

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  3. Marcos, estava lendo um almanaque(o mesmo da alteração tosca do menino mostrando o dedo, em A Caveira Dentuça), e apareceu uma história do Astronauta, onde, ele supostamente vê a Ritinha num asteroide, só que, após, ele percebe o óbvio, e viu que aquilo era uma "Aranha do Espaço". Poderia me dizer de que ano é essa história(muito boa, por sinal)?

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    1. Sim, eu lembro dessa do Astronauta. É de Cebolinha nº 34 - Ed. Globo, 1989.

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  4. Mudando de assunto,Marcos,veja que bizarro(!):
    https://m.facebook.com/story.php?story_fbid=704997569664034&id=160144840815979

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    1. Engraçado, principalmente os desenhos com essas misturas.

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  5. Fiquei muito contente de poder ver esta história compartilhada pelo blog! É uma das melhores que já vi!

    Quando criança já gostava bastante dela, mas uma vez, já adulto, a encontrei novamente num Almanaque do Astronauta, e a relendo na ocasião, com o enfoque de alguém que já cresceu e, como todo mundo, precisou fazer escolhas na vida, me fez refletir sobre muita coisa. São ensinamentos bem verdadeiros esses que o Astronauta recebeu.

    Depois disso percebi em várias histórias como o nosso ponto de vista muda ao lê-las quando crianças -- geralmente só pela aventura e a diversão -- e depois como adultos, conseguindo perceber às vezes um significado mais profundo, como nesta historinha.

    Hoje em dia nem compro mais gibis, mas espero que as publicadas atualmente continuem assim.

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    1. Muito bonita essa história sim, mostra uma linda mensagem. De fato, quando a gente reler histórias assim depois de adulto tem outra visão. O mesmo vale pra histórias do Horácio, quase todas filosóficas também.

      Hoje em dia as histórias dos gibis infelizmente não são mais assim, são tudo bobas, fracas, passam longe do nível como essa. nem compro também.

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    2. Marcos tu já conseguiu conversar com o Mauricio algumas vezes sobre as revistas antigas e os roteiristas fracos q ele tem hoje?

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    3. Não, nunca falei com Mauricio.

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  6. Já mencionei aqui uma história em que o Astronauta tenta salvar a terra de um asteróide, mas sem querer volta ao passado e se casa com a Ritinha, ai ela decide ir com ele para o espaço e eles tem dois filhos, mas quando ele chega denovo ao momento do asteróide, ele salva a terra, mas sua nave cai no mar, quando ele é salvo, pede para salvarem sua mulher e filhos, mas parece que o tempo volta ao normal, como se ele não tivesse se casado e tido filho e só ele se lembra disto.

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    1. Legal, essa eu não conheço, parece ser uma história muito boa.

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    2. Eu estou louco atrás dessa história e não acho.

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    3. Nem faço ideia de qual edição normal ou almanaque que saiu. Tenho curiosidade dessa.

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    4. Imagino que seja esta história:
      https://www.facebook.com/groups/1137873659608430/permalink/1154532327942563/

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    5. Boa! A própria. E ai descobri que é de cebolinha Nº 163, de 2000 por causa de uma propaganda que ficou meio à mostra. Nunca ia imaginar que seria desse gibi. E detalhe dar pra ler esse gibi no Issuu. Valeu por mostrar.

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    6. Legal encontrar uma história tão boa e profunda em 2000, qdo os enredos já estavam em decadência... Ela mexe com a gente, faz-nos até sentir mal pelo personagem..
      Quanta diferença pras histórias rasas e superficiais da Panini... São tão bestas q a gente lê e fica com a sensação de não ter lido nada....

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    7. Em 2000 já tava ficando decadente, mas uma ou outra história se salvava como essa. Uma pena não ter mais histórias profundas assim.

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  7. Bem profunda essa história. Acho que agora eu aprecio mais uma história assim do que quando era criança, é bem capaz que não a entenderia. Curioso é que numa história do Astronauta no gibizinho apareceu um personagem semelhante com o Ermitão, que também era filosófica.

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    1. Verdade, era bem semelhante a esse a do gibizinho. Eles gostavam de hqs filosóficas pra variar um pouco.

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  8. Falando em histórias filosóficas do Astronauta, eu acabei de ler uma que foi republicada no Almanaque da Mônica #40, Editora Globo.

    Que começou com o Astronauta dizendo que quando se viaja muito pelo espaço, se perde a noção do tempo. Depois ele diz que viu várias coisas pelo universo. Estrelas explodindo, a vida começando em outros planetas, sendo atacado por criaturas hostis, vendo o nascimento de uma nova estrela, viajando pelo espaço seguindo um cometa, conhecendo líderes de outros planetas e depois vendo as criaturas de um planeta explodindo um planeta vizinho.

    Depois ele disse: "E quando foi tudo isso? Ontem? Semana passada?"

    Depois ele olha seu reflexo na água e viu que estava mais velho, e disse que não importa o tempo que perdeu pensando no tempo, que o mais importante pras pessoas é o SEU próprio tempo de vida.

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    1. Muito boa mesmo, lembro pouca coisa dessa, vou reler esse almanaque.

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  9. Eu sempre me lembro dessa historinha quando penso em escolhas supostamente erradas do passado. Não costumo gostar de histórias do astronauta, mas essa é muito especial.

    Não acho que seja impublicável, não. Só tirar o cachimbo do astronauta velho e boa.

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    1. Também não acho que proibam de republicar, só com essa alteração ai. Parece que até já foi republicada em um dos primeiros almanaques da Panini. Agora, fazer histórias novas assim é que não fazem.

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    2. uma pena. Parece que querem emburrecer as crianças

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