quarta-feira, 2 de março de 2016

HQ "Mamonamania" (Homenagem aos Mamonas Assassinas)


Hoje, dia 2 de março, faz 20 anos da morte dos integrantes da banda Mamonas Assassinas. Em homenagem, mostro a história especial "Mamonamania" com o Do Contra que fizeram sobre eles. 

A banda Mamonas Assassinas foi um fenômeno em 1995, principalmente com as crianças. Formado por Dinho, Bento, Julio, Samuel e Sergio, eles tinham o estilo de Rock animado, com letras voltadas ao humor, bem semelhante ao estilo dos anos 80, com mistura de outros gêneros de acordo com a música, e costumavam se apresentar fantasiados como presidiários, Chapolim, He-Man, etc.

Foi um grande sucesso o seu estilo inovador, todos cantavam suas músicas como "Pelados Em Santos", "Vira-Vira" Chopis Centis", "Robocop Gay" entre outras. Suas músicas tocavam toda hora nas rádios, eles iam a todos os programas de televisão na época, principalmente o do Gugu, onde quase todo domingo estavam lá. Mas, infelizmente, quis o destino de todos os integrantes morrerem em um acidente aéreo na madrugada do dia 2 de março de 1996 no auge do sucesso, deixando todo o Brasil chocado com a forma que morreram.

Mamonas Assassinas

O sucesso era tão grande que a MSP, sempre de olho no que acontecia na atualidade, fez uma história especial com o Do Contra sobre a banda que a criançada adorava, que foi publicada em 'Cebolinha Nº 113' (Ed. Globo, 1996).

Capa de 'Cebolinha Nº 113' (Ed. Globo, 1996)

Normalmente, histórias que homenageiam pessoas que faleceram são escritas após a morte, mas essa foi escrita em 1995, ainda com os integrantes vivos e no auge do sucesso. A intenção inicial era para ser publicada aproveitando o sucesso da banda, mas com a morte repentina deles, acabou sendo uma homenagem póstuma.

Os gibis tem 3 meses de antecedência até chegar nas bancas e pelo visto eles procuraram a editora para antecipar a publicação dela, visto que eles morreram em março e ela foi publicada em maio, sem contar que nesse gibi mesmo teve outra história com o Do Contra e não era normal ter 2 histórias do Do Contra em um mesmo gibi. Se eles não tivessem morrido, talvez teria sido publicada a partir de julho. 

Na trama de 6 páginas no total, Cebolinha, vestido como os Mamonas, canta trecho da música "Pelados em Santos" e o Do Contra acha que ele está dando cantada por causa dos versos com cabelos da hora, corpo violão e docinho de coco. Cebolinha diz que está cantando a música do grupo do momento, os "Mamonas Assanhadinhas". Do Contra fala que detesta e que prefere "Dudu Santos" e "Paralelos do Sucesso". Cebolinha não entende porque todo mundo gosta dos Mamonas e diz que ele tem que ser do contra até nisso e vai embora cantando "Pelados em Santos" e Do Contra comenta que falam que ele que era excêntrico.


Do Contra caminha um pouco e encontra Mônica, Cascão e Franjinha, também vestidos como os Mamonas, dançando e cantando "Vira-Vira". Mônica chama o Do Contra pra dançar o Vira e ele diz que só se for o Volta. Do Contra diz ainda que prefere dançar samba, rock e balé aquático. Eles vão embora e então surge o Nimbus também caracterizado como os Mamonas cantando "Shopis Centis" e Do Contra fica surpreso que o irmão dele "descaretou".


Do Contra vai pra casa e encontra o disco dos "Mamonas Assanhadinhas" do seu irmão jogado no chão e como não tinha ninguém vendo coloca na vitrola e começa a dançar. Só que é flagrado pela turminha e falam que ele estava ouvindo os "Mamonas Assanhadinhas". Do Contra para contrariar, responde que estava ouvindo sim, só que do jeito dele, ouvindo o lado B antes do lado A e Cascão diz que "uma vez Do Contra, sempre Do Contra", terminando assim.


Foi uma história legal, deu pra fazer uma homenagem à banda. Do Contra sempre tem prazer de discordar dos outros, mas no fundo gostava dos Mamonas também, só não queria admitir. Engraçadas as paródias colocando "Mamonas Assanhadinhas" (Mamonas Assassinas), "Dudu Santos" (Lulu Santos) e "Paralelos do Sucesso" (Paralamas do Sucesso"). Os nomes dos artistas foram parodiados, mas as letras das músicas não.


Interessante ter vitrola e disco LP na história. Na época a maioria já tinha CD e vitrola já estava quase extinta (mas não completamente ainda, as gravadoras ainda produziam LPs) mas foi usada a vitrola para ser fundamental para piada da história, afinal CD só tem um lado. Outra curiosidade é que eles gostavam de colocar esse bordão "uma vez <personagem>, sempre <personagem>" nas histórias, quando os personagens estavam exercendo a sua característica ao extremo. Nessa foi "uma vez Do Contra, sempre Do Contra", mas acontecia isso também com a Magali, com eles falando "uma vez Magali, sempre Magali".


Os traços muito bons e bem desenhados. As cores ainda do estilo sombrio, bem escuras, com destaque ao marrom e azul de fundo bem escuros se comparado ao que era no segundo semestre de 1995. O marrom escuro especificamente nessa história pode ser percebido no sapato do Cebolinha e na porta da casa do Do Contra, mais no final. Nessa até que teve degradê em muitos quadrinhos, mas em tons escuros. Como se estivessem de luto com a morte da roteirista Rosana Munhoz

Nos gibis entre fevereiro e maio de 1996 eles colocaram as cores assim em todos os gibis convencionais e até nos almanaques nas histórias republicadas da Editora Abril. Ou foi uma forma de expressar um luto pela morte da Rosana ou foi apenas uma grande coincidência, já que eles viviam mudando as cores dos gibis na Editora Globo e então era normal ver essa diferença de cores em poucos meses. Aliás, o mês de maio de 1996, além de ter essa homenagem aos Mamonas Assassinas, ainda teve para a Rosana, na história "Mais uma estrela no céu" do Chico Bento, que foi publicada em 'Mônica Nº 113'. Ou seja, um mês de homenagens.


Antes da história teve um texto do Mauricio ocupando 2 páginas avisando da história que estaria por vir, comentando sobre os Mamonas, a ligação dos seus filhos com a banda e que a história foi feita antes deles morrerem. Abaixo, o texto na íntegra:

Texto do Mauricio publicado antes da história

Então, fica a homenagem aos Mamonas Assassinas, que partiram há exatos 20 anos tão novos e fizeram muito falta aos fãs. Sem dúvida eles marcaram época, mesmo que com pouco tempo de carreira.

25 comentários:

  1. Magnifica essa HQ em homenagem..realmente faz falta quem viver na época sabe disso..e lá se vão 20 anos de saudades dessa banda divertida eita..muito boa essa postagem aqui no blog para relembramos, marcos, valeu! :D

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    1. Passou rápido sem dúvida. Muito boa a homenagem que fizeram. :)

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  2. Eu adorava a banda,mas foi um grande erro os programas e quadrinhos infantis mencionar os Mamonas,pois houve uma propagação equivocada de músicas para crianças,quando na verdade eram músicas de adolescente como eu era na época.

    Nem mesmo "Pelados em Santos" escapa,pois há o verso que diz "pra mó di a gente si amá peladjos em Santchos".Sobre o que fala o verso?Transar!

    "Robocop GAY","O vira","Mundo animal",cheias de palavrões e temas adultos,não deveria nunca ser vendido como conteúdo infantil.Música infantil é Palavra Encantada,por exemplo.

    Mas nada justifica a babaquice dita pelo Marco Infeliciano,que Deus os matou,que o motivo foi fazer aquele tipo de música,que o avião foi desviado por castigo,etc.

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    1. Julio HOJE séria proibidíssimo...(no nosso tempo era uma inocência sem maldade, enfim) sorte a nossa que vivemos a nossa época(Eu mesmo vivi no maior sucesso..digo popularidade pois ser chamado na infância de Sandrinho meu apelido era "DINHO"..hehe imagine? todo mundo vivia me pedindo para cantar as músicas kkk) não? rs

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    2. Julio, concordo que as músicas deles não eram de crianças, tinham muitos palavrões, duplo sentido, etc. Mas a banda acabou no gosto da criançada, talvez pelas fantasias que eles usavam, a espontaneidade e irreverência deles. Os Mamonas apareciam até em programas infantis como da Xuxa, então nada mais natural delas gostarem. Metade do público dele eram as crianças.

      Pior que eles só grupos de Axé como É o Tchan!, Companhia do Pagode e afins Esses sim as letras eram de duplo sentido escancarado e danças envolvendo pornografia e as crianças também adoravam, tudo incentivado pelos pais e pela mídia.

      Música de criança mesmo era Balão Mágico, Trem da Alegria, Os Abelhudos, etc. Mas deixaram de fazer sucesso grupos infantis e as crianças passaram a ouvir só músicas de adultos.

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    3. Verdade!Logo após a morte dos Mamonas surgiram grupos de axé,com mulheres de shorts curtíssimo rebolando as nádegas,etc.!Os palcos da TV viraram inferninhos!Apelação pura para ganhar audiência e dinheiro!Os pais incentivavam os filhos menores por serem totalmente sem-noção!Hoje em dia,de forma ligeiramente mais discreta,temos a Anitta,que além de rebolar,no vídeo de "Bang",faz inúmeros gestos com a língua.Melhor parar por aqui.

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    4. kkkk... bem isso mesmo. Pra ver a decadência que se transformou a música nacional.

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    5. rs, eles definitivamente não eram politicamente corretos. Nunca fui muito de gostar de coisas escrachadas, mas Mamonas Assassinas eram uma coisa tão disseminada que eu acabava até gostando. Quando eles morreram eu fiz 9 anos de idade, muitas coisas das letras eu nem entendia muito bem do que se tratava (embora muitos da minha sala de aula com a mesma idade fossem "espertos" o suficiente pra entender tudo, rs), mas achava engraçado o jeito deles de se falar e de se vestir. Em 2009 apareceram Madonna, Lady Gaga e Amy Winehouse num gibi da Mônica, em plena era do politicamente correto. Não sei como essas 3 puderam aparecer num gibi da turma já nessa época

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    6. É, tem a inocência das crianças que não entendiam as coisas, só ia entender alguns anos depois rsrs. Eu também gostava dos Mamonas.

      Nos primeiros gibis da Panini até que eles deixavam passar algo de incorreto nos gibis, essa paranoia de moralismo ficou maior a partir de 2013. Nos primeiros da Panini teve história do Rolo no Big Brother Brasil, hoje eles não fariam histórias assim.

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    7. Confesso que a primeira vez que ouvi o Vira, fiquei meio espantada, depois acabei curtindo e achando a música boa! As crianças só voltaram a ouvir coisas infantis de volta, quando chegou Chiquititas! Aí, enfim, dançavam coisas mais inocentes novamente, e todo mundo queria ver a novela ou ter o CD deles!

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    8. Isso aí, Chiquititas sim era coisa de criança. Se bem q na época tinha o contraste delas dançarem Chiquititas e também É o Tchan, rsrs. Foi tudo na mesma época.

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  3. Eu adorava essa banda, curtia muito. Nessa época a morte deles foi assunto em todos os jornais. O Do Contra sempre rouba a cena, ele é um dos personagens mais épicos do Mauricio. Pena que foi criado pouco antes de começar o politicamente correto. Fico imaginando como ele seria se fosse criado nos anos 70 e 80.

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    1. Pois é, foi um acontecimento, até pela forma que morreram. O Do Contra é um personagem muito bacana, conseguiu aprontar das suas nos anos 90, principalmente entre 94 a 96, até porque ainda tinha politicamente correto. Se tivesse sido criado nos anos 70 iria ser melhor ainda.

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  4. Sabe o que é chato? Parentes crentes comemorando a morte deles!

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    1. Isso de desejar morte dos outros não é coisa que se faça. Se não gosta, ignora e pronto e não desejar o mal.

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  5. Foi graças ao Mamonas que comecei a curti o rock nacional, foi aí que comecei a ir atrás de várias bandas do nosso país e acabei amando o rock nacional dos anos 80! Sabe que no final de 1995, eu que tava comprando muito gibi da Turma naquela época, pensei que eles podiam falar da banda em alguma história, e não é que isso estava para acontecer! Pena que não tive esse gibi! Valeu pelo post Marcos! Me emocionei demais relembrando minha infância! Os Mamonas foram meus primeiros ídolos de verdade na música!

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    1. Poxa, que chato que vc não conseguiu esse gibi na época. Iria adorar bastante. Pena que a história acabou sendo uma homenagem póstuma ao grupo. Tomara que vc consiga encontrar esse gibi.

      Sem dúvida os Mamonas eram ótimos, pena que partiram cedo demais e no auge do sucesso. E o Rock nacional dos anos 80 era excelente. Quando a música nacional valia a pena.

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    2. Sim! A era de ouro do rock nacional!

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  6. Até hoje sinto muita falta dos Mamonas.

    Vivi iintensamente aquela época da febre Mamonas. Sinto saudades.

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    1. Verdade, fizeram muita falta. Fica a saudade.

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  7. Em que ano foi escrita a musica vira-vira dos mamonas assasinas?

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    1. Stephany, o sucesso dessa música e de todas as outras dos Mamonas foi em 1995.

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