quarta-feira, 20 de janeiro de 2016

Almanaque do Louco Nº 10 - Panini


Nas bancas o novo 'Almanaque do Louco Nº 10'. Nessa postagem faço uma resenha sobre essa edição.

Esse 'Almanaque do Louco Nº 10' é de dezembro de 2015, mas com a distribuição precária da Panini só chegou agora em janeiro de 2016. Tem várias histórias clássicas da Editora Abril, coisa rara de republicar nos almanaques atuais. Só a história de abertura foi da Globo e tirinha republicada da própria Panini, já as demais só da Editora Abril. Achei uma grande surpresa, já que normalmente os almanaques atuais da Panini republicam histórias de toda as fases da Globo, entre 1987 a 2006.

Acho que resolveram colocar histórias da Editora Abril porque já republicaram quase todas as histórias do Louco da Globo nos números anteriores desse 'Almanaque do Louco' da Panini. Aí, para não republicarem histórias da própria Panini ou voltarem a colocar histórias já republicadas pouco tempo, evitando tanto repeteco, aí colocaram as da Abril.

A maioria delas, assim como as histórias republicadas da Globo nos almanaques atuais, são re-republicações e já saíram em Almanaques do Cebolinha da Editora Globo variando entre o "Nº 1" ao "Nº 20", mas tiveram 2 que não foram republicadas na Ed. Globo e não tenho e foi por isso que eu comprei essa edição. Antes, eu só tinha as edições "Nº 1" e "Nº 2", ambos de 2011, que comprei por serem primeiras edições de um título inédito.

As capas dos Almanaques do Louco "Nº 1" e "Nº 2" que eu tenho

Esse almanaque tem 14 histórias no total, incluindo a tirinha final. A relação de histórias republicadas, com número da edição original ou almanaque que foi republicada pela primeira vez e ano foram essas:
  1. O grande número ('Cebolinha Nº 127' - Ed. Globo, 1997)
  2. Apareça na TV ('Coleção Um Tema Só Nº 11 - Cebolinha e o Louco' - Ed. Globo, 1995)
  3. O recado ('Almanaque do Cebolinha Nº 17' - Ed. Globo, 1992)
  4. Louco pra espirrar  ('Almanaque do Cebolinha Nº 10' - Ed. Globo, 1990)
  5. Um disfarce muito louco ('Almanaque do Cebolinha Nº 1' - Ed. Globo, 1987)
  6. Louco à gasolina ('Cebolinha Nº 87' - Ed. Abril, 1980 / 'Almanaque do Cebolinha Nº 7' - Ed. Globo, 1989 / 'Coleção Um Tema Só Nº 11', de 1995)
  7. O Louco-Telefone ('Cebolinha Nº 90' - Ed. Abril, 1980 / 'Almanaque da Mônica Nº 25' - Ed. Abril, 1985)
  8. O Louco engravatado  ('Almanaque do Cebolinha Nº 8' - Ed. Globo, 1990)
  9. Uma história muito louca ('Cebolinha Nº 1' - Ed. Abril, 1973 / 'Almanaque do Cebolinha Nº 1' - Ed. Abril, 1978)
  10. Alô! Alô! Chamada para o Louco ('Cebolinha Nº 134' - Ed. Abril, 1984 / 'Almanaque do Cebolinha Nº 11' - Ed. Globo, 1990)
  11. Loucuras do Louco ('Cebolinha Nº 40' - Ed. Abril, 1976 / 'Cebolinha Nº 100' - Ed. Abril, 1981 / 'Almanaque do Cebolinha Nº 1' - Ed. Globo, 1987)
  12. Que loucura! ( 'Almanaque do Cebolinha Nº 20' - Ed. Globo, 1993)
  13. É muita loucura
  14. Tirinha (Turma da Mônica Nº 26 - Ed. Panni, 2009)

Abre com a história "O grande número" de 1997 em que o Cebolinha precisa contracenar com números gigantes apresentados pelo Louco, com várias piadas ao pé da letra. Essa foi a única da Ed. Globo e em seguida só histórias da Ed. Abril, variando entre 1973 a 1983. Tem, inclusive, a história de estreia do Louco, "Uma história muito louca", original de 'Cebolinha Nº 1', de 1973, de quando o Cebolinha o conheceu, quando fugiu do hospício.

A gente vê muitas diferenças no estilo das histórias, não só nos traços, incrivelmente bem desenhados, como também no comportamento dos personagens. O tipo de loucura, com tudo ao pé da letra é o mesmo , embora tinham mais absurdos do que hoje em dia, mas os personagens mexem com fogo, Cebolinha bate cabeça em poste, leva tombos fortes, entre outras coisas incorretas para os padrões atuais.

Trecho da HQ "Louco pra espirrar"

Dá para notar também que nas primeiras histórias dos anos 70, o Cebolinha era mais tolerante com o Louco. Apesar de sofrer com as loucuras, ele aceitava tudo numa boa. Já nas histórias dos anos 80, vemos o Cebolinha mais esquizofrênico, era impaciente e já ficava nervoso só vendo a presença do Louco e fazia de tudo para se livrar dele, além de histórias que ficava a dúvida se o Louco existia mesmo ou se era tudo imaginação do Cebolinha. Então, as dos anos 80 desse almanaque acho mais engraçadas.

Vemos também muitas histórias também do Louco cismando que o Cebolinha é alguma coisa (mais comum também nas histórias dos anos 80) e acontecia a loucura mesmo, como em "Louco a gasolina" em que o Louco confunde o Cebolinha como veículos. Nela, por exemplo, quando o Louco confunde o Cebolinha com avião e ele acaba voando, através do cabelo do Cebolinha, que vira hélice. E em "Alô! Alô! Chamada para o Louco!" , em que o Louco cisma que o Cebolinha é um telefone orelhão.

Interessante também ver coisas datadas, como personagens mexendo com máquina de escrever, falando de datilografia, televisão com tubo sem controle remoto, como aconteceu em "Apareça na TV", em que o Louco cisma que o Cebolinha tem que aparecer na TV, mesmo que ele não faça questão. Também vemos máquina de escrever em "Louco engravatado", em que o Louco surge com terno e trabalhando em um escritório como pessoa normal). Já na história "Alô! Alô! Chamada para o Louco!" tem orelhão ainda com ficha e ainda tem direito de cena incorreta com Cebolinha sendo queimado com fogo na bunda.

Trecho da HQ "Alô! Alô! Chamada para o Louco!"

Duas histórias não foram republicadas na Editora Globo. "O Louco-Telefone", de 1980, em que o Louco surge do telefone do Cebolinha, saindo através do gancho, causando muitas loucuras. E a história de encerramento, "É muita loucura", por volta de 1981, em que o Cebolinha encontra um elevador operado pelo Louco, sendo o gancho para várias loucuras. Nesta, inclusive, traços maravilhosos com direito a uma cena com várias imagens do Cebolinha e do Louco, para expressar movimento, que estava caindo aos poucos. Fantástico. Recurso também foi utilizado em "Louco pra espirrar", em que o Louco impede o Cebolinha de espirrar.

Trecho da HQ "É muita loucura"

A desvantagem desse almanaque que, como não podia deixar de ser, tiveram várias alterações em relação ás originais para seguir o padrão atual. É difícil encontrar algum almanaque que não tenha alteração e nesse tiveram várias, até por ser com histórias da Ed. Abril. Se mudavam na Coleção Histórica, que era para seguir o mais fiel dos gibis originais, imagine em um almanaque regular. 

Nesse encontrei 5 alterações. A primeira foi na história de abertura, "O grande número" com o pensamento do Cebolinha, que na original ele pensava errado e agora mudaram para ele pensando certo porque quem tem dislalia igual ao do cebolinha na vida real pensa certo.

Comparação da HQ "O grande número"

Em "Apareça na TV" mudaram o preço da televisão para adaptar a moeda atual. Na original, era vinte mil cruzeiros e agora mudaram para 2 mil reais na história toda. Interessante que quando foi republicada em 'Coleção Um Tema Só Nº 11 - Cebolinha e o Louco' (Ed. Globo, 1995), mantiveram o preço original da revista e a moeda do Brasil já era o Real na época. Seria melhor ter mantido o preço, a gente sabe que se trata de história antiga. 

Comparação da HQ "Apareça na TV"

Em "Louco à gasolina", teve mudança linguística. na revista original, colocaram "Que raio de ônibus é esse?" para deixar a linguagem mais informal e agora mudaram para "este" para ficar de acordo com a norma culta e, assim, tirando a informalidade da época.

Comparação da HQ "Louco a gasolina"

Em "Loucuras do Louco", mudaram a cor da roupa do Louco. Teve um período nos anos 70 que o Louco aparecia com camisa rosa e calça vermelha em vez do contrário que estamos acostumados. Para seguir o estilo atual, mudaram isso na história toda, ficando diferente da original. Na comparação a seguir, ainda deixaram de pintar o olho do Cebolinha de branco, como aparece na original. Primeira imagem tirada de 'Almanaque do Cebolinha Nº 1' (Ed. Globo, 1987).

Comparação da HQ "Loucuras do Louco"

Já em "Que loucura!" (em que o Louco tem um cachorro-quente de estimação que é brabo e late e o gancho para outras loucuras), tiraram as armas das mãos dos guardas que estavam prendendo os bandidos. Afinal, armas de fogo estão proibidas nas histórias atuais e eles mudam isso nos almanaques. Essa para mim foi a pior alteração da edição, já que não faz sentido guardas sem arma e ainda nessa circunstância, tirou todo o sentido da cena. Abaixo comparação, com imagem da original que eu tirei do 'Almanaque do Cebolinha Nº 20' (Ed. Globo, 1993).

Comparação da HQ "Que loucura!"

Como pode ver, esse almanaque é muito legal, resgata histórias clássicas que valem a pena. Só podia ter sido melhor se não tivessem tantas alterações em relação às originais, mas já era previsível isso quando republicam histórias antigas hoje em dia. Mesmo assim recomendo.

34 comentários:

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    1. Ficou muito bacana, uma homenagem aos Beatles.

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  2. Olá, Marcos! Até que enfim um bom almanaque do Louco!
    Obrigado por compartilhar conosco!
    Abraços.

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    1. Esse almanaque está muito legal, apesar das alterações. Valeu!

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  3. A distribuição da Panini é tão ruim que ele chegou as bancas no ano seguinte de seu lançamento. Aqui nem sobra desse gibi! Ótima postagem, parabéns!

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    1. Essa distribuição é triste. Tem lugares que nem chegam certos títulos. As mensais e os almanaques dos 5 principais chegam em todo lugar, agora os outros títulos ou não chegam ou senão muito atrasado. Obrigado, que bom que gostou do post.

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  4. Armas de fogo em gibis...Pelo menos,deixem as armas com policiais e bandidos.

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    1. Eles não aceitam agora nem armas de brinquedo, com as crianças brincando de bang-bang. Nem tem mais hqs assim e quando republicam eles mudam tirando as armas.

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    2. tbm sou contra as armas de brinquedo. Mas tirar as armas dos policiais pra quê???

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    3. Pois é, ridículo isso. Seria melhor então não republicar do ficar mudando.

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  5. Então, aqui ainda nem sinal. Atrasou tudo!
    Mas já tinha sido informado que esse Almanaque estava cheio de HQs da Abril. Fiquei pasmo, kkkk.
    Gostei da postagem. Abraços.

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    1. Foi uma grande surpresa, que continuem pelo menos no Almanaque do Louco. E essa distribuição é um absurdo isso, tem lugares que simplesmente não chega. Valeu por ter gostado. Abraços

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  6. Realmente não faz sentido trocar a moeda,já que as histórias exibem máquinas de escrever e orelhões de ficha!

    Senão teria que mudar tudo!Se a intenção é vender para as crianças de hoje,o almanaque deveria vir com prefácio alertando sobre tecnologias e hábitos antigos,para não causar estranheza,como nas reedições da série histórica!

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    1. Ainda bem que não mudaram desenhos de máquina de escrever, televisão antiga e eles falando sobre datilografia, orelhões etc. Seria pior ainda.

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    2. Eu acho que os almanaque tinham que vir com o ano de publicação original de cada história. Seria tão bom poder comparar!!
      Aí não precisaria dessa pacoada de mudar a moeda

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    3. É, seria legal q colocassem códigos ou simplesmente mostrar edição original e ano.

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  7. Daria um trabalhão para eles!Melhor é um prefácio mesmo!

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    1. Ah, eles perdem tempo tirando armas e colocando outras coisas no lugar, não duvidaria nada se redesenhassem isso, mesmo dando trabalho.

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  8. Apesar de eu gostar deter republicado histórias antigas, eu ainda prefiro nos gibis originais por causa da coloração, pois gosto mais da coloração que saía nos gibis originais, mesmo que borrado as vezes.

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    1. Eu tbm prefiro mil vezes as cores antigas, eram bem melhores. Nessas republicações da Panini até os erros de cores q tiveram na época eles corrigem. Prefiro as originais sem sombra de dúvida.

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    2. No gibi da Mônica deste mês o Rolo aparece em uma história com a sua aparência antiga. Foi numa em que ele fez crossover com o Piteco.

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  9. Aliás, sei que não tem a ver com o Louco, mas eu tenho uma dúvida. Já vi histórias da Turma da Mata onde o Raposão tem barriga branca, e outras onde o pelo dele todo é marrom.

    Qual é o atual?

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    1. Nos gibis antigos variava de acordo com o colorista. Como hoje tá padronizado, atualmente é barriga branca.

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  10. Que cretinice isso de ficar arrumando tudo! Quem gosta de almanaque geralmente são os mais velhos. E eu quero como no original, coisa bem roots mesmo hehe

    Corrigem cor até na coleção histórica que supostamente era pra ser um fac símile da original. Me poupem...

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    1. Verdade, nada a ver isso de mudar tudo, virou paranoia pq todo almanaque tem alguma alteração, nem q seja boba.

      E na Coleção Histórica achava pior, essas q tinham ser mais fieis ás originais e faziam muitas alterações. Odiava quando mudavam o caipirês do Chico pra ficar igual com o atual.

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  11. Muito legal a postagem, Marcos! Gosto muito das histórias do Louco, e eu gostaria tanto de ter esse almanaque (apesar das péssimas alterações). O problema é que, infelizmente, eu cheguei um pouco atrasado pra comentar, então é possível que o almanaque não esteja mais vendendo nas bancas. Mas vou esperar um dia para que o sebo aqui de casa esteja vendendo o gibi, assim eu compraria na hora.

    Mas enfim, eu estou aqui para pedir pra você fazer algumas modificações na postagem sobre as publicações originais e republicações das HQs desse almanaque, segundo o que diz lá no Guia dos Quadrinhos.

    Antes de mais nada, caso você não saiba ou não tenha na sua coleção, as histórias Um Disfarce Muito Louco, Loucuras do Louco e É Muita Loucura também foram republicadas no Coleção Um Tema Só nº 22 - Cebolinha e o Louco II de 1999, mas acredito que você não deve ter essa edição.

    Enfim, aqui está a lista:
    - Um Disfarce Muito Louco e É Muito Loucura: não conheço os gibis originais de cada uma dessas duas histórias.
    - O Louco-Telefone: publicada originalmente em Cebolinha nº 90 de 1980, e republicada no Almanaque da Mônica nº 25 de 1985.
    - Alô! Alô! Chamada para o Louco: publicada originalmente em Cebolinha nº 134 de 1984.
    - Loucuras do Louco: também foi republicada na edição comemorativa de Cebolinha 100 de 1981.

    Já as outras histórias desse almanaque, eu não sei quais foram os gibis originais delas (Apareça na TV, O Recado, Louco pra Espirrar e O Louco Engravatado), nem mesmo quando foram republicadas, pois não diz lá no site.

    Eu só acho que você só podia fazer uma alteração de que o Almanaque do Cebolinha nº 1 da Abril é de 1978, não de 1979.

    Mas será que, um dia, você poderia falar da história "Que Loucura!"? É que lá no site diz que ela é de Cebolinha nº 143 de 1984, mas diz que foi republicada no Almanaque do Cebolinha nº 23 de 1993, e não no nº 20. Isso me deixou tão confuso quanto, mas acredito que sejam HQs diferentes, apesar do título ser o mesmo.

    Enfim, espero que tenha gostado de comentado e que faça as modificações que eu te pedi. Abração!!

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    1. Daniel, fiz algumas alterações mas outras ainda vou confirmar porque as vezes colocavam títulos iguais em histórias do Louco.

      Essa "Que loucura!" por exemplo, que saiu nessa edição foi republicada no Almanaque do Cebolinha nº 20 e a que saiu na nº 23 é outra, só que com o mesmo título. Quando der, falo dela.

      Com certeza essa edição já não vende nas bancas. Aliás poucas bancas venderam. Boa sorte na procura desse almanaque do Louco e quem sabe vc encontre também as originais e almanaques aí citados.

      Abraços

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  12. Marcos, desses almanaques de secundários, quais são recomendáveis para eu comprar?

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    1. Agora só sobraram Tina, Penadinho e Louco. De histórias mais antigas costuma ser o do Louco agora. Eu gostava do Piteco & Horácio, mas foi cancelado. :(

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  13. Tem uma hq que o zé vampir se esconde em uma bolsa, dai depois, a dona da bolsa foi ir pro trabalho (ou qualquer lugar) com a bolsa, e essa hq foi republicada no almanacão de férias da turma, da panini. e depois, um ladrão aparece e diz: ''assalto!'' e só aponta o dedo pra mulher. Acho que teve alguma alteração por trás disso. Pois não sei que revista foi publicada.

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    1. Com certeza foi alterado. Não tem como bandido só apontar dedo para mulher. Ridículo.

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  14. Sobre a alteração das armas, teve outra alteração (não é tão grave) no chapéu do guarda que estava segurando o espelho (ou o quadro) o brilho do chapéu na original era branco e agora colocaram azul para colocar como se fosse história atual. Pra que nossa...

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    1. Cada bobagem que eles mudam. Paranoia de trocar tudo que veem pela frente.

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