terça-feira, 28 de julho de 2015

Livro L&PM: As Melhores Histórias da Magali


Nessa postagem mostro como foi o livro "As Melhores Histórias da Magali", da coleção da Editora L&PM lançado em 1991.

Esse livro tem formato de 21 X 28 cm, 52 páginas e papel de miolo off-set, tanto na versão capa cartonada quanto capa dura. Na capa, a Magali segurando uma melancia, representando um objeto que tem a ver com sua personalidade. Ficou muito caprichada.

Começa com o frontispício, sempre com um texto ilustrado pelo personagem sem ser colorido e com um título criativo antes do texto. Nesse da Magali teve o título "Sai uma fatia de melancia?", com o texto mostrando que a Magali foi inspirada na filha do Mauricio e suas características sobre ser comilona, que com a Magali o que vier, ela traça, além de ser meiga, sensível e adorar trocar confidências com a Mônica, sua melhor amiga. Só erra ao falar que a data de criação da Magali foi 1963, como muitos pensavam até há pouco tempo (falado isso também no livro "Mauricio 30 Anos"), já que na verdade ela foi criada em 1964.

Frontispício da edição

Na tradicional página de evolução dos traços dos personagens, mostra 3 imagens da Magali: uma dos anos 60, outra dos anos 70 e outra atual (anos 80). De curiosidade, eram para ter pintado o vestido da Magali dos anos 60 de verde, porque apesar das tirinhas serem em preto e branco, a intenção inicial do Mauricio era que ela tinha vestido verde.

Evolução da Magali

Em seguida, as histórias republicadas. Foram 9 histórias no total, que não seguem ordem cronológica e seguindo tudo exatamente como foram publicadas nas originais, preservando, inclusive os códigos, quando tinham. Como não podia deixar de ser, são histórias envolvendo a fome exagerada da Magali e todo o sufoco que ela passa por causa disso, com muitos absurdos que a gente gosta. Todas protagonizadas pela Magali, com toda a sua essência, e nenhuma com ela só participando de histórias da Mônica.

Porém, tem algumas particularidades em relação aos outros dessa coleção. Normalmente nesses livros as histórias foram até de 1986 e as originais dos anos 80 da Editora Abril não foram republicadas depois nos almanaques convencionais da Globo, além de histórias que já haviam sido republicadas nos almanaques da Globo recentemente até então, não tiveram uma nova republicação nesses livros.

Esse livro da Magali foi exceção e, com isso, as histórias da Editora Abril dos anos 80 tiveram referência aos Almanaques da Magali da Editora Globo nos quais foram republicadas, com os códigos exatamente iguais como sairam em seus respectivos almanaques. Logo, histórias republicadas recentemente tiveram uma nova republicação. E tiveram histórias da Editora Globo de 1988 e 1989 que saíram nos gibis da Mônica, pouco tempo depois de terem sido publicadas pela primeira vez. E essas histórias da Globo foram republicadas em almanaques posteriores a 1991.

Como o livro é de 1991, foram republicações de histórias de cerca de 2 anos das originais. Muito cedo e quem colecionava na época já conhecia. Com isso, a gente não pôde ver os traços dos anos 70 direito, podendo comparar apenas os diversos estilos de traços dos anos 80. Por outro lado, mesmo a maioria sendo recentes para sua época, são histórias marcantes e sensacionais, que mostram a verdadeira personalidade da Magali. Só lembrando que isso de republicarem histórias recentes em livros especiais não aconteceu só nesse livro, já que algo semelhante aconteceu recentemente em "Chico Bento 50 Anos", um livro de 2012 que republicou histórias de 2010 e em "Cascão 50 Anos", de 2013, com uma história de 2010. 

A relação de histórias republicadas, com número da edição e ano foram essas:

  1. Ai, que fome! (MN # 31, de 1972)
  2. A bochechuda (MN # 184, de 1985 / AMG # 1, de 1989)
  3. Me segura senão eu como! (AMG # 2, de 1990)
  4. O desafio de Jacó Milão (MN # 194, de 1986 / AMG # 2, de 1990)
  5. Magricela que só ela (AMG # 1, de 1989)
  6. Cadê a boca (MN # 27, de 1989)
  7. Estou com fome (MN # 29, de 1989)
  8. Hora do almoço (MN # 22, de 1988)
  9. Magali (MN # 116, de 1979)

O livro abre com "Ai que fome", com 2 páginas, a Magali diz que está com fome, só que não sabe o que quer comer e, com isso, a Mônica tenta ajudar a Magali descobrir o que ela quer comer. Uma história simples que dá para ver os traços do início dos anos 70 e a única sem código no livro.

Em seguida vem "A bochechuda" em que a Magali enche a boca de frutas de uma vez só e fica com bochechas grandes e inchadas, passando sufoco para conseguir voltar ao normal. Ponto alto a parte dos bandidos colocarem a bolsa de dinheiro do assalto ao banco dentro da boca dela. Curiosidade do Joãozinho Boca de Cantor, o menino músico por quem a Magali era apaixonada na história, foi inspirado no Paulinho Boca de Cantor, um famoso cantor da época, foi representado em uma versão criança e o nome parodiado para "Joãozinho Boca de Cantor".

É uma história que saiu em 'Mônica Nº 184' (Ed. Abril, 1985), mas no livro o código teve referência ao 'Almanaque da Magali Nº 1' da Globo de 1989, quando foi republicada pela primeira vez, com o código exatamente igual como saiu no almanaque, confirmando que eles não tiraram da revista original. Até no rodapé aparece "1989 Mauricio de Sousa Produções" confirmando que foi história de abertura daquele almanaque. História excelente, mas republicada há 2 anos até então. Então, quem tinha aquele almanaque já a conhecia.

Trecho da HQ "A bochechuda"

Depois vem a divertida "Me segura senão eu como!", em que a Magali pede desesperadamente ao Titi segurá-la enquanto passa vendedores de pirulitos, cachorros-quentes, pipoca, entre outros, porque ela não pode comer. História por volta de 1983, mas com referência nos códigos ao 'Almanaque da Magali Nº 2', de 1990, quando ela foi republicada.

Trecho da HQ "Me segura senão eu como!"

Em "O desafio de Jacó Milão", Jacó Milão, um homem que acha que é o maior comilão do mundo, descobre que a Magali tem um superapetite e ele, inconformado com isso, desafia uma disputa entre ele a Magali em vários rodízios para provar quem é o maior comilão dos dois. História que saiu em 'Mônica Nº 194' (Ed. Abril, 1986), mas com referência ao 'Almanaque da Magali Nº 2', incluindo "1990 Mauricio de Sousa Produções" no rodapé, exatamente como saiu no almanaque.

Já em "Magricela que só ela", Magali se dá conta que é magra demais quando experimenta roupa nova em uma loja e então pensa um jeito de engordar. História para mostrar situações que ela come, come e continua magra. História por volta de 1984 e mais uma vez no código faz referência ao 'Almanaque da Magali Nº 1' de 1989.

Depois seguem 3 histórias originais da Editora Globo, publicadas em gibis da Mônica, pouco tempo das originais. Da época de quando a Magali não tinha revista ou poucos meses depois de ter sido lançada e então ela tinha histórias no gibi da Mônica. Como o livro não tem nenhuma história que foi publicada nos gibis da Magali, não tem histórias com personagens novos até então, como Mingau, Dudu, Quinzinho, Tia Nena e Tio Pepo, como já era de se esperar.

Em "Cadê a boca", Magali acorda sem boca do nada e por isso ela e a Mônica tentam procurar a boca pelo bairro do Limoeiro. Sensacional. Apesar de o código fazer referência a 1988, ela é uma história publicada em 1989, já que nos gibis de janeiro a março colocavam o ano anterior nesses códigos.

Trecho da HQ "Cadê a boca"

Em "Estou com fome" Magali toma uma fórmula do Franjinha e a partir daí, o estômago da Magali passa a falar e interagir com ela, deixando a Magali em situações constrangedoras. Muito engraçado ver a Magali discutindo com o seu estômago e se passando por maluca por causa disso. 

Trecho da HQ "Estou com fome"

Já em "Hora do almoço", uma simples em que a Magali vai almoçar na casa dos seus amigos, um a um. A curiosidade nela é que foi a primeira história da Globo em que aparece o pai da Magali (Seu Carlito), e já com os traços que seriam adotados para os gibis da Magali em definitivo. Na Editora Abril, era raríssimo aparecer o pai da Magali e quando ele aparecia, era desenhado completamente diferente a cada história.

Na última história do livro, volta para uma história da Ed. Abril, de  1 página, com a Magali cozinhando para o Cebolinha e Cascão. Essa sim mostrando código da revista original da 'Mônica Nº 116', de 1979. E em como todos dessa coleção, esse livro termina com uma biografia do Mauricio, com foto dele e contando sua trajetória até 1991.

Então esse livro foi muito bom, histórias com roteiros excelentes, mostrando a verdadeira Magali que conhecemos. Todas são de rachar de rir e que eu, particularmente, não canso de reler. A desvantagem é que foram pouco tempo que haviam sido publicadas/ republicadas. Podiam ter colocado histórias mais raras dos anos 70 e que não haviam sido republicadas nos almanaques da época. Porém, se para quem comprou esse livro em 1991 eram histórias recentes, hoje todas são antigas e vale muito a pena procurar e ter na coleção. Recomendo.

6 comentários:

  1. pra mim a magali era feia quando tinha os traços bicudos dos anos 70.

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    1. Pra mim nas capas eu achava q os personagens ficavam feios, mas nas hqs até q eu não achava ruim. Valeu.

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  2. Oi, Marcos! A Bochechuda tem um traço muito bom, já da mesma época da ex-amiga e algumas outras HQs da revista da Monica. E olha que cuidaram até do sofá. Um capricho que nem se vê mais hoje em dia. Bem legal essa época!

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    1. Essa hq é muito legal e esses traços são excelentes tbm. Eles tinham uma preocupação com detalhes que ficavam ótimos.

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  3. Pode ser impressão minha, mas na história "Cadê a boca", a Dona Lina (mãe da Magali), desenhada com o cabelo todo liso - não repartido ao meio, como estamos acostumados a ver -, ficou com a cara da Maria Cebolinha!

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    1. A mãe da Magali as vezes era desenhada de outra forma, com cabelos assim. Fica parecida com a Maria Cebolinha assim mesmo.

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