quinta-feira, 18 de dezembro de 2014

Cebolinha: HQ "Esperando Papai Noel"

Qual criança nunca quis ficar acordada até tarde para esperar o Papai Noel chegar com o presente de Natal? Isso aconteceu com o Cebolinha nessa história "Esperando Papai Noel", com 6 páginas e foi a que encerrou o gibi do 'Cebolinha Nº 36' (Ed. Globo, 1989).

Capa de 'Cebolinha Nº 36' - Ed. Globo, 1989)

Nela, a família Cebola estava terminando a ceia de Natal até que o seu Cebola fala para todos dormirem para esperar o Papai Noel, mas o Cebolinha diz que vai ficar esperando ele entrar pela chaminé, afinal, ele nunca o viu pessoalmente. Os pais deixam o Cebolinha esperar e, então, ele, já de pijama, fica de plantão sentado em frente da chaminé da casa. 


Cebolinha reclama da demora, até vê um movimento de terra na chaminé. Ele se abaixa, mas era um passarinho, que caiu na sua cabeça. Cebolinha o põe numa caixa com pena com a intenção de ficar lá até poder voar e volta a ficar de tocaia em frente à chaminé, afinal como o Cebolinha diz, se ele bobear, o Papai Noel escapa.

Ele espera mais um  pouco e vê outro movimento na chaminé. Quando vê, não era o Papai Noel, e, sim um limpador de chaminés, que escorregou enquanto estava limpando. O limpador achou a chaminé limpa demais e pergunta se não era a Rua das Laranjeiras, 30. O Cebolinha responde que é Rua do Limoeiro, 30, e o limpador fica uma fera, porque além de trabalhar no Natal e levar um escorregão, ainda errou de casa. 


Após ele sair, Cebolinha vê outro movimento, e agora era um alienígena e o Cebolinha se assusta, se escondendo atrás da árvore de Natal. O alienígena entra em contato com a base pelo transmissor, falando que há vida inteligente na Terra, mas não e muito corajosa. O alienígena vai embora, com o Cebolinha o achando desaforado, e reclama que a chaminé anda muito movimentada.

Cebolinha não chega a completar ao dizer que se o Papai Noel não vier logo, quando ouve uma risada do estilo do Papai Noel. Mas não era de novo, e, sim, um bandido querendo assaltar a casa. O bandido se espanta  com o Cebolinha estar acordado até aquela hora. Ele responde que estava esperando o Papai Noel. O bandido diz que não gosta de deixar testemunha, deixando o Cebolinha com medo, mas na hora desiste de fazer algo com ele e vai embora para assaltar outra casa.


Depois dessa, Cebolinha desiste de esperar o Papai Noel, se convencendo que não ele vai vir enquanto estiver lá esperando. Cebolinha vai dormir e, então, o passarinho que estava na caixa diz que ele já deu uma boa espiada no Papai Noel. Com isso, é revelado que o passarinho era o Papai Noel, que tinha se encolhido e disfarçado de passarinho para poder entrar sem o Cebolinha perceber. No final, o Papai Noel coloca o presente embaixo da árvore, desejando um feliz Natal para todos.


É uma história simples e bem legal, que mexe com a fantasia do Papai Noel com a criançada e toda a sua magia. Afinal, toda criança quis ver de perto o Papai Noel. Na MSP, nunca teve uma coerência da existência do Papai Noel. De acordo com o roteirista, em algumas histórias era comprovado que ele existia, em outras não existia, com os pais dos personagens exercendo a função, e ainda tinha algumas que ficavam uma dúvida no ar. Nessa história, o Papai Noel era verdadeiro.


Como eles gostavam de inserir bandidos nas histórias antigas, nem que sejam para fazer uma participação rápida, como nessa história. Ela tem seus absurdos clássicos, como ET saindo da chaminé que a tornam mais divertida ainda.

Curiosamente, é revelado o endereço da casa do Cebolinha. Só que endereço de casa dos personagens nunca foi padronizado. Nessa, ele mora na "Rua do Limoeiro, 30", mas em "Aniversário Infalível" (CB # 94, de 1994), por exemplo, ele morou na mesma rua, só que no "número 25". Fora, que o Limoeiro às vezes é tratado como bairro, e em outras como rua. Isso varia porque são roteiristas diferentes que fazem as histórias e não ficar lembrando o  endereço que já havia saído antes. 


Os traços são ótimos, redondos e bem grossos, como deve ser. Ficou legal o Cebolinha de pijama de bolinhas e meia. Na postagem, a coloquei completa. Ela foi republicada em vários "Mônica Especial de Natal", mas dificilmente republicariam novamente. Só a presença do bandido, já a torna incorreta. Além disso, a palavra "Droga!" também é proibida atualmente, assim como palavrões. Por isso, se fosse republicada de novo, fariam alterações toscas.

Outro ponto que a patrulha do politicamente correto podia implicar é com o fato dos pais deixarem o filho ficar acordado de madrugada para esperar o Papai Noel sentado no chão em frente à chaminé. Naquele tempo, as histórias não tinham essas preocupações, só valia mesmo a diversão, Hoje, o tempo são outros. Enfim, uma história boa que vale a pena ser relembrada.

16 comentários:

  1. capa supimpa...kkkkk

    Quando li essa HQs na primeira vez num especial de natal..gostei bastante na mágica do papai noel ficar pequeno com a roupa de passarinho ..encanta! xD

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    1. Verdade, uma capa fantástica. Até sem ser intenção, até tem um pouco a ver com essa hq, com o Cebolinha dormindo depois de esperar o Papai Noel.

      Eu tbm adorei esse final. Bem mágico.

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  2. Correção, Marcos: essa HQ já foi republicada num Especial de Natal da TM da Panini, tenho mas esqueci o número. Na época em que ainda tinha um pouco de politicamente incorreto na TM, agora está bem mais restrito, como sabem.

    Atualmente os almanaques estão republicando mais coisas de 2005 em diante. HQs que eu já tenho nos gibis originais ou nas edições dos almanaques anteriores. Ou HQs que já passaram pela Coleção Histórica. A existência da CH está meio que anulando os almanaques (não estou reclamando, gosto da CH).

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    1. Ana Silva, essa HQ acima foi republicada sim na Panini. Foi no Especial de Natal # 3, de 2009. Dos tempos em que a MSP não fazia aquelas alterações ridículas. Só espero que nessa republicação da Panini não tenha alterações. Abraços!

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    2. Ana, nem sabia, até pensava q não. Valeu pelo toque, vou alterar o texto.

      Sim, essa paranoia do politicamente correto em todos os lados, a ponto de alterar texto e desenho nos almanaques está mais forte há 2 anos. Por isso a tendência é piorar.

      Agora quanto aos almanaques atuais, até q não. Eles estão republicando mais hqs da Globo dos anos 80 e 90, só q aí com muitas mudanças ridículas em relações ás originais. Só os do Chico q costumam ter mais hqs de 2005/ 06.

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    3. Daniel, valeu pela informação. Se alteraram, provavelmente trocaram a palavra "Droga!" por "Bolas!" ou outra similar. Mas, essas alterações ridiculas estão mais frequentes mesmo há uns 2 anos.

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  3. Marcos, eu quero lhe agradecer muito por ter falado dessa HQ que eu considero especial! O legal é que eu já conhecia a história quando foi republicada no Mônica Natal # 6, de 2003, só não sabia qual gibi original era. Por isso que ela marcou minha infância, mesmo sendo incorreta e impublicável, como você falou.

    E esse Cebolinha # 36 deve ser ótimo, pena que eu não tenho. Mas pelo menos, a HQ O Natal de J. J. Júnior, que abre essa edição, é sensacional.

    Nela, um menino rico, J. J. Júnior, foge de casa, porque teve que passar o Natal com seu mordomo Damião, e não com seus pais. Aí, no dia seguinte, ele se encontra com a Mônica e o Cebolinha, eles viram amigos, ele vai almoçar na casa do Cebolinha e aí distribuem brinquedos de presente para crianças pobres. Só que nesse momento, Damião e os pais de Júnior ficam desesperados, porque achavam que ele foi sequestrado. Com isso, ele vão à casa do Cebolinha, onde o filho deles estava, e descobrem que ele realmente estava lá. Com isso, eles encontram o filho, se emocionam e acaba a história, com um final feliz e emocionante.

    Sinceramente, uma HQ de Natal dessas tinha que ser mesmo muito boa e emocionante. E se ela realmente foi feita pela Rosana Munhoz, melhor ainda. O engraçado mesmo é que colocaram no título "A Turma da Mônica". Acho que desde os anos 80, era muito comum ter HQs da turma nos gibis do Cebolinha.

    Mas, apesar de ser uma história linda, emocionante e muito bem desenhada, eu acho ela politicamente incorreta pros dias de hoje! Primeiro, porque atualmente os personagens não podem mais fugir de casa, e segundo, porque os guardas que estavam prestes a invadirem a casa do Cebolinha estavam segurando armas, que também não são mostradas hoje. Se republicassem de novo, iriam fazer aquelas alterações totalmente toscas, mas não garanto que republiquem de novo.

    Ah, não posso deixar de falar que essa história também era disponível pra ler online no antigo site da Turma da Mônica.

    Então é isso, espero mesmo que, se der mesmo, você fale de O Natal de J. J. Júnior, que eu considero um grande clássico.

    Ah, sim! O Natal de J. J. Júnior e Esperando Papai Noel foram republicadas ambas no Mônica Natal # 6, de 2003 e Mônica Especial de Natal # 3, de 2009 (espero que nessa re-re-republicação da Panini, não tenha aquelas alterações toscas), mas eu não sei se elas foram republicadas antes nos anos 90. Você poderia me dizer se essas duas HQs de CB # 36 já foram republicadas nos anos 90?

    E é isso mesmo, espero que você fale mesmo da HQ do J. J. Júnior, e me diga se você acha ela totalmente impublicável, assim como essa HQ da postagem acima. Abraços!

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    1. Não lembro quando ela foi republicada nos anos 90. Tbm não sei se "O Natal de J. J. Júnior" foi feita pela Rosana. Eu desconfio q essa "Esperando Papai Noel" pelo menos foi desenhada por ela. Apenas palpite.

      Não acho q "O Natal de J. J. Júnior" seja impublicável, mas podiam fazer certas alterações se republicassem de novo. Se der, falo dela algum dia. Abraços

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  4. Marcos, eu notei os traços e por isso mesmo li com gosto, apreciando cada página desta HQ. Como eram bonitos esses traços! Eu gostaria que não tivessem sido tao excluídos das revistas atuais, pois hoje em dia está difícil encontrar essa perfeição. Sobre as casas não serem definidas por um único número entre uma aventura e outra, nunca me importei com isso. Acho uma bobagem se pegar em detalhes assim. O que importa e o prazer que se tem ao ler a história.

    Uma bela trama! valeu por ter compartilhado.

    Um abraço!

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    1. Traços lindos mesmo, eu desconfio q sejam da Rosana. Muito boa essa hq. Já quanto a capa essa é fantástica e prefiro as q tem piadinhas.

      Abraço

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  5. Demais.. E uma capa linda.

    Mas esta história, hoje, seria proibida, pois mostra o Cebolinha ansioso com a visita do velho do saco vermelho. E, na cabeça do MSP, tudo é "sacanagem". :-)

    Abraços!!!

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    1. Capa excelente com certeza. Acho q proibiram mais pelo fato dos pais deixarem o Cebolinha ficar acordado até de madrugada. Do jeito q implicam com tudo...

      Abraços

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  6. Que bonitinha essa história, não conhecia! =D Como disseram, o traço é realmente lindo... se fosse arriscar, diria que é do mesmo(a) desenhista da primeira história da Mônica 35 (Globo), "Não Se Mexa!" - isso, ou então é o(a) mesmo(a) colorista, já que em ambas o artista não pesou a mão e as cores ficaram bem clarinhas...
    Ótima postagem, como sempre! Beijos ^.^

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    1. Capaz dessas hqs serem do mesmo roteirista, são muito bacanas. Quanto as cores, eu gostava assim bem claras, em tons pasteis. Nos gibis no final de 1989, eram normais serem assim. Lembrando q na Globo, eles viviam mudando a colorização em pouco tempo. Beijos.

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  7. Gostei da curiosidade sobre o endereço do Cebolinha. Na época da Abril não me recordo de se falar no "bairro do Limoeiro" e hoje essa referência parece ser bem comum.

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    1. Não sei bem ao certo quando passaram a dizer q eles moram no bairro do Limoeiro, mas acho q na Ed. Abril tiveram hqs falando isso.

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